Sábado, 26 de Janeiro de 2013

As venturas e as desventuras de um palhaço acrobata (numa corda muito pouco bamba) – A Continuação

O que se segue é a continuação do texto "As venturas e as desventuras de um palhaço acrobata (numa corda muito pouco bamba) - O Início.

 

Apreciação do modelo de jogo pelos adeptos

 

Poderei estar eventualmente a laborar num erro, mas penso que de entre os adeptos portistas, mesmo muitos daqueles que defendem o treinador com unhas e dentes, apenas porque sim ou porque é o nosso, não serão poucos os que frequentemente terão dificuldade em rever-se no tipo de jogo que a equipa produz, apesar de o importante prevalecer – ir vencendo.

 

Quando estrategicamente, aquilo que se espraia no terreno de jogo tem até para os mais despertos, o efeito soporífero de transformar o que se vai vendo, ao vivo ou no meu caso, na televisão ou no online, num lento e sonolento bocejo, algo não corre bem. Queremos mais. Queremos sempre mais. É a nossa marca distintiva.

 

Do outro lado há uma empatia, diria que quase total, entre o modelo de jogo adoptado e os adeptos, ainda que nem sempre a coisa corra pelo melhor. Nesse caso, tem toda a pertinência o diagnóstico da situação feito por um homem da casa, Carlos Daniel, e que consta no excerto que reproduzi no texto que deu origem a esta "reflexão".

 

Faltou-lhe, como é tão típico entre nós, indicar o ou os responsáveis, pelo estado de coisas diagnosticado. Ou talvez não estivesse interessado nisso, uma vez que o (de)mérito cabe sem sombra de dúvida, ao treinador daquele clube.

 

 

Não que tenha descoberto a pólvora, ou inventado algo de novo. Nada disso. Quanto muito terá o mérito de ter alguma memória, e de ter conseguido replicar algo que outros não conseguiram, e que foi o estilo de jogo de correria louca, que tanto me irritou nos idos dos anos 80, em que os jogadores daquele clube pareciam correr sempre mais, e ter um dinamismo superior a todos os demais.

 

Ou seja, o futebol que sempre foi apanágio daquela equipa e que fez dos seus atletas papoilas saltitantes. Digamos que nos tempos áureos dos anos 60, a diferença se fazia muito, entre outras coisas, que não vêm agora ao caso, através da força física de uns tais Eusébio e Coluna, da velocidade de um José Augusto e de um António Simões [ndr.: por lapso, mencionei inicialmente Jaime Graça], e da altura de um José Torres. E do profissionalismo, que consta que terá sido o primeiro emblema a abraçar.

 

Ora, saltitar não é o mesmo que jogar futebol. Corridas desenfreadas de uma trupe de Forrest Gumps esbaforidos – “Run, Forrest, run” - também dificilmente o serão. Foi o que terá pensado o Ivic, que mal havia posto pé na Cesta do Pão, e logo tratou de “encolher” o rectângulo de jogo.

 

No entanto, por vezes é efectivo, e permite alcançar resultados, contrariando de certo modo aquela outra teoria estapafúrdia da “nota artística”, parida pelo mesmo individuo.

 

Melhor ainda, é com este futebol que o povão vibra. Muita corrida, forte pressão ofensiva, o adversário permanentemente encostado às cordas, ou no caso, à sua baliza, e frequentemente, depois de exaurido, esmagado, espezinhado sem dó nem piedade até ao limiar da humilhação. Sangue, como dizia aqui há uns anos o Nuno Graciano, muito sangue, é o que o povo quer.

 

Ah, e convém não esquecer umas ajudazinhas, que aqui e além, concorrem para aquela parte do encostar às cordas, do esmagamento e do espezinhamento.   

 

É, no fundo, o tipo de futebol que mais agrada aos seus adeptos. Preenche-lhes os egos e simultaneamente, o do treinador. Sim porque há que não esquecer a vertente egocêntrica da questão.

 

Há que não esquecer que estamos em presença do arquétipo do “bullied”, que passa a “bully”, e se transforma no macho alfa da matilha, um verdadeiro galifão de crista. Uns seguem-no porque não sabem mais, e agrada-lhes o status quo, outros porque lhes convém.

 

E assim sendo, torno a perguntar: quem arrisca mais? Quem mais dá ao público com regularidade aquilo que ele quer, ou quem se marimba para os adeptos e fiel às suas convicções, somente no final atinge o nirvana?


Nota: Com um bocado de sorte, ou azar, tudo dependerá da perspectiva, ainda é capaz de vir a haver mais um capítulo dentro em breve.

 

sinto-me:
música: Living on the edge - Aerosmith
publicado por Alex F às 00:57
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2 comentários:
De penta1975 a 26 de Janeiro de 2013 às 22:36
@ Alex

«quem arrisca mais?»

complicado responder.
depende do desenrolar do jogo.

mas, num modo geral, penso que seremos nós quem arrisca mais.
vejamos: temos um varela permanentemente no onze titular; temos um plantel só com dois laterais (quase que) de raiz; temos um banco actualmente só com putos (promissores, é verdade, mas putos); só temos um ponta-de-lança em condições (sim, que o leBeznho... enfim... espero engolir algumas palavras que já lhe dirigi).

se somados todos estes factos não se considera que somos nós quem mais arrisca, então não sei mesmo o que é arriscar.
(e é óbvio que estes mesmos factos fazem com que o jogo actual do FC Porto seja maçador. e, por vezes, enfadonho até. é que, por exemplo, não há a magia do James...)

abr@ço
Miguel | Tomo II
De Alex F a 27 de Janeiro de 2013 às 23:01
@Miguel, meu Caro,

Não bastava o ruminante jogar em Braga com cautelas e caldos de galinha, até alterar o modelo de jogo, também tu estás a ver se me lixas a conclusão desta saga? Ainda não cheguei à parte do plantel e da gestão do dito.
Mas, concordo com tudo o que escreveste no comentário.

Abraço
Alex

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