Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Antevisão da época 2009-2010, em tons de azul

No Domingo que passou teve início oficial a época futebolística de 2009-2010, com a vitória do FC Porto sobre o Paços de Ferreira, na Supertaça Cândido de Oliveira, aquela que, como dizia aqui há uns anos, o Manuel Galrinho Bento, se joga “a feijões”.

 
Isto ao nível nacional, porque internacionalmente já contamos com duas equipas encostadas às boxes: o Sporting de Braga e o Paços de Ferreira. Mau começo para o Domingos Paciência em Braga. Vamos lá ver se os bracarenses têm paciência, para além dele!
 
No entanto, nem tudo foi mau na estranja. O Sporting, com um golpe de ombro pastorício, lá conseguiu eliminar o Twente, e agora venha de lá a Fiorentina.
 
Esta antevisão, assim sendo, já vem um bocadinho a destempo, mas, como até me divirto, vai ser interessante lá para Maio, constatar se pesco um coche da bola ou não. Provavelmente se acertar nalguma coisa, passe a modéstia, será por mera casualidade.
 
Obedecendo ao alinhamento prevalecente dos candidatos ao título, e só destes, porque dos outros, tenham dó, cá vai.
 
Benfica. O Sport Lisboa e Benfica é, claramente, o principal candidato ao título da Liga Sagres 2009-2010.
 
Um clube com seis milhões de simpatizantes, que, de entre todos os clubes do Mundo, tem o maior número de associados, ainda que alguns não paguem quotas há mais de 30 anos. Um clube que tem como presidente Luís Filipe Vieira, como responsável pelo futebol, o “Maestro” Rui Costa, e o melhor treinador português, tem que ser o principal candidato ao título.
 
Uma SAD que gasta 20 e não sei quantos mais milhões de euros, em contratações de jogadores, alguns que mal aterram, e assim que o treinador lhes põe os olhos em cima, fazem ricochete, e vão de volta, e que só vende, por algo que valha a pena (dois milhões de euros), um jogador - o Katsuranis, tem que ser o candidato número um ao título.
 
Uma equipa que ganha a Eusébio Cup, sim, a EUSÉBIO CUP, e logo ao grande AC Milan, desculpem lá, mas ainda que a alguns custe a aceitar, é assim mesmo, e não há volta a dar. Especialmente quando os principais adversários, claramente, ficaram na mesma, ou perderam potencialidades.
 
O Sporting tem praticamente a mesma equipa que, nas últimas quatro épocas, se classificou à frente do Benfica. Por isso, dadas as melhorias na equipa da Luz, este ano é que não vão ter hipótese.
 
O FC Porto, à medida que o Benfica ia contratando grandes jogadores, trocou os seus dois melhores jogadores, dizem por aí, por quase uma dezena de jogadores medianos, ou desconhecidos. Também não vai lá.
 
A equipa-base que não deve fugir muito disto: Júlio César; Maxi Pereira, David Luiz, Luisão e César Peixoto; Javi Garcia; Ramires e Aimar; Saviola, Cardozo e Di Maria, tendo em conta o modelo de jogo que Jorge Jesus utilizava no Sporting de Braga.
 
Como se vê, ainda ficam de fora, muitos e bons jogadores: Quim, Moreira, Sidnei, Miguel Vítor, Shaffer, Ruben Amorim, Carlos Martins, Urreta e Yebda (se ficar). E no ataque então, é um deslumbramento: Nuno Gomes, Mantorras, Fábio Coentrão, Keirrison e Weldon.
 
Pergunto-me, tendo em conta as lacunas que foram apontadas ao plantel da época transacta, onde é que param os defesas laterais? Sendo a integração do Luís Filipe uma incógnita, quanto tempo levará o Jorge Jesus até pôr o Miguel Vítor à direita? O David Luiz já fez uma perninha a lateral esquerdo, e muita porrada deu ele nas perninhas dos milaneses, enquanto o Sidnei ganhava tempo de jogo a central.
 
Curiosamente, sai o David Luiz, entra o Shaffer, e faz o cruzamento para o golo. E agora com mais o César Peixoto? A ver vamos.
 
