Quinta-feira, 22 de Março de 2012

E se fossem lamber sabão?

 

Li num site pouco recomendável, e não acarditei:

 

“O presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol não gostou do clima de crispação entre Jorge Jesus e Vítor Pereira, após o clássico nas meias-finais da Taça da Liga, pelo que está disposto a mediar uma aproximação entre as partes.

Os dois treinadores nem sequer se cumprimentaram no relvado do Estádio da Luz e no final, durante as respetivas conferências de imprensa, foi evidente a existência de clima tenso.


Falando à Antena 1, Silveira Ramos refere que não gostou e diz mesmo que a classe de treinadores prepara-se para aprovar um código de conduta de forma a evitar este tipo de situações.


«No próximo dia 26 haverá Assembleia Geral, da qual consta na ordem de trabalhos a aprovação do código de ética. Só por isso mostra a nossa preocupação sobre as relações entre os todos os companheiros de atividade. Nesse sentido, obviamente que tentarei aproximar Jorge Jesus e Vítor Pereira para que as suas condutas não sejam de hostilidade», afirmou o líder da ANTF”
.

 

Nos tempos que correm, é esta a grande preocupação da ANTF? Então e albergar no seu seio um fulano que mente deliberada e descaradamente diante das câmaras da televisão, para quem o queira ver e ouvir, fazendo-o sem o mais pequeno rebuço?

 

 

Não lhes causa consternação que um seu associado afirme, sem papas na língua, que “o fair play é uma treta”, se envolva em cenas de pugilato no final de, pelo menos duas partidas, fora os insultos e impropérios dirigidos noutras múltiplas ocasiões às equipas de arbitragem?

 

Que utilize estratagemas uns legais, outros a roçar a ilegalidade e ainda alguns ilegais, para vencer, e que o faça sem pudor, e ainda em cima se vanglorie disso ou minta alarvemente, como fez há dias, nesta questão dos bloqueios.

 

 

Que acuse um árbitro auxiliar de não assinalar uma infracção, porque não quis?

 

Nada disto preocupa a Associação de classe dos treinadores? Não, claro que não. O que são preocupantes são as “condutas de hostilidade”. Vão “aprovar um código de conduta de forma a evitar este tipo de situações”? A sério? Para quê?

 

Se a própria Liga de clubes, que superintende as provas onde ocorreram a maior parte daquelas situações, ou a Federação Portuguesa de Futebol, pura e simplesmente não interferem, ou se limitam a meros puxõezinhos de orelhas, é a ANTF, que vai actuar?

 

De que forma? Mais valia contratarem a Paula Bobone para preparar um manual de boas maneiras adequado ao fenómeno!

 

A educação de cada um é aquela que é, assim como a moral, os costumes e outras coisas que se vão adquirindo desde a nascença. O problema do fulano em causa vai muito para além de um mero código de conduta.

 

Apesar de não ser das áreas das sociologias ou das psicologias, parece-me claramente que, o que aquele tipo necessitará é de todo um trabalho de reeducação social, impossível de realizar do pé para a mão, e pior ainda quando tem a retaguarda protegida da forma que tem.

 

Sejamos francos, sem eufemismos ou paninhos quentes, o Jorge Jesus é, na pior das acepções que se queira dar à palavra, um merdas. Atenção, não estou a dizer que é uma merda. Não. Não se trata nada disso.

 

Foi, enquanto jogador, mediano a tender para medíocre. Provavelmente se consultarem os dados relativos à sua carreira no Zerozero.pt, ou em qualquer outro site do género, não chegam a essa conclusão.

 

Para isso, seria necessário vê-lo a jogar, ao vivo e a cores. Eu vi. Várias vezes, quando passou por aqui por Faro. Só para terem uma ideia, digo-vos, ficou na memória de todos (ou quase!). Não foram muitos os jogadores que por cá passaram, que eram gozados pelos próprios sócios da bancada de lugares cativos do Farense. Ele foi.

 

Como treinador, alguma competência lhe teremos forçosamente que reconhecer. Por isso, e para não ser ofensivo para com um monte de esterco, não o comparei com um, mas tirando aquela saída da playstation, quando treinava o Braga, manteve-se algo discreto.

 

A ascensão a treinador do seu actual clube abriu-lhe a janela de oportunidade de que carecia para dar vazão às frustrações acumuladas que carregaria consigo. O facto de se sentir, confortavelmente híper-protegido, fazem dele uma espécie de “bully”, daqueles que existem agora nas escolas, e que sempre existiram, ainda que sem a pomposidade com que agora são destacados.

 

E não passa disso mesmo, um “bully”, um merdas, que apanhando-se na mó de cima, ou quando espreita a possibilidade de lá chegar, se arma em valentão, e quando, como na época passada, lhe respondem à letra, dentro do campo e sem estratagemas, como aqueles em que é useiro e vezeiro, sem admitir, se recolhe à sua casota, de rabo entre as pernas.

 

Este texto não tem nada a ver com o clube que lhe paga o ordenado, presumo que principesco, é pessoal, se quiserem, por isso, dou-lhes dois exemplos de treinadores desse clube, e da forma diversa como se comportaram perante situações mais ou menos idênticas, àquelas com que este espécime foi confrontado:

 

José Maria Camacho – nunca foi campeão nacional, muito por causa de um tal de José Mourinho. Também ensaiava a marcação de livres, mas não era cá com bloqueios. Fazia-o de forma construtiva, desviando a bola do adversário, como método para o desposicionar;

 

Giovanni Trapattoni – o velho “Trap”. Foi campeão, e zarpou de cá quando viu onde estava metido, com Vieiras, Veigas, Cunhas Leais, e quejandos. Lembram-se? Dizia que estava com saudades da família. De então, até à data, passou pelo Stuttgart, pelo Casino Salzburg, e pela selecção da República da Irlanda, onde ainda se mantém? E a família?

 

Alguém espera ver o Jorge Jesus fazer o mesmo? Vã esperança.

 

Vem agora a ANTF preocupar-se com as “condutas de hostilidade”. Em boa altura o fazem.

 

Não terão nada melhor com que se apoquentar? Ora, vão mas é lamber sabão!

 

Para não dizer algo pior…

 

sinto-me:
música: Banho de espuma - Rita Lee
publicado por Alex F às 13:37
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