Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010

22 milhões de problemas ou de soluções?

 

E pronto, tal como a Liga Pescada da época passada, a tal que antes de o ser já tinha dono, consumou-se (até que enfim!) a saída de Bruno Alves do FC Porto.

 

O negócio, tendo em conta que se trata de um defesa, com quase 29 anos, parece-me bastante razoável.

 

Se tivermos em conta que estamos a falar do FC Porto, um reconhecido especialista mundial na colocação de defesas- centrais, e que houve, em tempos não muito idos, um clube europeu que dava 13 milhões de euros pelo “aquecedor de banco” Sidnei, já fico na dúvida se terá sido assim tão bom negócio.

 

Por outro lado, pelo que se ouve (e lê), o Ramires estará em vias de ir para o Chelsea, por quantia idêntica à paga pelo Zenit. Sendo um médio, ainda para mais do escrete, lá volta o negócio a parecer excelente.

 

Entre os colegas adeptos portistas as opiniões dividem-se, como seria de esperar. Para uns, é a catástrofe! Depois das falhas defensivas do último fim-de-semana, recompensadas com o último lugar no Torneio de Paris, a saída do Bruno Alves é o golpe de misericórdia na nossa estrutura defensiva.

 

Outros preferem acomodar-se realisticamente aos milhões que vão entrar, à idade do jogador e à sua (dele), e do papá, mais que propalada vontade de zarpar cá do sítio.

 

Bem, aos primeiros pergunto: o Bruno Alves na época passada jogou no FC Porto, não jogou? Parece-lhes que aquela defesa foi um primor de segurança ao longo da época?

 

Cá a mim, não me parece.

 

O Bruno Alves, e o “seu” Washington, fizeram abundantemente saber, antes de iniciar a época 2009/2010 (a passada, portanto) que estava na hora de dar o salto, e que alto que salta o Bruno, quando quer!

 

Lembram-se do que aconteceu na época 2004/2005? Sim, essa mesma, a do Trappatoni, dos sumaríssimos, do Estorilgate, e por aí adiante.

 

Perdemos a Liga para uma equipa, que, apesar de termos tido três treinadores, ao longo da época pouco ou nada nos foi superior.

 

E para além daquelas trapalhadas, usuais quando um certo clube ganha qualquer coisa, lembram-se de dois jogadores que ficaram muito acabrunhados por não seguirem os mesmos caminhos do Deco, do Paulo Ferreira e do Ricardo Carvalho?

 

As figuras que os senhores Maniche e Costinha fizeram em campo naquela época, para mim, foram inesquecíveis – coincidência das coincidências, agora voltam a encontrar-se no Sporting.

 

Queremos voltar a ter na nossa casa “meninos amuados”? Ou barracadas leoninas como as do João Moutinho, do Miguel Veloso, do Vukcevic e do Izmailov (bem feita, Costinha!)? Para quê? Para depois nos armarmos em virgens ofendidas, e pormos em causa o estado de conservação da fruta?

 

Por mim, com muita pena, porque o considero um bom jogador, desde os tempos em que o vi jogar pelo SC Farense, e como até a própria UEFA reconheceu há duas épocas atrás, mas a partir do momento em que a cabeça do Bruno Alves deixou de estar cá, estava na hora de partir.

 

Esteve uma época a mais no FC Porto.

 

Do Bruno Alves, número 2, capitão do FC Porto, guardo duas imagens, uma positiva e uma negativa, sem que qualquer uma pese mais que a outra.

 

A positiva, e o meu agradecimento, por em Novembro de 2008, após a derrota com a Naval 1.º de Maio, ter ido sozinho ao encontro da claque do FC Porto, pedir-lhes calma, e que não deixassem de apoiar a equipa.

 

Nessa noite, ganhámos a Liga 2008-2009.

 

A negativa, os quatro dedos espetados na final da Taça Lucílio Baptista.

 

Foi a imagem do conformismo e da acomodação. A perder com aquela equipa mostra-se ao adversário quatro dedos? Somos tetracampeões! Pois somos. E depois?

 

É daquelas coisas que ficam bem num curriculum de um jogador, e poucos como o Bruno Alves se podem orgulhar disso, mas para o clube, o que estava em causa uma vitória numa competição, por muito irrisória que esta fosse.

 

Era isso que devia estar na cabeça do Bruno Alves, e não estando na dele, dificilmente estaria na dos colegas.

 

Eles (jogadores) e nós continuámos tetracampeões e eles levaram a Taça. Tudo bem, até é daquelas que não vale um chavo… mas sempre é uma Taça. 

 

A questão agora é: quem vem a seguir?

 

Há vários nomes apontados para substituir o Bruno Alves. A alguns não os conheço, e os que conheço não me agradam.

 

Por um motivo muito simples, o FC Porto, ao contrário do que dizem, não precisa de um defesa-central. Defesas-centrais, melhores ou piores, com mais ou menos categoria, moram lá três.

 

O FC Porto precisa é de um patrão para aquela defesa, de um líder. E isso é mais difícil de encontrar.

 

O Rolando foi capitão no Belenenses, e o patrão da defesa de Belém. Chega ao FC Porto, e o que é que se vê? Uma tremideira inexplicável ao longo da época, com o seu apogeu naquele auto-golo a favor do Marítimo.

 

Ainda há dias o ouvi dizer, a propósito do próximo jogo para a Supertaça, que “jogar com um clube grande é diferente”. Ora, isto, vindo de quem joga num clube maior ainda, não faz sentido.

 

Isto é o discurso do capitão do Belenenses, que, na cabeça dele, nunca deixou de ser. E talvez isso explique o seu comportamento.

 

O Sereno é aquilo que se viu contra o Bordéus. Alguma boa vontade, mas pouco mais. Pode ter sido capitão do V. Guimarães, mas não é líder para o FC Porto. Até porque, em termos de presença física, deixa algo a desejar.

 

O Maicon está ainda muito verde e preocupado em demasia em não errar, o que lhe eleva os níveis de stress, e acaba, por vezes, a resultar contraproducente. Ainda está na fase em que tomar conta de si já é obra, quanto mais deitar a mão a outrem.

 

Dos nomes que se ouvem: Lazzaretti, Rodriguez, Valdomiro, Tolói, Mário Fernandes, Gabriel Mercado etc., nada a dizer, acho que são excelentes, onde estão neste momento.

 

Agora, gostava de perceber o porquê da insistência no Rodriguez, quando o seu vizinho do lado, o Moisés, esse sim, para além de um excelente defesa-central, é o verdadeiro patrão da defesa bracarense.

 

Até hoje, acho que nunca vi o Rodriguez dar um grito para os colegas. Pode ser bom defesa, não discuto isso, mas não é “o líder”. Longe disso.

 

Ou então, ainda no Sporting de Braga, o Paulão, que está por lá tapado pelo Moisés. O estilo é o mesmo, e talvez por isso não alinhem em simultâneo.

 

O Paulão era o patrão na Naval 1.º de Maio, e recordo-me de que até marcava golos em lances de bola parada com alguma frequência, que é outro ponto em que estamos carenciados.

 

Porque não um destes dois? O Moisés é mais caro que o Rodriguez? O Paulão, de certeza que é mais barato que os outros dois, e que todos os que vêm sendo apontados, e não é pior que eles.

 

Quando se fala num Lazzaretti, num Rodriguez, num Valdomiro, e se têm como termo de comparação um Sereno, um Maicon ou um Rolando, prefiro qualquer um dos que indiquei. 

sinto-me:
música: Good riddance - Green Day
publicado por Alex F às 20:01
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