No resto, o Benfica permanece igual a si próprio. O caceteiro-mor, Maxi Pereira, está fora por dois meses, mas tem lá os seus escudeiros: o David Luiz, o Luisão e o Miguel Vítor. É mais do mesmo, com o Javi Garcia a parecer perfeitamente integrado na filosofia de jogo destes colegas, e o Ruben Amorim a continuar a fazê-las pela calada.
 
Uma porradinha aqui, outra ali, mas sempre à sorrelfa, para não dizer à canídeo.
 
Estamos indubitavelmente perante o principal candidato ao título. Sem qualquer discussão.
 
O único contra que vejo, é a possibilidade do Fábio Coentrão ficar no plantel. É que, ficando, dificilmente jogará. Se fosse emprestado, pelo menos contra o FC Porto, haveria de fazer dois jogos do caraças!
 
Admitamos, é muito pouco em contra.
 
Sporting. A equipa do Sporting Clube de Portugal, especialmente depois de ver o jogo fora contra o Twente (o do golpe de ombro do Rui Patrício), parece-me mais fraca do que na época passada. Comparativamente com o Benfica, já se viu que não tem hipóteses.
 
A perda do Derlei, não é fácil de superar. Não pelo muito que aquele jogasse, mas pelo empenho e dedicação que punha em campo, batendo-se sempre com grande abnegação. E, fundamentalmente, pela componente traumática, pré e pós entrada ao lance, que induzia nos adversários, e que os fazia pensar duas vezes, antes de discutirem uma jogada com o “Ninja”.
 
O Romagnoli até era engraçado, e dava umas voltas e reviravoltas giras, quando pegava na bola. Claro está que isto de dar voltas, é como dizia o João Pinto, são 360º, e não se sai do mesmo sítio. Bem, o “Pipi”, acabou por sair, e já não mora em Alvalade. Fico triste e feliz, ao mesmo tempo, porque, tirando os jogos contra o Porto, em que, por burrice do Jesualdo, o dito cujo até conseguia desequilibrar, nos outros jogos, não fazia nada de especial.
 
O Ronny também saiu. E é também uma grande perda, dada a mais valia que constituía para o Sporting na marcação dos livres directos. Já para não falar dos lançamentos laterais. Perdi a conta aos golos que marcou de livre!
 
Os que entraram, não me parecem muito diferentes dos que lá estão. Excepto o Caicedo, que é muito mais forte que o Derlei, e por enquanto, ainda parece distinguir as pernas dos adversários da bola. O André Marques parece integrado no espírito da equipa, e o Matias, até agora parece uma espécie de Romagnoli, sem tatuagens (pelo menos que eu tenha visto), logo, com melhor aspecto. Dá a impressão que tem um estilo de jogo mais perpendicular para a baliza, mas posso estar enganado. A confirmar.
 
Os que ficaram. Os que ficaram continuam a mesma corja de caceteiros que espalhou nódoas negras pelos relvados portugueses na temporada transacta.
 
Na defesa safa-se, por pouco, o Abel, quando não apanha os árbitros distraídos, e mete mãos à bola desnecessariamente. Mas há o Polga, o Tonel, o Daniel Carriço, em plena fase de consolidação, o Pedro Silva, o Caneira, e como se não bastasse, o André Marques, é do mesmo género.
 
No meio do terreno temos esse portento de jogador, que é o Rochembach. Um autêntico rolo-compressor a meio-campo. É um jogador que faz a quadratura do círculo. Ou seja, é tão quadrado, como redondo ao mesmo tempo. No futebol propriamente dito, não há grande coisa a dizer.
 
Faz o lugar. Ou melhor, dada a sua dimensão, futebolística, claro está, faz vários lugares. E distribui fruta abundante e gratuitamente, em todos eles, sendo mais um, quando não o principal cabecilha, da trupe fandanga acima mencionada.
 
Nas segundas partes, surge uma nova variação da quadratura do círculo, e passa a ser um quadrado no grande círculo.
 
Nos jogos contra o Twente, foi substituído, com vantagem, tenho que admitir, pelo Miguel Veloso, que aparentemente, voltou a pentear-se com escova, abandonando o pente, que lhe picava as ideias. Resta saber se é para durar.
 
O Izmailov está de baixa, e o Vukcevic, vendo a equipa que o Paulo Bento pôs a jogar contra o Twente, não tem um lugar garantido. Enfim, são opções.
 
