Terça-feira, 19 de Junho de 2012

Dos bons rapazes não reza a história

Antes que a Suécia me estrague os planos, deixem-me fazer um elogio às duas equipas que, até agora, partiram do Euro, sem qualquer ponto na bagagem: a República da Irlanda e a Holanda.

 

São duas equipas parecidas, ainda que não tenham nada que ver uma com a outra.

 

Os holandeses tiveram um percurso quase imaculado na qualificação: nove vitórias e apenas uma derrota, e essa, no último jogo da qualificação, com o apuramento garantido, e contra a Suécia, que terminaria em segundo lugar.

 

Tudo isto, num grupo que ainda incluía a Hungria, a Finlândia, a Moldávia e São Marino, que terminou com zero pontos em dez jogos.

 

Do lado irlandês, as coisas não foram tão lineares. Uma derrota e três empates garantiram o segundo lugar no grupo, onde também entraram a Rússia (1.ª classificada), Arménia, Eslováquia, Macedónia e Andorra, e a presença no playoff, contra a Estónia, que sucumbiu por 5-1.

 

No apuramento, os rapazes do velho Trap, empataram duas vezes com a Eslováquia, e com a Rússia, fora de casa, sendo a sua única derrota sofrida em casa, precisamente contra esta última. 

 

Digamos que a obtenção do passaporte irlandês para o Euro, não teve por diante obstáculos de grande monta.

 

Por outro lado, não têm comparação os nomes que constam na lista de convocados da selecção holandesa, com os da Irlanda. E não me refiro apenas à grafia!

 

Porque digo então que são parecidas as equipas destes dois Países?

 

Fundamentalmente porque são constituídas por bons rapazes. Do lado dos irlandeses, penso que não haverá dúvida quanto a isso, e o sentimento estender-se-á necessariamente aos adeptos nas bancadas.

 

Na banda holandesa, nem tanto, e até há por ali alguns maus feitos, e pelos vistos, como é hábito na equipa das tulipas, egos hiperdesenvolvidos.

 

Refiro-me a uns e a outros como “bons rapazes”, porque de um lado e outro, dão um sentido absolutamente contrário àquela expressão de que “o todo vale mais do que a soma das partes”.

 

 

  

São dois casos completamente paradigmáticos do contrário. Os irlandeses, quando miscigenados nas equipas da Premier League, ou outras quaisquer, transportam consigo a irreverência que lhes é característica, os que têm tendências mais artísticas (Robbie Keane ou Damien Duff, por exemplo), ou a fibra gaélica, naqueles mais de quebrar do que torcer, como o granítico Dunne, por exemplo.

 

Quando os juntamos todos, numa única equipa, nem o Trapattoni os consegue por todos a puxar para o mesmo lado.

 

Se, do Mundial foram eliminados da forma como foram, pela mão do Thierry Henry, e ficou a pairar no ar a sensação de injustiça, agora, ou pioraram muito desde então, e muito sinceramente, não me lembro dessa selecção de 2010, ou então, não se terá perdido grande coisa.

 

 

Quanto aos holandeses, desde que me lembro, são recorrentes em grandes competições, os problemas gerados pelos egos dos jogadores. Ou estão juntos, e arrasam, ou nada feito. De que outra forma se poderá compreender a paupérrima prestação do vice-campeão do Mundo, neste Euro?

 

A equipa não mudou tanto assim. Quanto muito, estarão todos dois anos mais velhos, e alguns, como o Robben ou o Van Bommel, em baixo de forma.

 

Esta selecção fez-me espécie, quando a ponho em perspectiva perante a do Rinus Michels, de 88, e mais ainda quando penso que aquela equipa foi outrora apelidada de “Laranja mecânica”, que nunca vi jogar, mas em relação à qual tenho uma curiosidade enorme. Gostava de perceber o que era isso do “futebol total”, que já vi explicado em vários sítios e de várias maneiras, mas parece-me que só mesmo vendo se consegue entender.

 

A nós não nos calhou mal. Entre a luta de egos e as asneiras do treinador, fizemos a nossa parte, e eles foram de barco, o que até não é mau para os canais de Amsterdão.

 

Agora, do nosso lado, será bom não esperar que o treinador checo também coloque à frente do João Pereira, um médio organizador de jogo, com tendência para ir para dentro e destapar o flanco.

 

Que do outro lado, coloque outro médio, mais ou menos com as mesmas características, incapaz de aproveitar a nula propensão do Ronaldo para defender, e que em vez de se juntar ao extremo desse lado, para colocar debaixo de fogo o Coentrão, também flita para o meio.   

 

Ou no meio da frente de ataque, uma torre como o Huntelaar, para o Bruno Alves meter no bolso. A República Checa do Bilek, não é esta Holanda. A bem dizer, acho que nem a Holanda…

 

Fica feita assim uma singela homenagem a estas duas equipas. Uma simpática, porque lhe está na natureza, e à outra, porque oportunista e cinicamente, até nos calhou bastante bem.

 

 

 

 

sinto-me:
música: In a life time - Clannad feat. Bono
publicado por Alex F às 18:03
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