Segunda-feira, 18 de Junho de 2012

Estupidamente auto-suficientes

Para além do futebol, parece-me a mim, correndo o risco de me equivocar, e agradecendo desde já a quem me queira informar melhor, que as modalidades profissionais que se praticam no nosso País, não irão muito além do andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins e voleibol.

 

Na temporada transacta, o FC Porto foi campeão no futebol, no andebol, no basquetebol e no hóquei em patins, fazendo o pleno em todas aquelas a que se dedica. Os campeões de futsal e de voleibol foram, respectivamente, o Sporting e o Fonte Bastardo.

 

Nesta época, o nosso clube repetiu os títulos de andebol e futebol, perdendo os títulos de basquetebol e de hóquei em patins, para o clube mais grande do Mundo dos arredores de Carnide. Poderia lá repetir-se a hecatombe de 2010/2011!?

 

Ou seja, nas modalidades em que entramos em confronto directo com aquela equipa, passámos de um registo de 100%, para 50% de aproveitamento.

 

Nas modalidades em que não competimos, o tal clube também perdeu, inesperadamente para si, claro está, o campeonato de voleibol, e não está muito mal no futsal, onde o Sporting é bicampeão, mas a final está empatada 2-2.

 

Vistas assim as coisas, poderíamos ser levados a concluir que o facto de estarmos em concorrência directa com tal emblema, não aquece, nem arrefece, um lado e outro.

 

Contudo, quando nos recordamos de alguns comportamentos recentes, ficamos na dúvida:

 

“Estive presente em fases finais de Campeonatos da Europa, em Jogos Olímpicos, competições internacionais, ganhei muitas finais, também perdi muitas, mas sempre vi o treinador campeão a levar a mão ao peito, ao coração, mostrar carinho aos seus adeptos, porque é aí que se sente o clube. Levar os dedos aquela parte…cada um sente o clube onde quer”

 

Disse o nosso treinador do basquete, Moncho López, a propósito, do comportamento deplorável do treinador rival.

 

"É um momento de alegria, satisfação, de tudo contra todos, contra todos que foram sempre grandes opositores", disse antes da polémica afirmação. "O (…)ica esteve acima, montou um plano honesto, justo, trabalhador, competente e derrotou os porcos", referiu o responsável pela seção de hóquei em patins dos encarnados à transmissão da Plurisports”.

 

Foi como reagiu à vitória o director do hóquei em patins encarnado, um tal de José Trindade.

 

Quem assiste a este tipo de reacções, por mais epidérmicas e a quente que sejam, percebe facilmente que, mais do que a vitória, em si mesma, o deleite máximo resulta muito mais da derrota do rival, do que dos títulos conquistados.

 

No caso do Carlos Lisboa, a vitória final até foi obtida perante esse mesmo adversário e na sua casa, como, afinal de contas o nosso título do apagão. No outro caso, nem isso, pois ainda na semana anterior, em confronto directo, apesar de todos os estratagemas empregues, foram incapazes de nos bater.

 

O que é certo, é que se fica claramente com a ideia de que, mais do que vencer, o objectivo último e primordial, será sempre o mesmo: derrotar o FC Porto.

 

E o que é certo é que, em termos de motivação, este tipo de postura constitui, sem sombra de dúvida, um valor acrescentado.

 

De que outra forma se compreende que jogadores como Maxi Pereira, Luisão, Cardozo, Javi Garcia, Saviola e Aimar, se contentem em ir ficando pela Cesta do Pão, época atrás de época, não obstante todos os convites de que s(er)ão portadores para mudar de ares?

 

Serão falso alarme os convites? Permanecerão no clube porque são excepcionalmente bem pagos? Ou haverá um mais qualquer coisa adicional?

 

No caso do FC Porto, como disse Artur Jorge, há 25 anos, no intervalo da final de Viena, o campeonato nacional pode qualquer jogador que traje de azul e branco, conquistar em qualquer altura. Vencer a Taça dos campeões, fá-los-ia entrar para a história do futebol.

 

Para motivar os jogadores do FC Porto, ganhar campeonatos sucessivos é coisa de somenos. Vencer campeonatos na casa do rival, já sabe a mais qualquer coisa, mas ainda assim…

 

Só deste modo consigo compreender que nos tenhamos arrastado ao longo da temporada passada, para ressurgir em força nas partidas mais importantes.

 

Só assim, para além das muitas libras, consigo atingir que um treinador como André Villas-Boas, reconhecidamente portista, zarpe como fez, e que jogadores, que ainda que bem pagos, ainda vão receber melhor, saiam de um clube que por sistema disputa a Champions, para outros que não passam do meio da tabela das competições nacionais, e Europa…, sim, pois, está bem.

 

Só assim consigo alcançar a atracção que um clube que ganha um campeonato de vez em quando, e Taças da Liga, como nós vencemos Ligas, nacionais e estrangeiras, consegue exercer sobre os profissionais que o representam, desde o Simão Sabrosa até aos mais recentes.

