Terça-feira, 22 de Março de 2011

Coisas que fascinam: O rebanho dos caprinos machos respiratórios (actualizado em 2011.03.24)

 

 

O FC Porto soma e segue o seu caminho, quase imperturbável. Em termos estatísticos, este jogo não andou muito longe daquilo que havia acontecido nos anteriores, ainda que mais na linha dos jogos disputados fora de casa, que daqueles realizados no Dragão.

 

 

 

 

Por outras palavras, posse de bola acima dos 60%, muito poucos remates, e consequentemente, poucos remates a acertarem na baliza – apenas dois.

 

A diferença para os jogos anteriores centrou-se no facto de que, esses apenas dois remates se saldaram em outras tantas oportunidades de golo, e numa destas a Académica de Coimbra, ao contrário dos demais opositores, logrou mesmo concretizar, e o FC Porto viu-se assim na contingência de ter de dar a volta ao resultado.

 

Para grande azar do Rui Gomes da Silva, e outros iluminados do género, logo havia de ser o Addy a marcar. Logo ele, que até tem contrato com o FC Porto! Não só não se aleijou na véspera, ficando impedido de alinhar, como ainda por cima marcou.

 

Como, de resto, acontecera com o Ventura, o Soares e o André Pinto (o Pedro Moreira esteve no banco, e não estou a contar com o Ivanildo, nem com o Candeias), também alinharam quando defrontámos o Portimonense, ou com o David Simão e o Nélson Oliveira, no jogo da primeira volta, em que o Paços de Ferreira visitou a Cesta do Pão. A malapata foi o Ukra, que logo se havia de lesionar antes do jogo com o FC Porto. Helás!

 

Pronto, pronto, para aqueles que já estão a dizer que houve (mais) um penálti perdoado ao FC Porto, com o resultado em 0-0, tenho a dizer que ainda não vi o lance. Contudo, tendo em conta os comentários de “O Tribunal” de “O Jogo”, fico com a ideia que deve ter sido qualquer coisa entre a grande-penalidade perdoada, já não me lembro em que jogo, por mão do Javi Garcia e a que ficou por apontar, no jogo dos cincazero, e que podia ter dado o seizazero:

 

“ Tribunal de O JOGO

 Não foi Gralha, foram erros

 

Não foi positiva a estreia do árbitro de Santarém em jogos no Estádio do Dragão. Na análise dos nossos especialistas, André Gralha errou ao não assinalar uma grande penalidade favorável à Académica, logo a abrir o jogo, por mão na bola de Rolando na área portista. Entre os 11 erros em 15 análises, Jorge Coroado e Pedro Henriques defendem, por exemplo, que Luiz Nunes deveria ter sido expulso por uma carga sobre Belluschi.

Momento mais complicado

 

2' Grande penalidade por assinalar mão na bola ou bola na mão de Rolando, na área do FC Porto?

Jorge Coroado

- Rolando foi pouco ortodoxo na abordagem ao lance, ocupando espaço indevido com o braço. Desta forma, travou a trajectória da bola, fazendo grande penalidade. Árbitro e assistente assim não o entenderam.

Pedro Henriques

- Rolando tem a mão e o braço completamente fora do plano do corpo, ganhando volumetria e com intenção de ter o braço nessa posição para cortar e tocar deliberadamente na bola. Ficou por assinalar uma grande penalidade.

Paulo Paraty

- É o tipo de lance que nenhum árbitro deseja. Muito difícil decisão. Até compreendo o julgamento do árbitro de Santarém, mas entendo que o braço de Rolando faz volumetria. A grande penalidade justificava-se.”

 

[Finalmente, tive oportunidade de ver a jogada do pretenso penálti cometido pelo Rolando na partida contra a Académica de Coimbra.

 

Sobre esta matéria, recomendo vivamente a leitura do excelente trabalho exibido no "O Porto é o maior, carago!".

 

Parece-me a mim, que não percebo nada disto, que o que se pretendeu a dada altura fazer, foi engendrar um critério que permitisse “objectivar”, o conceito subjectivo de “intencionalidade”.

 

E, de facto, esse critério tem vindo a ser seguido, e bastantes chatices deu, por exemplo, a um dos árbitros do “Tribunal”, Pedro Henriques, por ter assinalado mão do Miguel Vítor, num jogo do mais grande do Mundo dos arredores de Carnide , contra o Nacional da Madeira, e anulado um golo.

 

No entanto, não deixa de ser uma tentativa de desresponsabilizar os árbitros pela(s) decisão(ões), que, racionalmente, nos casos em que tal é possível, deviam tomar.

 

Além disso, é uma interpretação ou um critério de aplicação da lei do jogo, que viola a própria lei, que não o prevê em lado nenhum.

 

Dito isto, à luz desta aberração, seria, de facto, penálti do Rolando. Em face da lei e para os que gostam de futebol, nunca na vida seria grande-penalidade.

 

(actualizado em 2011.03.24)] 

 

Aproveitando que mencionei atrás o Paços de Ferreira, confesso que estava muito curioso para ver qual seria a “gestão do plantel” que o nosso próximo adversário iria fazer. Será que iria lançar a equipa B, como contra o Portimonense, ou a equipa A?

 

Pois bem, continuando a sua coerentemente incoerente gestão de efectivos, o treinador do segundo classificado acabou por lançar em liça a equipa principal, deduzida de dois dos principais jogadores dos últimos tempos: Coentrão e Sálvio.

 

É a tal história da toalha, que umas vezes vai ao chão, e não há nada a fazer, e outras, parece que retoma o seu lugar no toalheiro, que sempre é aquecido.

