Sexta-feira, 18 de Março de 2011

Coisas que fascinam: A gestão (do plantel) na loja do mestre André

O FC Porto soma e segue. Mais uma vitória sobre o CSKA, e aí vão 10 triunfos europeus numa só temporada. Superou as marcas alcançadas por outras grandes equipas nacionais, como a mais grande do Mundo dos arredores de Carnide, na época passada, em que foram nove vitórias, e aquele colosso, que foi o Sporting de Peseiro, em 2004/2205, até esbarrar na final, em casa, precisamente com o visitante de ontem.

 

 

Não vi o jogo de ontem. Tinha esperanças de o (re)ver no russo Livetv, mas não o puseram lá em tempo útil de o ver antes do meu soninho de beleza, e desisti. Ouvi o relato, até ao ponto em que achei que a vitória estava garantida, porque quanto à passagem da eliminatória, a partir do 2-0, pouco haveria a fazer.

 

Os russos fora de casa, apesar de contarem com o recuperado Tosic, e da entrada na equipa do gajo com nome de medicamento para o Aldo Lima, não resistiram e FC Porto acabou por superar o registo da eliminatória anterior, passando adiante com duas vitórias.

 

Com a preciosa colaboração do SC Braga, que está de parabéns pela surpreendente proeza, e do Spartak de Moscovo, foram de barco nas últimas duas rondas, quatro candidatos à vitória final (Sevilha, CSKA de Moscovo, Liverpool e Manchester City).    

 

Como disse, não vi o jogo, por isso, esse não é o assunto que queria abordar. Era mais uma espécie de retrospectiva e antevisão do que aí vem.

 

O nosso treinador definiu como objectivo, à 20ª. Jornada, vencer os cinco jogos que se lhe seguiam. Na altura, não contaria (ou talvez contasse) com factores exógenos, como a vitória do SC Braga sobre o segundo classificado, que motivou a capitulação deste.

 

Na prossecução do objectivo delineado, três das vitórias pretendidas foram entretanto alcançadas: em Olhão (3-0), em casa, contra o Vitória de Guimarães (3-0), e em Leiria (2-0).

 

Nestes jogos, para além da particularidade de os oponentes terem ficado a zeros, no que a tentos diz respeito, ficou bem patente de que massa é feita esta equipa do FC Porto.

 

 

 

 

 

  

 

“Estatísticas Oficiais Liga Zon Sagres – LPFP/wTVision/Amisco”

 

Nos dois jogos fora de casa, dá-se a coincidência estatística de ser idêntica a repartição da posse de bola, apesar, segundo rezam as crónicas, das diferenciadas posturas dos adversáriosem causa. Saivalorizado o desempenho do Olhanense, apesar de o resultado prático se ter saldado em mais um golo encaixado do que os leirienses.

 

Curiosamente, contra a União de Leiria, os nossos jogadores foram mais “amarelados” (quatro cartões), do que os da casa (somente um cartão), e do que no total dos outros dois jogos (dois cartões, em Olhão e um no Dragão), e foi o único jogo em que cometeram mais faltas que o opositor.

 

O que se constata facilmente é que as turmas que nos defrontaram, praticamente vivem à míngua de oportunidades de golo (duas, no José Arcanjo e no Municipal de Leiria, e zero, para o Vitória minhoto).

 

A tal não será estranho que tenham efectuado naqueles jogos, menos de metade dos remates feitos pelo FC Porto (9/24; 7/19; e 6/22), e que ainda por cima, nos casos do Vitória de Guimarães e do União de Leiria, apenas um desses remates tenha ido à baliza.

 

Uma vez mais estão de parabéns os meus conterrâneos algarvios, que conseguiram acertar três em nove.

 

Estes dados, julgo eu, permitem-nos perceber o que é hoje o FC Porto, de André Villas Boas. E o que é, é uma equipa solidamente construída, de trás para a frente, como é dos livros, apesar de não se apegar a tudo o que são os cânones tradicionais.

 

Por exemplo, mandam os ditames de cátedra futebolística, que a “espinhal dorsal” da equipa, designadamente, guarda-redes e defesas centrais, não sejam mexidos por dá cá aquela palha. Uma vez encontrada a fórmula de sucesso, é mantê-la, se possível, até à exaustão. É o que se vê por outros sítios.

 

Neste FC Porto, o treinador comete a suprema heresia de rodar os defesas-centrais, a seu bel prazer, e a acreditarmos nas suas palavras, consoante as características do adversário do momento, como aconteceu frente aos vimaranenses, em que saiu da equipa o Otamendi, dando lugar ao Maicon.

 

É este tipo de pormenores na gestão do plantel que alguém, que não é catedrático do futebol, é capaz de fazer, porque, para além da redondinha, propriamente dita, tem umas luzinhas sobre outras coisitas, quase tão importantes como a dita cuja.