Como o Sporting já fez dois jogos oficiais, acho que é batotice da minha parte propor uma equipa-tipo, até porque não andaria muito longe da oficial: Rui Patrício, se bem que tenho as minhas dúvidas, se não seria de pô-lo no lugar do Postiga; Abel, Polga, Daniel Carriço e Caneira; Miguel Veloso (Adrien); Matias Fernandez (Miguel Veloso ou Izmailov), João Moutinho e Vukcevic; Liedson e Postiga (Caicedo, Yannick ou Rui Patrício).
 
Recuperado o Izmailov, penso que tem lugar na equipa, seja lá onde for.
 
Uma nota para dois rapazes que me agradam de sobremaneira: o João Moutinho e o Pereirinha. Os meus parabéns ao Sporting, pois conseguiu “amorfizar” completamente o João Moutinho.
 
O moço está amorfo, sem chama, desinteressado e desinteressante. Até com pubalgia jogava mais. E se o libertassem mais para a frente? Não seria de aproveitá-lo para organizar jogo, em vez de lhe darem um papel secundário? É só uma ideia parva.
 
Afinal de contas, só andou a carregar com a equipa duas épocas consecutivas, e se foram à final da UEFA, podem agradecer-lhe. Se acharem que não, e que assim como está, está bem, não fico chateado.
 
Ao Pereirinha, falta-lhe aquele golpe de asa, que o torne, pelo menos, candidato a aparecer mais vezes na equipa principal. E se fosse rodando a lateral-direito?
 
O outros. O que é que se há-de dizer do Yannick Djaló e do Hélder Postiga? Boa sorte com a Luciana Abreu, e boa sorte em geral. O Boavista não deve tardar a subir de Divisão, e lá poderá voltar ao Porto.
 
FC Porto. O tetracampeão Futebol Clube do Porto, ou treta campeão, como alguns entendidos na matéria, com toda a propriedade lhe chamam, esta época não tem qualquer hipótese de revalidar o título.
 
Por duas ordens de factores: os externos e os internos. Na frente externa, o Benfica TEM que ser campeão.
 
Não é à toa que se faz um investimento como o que o Benfica fez. Um investimento daquele calibre, feito cirurgicamente, quando o Porto perde dois dos seus pilares da equipa, não é feito só para hipotecar futuras receitas, e comprometer as hipóteses de aparecimento de candidatos à liderança do clube, que agora, até a eleições já têm a desfaçatez de apresentar-se.
 
Não, um investimento daqueles tem que ter retorno desportivo, e imediato. E isso, exige a conjuração de todas as forças possíveis e imaginárias, ou, tão simplesmente, a vitória do PSD nas próximas eleições, que assegure a continuidade, e eventualmente, potencie a desfaçatez e a falta de vergonha que campeia na Liga de Clubes.
 
Na ordem interna, no FC Porto, tal como na última temporada, continuam a denotar-se diferenças perigosas de comportamento face aos adversários directos, que ainda não comprometeram irreversivelmente as suas aspirações, mas que mais tarde ou mais cedo, acabarão por fazê-lo. Neste caso, aposto que é mais cedo.
 
Os jogadores do FC Porto, quando comparados com uma grande parte dos jogadores do Benfica e do Sporting, são uns anjinhos. Não fazem mal a uma mosca. São incapazes de dar um porradão bem dado a um adversário. Ainda agora com o Paços de Ferreira, se tornou a ver mais do mesmo.
 
Um jogador como o Hulk, com um corpanzil daqueles, leva porrada e fica a reclamar com o árbitro? Para quê? É na jogada a seguir afinfar uma pantufada no adversário, e pronto. Assunto arrumado.
 
Tirando o Bruno Alves, o FC Porto não tem jogadores que façam concorrência aos caceteiros do Benfica e do Sporting. É bem certo que os árbitros não são tão complacentes com o FC Porto, nesse tipo de situações. Mas, por favor, observem os adversários. Vejam o Polga, o Caneira ou o Ruben Amorim, e vejam como isso se faz, disfarçadamente e pela calada.
 
Este é, quanto a mim, o principal óbice do FC Porto. Ainda não vi jogar o Prediger. Espero que o apodo de “El Perro”, signifique alguma coisa.
 
Este ano, com a contratação do Beto, já se pode introduzir um outro tipo de rotatividade entre os guarda-redes. O Helton joga a Liga, o Nuno, as Taças, e o Beto, os jogos internacionais. E assim evitam-se as palhaçadas do Helton, nos jogos internacionais.
 