 

Ora bem, quanto a mim, neste momento o campeonato que o segundo classificado joga é, pura e simplesmente, a Liga do “Vamos ganhar ao FC Porto no próximo desafio”.

 

O nosso ex-principal concorrente ao título, e isto sem ler as estrelas, hipotecou no jogo em casa contra o Portimonense, toda e qualquer ínfima possibilidade que ainda lhe assistisse de revalidar a conquista da Liga alcançada na temporada passada.

 

Na realidade, acredito que a capitulação havia sido assinada há que tempos, aquando da vitória do FC Porto,em Braga. Doutraforma, como entender que há onze dias antes dessa partida, e quatro antes de ir jogar a precisamente a Braga, receba o Sporting, para disputar a meia-final da Bwin Cup, com honras de equipa principal?

 

Aquele discurso de cinco (ou mais) estrelas que se lhe seguiu cheira e não é pouco, a algo cuidadosamente ensaiado, para quando as coisas dessem para o torto. Não foi contra os de Alvalade, saiu após a derrotaem Braga. Oempate a seguir foi apenas a formalização do acto.

 

É claro que, a arbitragem do Carlos Xistra, contra os bracarenses, e o empate contra o Portimonense, adicionaram algum dramatismo à coisa.

 

O que se vai agora assistindo é a mais do mesmo, que se vai vendo desde o início desta Liga Zon Sagres 2010-2011.

 

 

Relembremos. Primeiro as queixas centraram-se no calendário de jogos.

 

Estava pré-definido, e era igual para todos, mas obrigou a um arrancar da temporada mais cedo que o que desejavam, tendo em conta os jogadores envolvidos no Mundial, e especialmente, os que foram transferidos inesperadamente, pelo menos para o treinador, a meia dúzia de dias do início da época. Assim à cabeça, vem-me o nome do Ramires.

 

É claro que a culpa é da Liga, do seu presidente, que é do FC Porto, mas que foi apoiado por aquele clube, contra a vontade dos sócios. Da directora-executiva, por mero acaso, reconduzida no seu cargo, depois do, certamente excelente desempenho na temporada passada. Convém não esquecer também a questão da sede da Liga se situar no Porto, como factor condicionante das boas performances desportivas da equipa.

 

A seguir foram os frangos do Roberto, coitado! …E as arbitragens! Os penáltis a favor roubados na recepção à Académica de Coimbra, que até jogou quase uma parte inteira de jogo com dez jogadores, e marcou o segundo golo, lindo, por sinal, bem mais que o do Gaitán ontem, bem perto do términus da partida, dando mostras de uma resistência notável.

 

Veio então o Olegário, que deu uma boa desculpa para o charivari que se seguiu ao encontro com o Vitória de Guimarães, e para mais queixas relativamente à arbitragem.

 

Os cincazero, que vieram depois, foram culpa de um jogador inspirado, e das bolas de golfe, em suma do ambiente intimidatório, que nem o Ministro da Administração Interna foi capaz de por cobro.

 

O Elmano Santos trouxe de volta o sistema, que aterrou no Dragão no jogo contra o Vitória de Setúbal, mas que voou para bem longe, depois do golo fora-de-jogo e com a mão, em Coimbra, da lavra da equipa do mesmíssimo árbitro madeirense.

 

Daí para diante foram só vitórias, e tudo está bem quando acaba bem. Onze vitórias consecutivas. Curiosamente, agora batidas pelas doze do FC Porto, a que foi dado o enorme destaque, que todos reconhecemos.

 

A derrota em Braga foi mais um momento alto. “Estava escrito nas estrelas”, apregoou o homem que apoiou o presidente da Liga. O Xistra, na sua quase infinita falta de classe, deu a sua ajuda, mas não merecia aquele relatório arrasador do observador, até porque conseguiu prejudicar ambos os emblemas.

 

Com Maxi Pereira, Cardozo e Luisão fora da equipa para defrontar o Portimonense, alguma coisa poderia correr mal. Entra a segunda equipa em cena, e inicia-se a “gestão do plantel”. Era um risco programado, pois a revalidação do título avistava-se por um canudo, e correu mesmo mal.

 

Portanto, como se vê, o Prof. Doutor Rei da Chuinga, assim como o seu homónimo da Nazaré (Nazaré, Palestina), tem vocação, não só para antever que as coisas podem não correr pelo melhor, como para a pastorícia.

 

O nazareno apascentava o seu rebanho de almas tresmalhadas. Este é pastor de um rebanho, que apesar de incluir unicamente caprinos machos, não pára de aumentar ao longo da sua transumância. É como dizia o Jaime Pacheco, são os tais “bodes respiratórios”.


Nota: O Rui Vitória bem pode reclamar que foi prejudicado pelo árbitro, mas aquela parvoíce do Cohéne, logo aos dois minutos não tem desculpa possível. O Artur Soares Dias ainda fez o que pode, só lhe deu o amarelo, mas aquilo era para ir para a rua, de caras.

 

Por momentos fez-me lembrar o Delson, do Olhanense, no jogo do título da época passada. Indesculpável.

 

O Rui Vitória, se se queria demarcar do seu anterior clube, escolheu uma má ocasião para o fazer.

 

Nota2: Não se preocupem pelo excerto do “Tribunal de O Jogo” e com esta história do Rui Vitória. Estou bem, e não me parece que esteja a chocar nada de grave. Deve ser só a Primavera, e o anti-histamínico a funcionar!

sinto-me:
música: Learning to fly - Tom Petty and The Heartbreakers
publicado por Alex F às 18:01
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