Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013

Gregos e troianos

 

«Uma jornada aparentemente sem história deixou que contar, sobretudo porque mostrou um FC Porto mais forte que nunca, com capacidade colectiva para esconder ausências individuais e uma qualidade táctica que ofensivamente castiga os adversários (com mobilidade, qualidade na troca de bola e... Jackson Martinez) e defensivamente passa jogos inteiros sem sobressalto (Guimarães foi mais um). Vítor Pereira terá, em definitivo, calado os críticos mais ferozes que várias vezes lhe sugeriram incompetência. Estavam enganados, embora muitos se esqueçam agora do que então disseram ou escreveram. Destaco quatro pontos de força do FC Porto actual:

 

1. Um modelo que garante eficácia em todos os momentos do jogo e que tem na qualidade do processo defensivo uma imagem de marca. Destaca-se a reacção à perda de bola, a capacidade de "abafar" o adversário, ou seja, uma transição defensiva muito forte, que permite recuperações rápidas e impedem o adversário de ser perigoso, mantendo-o distante da área portista. É uma equipa a quem é muito difícil marcar golos (em casa ainda só sofreu um);

 

2. Uma evolução significativa do processo ofensivo, com multiplicação de soluções e mais jogadores envolvidos (até Fernando) - seja perante equipas com blocos mais baixos ou mais subidos (como foi o Vitória) -, e trocas posicionais sucessivas que a tornam menos previsível do que era no passado. E com um avançado como Jackson, que tanto é eficaz na área como demolidor se tem espaço para acelerar (como teve em Guimarães), o adversário terá sempre dúvidas sobre o melhor modo de defender;

 

3. Força invulgar do jogo interior (zona central), com a técnica de recepção e passe a garantir troca de bola de qualidade mesmo em espaços reduzidos, potenciando uma posse objectiva, também pela capacidade de libertar os corredores para a vocação ofensiva de dois excelentes laterais (Alex Sandro mais talentoso, a caminho de ser dos melhores do mundo). É neste ponto que a comparação com o Barcelona faz mais sentido;

 

4. Muita eficácia na bola parada ofensiva, bem treinada, e com um Mangala invulgarmente poderoso a juntar-se a Jackson e Otamendi (ou Maicon) para dar a melhor sequência à qualidade dos cantos e sobretudo dos livres laterais de Moutinho (ou James).

 

Nada garante, no entanto, que o FC Porto vá ser campeão, já que o Benfica tem feito igualmente uma época de grande nível e promete luta até ao fim. E, já agora, o sucesso da carreira doméstica de qualquer dos candidatos até pode passar pelo maior ou menor investimento nas provas europeias e pela gestão do desgaste, físico e anímico, delas resultante. No entanto, e ao contrário do que parecia há um par de meses, é agora o FC Porto que parece em vantagem. E não apenas no goal average.»

 

Carlos Daniel

 

in Diário de Notícias, 06-02-2013 

 

 

 

“FC Porto está para o campeonato português como o Barcelona está para Espanha», afirmou, este sábado, o defesa do Vitória, na flash interview da Sport Tv. (Retirado de SAPO Desporto)

 

Esta foi a comparação que Alex fez depois da o FC Porto ter derrotado o Vitória de Guimarães. Perante tal afirmação muita gente ficou simplesmente maravilhada com tal coisa. Muitos chegaram mesmo a babar-se de tanta alegria, pois não é todos os dias que os Dragões são comprados a uma equipa de Classe Mundial como o FC Barcelona no que ao futebol praticado diz respeito.

 

Contudo eu não sigo esta linha de raciocínio. E não o faço por três simples razões:

 

- Tal comparação é um pau de dois bicos. Se por um lado arrasa por completo com a confiança dos adversários dos Azuis e Brancos, por outro pode ter o indesejado efeito de deslumbrar os Atletas e Treinador do FC Porto. O Campeonato só acaba quando soar o último apito da última partida da Liga Zon Sagres e, como é sabido, nada está ganho sem que se trabalhe para isto;

 

- Cada Campeonato tem as suas especificidades e equipas que o caracterizam. E como é óbvio estas características variam de Campeonato para Campeonato. Por exemplo, no Campeonato Inglês privilegia a velocidade, no Holandês é tudo para a frente e Fé em Deus, em Espanha reina o Tiki Taka, em Itália dá-se preferência ao Catenacio, etc. isto para dizer que em todo o Planeta futebol não existem equipas que pratiquem um futebol igual. Não é por acaso que ainda ninguém conseguiu derrotar a Selecção Espanhola nos grandes eventos futebolísticos;   

 

- Por último o Futebol Clube do Porto já há muito que é considerado um Clube de Classe Mundial e como tal dispensa comparações com outros do mesmo calibre. Isto de querer ser igual a não sei quem é algo que antes da final de Viena fazia muito mais sentido.

 

Por isto deixemo-nos de tretas e não alimentemos perigosas comparações. Já diz o Povo: “Cada Macaco no seu Galho”. O FC Porto é o FC Porto e o FC Barcelona é o FC Barcelona e ponto final. Assim como a Liga Zon Sagres em nada tem a ver com La Liga BBVA.”

 

 

Ora, cá está uma evidência de que nunca se consegue agradar a todos, ou a gregos e troianos, em simultâneo.

 

O primeiro texto, cujo autor está bem identificado, roubei-o do Reflexão Portista. Espero que não me levem a mal.