Na defesa, o Fucile, apesar das intermitências mentais de que parece padecer ao longo do jogo, deve ser titular, porque o Sapunaru… Enfim, o Sapunaru é como dizem os americanos: “The ligths are on, but no one’s home”. Futebolisticamente falando, é claro. Aquela tirada do Fucile, de que o FC Porto se alimenta de conquistas, valeu-lhe o lugar. E merece-o, porque demonstrou que sabe onde está.
 
O Bruno Alves, depois do golo que ofereceu na meia-final da Peace Cup, parecia ter resolvido definitivamente a questão da saída do Porto. Se bem que, com o golo que marcou ao Paços de Ferreira, não sei, não.
 
Ná, não há olheiros de equipas estrangeiras a assistirem à Supertaça portuguesa, quando em Inglaterra se jogou a Community Shield. E ainda para mais contra o Paços de Ferreira!
 
O Rolando é o exemplo acabado do jogador que não faz mal a uma mosca. Joga, sim senhor. Até acerta mais do que falha, mas é duma moleza confrangedora. Falta-lhe chispa, uma centelha, um click, que o faça impor-se com arrogância, e dizer: “este espaço é meu!”. O Pepe, em termos físicos, não deve andar muito longe, e vejam lá se não arreou os dois patassos, e mais uns quantos secos no outro gajo!
 
Enquanto o Rolando não ganhar porte, tenho muita pena, mas não acho que seja jogador para ser titular do FC Porto. Vamos lá ver o Nuno André Coelho e o Maicon.
 
O Álvaro Pereira, honra seja feita à prospecção de jogadores do Benfica, caiu que nem uma luva na lateral esquerda.
 
No meio-campo, gostava de ver o Raul Meireles a fazer, não de Lucho, mas de organizador ou lançador de jogo. Mas isso colocava um problema: e depois, quem é que fazia de Raul Meireles?
 
Desde que não seja o Mariano Gonzalez a fazer de Lucho, como o Jesualdo Ferreira ensaiou, num pesadelo qualquer no passado, talvez um dos novos, o Belushi ou o Valeri, faça o lugar.
 
Uma coisa é certa, com a saída do Lucho Gonzalez, o FC Porto ganhou uma mobilidade no meio do terreno, que com o “El Comandante” era inimaginável. Ele não se mexeu durante duas das cinco épocas que cá esteve, nomeadamente na última, que acabou com aquela lesão providencial.
 
Por isso, por aí, desenganem-se se pensam que o meio-campo do Porto ficou mais fraco com a saída do Lucho.
 
No ataque, o Hulk é indiscutível. Vamos ver se entretanto, não vem de lá o Chelsea com um camião de dinheiro, e o leva para Londres.
 
O Silvestre Varela pode, a espaços, fazer de Lisandro López. Só tem é que ser chato, e insistente na forma como pressiona nos adversários, porque marcar golos, isso foi coisa que o Lisandro também só fez quando namorou a Marta Leite Castro.
 
E longe de mim querer insinuar o que quer que seja, quanto a namoricos…
 
No centro, o Farías continua aquela coisa esquisita, macambúzia, com um penteado pouco ortodoxo, mas marca golos, e ao Falcao, já lhe vi uma jogada muito interessante. Parece é que foi a única que fez!
 
E falta o Cristián Rodriguez. Macacos me mordam, se de entre o Cristián, o Varela, o Hulk, o Farías e o Falcao, não dá para aproveitar qualquer coisa de jeito.
 
Portanto, em termos globais, não me parece que o FC Porto esteja assim, taaão mais fraco, que na época passada. Tem muitos jogadores novos. Isso é verdade. Vai ser complicado integrá-los todos. Tudo bem.
 
Mas é uma pena que o alinhamento estelar e que Saturno na quinta casa do Caranguejo, não permitam a esta equipa lutar pelo título, de igual para igual com o Benfica. Havia de ser um belo campeonato!
 

Assim, como assim, mais valia fazer aquilo que propus aqui há tempos, mas em relação ao FC Porto: entreguem esta época a vitória na Liga ao Benfica, e passemos à seguinte, de preferência, em pé de igualdade.

publicado por Alex F às 17:27
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