Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

Os insultos “soejes”

Quem não nunca recebeu na vida uma “tampa”? Uma nega de uma rapariga?

 

Poderá haver quem não o queira admitir, mas, de certo que poucos se poderão ufanar legitimamente de tal. Eu também não.

 

A mais interessante que alguma vez me deram foi qualquer coisa do género: “Ah, e tal (não foi assim, que na altura não haviam gatos malcheirosos, mas faz de conta…) o Verão está a acabar, estou-me quase a ir embora, mais vale ficarmos só amigos”.

 

E de facto, era verdade. O Verão acabou, ela foi-se embora, e ficámos amigos. Pela minha parte, acho que até hoje, apesar de praticamente termos perdido o contacto.

 

Mas a pior, a mais bera das “tampas” que alguma vez presenciei, foi a um amigo meu (sim, garanto que foi a um amigo, e não era imaginário!). Depois de ter passado uma boa parte da noite a “perseguir” uma rapariga num bar, a certa altura aproximam-se os dois do balcão, perto do sítio aonde eu estava encostado, e ela pede uma bebida. Ele diz-lhe qualquer coisa, não me lembro o quê, e vai daí, ela já farta, sem deixar bater a bola no chão, afinfa-lhe:

 

“É pá, não sabia que empilhavam merda até tão alto!”

 

Conviria ter dito antes que este meu amigo tem para cima de um metro e noventa de altura.

 

Não faço a mínima ideia de quanto mede o Rui Gomes da Silva (não estou a falar da estatura moral, que essa é de certeza bem rasteirinha), mas quando o vejo a falar na televisão, lembro-me desse meu amigo.

 

E ainda por cima, esta tendência começa a alastrar-se a outros lídimos representantes, ou donaldes, do segundo classificado da Liga Zon Sagres. Pudera, quem os ouve, parece que está perante um daqueles filmes da Esther Williams, com aquelas lindíssimas demonstrações de natação sincronizada.

 

 

 

Quando oiço o Rui Gomes da Silva chamar-nos “virgens ofendidas”, por nos queixarmos da confusão que alguém terá feito na Cesta do Pão, entre os interruptores da luz e da rega, dá-me vontade de rir.

 

Resumir a situação ocorrida à molha e à falta de luz, quando são as próprias autoridades policiais que suscitam a questão da sua gravidade em termos de segurança, é o tipo de irresponsabilidade que se espera de alguém que teve funções ministeriais no (des)Governo da Nação e de Santana Lopes, ou vice-versa.

 

 

 

Comparar o que aconteceu, com a meia-final da Taça de Portugal Millenium, já se viu que tem tanta aderência à realidade factual das coisas, como 99,99% daquilo que Rui Gomes da Silva usualmente diz.

 

Agora, alguém fazer, em directo, a figura de donalde, que António-Pedro Vasconcelos fez na pretérita terça-feira, é por demais triste. Como é que alguém, que, quer se queira quer não, é um nome conhecido na praça pública, se presta a ir para um programa televisivo debitar algo que alguém lhe cochichou, prontificando-se, desde logo, a desmentir-se num próximo programa?

 

Vergonha na cara, é um conceito assim tão inatingível?

 

É claro que lá vai ter que vir o desmentido. O comunicado da SAD do FC Porto é bem elucidativo sobre o momento em que se desligou a iluminação no Dragão, e sobre o motivo pelo qual os jogadores portistas não saíram ao relvado, acompanhados pelas criancinhas de vermelho vestidas.

 

Depois vem acusar o FC Porto de “Falta de fairplay” e o Miguel Guedes de ter desrespeitado um compromisso assumido entre os três paineleiros? É curioso, porque os “Fundos” de um e de outro, são praticamente idênticos. Ou seja, se um não respeitou o compromisso, o que se lhe seguiu fez exactamente a mesmíssima coisa.

 

 

É “Falta de fairplay” recusar dar as mãos às criancinhas e, no calor dos festejos da vitória, os portistas, com alguns jogadores incluídos, entoarem cânticos, que poderiam, no entender do indivíduo em questão, configurar “insultos soejes”, às mães dos benfiquistas?

 

Sobre as criancinhas está tudo dito. Quanto aos insultos, o infeliz donalde, enquanto pessoa do Mundo e bem informado, deveria ter já percebido que, chamar “filho-da-puta” a alguém, há muito que deixou de ter a interpretação literal que ele quer atribuir, em prol da sua vitimização.

 

O “filho-da-puta” deixou de ser de alguma forma, exclusivo daqueles cujas mamãs exercem (ou exerceram) oficial ou oficiosamente, a “mais velha profissão do Mundo”, ainda que também por aí os haja, para estender-se àqueles que praticam actos que são autênticas “filha-de-putices”.

 

Deste ponto de vista, quando se mimoseia alguém com tal epíteto, não é a digníssima progenitora a visada, como pretende o ofendido, mas sim, o próprio. Portanto, escusa de se preocupar com a dignidade e o bom-nome de algumas, eventualmente, dignas senhoras, e será melhor começar a olhar mais para o seu umbigo, como faz em todas as outras ocasiões em que lhe dá jeito.

 

E, que moral tem o dito para criticar os portistas quando, como Miguel Guedes bem o lembrou, do seu lado, outros, como o ilustríssimo Petit, incorreram em idêntico pecadilho?

 

Por certo, nunca terá ouvido o cântico que os seus colegas apaniguados de clube costumavam dedicar ao presidente do FC Porto por esse País fora. Aquele em que modificaram a letra do “Frére Jacques”

 

Ou talvez tenha perdido aquele episódio dos seus humoristas de eleição, onde, em pleno horário nobre, teve lugar o maior assassínio de carácter alguma vez visto em canal aberto na televisão nacional.

 

Refiro-me à leitura feita num programa de felinos imundos, do famoso livro escrito a quatro mãos da escritora alternativa Carolina Salgado.

 

…e nem vale a pena vir com tiradas humorísticas e alegar, por exemplo, que só se pode assassinar o carácter de quem o tem!

 

Afinal, quem são as “virgens ofendidas”?

 

E, porque carga d’água é que se sentirá insultado alguém, que semanalmente, se presta a por à prova a pouca dignidade que lhe resta, dedicando-se ao papel, e de papéis deverá ele perceber, de dar eco ao guião que outros lhe dão para recitar?

 

A realidade até pode ser “soeje”, mas não deixa de ser real, por muito que custe a alguns.

sinto-me:
música: Such a shame - Talk Talk
publicado por Alex F às 18:26
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1 comentário:
De Pedro a 9 de Abril de 2011 às 01:23
muito bom!

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