Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Eu, descrente, me confesso - Primeira parte

 

Quando o Co Adriaanse ganhou aquele que viria a ser o primeiro título do tetra, mandei um SMS a algumas pessoas, em que dizia que nada parava o FC Porto…”nem sequer o Adriaanse”.

 

Hoje, tenho de admitir que fui injusto. O Co Adriaanse recebeu uma equipa em frangalhos. Vinda de uma época com três treinadores, em que nenhum deles conseguiu definir um modelo de jogo, apesar da conquista do título mundial de clubes pelo Victor Fernandez, entre outras asneiradas.

 

Entrou a tentar adaptar-se à realidade portuguesa, e a tentar jogar em 4-3-3, mas depois do descalabro contra o Artmédia, resolveu fazer aquilo que sabia melhor, e montar a equipa num 3-4-3, asfixiante, do ponto de vista ofensivo, para a realidade indígena.

 

Não vou entrar na discussão sobre se foi ele que lançou para a ribalta alguns dos futuros tetracampeões, mas uma coisa é certa, teve o mérito de, através de um sistema de jogo inédito por estas paragens, introduzir desequilíbrios, que, com a excepção do Koeman, a maior parte dos adversários não foi capaz de ultrapassar.

 

 

 

Quando Jesualdo Ferreira conquistou o seu primeiro título, tornei a mandar um SMS a algumas pessoas, onde dizia que ninguém parava o FC Porto, “nem mesmo o Jesualdo Ferreira”.

 

Por detrás desta mensagem estava o facto de não concordar com algumas das opções do Jesualdo, nomeadamente com a titularidade oferecida a um Quaresma malcriado e birrento, em regime de desopilação depois da “ditadura” do holandês.

 

Hoje, uma vez mais, tenho de reconhecer que fui então, injusto com o professor.

 

Apesar de entrar com o comboio em andamento, conseguiu devolver à equipa um estilo de jogo mais consentâneo com aquilo a que estamos habituados, e conquistou o seu primeiro título de campeão nacional como treinador principal (o segundo do tetra).

 

A sua segunda época ao leme, foi a dos vinte e não sei quantos pontos de vantagem, e dos seis pontos do “Apito Dourado”. O que é que se pode dizer?

 

O terceiro título, quanto a mim, já o ficou a dever à inércia e, fundamentalmente aos jogadores, e à forma como estes se uniram após a derrota no jogo com a Naval 1.º de Maio. A isso e a um tal Givanildo, contratado no mercado de Inverno, e que veio desestabilizar os adversários no que restou dessa época.

 

A subsequente renovação por dois anos com o Jesualdo Ferreira escapou completamente ao meu entendimento, só espero que não tenha sido, como na teoria da conspiração congeminada pelo Rui Santos, por terem tentado, em vão, contratar o Jorge Jesus. A tentativa, por si só, já merece punição.

 

 

Quando soube que o substituto do Jesualdo Ferreira iria ser o André Villas-Boas, o meu comentário no Facebook foi este: “Desespero de um portista: Oxalá depois do AVB (André Villas-Boas), não venha o AVC (este vocês sabem o que é…)!”

 

A estranheza começou logo pela sua contratação. Como cartão-de-visita apresentava a experiência de uns poucos meses e 30 jogos, como treinador da Académica de Coimbra, uns sete anos como adjunto do “Special One” e uma polémica "tentativa" fracassada de contratação pelo Sporting, com uns a dizerem que abortou porque já então, teria um “pré-acordo” com o FC Porto, e outros, a dizerem que Pinto da Costa o contratou “à pressa”.

 

Ah! E convirá não esquecer a, com certeza gratificante, experiência como treinador das camadas jovens da selecção das Ilhas Virgens Britânicas, que levou alguma comunicação social a rotulá-lo de "treinador de praia".

 

Depois foram as mais que muitas teorias e dissertações sobre quem seria, efectivamente, o número dois de Mourinho: se Villas-Boas ou Rui Faria, e qual dos dois seria o favorito do FC Porto, que reforçavam a desconfiança da sua contratação.