 

Dirão que estou a exagerar. E claro está, vendo o exemplo do que tem acontecido ao longo desta final do campeonato de futsal, vejo-me forçado a concordar com quem quer que afirme isso mesmo.

 

Nós não temos futsal, nesse campeonato não entramos. Contudo, o comportamento evidenciado por aquela equipa contra o Sporting, não difere muito daquilo a que estamos habituados.

 

Resta saber se será apenas a replicação, e aplicação a outro oponente, de uma estratégia de sucesso, ou serão apenas e só, saudades nossas, transferindo para o adversário de ocasião o carinho que nutrem pelas nossas cores?

 

O que é certo é que esta final de futsal, em que espero sinceramente que os da Calimeroláxia triunfem, apesar de a modalidade me dizer tanto quanto café descafeinado, cerveja sem álcool ou hambúrgueres de tofu, ou seja, futebol sem futebol, tem sido uma verdadeira vergonha.

 

Ainda por cima, mais dentro do recinto, onde os árbitros e uma equipa de vermelho têm feito por dar cabo do espectáculo, do que nas bancadas, não obstante os esforços de alguns para não as deixar de fora.

 

 

 

Nem era preciso tanto para me convencerem. Bastaria ter lido ou ouvido na devida altura António-Pedro Vasconcellos.

 

Quando todos os anos, de há muitos anos a esta parte, o presidente do FC Porto visita a Assembleia da República, a casa da democracia do País, e convive com os deputados adeptos do clube a que preside, não lembra ao diabo vir clamar que:

 

“Espanta-me toda essa solenidade, porque um homem que insultou, como se sabe, o antigo presidente da Assembleia da República e que foi condenado na justiça desportiva, ser recebido com aquele solenidade e ainda por cima em circunstâncias que nada têm que ver com a dignidade da Assembleia da República, é que eu lamento”.

 

Passando adiante da questão da condenação pela justiça desportiva, dada a sua total irrelevância para o caso, e quando não, da própria justiça desportiva, apetece perguntar:

 

Que clube reunia a preferência de onze ministros do anterior governo, incluindo o primeiro? Ou dos deputados?

 

Para a presidência de que clube, um desses ministros, com a tutela da Administração Interna, fez parte da Comissão de Honra de uma das candidaturas?

 

De que clube patrocinou causas, por exemplo, aquela em que tentou excluir da Champions o FC Porto, o anterior secretário de estado da justiça?

 

E nem vale a pena tentar explicar ao individuo em questão, a diferença entre ser recebido na Assembleia da República, num acto privado, e/ou pela Assembleia da República, em acto oficial.

 

Não vale a pena porque, mais do que ser estúpido, pura e simplesmente não lhe interessa fazer essa destrinça.

 

Quanto aos estúpidos, coitados, não há dúvida que tenho de concordar com o nosso presidente, é sem sombra de dúvida uma área em que somos claramente auto-suficientes, e cuja capacidade de produção está claramente longe de se esgotar.

 

Basta ver os exemplos acima. Dizer que tudo se resume a estupidez, da melhor categoria, é dizer pouco.

 

 

sinto-me:
música: Elogio da estupidez - Os Pinto Ferreira
publicado por Alex F às 18:57
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4 comentários:
De penta1975 a 19 de Junho de 2012 às 01:10
@ Alex

sem ironias, ainda há o atletismo, o rugby, a natação, o pólo aquático e o ciclismo.

ironizando:
ainda tens o campeonato de sameirinha (http://www.ciberduvidas.com/diversidades.php?rid=1014), onde o 5lb dá cartas ;)

abr@ço
Miguel | Tomo II (http://tomoii.blogspot.com/)
De Alex F a 19 de Junho de 2012 às 09:49
Caro Miguel,

É a mais pura das verdades. Por falha minha esqueci-me de acrescentar no texto, que são as modalidades "profissionais". Uma grande falha que vou já corrigir graças à tua atenta intervenção. Obrigadão.
Quanto à sameirinha, por cá chamamos-lhes caricas, e se eles quiserem luta nesse particular, estou disponível para representar as nossas cores, pois era na minha infância um dos meus desportos de eleição.
De penta1975 a 19 de Junho de 2012 às 11:11
só para referir que:
1)
no atletismo - houve a "bronca (http://www.fcporto.pt/OutrasModalidades/Atletismo/Noticias/noticiaatletismo_atlfernandooliveiraconf_220910_55514.asp)" de há dois anos (com a FPA)

nas outras modalidades, desconheço.
(mas foram modalidades onde fizemos História)

ps:
sobre a sameirinha/carica - em muitas "voltas a Portugal" competi eu (nos "intervalos" das corridas de carrinhos de rolamentos) ;)

abr@ço
Miguel | Tomo II (http://tomoii.blogspot.com/)
De Alex F a 19 de Junho de 2012 às 16:45
Sim, recordo-me da bronca. Mais uma...

Quanto às caricas, em voltas a Portugal, nunca corri. Era mais fórmula 1 que estava a dar na altura. As disputas da Williams contra o Nelson Piquet, nas areias da praia de Faro, ficaram para os anais da história da modalidade!

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