Segunda-feira, 16 de Julho de 2012

Pontas soltas

 

Ainda não espreitei o FC Porto nesta pré-época. Apesar das transmissões na SporTTv, o raio dos horários não dão para mais.

 

Tentei ver se haveria por aí, no online, alguma coisa, mas nada feito. Também, diga-se em abono da verdade, seria mesmo só para ver o FC Porto, e os novos equipamentos.

 

A bem dizer, jogadores novos, só o Jackson Martinez, e esse ainda não alinhou. Os outros, se retirarmos os miúdos, o David Bruno, o Pedro Moreira e o Mikel Agu, não são de todo desconhecidos.

 

Para mim, o que esta pré-época tem revelado são uma série de pontas soltas.

 

A ponta solta do avançado-centro, na qual andámos a enlear-nos ao longo de toda a época passada, parece ter ficado, até ver, resolvida.

 

Estava curioso sobre o Jackson Martínez (será Jackson ou será Martínez? Os dois nomes parece-me demais…), então resolvi ir além dos vídeos que por aí circularam, e dediquei uma meia horinha a procurar na net jogos dos tais Jaguares, da capital mexicana do crime, como lembrou o Miguel Sousa Tavares.

 

Conclui que, para além dos Jaguares terem perdido muitos jogos no Torneio Clausura (a liga mexicana parece ser como a argentina, subdividida em dois torneios: Abertura e Clausura), não há muito mais além dos resumos que incluem os golos. Alguns deles do nosso Martínez.

 

Por aquilo que vi, que como calcularão, não foi muito, posso estar enganado, mas se estão à espera de um ponta-de-lança “à Falcao”, desenganem-se.

 

O nosso novo rapaz joga bem com os pés (não me perguntem qual deles o melhor, porque não me lembro!), e com a cabeça, contudo, não é homem para ficar na área.

 

Os Jaguares, pelo que percebi, joga(va)m muito na contra-ofensiva, ou em transições rápidas, como preferirem, e em 4x4x2, aparecendo o Jackson muitas vezes mais recuado, alternando de posição com o outro avançado, outro colombiano de nome Rey.

 

Nos livres e nos cantos então, é vê-lo sair da zona do agrião, e vir para trás na expectativa de algum ressalto.

 

Como disse, gostei do que vi com os pés, e em particular de alguns golos de cabeça. É brigão, e recupera bolas. Contem com ele para a tal pressão alta. Vamos ver como é que se adapta à nossa equipa, e se está ponta solta ficará resolvida.

 

Uma ponta, que eu nem imaginava ainda estar solta, era a do Sapunaru. Depois do final da época passada, nunca me passou pela cabeça, salvo aquelas propostas mirabolantes que acontecem no futebol, ainda que quase sempre no mesmo papel para forrar fundos de gaiolas de periquitos.

 

Julgava eu que a questão estava arrumada, e que tínhamos Sapunaru, se não para titular, ao menos para compensar as eventuais ausências do Danilo. Nada disso. O romeno está mesmo de saída, ou já se foi, e nós, ao contrário do que se previa, ou não, estamos sem lateral-direito.

 

A não ser que fique o Miguel Lopes a fazer de Sapunaru. Cá por mim, nada a objectar. Ou será que o lugar está reservado para o Djalma?

 

O que mais me chateia nisto tudo, nem é a saída do Sapunaru, ou a do Fucile, diga-se. O que me desagrada é que esta saída revela que havia ali um ressentimento mal resolvido do nosso treinador em relação ao romeno.

 

Após as quezílias que ditaram aquela sua espécie de suspensão-que-não-o-foi-oficialmente, o tipo fez um final de época bastante satisfatório. O treinador utilizou-o quando fez falta, ou quando quis, e ele correspondeu. Se a situação não estava resolvida, porque é que não se limitou a despachá-lo?

 

Fazê-lo agora entristeceu-me. Parece uma mesquinhice, um traço de pequenez. Os problemas disciplinares ou se ultrapassam ou não, não se guardam rancores para depois.

 

Mais duas pontas soltas serão os destinos do Álvaro Pereira e do Rolando. Nem atam, nem desatam. Desconfio que nem um, nem outro, farão parte dos planos para a próxima temporada. Ao, menos assim o espero.

 

O Rolando aparenta ter mercado. Todos os dias é vendido, e todos os dias aparece nas listas de compras de não sei quantos clubes. É o AC Milan, é o Fenerbhaçe. Uma festa. Até oferecem em troca jogadores que outros terão tentado contratar em vão. No entanto…

 

Ao Álvaro Pereira, ninguém parece querer pegar. Onde é que andam os 22 milhões de dois defesos atrás?

 

São pontas ainda soltas.

 

A última ponta solta é o nosso meio-campo. Continua a sê-lo. Terminámos a temporada passada com quatro centro-campistas, e o cenário mantém-se.

 

Sim, temos o Castro, temos o Mikel Agu e o Pedro Moreira. E chega(rá)?

 

Não seria nada de novo, nem extraordinariamente surpreendente se chegássemos ao fim da pré-época, e o Castro fosse despachado. Quantas vezes isso já aconteceu?

 

Os outros dois rapazes que me perdoem, mas se o Castro não fica, então por maioria de razão, terão que aguardar pela sua chance.

 

Se alguém se lembra de insistir com o João Moutinho e o Fernando, como é que ficamos?

 

Se a ideia passar por inverter o triângulo do centro do terreno, para dar mais liberdade ao Lucho, o Danilo até poderá constituir uma boa alternativa. O próprio já disse que até prefere alinhar a meio-campo.

 

Porém, dificilmente poderá estar em simultâneo na lateral-direita e fazer o duplo pivot.

 

Parece-me curto. Mais curto que a defesa e o ataque, onde, por exemplo, até para uma hipotética saída do Hulk, com o que temos, não estamos mal apetrechados.

 

Silvestre Varela, James Rodriguez, Djalma, Atsu, Jackson Martínez, Janko, Kléber e, por mim, o Kelvin, pese embora a juventude de alguns deles, oferecem um naipe de alternativas interessantes.

 

Claro que nenhum deles substitui o Incrível, mas é incomparável com as soluções que temos para o meio-campo.

 

É bem certo que ainda estamos a quase um mês, do arranque oficial da temporada, mas não me importava nada de ver alguma proactividade neste capítulo.

 

Desagradam-me as pontas soltas. Ou se empeçam, ou é por onde as coisas se começam a desfiar…

 

sinto-me:
música: If you leave - Orchestral Manoeuvres in the Dark
publicado por Alex F às 12:57
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2 comentários:
De Jorge a 17 de Julho de 2012 às 00:13
é o normal na silly season moderna...vamo-nos habituando, infelizmente...

abraço,
Jorge
De Alex F a 17 de Julho de 2012 às 15:04
Nem mais. É mesmo. O que não tem remédio, remediado evai estando...até ver!

Abraço

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