 

O único jogo que vi na pré-época, contra o Bordéus, não me deixou mais animado. Faltava uma equipa-tipo. Enquanto por outros lados as coisas pareciam caminhar no sentido da sedimentação de uma estrutura, o André Villas Boas preocupava-se em dar minutos a quase todos os jogadores e a rodar o plantel.

 

O ponto de viragem aconteceu numa entrevista do Mourinho a anteceder o encontro para a Supertaça Cândido de Oliveira. Para lá da azia, deixava antever que havia por ali mais qualquer coisa, e quando o braço direito do “Special One”, como se ele, do alto da sua magnificência, disso precisasse, veio a correr em seu auxílio, então, intui que não havia fumo sem fogo.

 

Chega o jogo para a Supertaça, e o FC Porto de Villas Boas derrota a imparável equipa mais grande do Mundo dos arrabaldes de Carnide. Nada mau.

 

Começa a Liga Zon Sagres com uma vitória magra e sofrida contra a Naval 1.º de Maio, e a essa vitória segue-se outra para a Liga Europa. E mais outra para a Liga nacional. E outra, e outra, e outra… até ao jogo de Guimarães, para a 7.ª jornada da Zon Sagres. 14 vitórias em 15 jogos oficiais.

 

Uma pessoa, assim, ainda que seja adepta do FC Porto, fica mal habituada. Há que tempos que não encarava um jogo da minha equipa com tanta tranquilidade (É verdade. Porque não dizê-lo!).

 

Enquanto adepto portista, que mesmo tetracampeão, tive de conviver com o futebol acabrunhado do prof. Jesualdo Ferreira, e com as suas conferências de imprensa em tom monocórdico, já não estava habituado a isto.

 

Antes que me declarem um Bin Laden ou um talibã, e que façam impender sobre mim uma qualquer fatwa, esclareço que não renego em nada a herança do professor. Bem parvo seria.

 

Quantos se podem orgulhar de ter conquistado três Ligas consecutivas? E mesmo que o conseguissem, quantos o teriam feito durante e no pós-“Apito Dourado”? Poucos ou nenhuns, de certeza.

 

Mas, notavam-se diferenças na equipa. Os jogadores preocupavam-se em jogar um futebol construtivo, a que não foi estranha a chegada do João Moutinho, e, mais do que isso, notava-se que tornavam a partir para os lances confiantes, sendo esse factor meio caminho para deles saírem vitoriosos.

 

Já não se via disto, com regularidade, desde os tempos do Mourinho, ainda que o bom futebol e a qualidade estivessem inscritos no ADN do plantel portista, como de resto, bem se viu também na presente temporada.

 

Parecia que, cada vez mais, a probabilidade das coisas correrem bem era elevada, e assim aconteceu. A Liga Europa, a Liga, a Taça de Portugal juntaram-se no final da temporada à Supertaça inicialmente conquistada, para prová-lo.

 

Depois, bem, depois veio o Vítor Pereira. E isso fica para o capítulo seguinte.

sinto-me:
música: Right to be wrong - Joss Stone
publicado por Alex F às 07:38
link do post | comentar | favorito
|
3 comentários:
De penta1975 a 10 de Maio de 2012 às 14:13
@ Alex

desculpa-me a pergunta e a presunção, mas o post refere-se a ti ou a mim? ;)

abr@ço
Miguel | Tomo II (http://tomoii.blogspot.com/)
De penta1975 a 10 de Maio de 2012 às 14:14
@ Alex

desculpa-me a pergunta e a presunção, mas o post refere-se a ti ou a mim? ;)

abr@ço
Miguel | Tomo II (http://tomoii.blogspot.com/)
De Alex F a 12 de Maio de 2012 às 00:55
@Miguel,

Pois é meu Caro, parece que esta é daquelas "one size fits all" ; )

Abraço

Comentar post

.Janeiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
29
30
31

.posts recentes

. No limiar da perfeição

. In memoriam

. FC Porto 2016/2017 - Take...

. A quimera táctica do FC P...

. No news is bad news, (som...

. Poker de candidatos

. A anormalidade normal

. Ser ou não ser, um apelo ...

. A merda, segundo o padrão...

. Um treinador de gestão

.Facebook

.Let's tweet again!

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

.mais sobre mim

blogs SAPO

.subscrever feeds