Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

Santa Clara(mente) falando

Ultimamente, não tenho tido muito tempo para ver futebol, propriamente dito, quanto mais para escrever sobre o assunto.

 

Aliás, se leram os últimos textos, terão certamente reparado que tentei fugir do tema, tanto quanto possível.

 

Pudera. Das seis partidas que vão jogadas na nossa pré-época, apenas consegui seguir o jogo contra o Santa Clara. Dos outros, apenas o que foi aparecendo nos resumos, e os golos. E alguns deles, que golos! Impressionantes os do Maicon, pela raridade, e brilhante o do Iturbe.

 

Portanto, tudo aquilo que se segue tem por base, fundamentalmente, o que consegui observar no jogo contra os açorianos.

 

 

 

Naquele (re)encontro de cunhados, a pretexto do Troféu Pauleta, o que mais me surpreendeu pela positiva foi a consistência revelada pela nossa equipa, principalmente do ponto de vista defensivo.

 

Digo isto porque, a bem dizer, levamos quase uma pré-época inteira com as faixas laterais da defesa ocupadas por duas adaptações, o que poderia propiciar algum desconforto. Mas não.

 

É bem certo que os adversários foram o que foram, e que são apenas treinos, como disse o Mourinho, depois de levar cinco. Mas ainda assim, até Valência, foram cinco jogos e cinco vitórias, sem sofrer golos. Noutros sítios, seria o título da Liga, da Taça da dita cuja, e da Champions, já ali ao virar da esquina!

 

Contra os insulares, gostei de ver o Fabiano. Pareceu-me, quando o vi jogar em Olhão, e continua a aparentar ser um muito razoável guarda-redes. Até talvez demasiado bom, e principalmente, demasiado jovem, para ficar uma época inteira à sombra do Helton.

 

O puto Kadú entrou nesse jogo, e fez logo uma defesa para a fotografia. Na baliza parece-me que estamos bem servidos se ficarmos com o Helton, o Bracalli, para o que der e vier, e o miúdo ou outro da equipa B à espreita.

 

Na lateral-direita não me agrada ver o Djalma. Lá porque o Coentrão deu resultado, até parece que agora têm de nascer debaixo das pedras extremos que dêem bons defesas.

 

O Djalma não é suficientemente forte defensivamente, o que, se a outra equipa alinhar com três avançados exige uma atenção redobrada ao médio que cai para aquele lado, ou do trinco. Num meio-campo com o Lucho Gonzalez, talvez seja uma sobrecarga excessiva para os outros dois elementos.

 

O regresso do Miguel Lopes em Valência, leva a crer que será a alternativa mais fiável ao Danilo. A parte chata é que, também o Miguel Lopes, a defender não é aquilo a que possa chamar um primor de segurança. O golo do Valência, apontado na pequena—área ou lá por perto, pareceu-me resultar de uma falha de marcação sua.

 

Os centrais estão encontrados. O Otamendi e o Maicon são, sem dúvida os esteios daquele sector. O Rolando, quanto a mim, pode ir fazendo as malas, ou preparar-se para passar muito tempo sentado, e o Mangala, terá que ter paciência, mas será sempre a terceira opção.   

 

Para quarto central, ao contrário de muitas opiniões, ficaria com o Sereno. Gostei de o ver contra o Santa Clara, nos poucos minutos que fez a posição ao lado do Rolando. No entanto nem é tanto por aí.

 

É mais pela preocupação em relação à lateral-esquerda, quem possa lá jogar, e pela possibilidade de, numa emergência, o Sereno poder fazer o lugar.

 

Aí a coisa afigura-se mais complicada que do outro lado. Partindo do princípio que o Álvaro Pereira será descartável, restam o Alex Sandro, o Emídio Rafael e o David Addy.

 

Pelo que até à data, deu para ver do Alex Sandro, deixá-lo sem concorrência poderá constituir meio-caminho andado para que baixe a guarda. Conviria ter alguém a espicaçá-lo, que, admito, não será o Sereno, como também não serão o David Addy ou o Emídio Rafael, este caso recupere.  

 

O David Addy, por muito bom rapaz que possa ser, sinceramente, não acho que chegue para ficar no Dragão. Equipa B? Será que aceita?

 

No meio-campo, gostei de ver o Fernando. É raro não gostar. Esteve mais participativo, e a transportar com frequência a bola, naquilo a que agora chamam a primeira fase ou primeiro momento de construção do ataque.

 

Ou por outras palavras, aqueles três primeiros passos que dá com a bola dominada, na direcção do meio-terreno contrário, para depois servi-la a um dos outros médios, ou enviá-la em passe vertical para o ponta-de-lança de serviço, evitando que o ataque principie num chuto para a frente do Maicon.

 

Continua a preocupar-me que ainda não tenhamos um suplente à altura para este rapaz.

 

Quanto aos outros dois, o grande problema do Defour, é o mesmo de quase todos os médios deste Mundo, excepto um: não é o João Moutinho.

 

No mais, é um jogador de equipa. Não é uma primeira figura, para isso está lá o Lucho Gonzalez, mas também, nunca o vi ser dos piores em campo. Quando as coisas correm mal à equipa, não é ele que irá certamente levá-la às costas, quando saem bem, integra-se e é capaz de fazer umas coisas interessantes.

