Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013

A desonestidade intelectual tem cura?

Ontem à noite, perdi 25 minutos da minha vida a ver o “Trio d’Ataque”, coisa que não acontecia há bastante tempo.

 

Digo “perdi”, porque valha a verdade, não vi nada que não tivesse visto antes. Ou seja, nada de novo, continua a mesma espécie de telenovela, apenas sem a presença do elemento feminino, que ajuda a passar o tempo.

 

Desisti ao fim de 25 minutos porque a cada intervenção do representante benfiquista no programa, vi-me incapaz de reprimir insultos e de não desatar a praguejar sozinho em voz alta, frente ao televisor. Mudei de canal, mas o que já não me saiu da cabeça foi a pergunta do título.

 

O João Gobern conseguir vislumbrar a falta que dá origem à expulsão do Haas, e eu, por exemplo, não conseguir, é normal. Noutras ocasiões, também me pareceu ver as coisas de uma forma em directo, e depois, nas repetições tive de engolir a primeira opinião.

 

Estranho será que, como o Gobern, o árbitro e o árbitro assistente, situados ambos ao nível do terreno de jogo, tenham conseguido descortinar a falta, que depois, na televisão não se vê.

 

Nesse aspecto até estiveram mais ou menos equiparados aos telespectadores, pois enquanto um lance dum qualquer golo em pretenso fora-de-jogo ou de bola na mão nosso, é repetido à exaustão, neste caso muito poucas repetições tiveram lugar.  

 

Também não me surpreende por aí, além, que o Gobern tenha visto no Haas o último elemento da defensiva bracarense. Na linha recta para a baliza, foi a impressão com que também fiquei.

 

Porém, fico verdadeiramente apreensivo é que ao dito Gobern, que tão minuciosas e pertinentes análises faz de lances dos adversários, designadamente, dos nossos jogadores, tenha escapado a falta do Mona Lisa, no início da jogada.

 

Lá está, uma vez mais faltaram as repetições em número adequado e suficiente. Deve ter sido isso. 

 

A desonestidade intelectual estava apenas a aquecer. Estava lançado o gérmen, todo o seu apogeu viria a seguir. Aqui ainda a coisa passava.

 

Trazida entretanto à colação pelo Miguel Guedes, a expulsão na partida anterior a esta, do único central capaz do SC Braga, ir buscar os exemplos do Izmaylov e do Liedson, que mal chegaram ao FC Porto, e logo foram convocados, para servir de pretensa desculpa à arbitragem do Duarte Gomes, não lembrava a ninguém.

 

Nem sequer ao sportinguista de serviço. Querer fazer crer que pôr no onze inicial uma dupla de centrais, em que um deles fez três treinos com a equipa, e o outro nove jogos, não é a mesma coisa que lançar um médio/extremo quinze ou trinta minutos, ou um avançado.

 

É claro que, entrando no domínio da arbitragem, a coisa não podia ficar por aí. Confrontado pelo Miguel Guedes, com o facto de haver árbitros, como o mencionado Duarte Gomes, ou o do jogo, Bruno Esteves, que parecem seguir idêntica cartilha, mostrou-se espantado pelo arrolar de erros da autoria deste último, sempre em benefício do seu clube, nos jogos das duas últimas épocas, ante o Paços de Ferreira.

 

Se o Gobern visitasse blogs benfiquistas – eu sei que o faz, mas fica aqui entre nós – teria visto que também há queixas do Bruno Esteves do seu lado. Em grande parte da bluegosfera, até aqui, ainda que de forma ligeira, estava disponível a “ficha” do Bruno Esteves, que agora tem mais um episódio para acrescentar-lhe.

 

Talvez não tenha querido ir por aí, de tão ridículas e hilariantes que são a maior parte delas, quando vistas da perspectiva das suas cores. Então, mais valeu simular o pasmo, e puxar pelos trunfos do costume, de um naipe que parece nunca mais ter fim à vista: José Guímaro, Carlos Calheiros e José Pratas.

 

Assim se defendem quando o tapete da argumentação lhes começa a fugir debaixo dos pés. Se tivesse visitado os tais blogues do seu clube, haveria de ter visto que também podia acrescentar à lista o nome de Martins dos Santos. Fica para a próxima, que de certeza vai haver.

 

Entretanto, enquanto alinhavava este texto, acabei por responder por mim próprio à questão que coloquei.

 

Há aquela máxima que diz que se pode mudar de muita coisa, mas não se muda de clube de futebol. A desonestidade intelectual é incurável.

 


Nota: Hoje, contra o Gil Vicente, bastam-nos três golos para passarmos para o primeiro lugar. Ex-aequo, é claro. Não é nada de mais, e o Fiúza merece levar três. Pensar que ainda defendi este gajo no caso Mateus...Vamos lá ver se o Paulo Alves vai dar razão ao Gobern, e põe o Hugo Vieira de início.
sinto-me:
música: Dr. Beat - Gloria Estefan & The Miami Sound Machine
publicado por Alex F às 13:19
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3 comentários:
De penta1975 a 28 de Janeiro de 2013 às 14:14
@ Alex

não foste o único a perder tempo precioso da tua vida.
e a praguejar para um monitor de televisor.
e a veres-te compelido a moderar o volume do teu áudio, pela tua esposa, quando, ao fim de cinco minutos, vislumbras o enésimo sorriso cínico do gordo gobern e não consegues resistir a mandá-lo para a g'anda p**@ que o pariu (certamente pelo olho do cu).
fui mesmo obrigado a mudar de canal. e a prometer a mim mesmo não mais ver aquele programa.

desculpa a linguagem, mas com lampiões como aquele não consigo ser correcto.

abr@ço
Miguel | Tomo II
De Alex F a 28 de Janeiro de 2013 às 23:07
@Miguel,

Aquilo tem muito de encenado, e é feito precisamente com o objectivo de nos tirar do sério. A nós, e aos portistas que participam nesses programas. O Gobern mal começou a falar, disse logo que tinha sido uma grande vitória do clube aquele, e sem guarda-redes avançado. Qual era a necessidade?

Pura provocação. Ele e o Rui Gomes da Silva prestam-se conscientemente a esse papel. O Seara está um bocadinho mais comedido, apenas porque está metido noutro tipo de esquemas.

O Gobern sabe o suficiente de futebol para saber que comparar a entrada do Haas e do Sasso na defesa do Braga, com as entradas do Izmaylov e do Liedson, que nem sequer aconteceu, é comparar o cú com a feira de Castro. No entanto, fá-lo.

Para provocar, e porque o resto da carneirada, ouve, e come aquilo por bom. O que é triste. Assim como é triste que as televisões alberguem este tipo de jogadas, apenas em função das audiências.

É o que temos, e hoje demos-lhes uma boa resposta.

Abraço

Alex

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