 

O que se vê é uma rotação do plantel, que possibilita a entrada e saída de jogadores, sem afectar determinantemente o desempenho da equipa, que nalguns jogos, admito, é para o decepcionante, mas que chega para ir levando desafogadamente a água ao moinho.

 

Com o Helton fixo na baliza (só rodou em jogos da(s) Taça(s)), pela lateral-direita, rodaram por opção táctica, o Sapunaru e o Fucile. Ainda que, por força das lesões e do castigo, para jogos europeus, do Álvaro Pereira e da lesão do Emídio Rafael, a presença do uruguaio na esquerda tenha reforçado a titularidade do romeno na banda contrária.

 

Ao centro, revezaram-se o Maicon e o Otamendi, e até o Rolando entrou nesta dança, na maioria das vezes (que me lembre), sempre por opção táctica.

 

Na esquerda defensiva, com o indiscutível Álvaro Pereira no estaleiro, foi a vez do Emídio Rafael. Com este encostado às boxes, chegou a vez do Fucile, e até o Sereno por lá andou. É a única posição da defesa em que a rotação decorreu de imperativos de ordem física, e não exclusivamente táctica. 

 

A meio-campo, a lesão do Fernando veio introduzir alguma rotatividade num sector que parecia estar de pedra e cal. A entrada, então forçada, do Guarín e o seu bom desempenho quando chamado, abriu as portas à rotação entre ele, o Fernando e o Belluschi.

 

Neste ponto, o Guarín e o João Moutinho levam alguma vantagem sobre os outros dois colegas, pois, com jeitinho, com jeitinho, fazem todas as posições do triângulo do meio-campo, e o Fernando e o Belluschi, apenas a sua.

 

É pena que as performances do Rúben Micael e do Souza, não permitam presenças mais assíduas revezando-se com os demais colegas.

No ataque há que distinguir as alas, onde no trio inicial composto pelo Hulk, pelo Falcao e pelo Silvestre Varela, o brasileiro e o Drogba da Caparica, pareciam ter lugar cativo, e o eixo central do ataque.

 

Se, nas extremas, com as lesões do Varela e do Cristián Rodriguez a solução passou com sucesso pelo James, no meio, já se viu que o Hulk não constitui alternativa viável ao Falcao. Esta é, de resto a posição mais frágil da equipa, uma vez que do Walter não há notícia.

 

Com o regresso do Cristián, ele, o James e o Hulk, permitem gerir a quebra de forma do Varela, de molde a que não cause grande mossa, com a vantagem, no caso do Ramés, de permitir a introdução de variações ao monótono 4-3-3.

 

Ou seja, neste plantel, partindo do princípio que a baliza está entregue, temos na defensiva seis jogadores que se rodam sem grandes problemas: Fucile, Rolando, Otamendi, Álvaro Pereira, Sapunaru e Maicon.

 

No centro do terreno, mais quatro: Fernando, João Moutinho, Belluschi e Guarín

 

Na frente de ataque: Hulk, Varela, James, e o até ver, insubstituível Falcao.

 

Temos pois um naipe de catorze jogadores que podem entrar e sair dos dez de campo, sempre com um rendimento aproximado do mais desejável. Depois, temos mais o Rúben Micael, que dos que ficam de fora será aquele que mais próximo estará de entrar na equipa, o Souza e o Cristián Rodriguez.

 

E ainda ficam, quase fora de contas o Sereno e o Walter, e por motivo de força maior o Rafa.

 

Como se costuma dizer no basquete em relação aos bancos de suplentes, estas alternativas dão uma profundidade ao plantel, que não se vê noutras paragens.

 

O mérito? O mérito, quanto a mim, é da gestão que vem sendo feita pelo treinador, e que tem como expoentes máximos a recuperação para a equipa do Guarín, assim como a reabilitação do Sapunaru, e a integração do James.

 

É por isto que vamos ser campeões nacionais, e não por outros motivos, que os que não vêem esta realidade preferem desenterrar para justificar o seu inêxito.

 

É por isto que somos candidatos a conquistar a Liga Europa.

 

E, é por isto, que não há que dar por perdida a Taça Millenium.


Nota1: “Coisas que fascinam” é o título do primeiro LP /(1987) dos Mler ife Dada, que incluia o grande sucesso deste grupo “Zuvi Zeva Novi”.

 

Nota2: Spartak de Moscovo! Outra vez Moscovo. Esqueceram-se de aquecer as bolas? Não me apetecia nada voltar lá. Ou ir a Kiev! Só sei deles que eliminaram o Manchester City, e que joga lá o Ibson.

 

Também não me dava gozo nenhum ir à Holanda. São ainda os efeitos traumáticos dos tempos do Quinito. Que joguem os outros com a Sociedade Desportiva da Philips, e que não lhes caiam as botinhas…

 

Preferia mil vezes antes o Villareal ou o Twente. Bolas!

 

sinto-me:
música: Rock steady - Sting
publicado por Alex F às 18:15
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