 

Do Lucho, todos sabemos que não regressou tanto pelo que possa jogar, mas pelo que faz jogar, e pela capacidade de impor a sua voz de comando, dentro e fora do relvado. Ainda assim, esperam-se sempre uns bons sessenta minutos em cada jogo.

 

Desde que a partida se resolva nesse período, tudo bem, se não, quais são as alternativas?

 

No meio-campo da época passada, seria o Defour. Para já, temos o Castro, ou o tal duplo pivot, que também foi ensaiado contra o Santa Clara, com o Kelvin para diante, à frente do João Moutinho e do referido Castro.

 

Admitindo-se, neste caso, a hipótese do Danilo jogar numa das duas posições mais recuadas do triângulo, e mesmo ficando o Castro por cá, ainda é curto.

 

No ataque, temos gente e temos qualidade. No entanto, sendo a manutenção do Hulk a única dúvida, em caso de saída, o que há, como diria a minha Avó, tem avonde para consumo interno, para a Champions, tenho dúvidas.

 

Dos novos, o Atsu não é para mim novidade. Está a encher-me as medidas e confirmar as minhas expectativas.

 

 

Sobre o Kelvin, tenho lido e ouvido muita coisa. Que é “brinca na areia”, que tem talento, mas não tem maturidade competitiva suficiente, que se desinteressa dos lances, que lhe falta garra, que deveria rodar emprestado mais uma temporada, ou ir para a B.

 

Todas elas visões a considerar, sem dúvida, e por incrível e muito pouco coerente que pareça, até concordo com quase todas elas, excepto a parte do ser emprestado ou ir para a B.

 

Na minha opinião, mais do que o talento, o Kelvin tem uma boa percepção do terreno de jogo, do seu posicionamento no dito, e do dos colegas. Depois, tem, de facto, a tal componente técnica de “brinca na areia”, que lhe permite fabricar passes açucarados, como na triangulação Atsu-Kelvin-Castro, do terceiro golo contra o Santa Clara.

 

Por mim, depois daquela jogada, ficavam os três na equipa principal. E é aí que me parece o lugar, também do Kelvin.

 

Passo a explicar. Se em Vila do Conde, com todos os defeitos que lhe apontam, fez vinte e sete jogos, será que sendo novamente emprestado ou indo para a equipa B, não acontecerá o mesmo?

 

Ou seja, dada a sua qualidade, o puto vedeta, por muitos erros que cometa, o mais provável é que continue a jogar, e dificilmente se corrigirá.

 

Não seria preferível, digo eu, mantê-lo no plantel principal, fazê-lo crer que tem mesmo hipóteses de entrar no onze, dar-lhe um cheirinho, fazendo-o entrar de vez em quando, para que compreenda que está nas suas mãos, desde que se esforce, e quando não o fizer…ala, uns joguitos de castigo no banco!

 

Dá-me ideia que seria a melhor forma de o fazer crescer como jogador. Mas não queiram fazer dele um extremo, porque ainda é menos extremo que o James, e por outro lado, é mais matreiro e tecnicista do que este. Se se coloca a hipótese de por o James a jogar atrás do avançado-centro, esse será o lugar natural do Kelvin.

 

Quanto aos restantes, sendo o Jackson Martinez para rever, restam uma dúvida e uma preocupação. Valerá a pena ficar com o Kléber e o Janko?

 

Começo a ter sérias dúvidas. O Kléber depois dos golos iniciais contra o Servette, um pouco à imagem da pré-época da temporada passada, tornou a desaparecer.

 

A manutenção dos três só se justificará, caso efectivamente, o Hulk parta, e como actulamente, para fazer face a alguma eventual lesão.

 

A preocupação é o Iturbe. Marcou um golo espectacular contra o Celta de Vigo, só que, no jogo dos Açores, por exemplo, não lhe vi um pingo de jogo colectivo.

 

Faz arrancadas com a bola colada ao pé, sim senhor, tem uma técnica apurada, mas, ao contrário do Kelvin, não lhe vi uma noção de jogo de equipa. Ânsia de se mostrar? Talvez.

 

Se não corrigir essa pecha, a ele sim seria de emprestar, tendo presente que esteve uma temporada quase sem jogar, e que apesar de se tratar de um jovem, tem algum cartel na América do Sul.

 

Seria um desperdício empresta-lo por cá ou coloca-lo na equipa B. Poderia rodar numa equipa sul-americana com algum potencial, para tentar regressar à sua selecção, e recuperar alguma da confiança que eventualmente, lhe falte. Ou então, num futebol competitivo, como o daqui ao lado, que o obrigue a soltar a bola, antes da sarrafada.

 

O Depor parece que está a receber jogadores emprestados de todo o lado, não estará interessado no Iturbe?

 

Entretanto, toda a gente quer o Moutinho. Ainda não acabou Julho, e já estou farto disto. Se não fossem as férias por gozar, não me importava que viesse Setembro duma vez por todas.


Nota: Uma nota para a alteração que o Santa Clara introduziu no emblema. Apesar da águia, está muito mais tragável.

 

sinto-me:
música: Build - The Housemartins
publicado por Alex F às 13:17
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