Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2012

Il y a quelque chose qui cloche (em azul e branco)

Para que não fiquem a pensar, e que alguns venham reclamar, que só tenho olhos para outro(s) lado(s), aqui ficam, também do nosso lado, uns quantos apontamentos também eles dissonantes entre si. Na minha modesta opinião, é claro…

 

 

Do volume e da intencionalidade

 

Nos últimos três encontros disputados cá na lusitânia, fomos bafejados em lances duvidosos, por decisões arbitrais que, não tenho rebuço em admiti-lo, nos foram favoráveis.

 

Do mesmo modo que também ocorrera com o segundo penálti, na vitória sobre o Sporting.

 

É algo a que, vidé as primeiras jornadas desta edição da Liga, e mesmo no próprio jogo contra Moreirense, o último disputado, em que nos foi sonegada mais uma grande penalidade, não estamos habituados.

 

Nem nós, nem os nossos concorrentes, como se viu pelas reacções de várias figuras de um certo presépio, de onde ainda não expulsaram o burro.

 

Sobre o lance da Pedreira para o campeonato, disse-o na altura que, tendo em conta o entendimento vigente nesta matéria da inteligentzia futebolística, não me surpreenderia se tivesse sido apontado castigo máximo.

 

Apesar da curta distância a que é desferido o remate pelo Alain, e da, quanto a mim, mais que evidente, ausência de intencionalidade da parte do Alex Sandro, o facto de o membro com que o esférico impacta não se encontrar junto ao corpo, permite-lhe ganhar um acréscimo de volumetria, logo, penálti.

 

No regresso à Pedreira, para a Taça de Portugal, o lance com o Fernando e o Hugo Viana, não dá azo a grandes dúvidas.

 

Contra o Moreirense, aí sim, parece haver intenção do Alex Sandro, não de jogar a bola com a mão, mas de proteger-se. Ainda assim, há uma qualquer intencionalidade, uma (ou duas) mão(s) e uma bola, ou seja, os ingredientes necessários para a polemizar em torno do acontecimento.

 

Contudo, neste caso, não há qualquer ganho visível de volumetria: as mãos estão em frente ao corpo. Se a bola não lhes embatesse, de certo bateria noutra qualquer parte do dito.

 

E assim sendo, em que ficamos?

 

No primeiro caso, há ganho de volume, e não há intenção, no segundo, há intenção, mas não há volume ganho. E são os dois penálti? Porquê? A regra é disjuntiva? Em certos casos aplica-se um “ou”, e noutros…outra coisa qualquer?!

 

Ou, só será mão quando se aplicam ambos, ligando-os através de um “e”? Não seria mais razoável, e até talvez, quem sabe, mais dentro do espírito da lei?

 

 

…e não tivemos Paris

 

 

Não se deixem iludir pela imagem que encima o texto. Se esperam um desfiar de um rol de críticas ao nosso treinador, não continuem, porque estava e estou inteiramente de acordo com a afirmação destacada.

 

Tínhamos, e temos, plantel para ganhar em Braga, duas vezes seguidas, se for preciso, e em Paris. Mas não ganhámos. De facto, perdemos tanto em Braga, ao segundo ensaio, como em Paris. As duas primeiras derrotas da única equipa que até aí, ostentava a aura de imbatível em partidas oficiais.

 

Vi os dois jogos, quase todinhos. Ando a ver muito futebol ultimamente. E logo havíamos de perder os dois…

 

Sim, é verdade que estranhei a gestão do plantel feita em Braga. Compreendo perfeitamente que é imperioso ir dando, na medida do possível, minutos aos que menos frequentemente alinham, e gerir o esforço dos que são mais assíduos no onze, assim como a motivação de uns e outros.

 

Mas, logo em Braga?! Onde, ainda há uma semana triunfáramos, e os artistas locais não ficaram propriamente convencidos. E com o Olegário Benquerença no apito. Tantas modificações, quando o que estava em causa na Champions, nem por sombras se afigurava uma questão de vida ou morte, porquê?

 

Pronto, foram quatro jogos em treze dias (do SC Braga, para a Liga, em 25 de Novembro ao Moreirense, em 8 de Dezembro), é verdade.

 

No entanto, terá sido um ciclo assim tão infernal, que cheguemos à partida contra os homens de Moreira de Cónegos, num tal estado que o nosso treinador, perante um jogo menos conseguido, se dê por feliz por vencer, desse lá por onde desse?

 

Vejamos. Dos jogadores intervenientes nestes desafios, apenas o Mangala e o Otamendi, estiveram em campo os, pelo menos, 360 minutos jogados.

 

O James Rodriguez também alinhou inicialmente nos quatro encontros, mas foi substituído no último, aos 90 minutos.

 

O Danilo (301’) alinhou de início em três desses jogos, e foi suplente utilizado num deles, e o Lucho Gonzalez (253’) e o João Moutinho (269’) alinharam de início em três, sendo substituídos uma vez, e entraram em substituição de um colega no restante.

 

O Defour (209’) entrou de início duas vezes, e foi suplente utilizado, outras duas, e o Atsu, substituiu colegas por três vezes, e alinhou de início apenas uma, totalizando pouco mais de 110 minutos em campo.

