Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013

E se se decidissem, duma puta de uma vez por todas?

 

Embora me provoque alguma comichão na epiderme, ainda que moderada, tendo em conta a importância da coisa em si, não consigo afastar, para além da dúvida razoável, a sensação de que alguém na nossa SAD meteu a pata na poça à grande neste caso da Taça Lucílio Baptista.

 

Inconscientemente, por incúria, desleixo, distracção ou outro sucedâneo do género, ou conscientemente, confiando para lá da conta na incompetência de terceiros para detectarem a situação, algo se terá passado de pouco normal.

 

E claro, como não poderia deixar de ser, o caso deu azo a diferentes leituras. Uns em estado quase orgásmico viram neste episódio uma falha flagrante de uma estrutura reputada de infalível a todos os níveis, e ficaram exultantes por isso. Quase toda a imprensa desportiva enveredou por este caminho, cantando e rindo.

 

Para o “Record”, conforme realçou o Dragão Vila Pouca, no seu Dragão até à morte, estaria inclusivamente a ser posta em causa pelos accionistas, a continuação de Pinto da Costa, à frente da SAD.

 

Por certo, terá faltado desta vez um repasto confabulatório, num qualquer estabelecimento hoteleiro da capital, para afinação estratégica de agulhas nesta matéria e estabelecimento da “linha oficial” a seguir.

 

Só assim se compreende que, por exemplo, João Gobern no “Trio d’Ataque”, também mencionado no texto acima referido do Dragão até à morte, ainda que sob o escudo protector do anonimato daquilo que circula na internet, se dê ao ridículo de reproduzir a “teoria” de que o FC Porto utilizara conscientemente os jogadores, sabendo que seria punido por isso, para dessa forma, “compensar” o Vitória de Setúbal pelo adiamento do jogo de 14 de Dezembro para 23 de Janeiro.

 

Como disse há não muito tempo, o adiamento daquele jogo pareceu-me, muito sinceramente, ser do interesse de todos os interveniente directos. O menos interessado seria interveniente, mas apenas por via indirecta.

Uma diarreia mental desta natureza vai de facto de encontro à posição oficial desse interveniente indirecto. Como é que se passa a mensagem de que o clube dos corruptos controla tudo e todos, e depois comete uma aselhice daquela dimensão?

 

Até em momentos como este, há que enaltecer a capacidade conspirativa do rival, que nada deixa ao acaso, e nada melhor para tanto que uma teoria que circula na internet. Posta a circular por quem?

 

Mas a coisa não ficou por aqui. Hoje, no “Mais Futebol”, Luís Sobral escreve sobre “Niculae, Kléber e o amigo FC Porto”, e deixa uma série de perguntas a que o Sporting terá de responder.

 

Uma das quais, a sexta, reza assim:

 

6. F.C. Porto salvador? Falhou Niculae, voltou a hipótese Kléber. Os dois clubes já tinham tentado, sem sucesso. Quando se viu perdido, o Sporting voltou a perguntar pelo brasileiro. Chegou a acordo com os portistas, mas não foi capaz de convencer um jogador lesionado, sem perspectivas de competir. Foi mais uma demonstração de incapacidade, que o Sporting dispensava. Até porque sublinhou uma realidade incómoda: quando está em apuros, alguém em Alvalade telefona para o Dragão. Negócios entre rivais fazem sentido. Ser auxiliado por alguém com quem se devia discutir o campeonato é difícil de compreender e levanta diversas questões.”

 

O Luís Sobral que escreveu isto, é o mesmo que uma semana atrás, a propósito do imbróglio da Taça Lucílio Baptista, dizia no mesmo sítio, qualquer coisa como isto:

 

1. O F.C. Porto. Parece evidente, até pela ténue reação do clube (em off, sem que Pinto da Costa se tenha desta vez disponibilizado para atacar a Liga), que o F.C. Porto errou. O lapso ocorreu na Taça da Liga, é verdade, mas não deixa de ser um erro que expõe a organização, tantas vezes elogiada. Num outro emblema já teria havido adeptos a questionar semelhante fragilidade, mas no F.C. Porto parece interiorizado que a Taça da Liga é uma competição em que o clube nem devia cansar os jogadores.”

