Sábado, 9 de Maio de 2009

Carta Aberta a alguns Benfiquistas

 

É com o coração nas mãos que vou escrever as linhas que se seguem. E isto, porque estou dividido entre fazê-lo, lançando (mais) um alerta, e o desejo de que o Senhor salve e guarde entre vós, por muitos e bons anos o vosso Presidente, e a sua maravilhosa equipa, que não a de futebol.
 
Mas como muitos de vocês até são boas pessoas, lá está, na confirmação de que toda a regra tem excepção, e como para alguns, aquilo que vou dizer, até nem é grande novidade, lá vai.
 
Vem isto a propósito dos anúncios da contratação de jogadores para a próxima época, na semana que antecedeu a derrota frente ao Nacional da Madeira.
 
Não acharam estranho?
 
Até esse jogo, ainda restavam hipóteses, ainda que matemáticas de chegar ao título, e boas hipóteses de chegar ao segundo lugar, e ir à Liga dos Campeões.
 
E o vosso Presidente vir dizer, aqui há umas três semanas atrás, depois da derrota caseira com a Académica, que os milhões que iriam deixar de receber, por não participarem na Liga dos Campeões, não tinham influência na preparação da próxima época?
 
Seria psicologia invertida para motivar os jogadores?
 
Não sei se já se aperceberam, mas o último Presidente do Benfica que disse qualquer coisa de verdade, foi o Manuel Vilarinho, que não se coibiu, em plena campanha eleitoral para as legislativas, e claro está, depois do almoço, de, ao lado do José Manuel Durão Barroso, afirmar: “Votem neste homem, que este homem é que vai ajudar o Benfica”.
 

E teve razão (se duvidam, dêem, por exemplo, uma vista de olhos em:  

http://www.ps.parlamento.pt/?menu=actualidade&id=100)
 
Só que o estado de graça durou pouco, tal como Durão Barroso, à frente do Governo.
 
Com o Santana Lopes, dá-se aquela pantominice do CD (ou DVD) ou dossier, que o actual Presidente do Benfica, tentou entregar ao Secretário de Estado, e que este recebeu por cortesia, dizendo que, em condições normais, o teria atirado pela janela.
 
Bem, quem foi pela janela pouco tempo depois, foi o Secretário de Estado, mas não terá sido por causa disso.
 
Entretanto, já os vossos dirigentes tinham dado provas de serem gente entendida em matéria de marketing, com o regresso do Rui Costa, para promover a venda dos kits de sócio.
 
Tiveram azar, porque o homem se aleijou. Em compensação, e como se calhar nunca esperaram, apesar da idade, e da lesão e de tudo o mais, embora não vendendo kits, ele foi capaz, na segunda época, de levar a equipa toda ao colo, e acompanhar com bom ritmo as deslocações dos árbitros em campo, para ser sempre o primeiro a protestar as decisões, com o seu ar altivo, de vedeta em férias.
 
De tal maneira, que se cansou, e è finito!
 
E aqui, como diria o José Hermano Saraiva, teve início a maior campanha publicitária já alguma vez vista em Portugal. Maior que o “Tou Xim”, da Telecel, e que o ADSL do Sapo, ou o Meo, juntos.
 
Foi o “Apito Dourado”.
 
O “Apito Dourado” foi o remédio que o vosso Presidente encontrou para todos os males.
 
E deu resultado. Logo no primeiro ano, uma Liga ganha pelo Trappatoni.
 
Vocês não acharam estranho? Acharam mesmo que aquela equipa, que foi estatisticamente, o pior campeão de sempre, jogava assim tanto futebol?
 
Deixaram-se embalar, não foi?
 
“Se deu resultado uma vez, há insistir na mesma fórmula”, terá pensado o vosso Presidente.
 
E vai daí, vá de aperfeiçoar a trama. Lançou mão de uma nova protagonista, qual lagarta-de-bar-de-alterne, metamorfoseada em borboleta-escritora, mas que não passa do boneco de ventríloquo uma pseudo-jornalista, isenta e imparcial, com aspirações a argumentista.
 
Do argumento ao filme, foi um passinho curto, se bem que, no meio da trapalhada, o realizador, se tenha recusado a assinar a obra.
 
Arranjou ainda uma figurante, impoluta e voluntariosa, disposta a ir para a frente com processos, que outros, menos predispostos para trabalhar e descobrir a verdade, haviam arquivado.
 
O "comic-relief" (em português, isto é capaz de ser equivalente ao "palhaço-pobre" do circo) desta última foi um outro figurante, oriundo de Coimbra, e que, pese embora com uma participação reduzida, foi fulcral, no papel de juiz.
 
E daí para a frente foi um nunca acabar de personagens e de episódios, de pedir meças a qualquer telenovela mexicana.
 
Foram reuniões de Conselhos de Justiça suspensas a meio, mas reatadas pelos conselheiros, suspendendo entretanto, o próprio presidente.
 
Foram pareceres de ilustres juristas, desmontados, como castelos de cartas, por outros ilustres juristas, e pelo Ministério Público.
 
Foram recursos e contra-recursos para o Tribunal Arbitral da UEFA. Debalde, como de costume.
 
Foi a participação especial da estrela internacional que preside a este organismo, se calhar esquecida de que a equipa em brilhou, essa sim, foi condenada por falsear resultados desportivos, e da forma como venceu a Taça das Taças, em 1984, contra o FC do Porto.
 
Tudo isto, convenientemente embrulhado, como o peixe antigamente, em papel de um jornal diário, muito dado a este tipo de pornochachadas, apesar das proibições da ASAE, que não sei se estarão relacionadas com a toxicidade do papel, se com a sabujice do conteúdo.
 
E sem esquecer, de permeio, umas quantas declarações bombásticas do vosso ilustríssimo presidente, que sempre valem o que valem, e animam as hostes, assim no género de "cenas do próximo capítulo".
 
E vocês acreditaram que havia mesmo um “Apito Dourado”, “Final”, ou o que quer que fosse?
 
Então o arquivamento do “Caso da Fruta”, pela segunda vez, e a ilibação do vosso querido Pinto da Costa, no “Caso do Envelope”, devem ter sido cá um choque!
 
Agora a sério, não acharam estranho que, mesmo com os apitos todos, do ponto de vista desportivo, ficassem a chuchar no dedo, e o FC do Porto, a ganhar (para já), três Ligas consecutivas?
 
Não me digam que foram, outra vez, na conversa da vitória na Taça da Liga? A sério? Mas vocês viram o jogo?
  
Há quem diga que se conseguem enganar algumas pessoas, digamos que, à volta de seis milhões delas, durante algum tempo, mas não se consegue enganar toda a gente, o tempo todo.
 
O resto, bem, o resto é aquela verdade indesmentível: “os cornos não existem, na realidade, são coisas que vos metem na cabeça”.
 
publicado por Alex F às 23:02
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