Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

O Grandioso molho de brócolos

 “Quem com ferro mata, pelo ferro morre”

 
Esta Direcção demissionária do Benfica, deve ter sido aquela que, em todos os tempos, e em todos os clubes, mais vezes tentou conseguir na “secretaria”, aquilo que não conseguiu no campo, ou pelas vias mais ortodoxas.
 
E, simultaneamente, aquela que mais vezes deu com os burros na água.
 
Foi o perdão fiscal, para limpar as dívidas e conseguir construir o Estádio, de que hoje se gabam aos sete ventos, foi o caso do doping do Nuno Assis, foram os processos “Apito Dourado” e “Apito Final”, foi o processo Mateus, em que patrocinaram a causa do Belenenses contra o Gil Vicente, foi o sumaríssimo ao Lisandro López. Enfim, um ror deles.
 
Destes todos, contam-se por vitória parcial, e até ver, o “Apito Final”, o processo Mateus, e o castigo ao Lisandro López. Sem margem para dúvidas, insuficientes para ofuscar as retumbantes derrotas nos restantes casos.
 
Depois do “golpe de estado estatutário”, como lhe chamou Bagão Félix, que culminou com a antecipação das eleições, o candidato à sucessão de Luís Filipe Vieira, Bruno Carvalho, deu-lhes a provar do seu próprio remédio.
 
Foi mais uma oportunidade para o auto-demissionário ex-Presidente do Benfica dar mostras de todo o seu sentido democrático. O acto de demissão, que Manuel Vilarinho, com a sobriedade que se lhe reconhece, havia já admitido publicamente enquadrar-se na estratégia “de quem manda”, tresandava a democrático.
 
A apressada marcação das eleições para data anterior, por exemplo, a que José Veiga perfizesse os cinco anos de sócio necessários para poder candidatar-se, foi mais uma achega.
 
A chamada de atenção a José Eduardo Moniz, depois tornada pública, numa entrevista de metamorfose idiossincrática, ao jeito de José Sócrates, de que não pagava quotas à 31 anos, foi certamente para alertá-lo, e prevenir males maiores caso aquele decidisse efectivamente concorrer. Tudo em prol da democracia, está visto, e da pluralidade, não fosse dar-se o caso de virem a não aceitar a sua candidatura.
 
Afastado este concorrente de peso, e o movimento “Vencer Benfica, Vencer…”, numa atitude de claro menosprezo em relação ao ainda concorrente Bruno Carvalho, proclama que, uma vez eleito vai alterar os estatutos do clube, alargando o período de tempo de permanência como associado necessário para qualquer sócio poder candidatar-se a Presidente. Talvez para 10 anos, o que já lhe daria margem suficiente para tramar pela segunda vez o bom do Veiga.
 
Enfim, é de uma democraticidade que impressiona. E tudo isto vindo de alguém que não se promove à custa do Benfica, que serve o clube, e que não está no clube para se servir, e, pasme-se, que não está agarrado ao poder.
 
É claro que este bonito discurso, uma vez pisado nos calos, desceu imediatamente ao nível rasteirinho e soez, que lá vai disfarçando como pode, apelidando o seu oponente, consócio de clube, de “garotão”.
 
O paladino da verdade desportiva, dava assim, uma vez mais, prova do seu elevado desportivismo, fairplay e respeito pelas pessoas e instituições.
 
Mas isso, ainda é o menos grave. É que se tivermos em conta o sóbrio comunicado do Presidente da Assembleia-Geral, Manuel Vilarinho, a lista de Luís Filipe Vieira põe em causa a citação judicial recebida, e logo, uma ordem do tribunal, preparando-se para não a acatar.
 
Já se tinha percebido, pelos comentários do personagem Vieira, às decisões dos tribunais no caso “Apito Dourado”, que o seu conceito de justiça é variável, consoante as decisões lhe são favoráveis ou contra.
 
Pior. Luís Filipe Vieira encontra-se preso, num tempo que não é, claramente, o seu. A sua concepção de democracia, todos por mim, ninguém contra mim, é própria de um regime que existiu em tempos idos, durante o qual cresceu, e se terá feito simpatizante encarnado, e em que as coisas, ao que se conta, funcionavam dessa maneira.
 
Mas o Mundo não parou desde então. Evoluiu. E a sociedade também. A democracia parece estar para durar, e Luís Filipe Vieira continua cristalizado num Mundo seu, onde tenta levar a água ao seu moinho, à sua maneira. É compreensível a frustração que deve sentir.
 
Só que isso, provavelmente, combate-se com sessões de terapia. Nós, é que não temos nada que ver com isso.
 

Pela parte que me toca, fico a torcer para que tudo corra bem a Luís Filipe Vieira. É o Presidente que eu sempre quis…para o Benfica!

publicado por Alex F às 18:13
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