 

Helton, Alex Sandro, Fernando, Varela e Jackson Martinez contam três presenças cada um (270’, 266’, 219’ 233’ e 270’, respectivamente).

 

Portanto, apenas quatro homens fizeram mais de três jogos completos: Mangala, Otamendi, James e Danilo.

 

Como seria expectável, na equipa titular que alinhou contra o Moreirense, todos os elementos faziam, no mínimo, a sua terceira partida.

 

Assim sendo, e como disse, compreendendo a necessidade imperiosa de dar alguma rotação ao plantel, e que azares, como os que aconteceram ao Danilo, ao Helton, e porque não, ao Castro, por vezes acontecem.

 

Contudo, será isso motivo e justificação suficiente para sermos eliminados da Taça de Portugal?

 

Ou para a entrada titubeante no Parque dos Príncipes, para depois até equilibrarmos as coisas, e empatarmos a partida com alguma relativa facilidade?

 

Ou ainda, para entrarmos num jogo em casa, contra o Moreirense, o último classificado, em modo de “ganhar, dê lá por onde der”, e ficar satisfeitos com um 1-0?

 

Esta Liga é cada vez mais uma corrida a dois, e os golos marcados e sofridos podem fazer a diferença. Ou isso, ou resolvemos a questão em Janeiro…

 

 

O Dragaleão de Oiro

 

 

Apesar de o meu cunhado afiançar garantidamente que o homem era sportinguista, custava-me a acreditar.

 

Por curiosidade, fui confirmar, e é mesmo verdade.

 

Ainda assim, não me choca nada que lhe atribuam um Dragão de Ouro. Que mais não seja por uma questão de diplomacia. E também não me choca que o ministro Miguel Relvas tenha sido convidado para a cerimónia, pelo mesmo motivo.

 

Além do mais, sempre vai sendo a única forma de um sportinguista receber um troféu de jeito…

 

Por outro lado, não acho tanta piada ao facto de se atribuir um Dragão de Ouro a um sportinguista, de quem Manuel Vilarinho disse um dia, a seguir ao almoço: "Votem neste homem, que é este homem que vai ajudar [quem nós todos sabemos]!".

 

E de facto, ajudou. Isso é que me custa a engolir.

 

Mas pronto, também não é nada de novo. O Rui Pedro Soares também é Dragão de Ouro, e no entanto, não deixou por isso de merecer uma cartinha de recomendação vinda pelo outro lado.

 

 

E afinal, temos empréstimo

 

Estávamos a 10 de Setembro, e eu escrevia:

 

“(…) tomando como exemplo este caso concreto do Hulk, haveria mesmo a necessidade imperiosa de vender, agora e pelo preço a que se realizou a transação, seja ele qual fôr?

 

Tem-nos sido dito que sim. A maior parte dos sócios e adeptos acredita que sim. Muito sinceramente, também me parece o mesmo. Mas afinal, qual o impacto da transferência do Hulk nas contas da nossa SAD?

Desta vez, o argumento mais abundantemente empregue para justificar o estado de necessidade, foi o pagamento do empréstimo obrigacionista de 18 milhões, que vence até ao final no corrente ano.

 

Será isso? Se foi por 18 milhões, então as vendas do Álvaro Pereira, do Guarín e do Belluschi, resolviam a questão, e ainda sobravam uns trocados.

 

Indo ao Relatório de Contas Consolidado do 3.º trimestre – 2011/2012 (pág. 14), retiramos que o passivo da SAD ascendia, àquela data, a 214.171.035 euros, dos quais € 167.533.480, classificados no passivo corrente.

 

Por seu turno, o activo corrente é apenas de € 52.683.659. Portanto, sejam 40 milhões, 31 milhões, ou qualquer outro valor intermédio ou abaixo daqueles dois, o desequilíbrio era de tal sorte, que não é a venda do Hulk que vai equilibrar as contas.

 

Que ajuda, é inquestionável, mas daí até se concluir, neste momento e pelo montante que seja, pela sua imprescindibilidade, é outra história. É um daqueles casos que alivia, mas não cura”.

 

E aí está um novo empréstimo obrigacionista. Desta vez, inicialmente de 25 milhões de euros, aumentado posteriormente para 30 milhões, até 2015, à taxa de 8,25%.

 

É compreensível este esforço de consolidação e reestruturação do passivo, aliviando o curto-prazo e a tesouraria, como muito bem escreveu na altura própria o Dragão Vila Pouca.

 

A minha questão é outra. Uma operação inerente a um empréstimo deste tipo não é montada da noite para o dia.

 

Será muito natural que, em Setembro, quando foi vendido o Hulk, a coisa estivesse em marcha. Assim sendo, a sua venda não terá decorrido tanto da necessidade pontual de fundos para o pagamento do anterior empréstimo, como, ao menos a mim parecia, mas antes teve o seu quê, e não será pouco, de estrutural.

 

Portanto, eis que me vejo regressado à minha dúvida de 10 de Setembro:

 

“a venda do Hulk, neste momento e por qualquer que seja o valor, era efectivamente imprescindível ou vem resolver definitivamente alguma coisa, do ponto de vista financeiro?”
sinto-me:
música: One way or another - Blondie
publicado por Alex F às 18:37
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