 

Entre outros encómios, procura encontrar um sentido, tanto mais redutor quanto possível, para a comparação feita pelo Alex, do Vitória de Guimarães, entre o FC Porto e o Barcelona.

 

Quanto ao segundo, cuja autoria propositadamente omiti, deixo ao vosso critério tentar ou não descortinar a sua origem. Uma coisa garanto-vos, dados os tempos de provações económico-financeiras que atravessamos, não serão dadas quaisquer alvíssaras a quem eventualmente a descubra.

 

Respostas para a caixa de comentários, s.f.f., e se ninguém acertar, ou sequer se preocupar com o assunto, volto a ele logo que possível.

 

Para já, limito-me a observar que deverão ser poucos os portistas que repudiam a comparação do seu clube ao Barcelona.

 

Ou valha a verdade, deverão ser poucos os adeptos de outros clubes, talvez com a excepção dos madridistas, que ficarão desagradados com tal comparação.

 

…mas que os há, pelos vistos, há!

sinto-me:
música: The pros and cons of hitch hiking - Roger Waters
publicado por Alex F às 13:35
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4 comentários:
De penta1975 a 7 de Fevereiro de 2013 às 17:59
@ Alex

não sei o que fizeste (ou não n)o Verão passado, mas sei onde sacaste o segundo texto.
não precisei de muito tempo a pesquisar a sua fonte, pois li-o ontem à noite, poucos minutos depois de ter sido difundido. como tal, fiquei surpreso pelo que descobri na caixa de comentários...

pois que, quem como nós gosta de Futebol, será natural torcer por mais do que um clube.
eu sou portista, mas adoro o Inter. não é (de todo!) um Amor como para com o primeiro, mas não fico indiferente aos eus (in)êxitos desportivos. considero-o o meu segundo clube - uma espécie de "amante" para o Futebol.
o mesmo já não se passa em relação ao Barça: tenho-lhes asco, tal como repudio o Real (de Madrid). as razões? são muitas, pelo que não pretendo ser fastidioso. mas a principal é a sua catalã arrogância, que me faz lembrar um «certo e determinado» clube da Segunda Circular (dito «glorioso»).
(desculpa se te ofendi com estas palavras, mas não pretendi, de forma alguma, chamar-te de lampião - nem a quem se identifica como "culé". só não gosto deles, pronto! já sobre o Messi, isso é outra estória)

abr@ço
Miguel | Tomo II
De Alex F a 7 de Fevereiro de 2013 às 22:38
@Miguel,

Esta vida é verdadeiramente um mar de desilusões.
É verdade, é perfeitamente natural que quem gosta de futebol, estando ele espalhado por todo o globo, sinta empatia por outros clubes noutros países, para além do seu.
Eu, por exemplo, gosto do Barça, em Espanha. Em Itália, perfiro o AC ao Inter, em Inglaterra, sempre gostei do Liverpool, e na Alemanha, tive desde miúdo um fraquinho pelo Hamburgo. Actualmente, tanto me faz, só detesto o Bayern.
Também compreendo que alguém não goste do Barça, como tu, e na realidade, estou-me perfeitamente borrifando para isso.
Agora, o paralelismo que fazes entre o Barça e o clube do regime cá destas bandas, é muito mais evidente com o Real Madrid, que foi sem dúvida o clube do franquismo.
Por isso, custa-me um bocado a engolir que se critique o clube do regime cá dentro, e se apoie o clube do regime dos outros.
Mas isso é problema meu.
Assim como também é problema meu o não entender porque é que um blogue afecto ao FC Porto, há-de dar tempo de antena ao Real Madrid (e também ao Barcelona, mas se reparares, o tipo que era suposto escrever sobre o Barça, raramente escreve), e pior ainda, classificar de "melão", quem quer que seja.

Não temos gajos suficientes de vermelho e de verde para insultar?

Quanto às férias, foram aqui: http://azulaosul.blogs.sapo.pt/102974.html

Abraço
De penta1975 a 7 de Fevereiro de 2013 às 22:57
pensemos assim:
são escolhas editoriais :D

post scriptum pertinente:
eu sei que o Real Madrid é o clube do regime espanhol, pois conheço um pouco da sua História. mas, para mim, está ao nível de um Barça nos meus odiozinhos de estimação.
abomino «ambos os dois», com particular incidência para o clube "culé". porquê? já vais saber.
a minha única ida a Barcelona foi inserida numa visita de estudo do primeiro ano da faculdade, corria o ano de 2000. estive lá uma semana. puto imberbe e bastante inconsciente (com 21 anitos), levei um cachecol e uma camisola do FC Porto comigo "só porque sim". na Quarta-feira dessa semana houve jogo de champions. defrontavam-se Barça e... AC Milan - um dos jogos de cartaz da prova. os italianos venceram por 0-2.

estive(mos) nas imediações do Camp Nou, nesse dia de Setembro. seríamos uns oito/nove (já não tão) putos. mas não ficámos mais do que quinze minutos. foi pior do que estar nas imediações do estádio da agremiação de Carnide. nunca me senti tão mal, nem com tanto receio pela minha vida. e o que ouvi deixou-me a "gostar" tanto do Barça e dos seus adeptos como de quem tu sabes quem...

tal não invalida que respeite os teus gostos - pois estes não se discutem. agora e como tal, não me peçam para gostar de quem abomino e tenho um asco que nem te conto.

abr@ço
Miguel | Tomo II

De Alex F a 7 de Fevereiro de 2013 às 23:16
Fair enough.
Cada um na sua, vivó Porto, carago!

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