Sexta-feira, 28 de Agosto de 2015

Mudança ou desnorte?

A primeira equipa do FC Porto de que me lembro, é a da caderneta do "Planeta da Bola", que já não tenho completa porque entretanto, se descolou um cromo do Beira-Mar, e perdi-o.

 

Fonseca; Gabriel, Simões, Freitas e Murça; Rodolfo, Frasco e Romeu; Duda, Gomes e Costa.

 

Foi a equipa, treinada por Pedroto, que falhou o tri em 79/80. Jogava em 4x3x3.

 

Nos anos imediatamente a seguir, muito sinceramente, não me recordo. Mas, desde o regresso de José Maria Pedroto, e no advento do FC Porto europeu, o 4x4x2 era o sistema de eleição.

 

Que me lembre, o 4x3x3 voltaria com o António Oliveira. Se olharmos para os extremos de que então dispunhamos, Capucho e Drulovic, por exemplo, e para o ponta-de-lança, que materializava as oportunidades criadas por aqueles, Mário Jardel, a opção é fácil de entender.

 

Mourinho, grosso modo, adoptou o mesmo sistema, mas introduziu-lhe nuances, em particular nas partidas internacionais, que o faziam pender para o o4x4x2 ou para o 4x3x1x2.

 

Com Adriaanse, bem, com Adriaanse, as coisas só se equilibraram, e deram resultado a partir do momento em que começou a trabalhar no modelo que conhecia, um 3x3x4 suicida, de pôr os nervos em franja ao adepto mais fleumático.

 

O conceito, inovador entre nós, causava dificuldades aos adversários, que se viam sufocados perante a avalanche de futebol ofensivo. Salvo erro, o Ronald Koeman, certamente conhecedor dos bugs do sistema, foi o único que conseguiu dar-lhe a volta, e fomos campeões sem derrotá-lo uma única vez.

 

A partir de Jesualdo Ferreira o 4x3x3 foi decretado a imagem de marca da equipa e, ainda que com eventuais variações, tem vindo a ser empregue pelos treinadores que se lhe seguiram.

 

Foi isso que aconteceu também com Lopetegui na temporada passada. No entanto, fazia parte do plantel do FC Porto, um jogador como Quintero, um caracteristico número 10, e foi ainda contratado Adrián López, um segundo avançado.

 

Pese embora as tentativas levadas a cabo pelo treinador, nem um, nem outro, conseguiram encontrar os seus lugares na equipa. O 4x3x3 não comporta as posições em que ambos melhor rendem, e nenhum dos dois foi capaz de mostrar serviço noutra(s) posição (ões).

 

A primeira contratação, conhecida, para a época que agora decorre, foi a de Alberto Bueno. Mais um homem para jogar por detrás do ponta-de-lança, um segundo avançado. A tal posição que, teoricamente, não existe no 4x3x3.

 

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Há dois dias atrás surgiu associado ao FC Porto, nome de Jesús Corona, do Twente. Não sei se é a sério, e se a sua putativa contratação terá por trás algum fundo. O que sei é que, segundo consta, o PSV Eindhoven terá estado na corrida para contratá-lo, e desistiu, por o considerar caro em demasia.

 

Não está em causa a qualidade do jogador, neste ou nos outros nomes que apontei. Os bons jogadores serão sempre bem vindos,  e aqui, bem como, de resto, no caso do Bueno,  não os conheço o suficiente para ter uma opinião definitiva formada.

 

Porém, do pouco que vi, não vi um extremo, como foi anunciado. Raramente o vi junto à linha. Vi-o sim, a jogar por detrás do ponta-de-lança e como segundo avançado, numa posição muito parecida com aquela que será a do Bueno.

 

Tudo bem, os jogadores adaptam-se. O James quando veio para cá, não era extremo. Ainda que num estilo diferente do típico 10 sul-americano, era essa a sua posição. E veio jogar para extremo, e está onde está.

 

Já o Quintero, mais próximo estilisticamente, por exemplo, de um Carlos Valderrama, parece geneticamente incapaz de fazer o mesmo.

 

Agora, a ser verdade, contratar Corona quando se tem no plantel Bueno, ou para colocá-lo a jogar na linha, e desviar Brahimi para dentro, como também já li, fará sentido?

 

O Brahimi é um organizador de jogo, ou um rompedor? Então, e não está de volta o Quintero, que faz essa mesma posição?

 

Ou melhor ainda, o modelo de jogo contempla essa posição? Ou a de segundo avançado, para a qual tivemos o Adrián, temos o Bueno, e poderemos vir a ter o Jesús Corona?

 

Estará por aí na calha uma mudança do paradigma táctico, ou será simplesmente um momento de desnorte?

publicado por Alex F às 01:16
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