Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Anatomia de um fracasso anunciado

 

Como é que se justifica que num jogo em que tem tudo a perder, a equipa jogue e triunfe, e noutro, em que tem tudo a ganhar, claudique, e empate?

 

Não sei. Não consigo encontrar uma resposta imediata, e talvez não exista uma única resposta correcta. Parece-me uma daquelas perguntas de resposta múltipla, em que cada resposta errada dá direito ao desconto de alguns pontos. Formulam-se de seguida algumas hipóteses, provindas de várias fontes:

 

Hipótese A

 

“O Governo já decidiu a estratégia a seguir na ressaca do caso Lusoponte. Uma vez perdida a confiança política nos três administradores da Estradas de Portugal que estão em funções, o Governo preferia a sua demissão imediata, mas tem um plano B: a nomeação de um presidente que assegure a relação de confiança entre uma empresa pública e a respectiva tutela e, no entendimento do Governo, o seu normal funcionamento” (in "Económico").

 

Recordo que o presidente e o vice-presidente da Estradas de Portugal demitiram-se, e a administração da empresa ficou reduzida a três elementos, ainda assim, no entender de um dos vice-presidentes da bancada parlamentar do PSD, permanecendo "o braço armado do anterior governo".

 

Das duas, uma: ou o futuro presidente é um fulano com eles no sítio, e põe na ordem aquela administração, ou então, tenho muita pena dele, pois, a ser verdade a tal história do braço armado, não me parece que vá ter uma vida fácil.

 

 

Hipótese B

 

 

Oh sôr Silva, não me foda, aquilo não é culpa só do treinador! Não sei se é falta de pernas ou falta de atitude mas os caralhos dos jogadores também têm culpa!“ (in Porta 19).

 

 

Hipótese C

 

Vítor Pereira - Sinceramente, ainda estou a tentar perceber se as substituições operadas por Vítor Pereira no decorrer do clássico da Luz foram fruto de verdadeiro talento e perspicácia, ou se não terá passado de uma manobra desesperada de um treinador com a cabeça no cepo que percebeu que estava na altura do tudo ou nada. De facto, ao ver Rolando ser substituído por James e Moutinho dar lugar a Kléber, todos perceberam que Vítor Pereira pretendia transmitir a mensagem inequívoca de que só a vitória interessava, mas a troca do central e do médio por dois avançados deixava a equipa descompensada no sector mais recuado, o que representava um grave risco de ver avolumado o resultado que, naquela altura, já nos era desfavorável. Diz-se, no entanto, que a sorte protege os audazes e Vítor Pereira saiu da Luz como herói. O treinador portista foi, sem dúvida, o grande obreiro desta vitória e merece inteiramente o destaque da semana, ainda que - refira-se em abono da verdade – tenha contado com a preciosa colaboração do seu homólogo encarnado que, não obstante a arrogância com que habitualmente se auto-promove, mostrou-se incapaz de reagir perante a inesperada transformação da equipa portista” (in "O Melhor da Semana - O Porto é o maior, carago").

 

 

 

Hipótese D.1

 

“- Vítor, não chega dizer, repetir, que não podemos dar 45 minutos de avanço... Quando os sintomas parecem ser esses, só há uma solução: ser pró-activo, agitar, mexer, alterar, ousar. Não foi assim que foste feliz na Luz? Pensei que tinha sido o grito do Ipiranga, mas ainda há medos que não desapareceram...” (in Dragão até à morte).

 

Hipótese D.2

 

“Se um treinador vem com o discurso do “Ah, e tal, trabalhámos bem durante a semana”, e o nosso fá-lo amiúde, isso é, quanto a mim, mau sinal, pois parece que labuta durante a semana, e depois, encolhe os ombros e entrega os seus destinos nas mãos do acaso.

 

Trabalhar durante a semana e rezar no fim-de-semana, isso fazia eu quando jogava no Totobola.

 

Macacos me mordam se o treinador não é pago, entre outras coisas banais, como motivar, gerir, orientar um grupo, para tomar decisões e actuar no decurso das partidas.

 

Se o adversário apresenta mais flexibilidade táctica, e não se lhe responde da mesma moeda, então, parece-me a mim, que a única forma de o vencer terá que ser pela superior valia técnica dos seus jogadores. Ontem, como se viu, isso não aconteceu, e o rigor táctico vai-se transformando, mais rapidamente que o desejável, em rigor mortis” (aqui mesmo).

 

E depois, temos umas ajudinhas suplementares:

 

“Um jogador do Benfica que devia ter sido expulso com vermelho directo por pisar intencionalmente um adversário pacense acabou de marcar o golo do 2-1 para a sua equipa e logo depois sacou um 2º amarelo a simular uma falta a meio-campo que ditou a expulsão por acumulação de um jogador pacense. Perante o mesmo árbitro-auxiliar, o mesmo jogador benfiquista acaba de ludibriar pela terceira vez os bacocos juizes de campo e dita a expulsão de mais um jogador pacense sem ser tocado”. (in Portistas de Bancada)

 

"FC Porto limitado na viagem à Choupana"

 

“Os campeões nacionais viram a vantagem na liderança encurtada para um ponto e Vítor Pereira enfrentará dificuldades adicionais para a deslocação à Madeira.

 

Hulk está castigado, Danilo lesionado e Sapunaru, Fernando e Djalma também estão em dúvida depois de terem saído lesionados do encontro frente à Académica.

 

Mangala, que na semana passada treinou condicionado, continua em dúvida, enquanto Varela, a recuperar de uma microrrotura na perna direita, dificilmente estará em condições.

 

Assim, contas feitas, Vítor Pereira tem, neste momento, 15 jogadores disponíveis”.

 

Quanto ao Hulk, e ao cartão amarelo mostrado pelo Marco Ferreira, eu não dizia que me chateava a nomeação do madeirense? Ainda para mais, mesmo antes de irmos jogar à ilha dos buracos. E é com o Nacional da Madeira, imaginem se fosse com o Marítimo do guardanapo…

 

Termino com uma canção, como sempre. Talvez conheçam. Chama-se “Impressão Digital”, e é dos GNR. Parece-me bastante ajustada aos nossos treinador e jogadores:

 

“Faz impressão o trabalho que se tem em ser superficial

Faz-me impressão e baralho o vulgar e o intelectual

 

Sinto depressão conforme perco tempo essencial

Sofro uma pressão enorme para gostar do que é normal

 

Deixo tudo para mais logo não sou analógico sou criatura digital

Tendo para mais louco não sou patológico como um papel vegetal

 

Faz-me impressão ser seguido, imitado por gente banal

Faz-me um favor estou perdido indica-me algo de fundamental

 

Acho que o que gosto em mim o que me emotiva é uma preguiça transcendental

E em ti o que me torna em afim, o que me cativa é esse sorriso vertical

como um impressão digital

 

Sinto-te uma fotocópia prefiro o original

Edição revista e aumentada cordão umbilical

Exclusivo a morder a página em papel jornal”

 


Nota: As minhas desculpas e agradecimentos aos autores das transcrições acima reproduzidas.

 

sinto-me:
música: Impressão digital - GNR
publicado por Alex F às 18:47
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