Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Dribulam, dribulam, mas não metem góis

A primeira vez que li esta frase, ou tinha sido proferida por José Maria Pedroto, ou então a ele terá ficado associada, após um jogo em que a sua equipa tinha dominado, mas não conseguira concretizar o seu ascendente territorial em golos.

 

 

 

Era a velha questão dos trinta metros finais do terreno de jogo, que Pedroto dizia que faltavam às equipas portuguesas, para se poderem equiparar às melhores do Mundo (do Mundo, Mundo, e não dos arredores de Carnide!).

  

Ouvindo as declarações do André Villas-Boas após o jogo contra o Moreirense, recordei-me de Pedroto.

   

O nosso treinador resumiu o jogo numa frase: “Apesar do controlo do jogo e do controlo territorial, faltou-nos o momento de definição e, por isso, não criámos mais oportunidades”

 

Ou seja, tivemos o domínio, mas este foi inconsequente.

 

E pronto. Foi isto.

 

Sem entrar em grandes sofismas e sem charadas cifradas, cujo entendimento fica além do alcance do adepto médio, e que só dão azo a leituras de entrelinhas, e a interpretações de primeiras, segundas e terceiras intenções nos programas de comentário desportivo semanais.

 

Assim ficam para a discussão o golo mal anulado ao Moreirense e, caso alguém tenha reparado nisso, o penálti não assinalado sobre o Hulk, que até agora, ainda não consegui ver em nenhum dos resumos do jogo na televisão.

 

Temos um treinador que para além de saber ler o jogo, e cada vez vão sendo menos as dúvidas a esse respeito, sabe transmitir a sua leitura sem entrar em teorias transcendentais sobre processos e afins. Acredita sim, e isso já o disse por diversas vezes, nos “factores de transcendência”, que levam os jogadores a superarem-se em certas e determinadas ocasiões.

 

Este é, neste momento, o grande desafio da nossa equipa: encontrar a cada jogo esses “factores de transcendência”, e evitar o adormecimento.

 

Na Taça de Portugal o grande desafio será a conquista do tri. É uma boa meta. Mas será suficiente para que levar os jogadores a superarem-se? Pelo que se viu em Moreira de Cónegos, objectivamente que não, com as gratas excepções do Belluschi e do Falcao.

 

No entanto a vitória na Taça não deixaria de ser um objectivo desejável. Só que o jogo mais apetecido nesta competição, é aquele que dá acesso à vitória, é obviamente, a final. Os outros jogos fazem-se, porque se têm necessariamente de fazer, e porque sem os disputar e vencer, não se chega à final.

 

Na Liga Europa, conquistada que está a passagem à segunda fase da competição, e com dois jogos para disputar a liderança, o simples, mas não despiciendo, objectivo de alcançar o primeiro lugar do grupo para evitar os derrotados da Champions, será suficiente quando uma vitória nos basta? Veremos.

 

E chegamos à Liga Zon Sagres.

 

Os nossos rivais na luta pela conquista do título, especialistas na urdidura de estratégias e teorias da conspiração, desta feita congeminaram um plano maquiavélico para adormecer a nossa equipa, e vai de perder pontos, que chegaram a ser 10 em 10 jornadas para o mais directo perseguidor.

 

Adormecem-nos porque depois, como disse o treinador de um deles, na segunda volta é que vai ser a sério, e aí é que vão recuperar. Ao Jesualdo Ferreira, na época passada com este tipo de raciocínio, saiu-lhe o tiro pela culatra...

 

O que é certo é que a falta de competitividade da nossa Liga é um dado sobejamente adquirido, e recordo-me que já o Mourinho, numa das primeiras entrevistas que deu quando se transformou no Special One, afirmou que a Liga portuguesa era fácil de vencer, para isso “bastava vencer nos sítios certos, nos momentos certos”.

 

Assim, como motivar uma equipa como o FC Porto, nestas condições?

 

 

O André Villas-Boas faz o que pode e definiu como objectivo chegar ao final do ano sem perder pontos para os rivais. É aquilo a que se pode chamar um “objectivo intermédio”.

 

É grave se forem perdidos pelo caminho alguns pontos? Ficará a conquista do título irremediavelmente comprometida? É provável que não. Mas nesta nossa Ligazinha, temos que nos ir motivando e superando a nós próprios desta maneira.

 

A mim, pessoalmente, enquanto simples adepto portista, entristece-me que seja necessário fazer uso deste tipo de estratégia motivacional. Na minha infinita estupidez, sempre me pareceu que vestir aquela camisola azul e branca, seria motivação suficiente para o que quer que fosse.

 

 

Por outro lado, não me parece que tenha estado bem o nosso treinador ao anunciar publicamente este objectivo. É um objectivo nosso, um objectivo interno. Desta forma, cada uma das três equipas que vamos defrontar até ao final do ano (eram quatro quando foi definido o objectivo, porque foi antes do jogo com o Portimonense), passou automaticamente a incorporar como objectivo seu (se não o tinha já!) a perspectiva de poder vir a ser a primeira a infligir-nos uma derrota.

 

Ou é precisamente uma tentativa de “abrir o jogo” dos adversários que nos vão defrontar, Sporting incluído?

 

Seja como for, parafraseando o “Homem do Pinheiro” e o Pedro Abrunhosa, contra o Besiktas, em Portimão, perdão, no Estádio do Algarve e em Moreira de Cónegos, “fizemos o que tínhamos a fazer”, resta-nos agora “fazer o que ainda não foi feito”.

 

E isso é encontrar a motivação para conseguirmos ser consequentes nos últimos trinta metros de terreno. Deste ponto de vista é uma pena que o “Homem do Pinheiro” não tenha conseguido o seu pinheiro. Sempre era uma motivação extra espetar-lhe umas quantas bolas, para ajudar na decoração de Natal…


Nota: Agora que terminei, reparei que no mesmo texto, consegui falar do Pedroto, do Mourinho e do André Villas-Boas. Que grande coincidência!  

 

sinto-me:
música: Mean sleep - Cree Summer & Lenny Kravitz
publicado por Alex F às 18:23
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