 

Ora, se neste último caso “a organização, tantas vezes elogiada”, ficou exposta pelo erro, resta saber exposta a quê, porque será tão incómoda a pretensa realidade constatada, de que “quando está em apuros, alguém [na Calimeroláxia] telefona para o Dragão”?

 

Incomoda a quem? [É] difícil de compreender e levanta diversas questões”? Será assim tão difícil de compreender? E que questões, certamente duma pertinência considerável, serão essas?

 

É pá, decidam-se de uma puta de uma vez por todas:

 

ou somos muita bons, controlamos, compramos, subornamos este mundo e o outro, e é exclusivamente por causa disso que ganhamos a torto e a direito;

 

ou somos burros até mais não, susceptíveis como todos os mortais ou pior, de cometer erros de palmatória, e temos de nos aliar ao grupo desportivo dos bancos Espírito Santo e BCP Millenium para derrotar o grande clube, ou o mais grande, se preferirem, que quer-me parecer será o mais preocupado por detrás de tudo isto;

 

Em que ficamos?

sinto-me:
música: Make up your mind - Theory of a Deadman
publicado por Alex F às 13:22
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3 comentários:
De penta1975 a 1 de Fevereiro de 2013 às 17:21
@ Alex

sou suspeito na partilha da minha opinião, mas considero que, de há trinta anos para cá, somos Vencedores - logo, incómodos para muito "boa gente", habituada a vitórias (ditas) «gloriosas».

somos Porto!, car@go!
«este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

abr@ço
Miguel | Tomo II
De Manuel Vila Pouca a 2 de Fevereiro de 2013 às 14:12
Meu caro, até pode haver quem ache que tenho a mania da perseguição, mas como sou do tempo em que eramos uns tipos bestiais - não ganhavamos era nada! -, ninguém me tira da cabeça que há manobras concertadas, colunistas, paineleiros e afins, com o objectivo claro de denegrirem sistematicamente a nossa imagem.

Quanto há Taça da Liga, ainda não há decisão, quando houver e se for desfavorável, nada de fonte do F.C.Porto disse isto e aquilo, assumpção clara de responsabilidades, nada de arranjar bodes expiatórios... Mesmo que a Taça da Liga não seja uma prioriddae.

Abraço
De Alex F a 3 de Fevereiro de 2013 às 00:04
Caríssimo,
Não sendo eu desse tempo, mas por pouco, tenho a certeza absoluta de que há uma estratégia concertada nesse sentido. Senão vejamos. Tomemos o exemplo da televisão: o Sílvio Cervan e o Rui Gomes da Silva, fazem parte dos corpos socias de um certo clube. O António-Pedro Vasconcelos, inicialmente crítico da direcção, reune-se com o Vieira, e de um dia para o outro, passa a ser um dos seus maiores defensores. Agora, é o Gobern. Por algum motivo o Machado Vaz foi afastado, ou não será sssim? O Seara é que, talvez por motivos políticos, anda um bocado mais apagado.

Eles sabem como se faz, ou o Gobern, naquele Trio d' Ataque a que me refiro não tivesse insinuado que da nossa parte, também havia concertação entre os comentadores. Qual será o tipo de concertação que o tipo vê ser possível entre homens como Rui Moreira, Guilherme Aguiar ou Manuel Serrão? Quanto muito o Miguel Guedes.

Quanto ao episódio da Taça Lucílio Baptista, independentemente da decisão que venha a ser tomada, que tenho muitas dúvidas nos venha a ser favorável - caía o Carmo e a Trindade, se assim fosse - o que me faz espécie é que as interpretações e teorias sobre a validade da aplicação daquele regulamento, surgiram em blogs portistas, e não de fonte dita oficial.

O clube limitou-se a abordar a questão da marcação do jogo para aquela hora, os blogs é que, bem quanto a mim, se dedicaram a analisar e explorar as eventuais lacunas da lei.

Seja como fôr, a norma é estúpida. Basta ver que o Sporting não pode adiar o jogo com os outros, porque após um jogo internacional, a equipa principal só tinha direito a 48 horas de descando, e as equipas B têm que ter 72 horas?! Ridículo!

Não me admirava nada que a alguém do nosso lado passasse pela cabeça que aqueles jogadores não poderiam eventualmente alinhar.

Abraço

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