Sexta-feira, 11 de Março de 2011

A Leste nada de novo

A tradição, regada a JB ou a vodka, ainda é o que era, e o FC Porto trouxe na bagagem, da Rússia, sem amor, que o Love deve ter ficado por terras ex-soviéticas, a sua vitória habitual.

 

Antes de mais, e a bem da verdade, tenho que me penitenciar em relação àquilo que disse no artigo anterior. Na realidade, a este FC Porto não são união, espírito de grupo e determinação que fazem falta. Erro meu.

 

Com a personalidade que esta equipa revela, muito por força do miúdo que a orienta, basta-lhe ser igual a si própria para, nesta altura da temporada, levar água ao seu moinho.

 

Mesmo quando se torna necessário introduzir alterações, como nas trocas do Álvaro Pereira pelo Fucile, e deste pelo Sapunaru, ou quando elas são introduzidas voluntariamente, como nos casos do Guarín e do James, nas posições do Belluschi e do Varela.

 

Quando vi a equipa inicial não estranhei a entrada do James, tendo em conta as exibições apagadas do Varela, nos últimos tempos, mas admito que fiquei surpreendido pela inclusão do Guarín. Num terreno esquisito, e em princípio mais para o duro que o contrário, parecia-me a mim, que estou de fora, que para dar combate à maior familiariedade dos russos com o piso, a técnica seria uma boa arma, e daí a opção pelo Belluschi.

 

É verdade que este não jogou quase nada contra o Vitória de Guimarães, e que o colombiano, pelo que jogou merecia o prémio. Por outro lado, nunca tinha visto jogar o CSKA, ao contrário da nossa equipa técnica, e de facto, o frenesim russo justificava plenamente a chamada do Guarín, como ficou provado. Pena aquela inoportuna lesão.

 

Posso estar enganado, mas pareceu-me que aquela primeira parte do FC Porto teve algo mais do que mera incapacidade para fazer mais, como há uns quatro ou cinco jogos atrás. Deu-me a sensação que a lição táctica estava bem estudada, no sentido de aguentar aquela fúria cossaca, para depois ver em que parariam as modas.

 

O CSKA, ao contrário dos nossos últimos adversários, criou várias oportunidades de golo (três ou quatro)? É verdade. Mas também, e sem menosprezo algum, não estávamos propriamente a jogar contra os vimaranenses ou o Olhanense!

 

Acho que o FC Porto teve o jogo controlado, dentro daquilo que seria o hipotético “plano de jogo”. Fez o possível, tendo em conta as características do palco de jogo e do opositor, e quando a coisa deu para o torto, as tais oportunidades de golo, estava lá o Helton, que se lá está, não é para passear a braçadeira.

 

A forma como o Hulk e o James pegavam na bola e partiam para cima dos russos, não se via no Honda ou na grande vedeta deles, o tal Dzagoev, e a nossa reacção na segunda parte, de certa maneira, ainda mais me convenceu daquilo que disse atrás.

 

Aparentemente, o CSKA é conhecido pela alcunha de “Os Cavalos”, e caramba, que lhe fazem jus. E de que maneira. Muito correm aqueles indivíduos.

 

A dada altura dei por mim a pensar que, com aquela alcatifa, e com aquela espécie de hamsteres hiperactivos, a correr em alta rotação de um lado para o outro, se pusessem umas tabelas, tínhamos um jogo de futebol de salão, tamanho XXXL.

 

Esta equipa do CSKA, para além disso, tem valor. Mais uma vez apanhámos com um rival que se organiza em 4-4-2. E nós que estamos tão bem talhados para o 4-3-3…

 

Quatro defesas clássicos, dois médios, um mais defensivo, outro ofensivo, dois extremos abertos e dois avançados, praticamente em cunha.

 

Os quatro defesas e o trinco são, do ponto de vista táctico, os mais estáticos da equipa, o que quer que isso signifique para estes tipos. No entanto, sem que isso impeça que os laterais, mais o esquerdo que o direito, se dediquem de quando em vez, a longas cavalgadas pelas suas estepes.

 

Daí para a frente, os avançados, um abre nas laterais para receber a bola (o Doumbia) e o outro recua com mais frequência no terreno. Os extremos jogam à linha, mas entram para o centro inversamente ao lado por onde se desenvolve o ataque, e o médio mais ofensivo também se adianta para junto dos avançados.

 

Ou seja, quase um quinteto avançado à antiga, sempre em movimento, e com o Vágner Love, igual a si próprio, ainda que no seu íntimo deva querer parecer-se ao Romário. Contudo, o Romário foi o Romário, e o Vágner Love, ainda é o Vágner Love.

 

Uma palavrinha para o “sintético”, que de acordo com os comentários na rádio, não é de “última geração”. Não sei de que geração será, se será rasca ou à rasca, mas é isto que o Sporting quer para Alvalade?

 

Tenham juízo. Ainda vão ter que dispensar uns quantos jogadores, que ali corre-se a valer, e não se pára um segundo. Maniches, Pedros Mendes, Polgas? Tá bem, tá.

 

Para a segunda mão, e como acho que este CSKA está um bocadinho como o SC Braga no início da época, a correr demais para quem vai iniciar um campeonato, quiçá precisamente por efeito do “sintético”, vamos dar-lhes um tapete de relva fofinha, devida e previamente demolhada, para ver como é que eles reagem.

 

Além disso, convirá ter presente que na eliminatória anterior passámos perdendo por 0-1, em casa, como eles, e com uma vitória fora por 2-1.

 

A propósito de SC Braga, os meus parabéns ao Domingos e aos guerreiros do Minho. Ganhar ao Liverpool (como também já tinham feito ao Arsenal), ainda que possam ir de barco a seguir, não é para todos. Até há quem seja goleado!  

 

Só uma nota artística, que não daquelas do outro. O Álvaro Pereira devia pintar o cabelo de azul e fazer umas trancinhas. Aquela entrada do Love, sobre o Hulk, antes do golo do FC Porto, com o Howard Webb, era expulsão na certa.

 


Nota: Por acaso repararam que o símbolo do CSKA tem uma estrelinha, até vermelha, por sinal? As estrelas perseguem-nos ultimamente.

 

Falando nisso, grassa por aí uma tal nervoseira, que até já há quem tenha trazido à baila (outra vez!) o nome do Delane Vieira. Não tarda nada e está a Polícia Judiciária, a pedido da sua congénere belga, italiana ou do Cazaquistão, a fazer buscas na Torre das Antas, por causa dos negócios do Luciano d’ Onofrio. Esperem-lhe pela pancada!

sinto-me:
música: Born to run - Bruce Springsteen
publicado por Alex F às 13:21
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