Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Prazer em conhecê-lo, Vítor!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Enquanto a outros o destaque é dado mal assentam arraiais, onde quer que seja, ao nosso treinador, foi preciso esperar pela conquista do campeonato para que alguém se lembrasse de fazer uma daquelas entrevistas, ditas de fundo. Bem, verdade se diga, mais vale tarde que nunca.

 

Digo isto, porque não me recordo, nomeadamente quando se ficou a saber que iria ser o sucessor do seu anterior chefe de equipa, de alguma entrevista com o calibre da agora realizada pela dupla Jorge Maia/André Viana. No entanto, admito que possa ser apenas falha minha.

 

Como a dita foi entretanto reproduzida em vários blogs portistas (como no Sou portista com orgulho ou no Dragão até à morte), não vale a pena repeti-la. Vou apenas tecer alguns comentários sobre o que li.

 

Diria, caracterizando-a em poucas palavras, que é uma entrevista tardia. Reveladora e tranquilizadora, e simultaneamente, enigmática e preocupante.

 

Do ponto de vista de um portista (o meu), é uma entrevista que peca por tardia. Tardia porque se tivesse sido feita antes, provavelmente muito do sofrimento dos adeptos teria sido poupado, e muitos dos impropérios dedicados ao Vítor Pereira, teriam sido evitados.

 

Porquê? Porque é uma entrevista reveladora de quem é o próprio Vítor Pereira, e das suas formas de pensar e de agir. A ideia que o adepto comum do FC Porto, e por adepto comum leia-se, eu próprio, fazia do Vítor Pereira, é que era o ex-adjunto do André Villas Boas, parte integrante da equipa técnica maravilha, que ganhara quase tudo na época anterior.

 

Que antes disso, tivera experiências como treinador principal no Santa Clara e no Sporting de Espinho, em que fracassara em cima da linha de chegada, e ainda antes disso, havia treinado a Sanjoanense e as camadas jovens do clube.

 

Convenhamos, não é muito. Pedia-se então aos adeptos que tivessem uma fé inabalável no bom discernimento da SAD, e que dessem o seu apoio ao timoneiro do barco. Era difícil. Alguns conseguiram fazê-lo. Outros, em que me incluo, não.

 

Nesta entrevista, o Vítor Pereira revela pormenores da sua pessoa, que, com alguma angústia à mistura, nos fomos apercebendo ao longo da época. Aquilo que, logo à arrancada, nos pareceu um discurso forte, de resposta ao carroceiro da chiclete, afinal, não passou de algo contra natura.

 

Mais valia ter admitido logo as diferenças relativamente ao seu antecessor, como agora faz, que contrariar a sua própria natureza, e dali para diante frustrar os adeptos, expectantes de doses sucessivas de mais do mesmo.

 

Do ponto de vista táctico, a mesma coisa. Explica, sem explicar no fundo, os casos do posicionamento táctico do James, do Hulk, do Lucho, e a questão do duplo pivot, mas deixa perceber que acredita numa espécie de fluidez, ainda que com limites.

 

Reveladora ainda quanto à sua expectativa de contar com o Falcao, que não se veio a concretizar, para grande pena nossa.

 

Foi também tranquilizadora. Ler que o Vítor Pereira, quando colocou o Maicon a lateral-direito ou o Hulk, a avançado-centro, estava consciente de que as suas posições não eram aquelas, mas que os pôs a jogar ali porque, no seu ponto de vista, na altura, seria o mais adequado para a equipa, por questões de trabalho e de confiança, é, sem dúvida, tranquilizador.

 

É que, tendo em conta, aquele que foi, quanto a mim, o seu momento mais baixo: a leitura feita do jogo contra o Manchester City, sempre tive algum receio que a colocação daqueles jogadores nas posições em causa, fosse uma convicção sua, como a fé, que supostamente nele deveríamos cegamente depositar. Assim, fico muito mais descansado.

 

Porém, a entrevista também contém o seu quê de enigmático. Se por um lado vem confirmar as suspeitas, mais tarde tornadas certezas, e confirmadas até pelo próprio presidente, de que nem todos remaram todo o tempo para o mesmo lado, por outro, assegura que “não [esteve] perante uma situação muito grave” (de indisciplina?).

 

Se assim é, então porquê o título inicial da entrevista, “Se entrasse de chicote durava dois meses”? Se “não [pode] apontar rigorosamente nada em termos de profissionalismo aos [seus] jogadores”, porque é que se levanta a questão da “gestão de egos”? Ou, pegando nas duas questões anteriores, porque é que [teve] de ser flexível até as peças do puzzle se juntarem”?

 

Neste capítulo, terá faltado ainda levantar a ponta do véu sobre uma matéria que não é desvendada na entrevista: porquê a exclusão, a dada altura, do Sapunaru e do Fucile? E As dispensas deste último, do Guarín e do Belluschi?

 

Para terminar, algo de preocupante. A preocupação não será da responsabilidade exclusiva do Vítor Pereira, ou do que disse na entrevista, mas por ler que, perante a iminência da saída do Hulk, cujo substituto na calha, aparentemente será o James, a lacuna identificada no plantel continua a ser a falta de um ponta de lança.

 

E pior ainda, aqui já decorrendo do que disse o nosso treinador, se o que se procura é um ponta de lança “que tenha características diferentes, que não diminua os que já temos”.

 

Quais? O Janko? O Kléber? O Walter? Onde vamos encontrar um ponta de lança que não os diminua? Ou seria ao Hulk, que se referia?

 

Tudo somado, os enigmas e preocupações são claramente superados pelas revelações e pelo descanso de espiríto. Uma bela e merecida entrevista, culminada por uma boa análise da época que passou, em que, indubitavelmente, [f]omos o nosso principal adversário”, e um autorretrato, que só pecou por tardio.

 

Muito prazer em conhecê-lo, Vítor!

sinto-me:
música: Love to love you baby - Bronki Beat
publicado por Alex F às 18:19
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