Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

They dance alone

25
Mai15

ngB3E054E1-7E00-40DD-8EC6-54A02311B63A.jpg

 

“They’re dancing with the missing

 

(…)

 

They’re dancing with the invisible ones

 

Their anguish is unsaid

 

(…)

 

They dance alone

 

They dance alone

 

It’s the only form of protest they’re allowed

I’ve seen their silent faces scream so loud”

 

 

Alguém acredita que terá sido de ânimo leve, que as claques do FC Porto permaneceram em silêncio grande parte do tempo, e abandonaram o recinto antes de terminar o nosso último jogo?

 

Alguém acha que a atitude das claques significa, que por um momento que seja, deixaram de apoiar, de gostar, de viver, de sentir, o clube e a equipa?

 

Alguém duvida que na próxima temporada vão voltar a lá estar e a cantar e gritar os nomes dos jogadores que agora apuparam?

 

Alguém pensa que assobiam os jogadores na expectativa de que, com um estalar de dedos, como que num passe de magia, fiquem impregnados do ADN que não possuem, por muito cientificamente interessante que uma tal transfusão pudesse ser?

 

Eu acho que não, e não tenho a menor dúvida de que, na próxima temporada, lá estarão com os seus cânticos e o seu apoio. E tarjas.

 

Não acredito, nem por um segundo que seja, que tenham voltado as costas à equipa, ou que não se orgulhem do seu trajecto, e ainda menos que não respeitem o suor que alguns daqueles jogadores, nomeadamente os que vão sair, verteram naquelas camisolas.

 

Parece-me antes que, no actual estado de reactividade epidérmica, esta terá sido talvez, a forma de protesto possível.

 

Mais, não me afigura sequer que se trate de um protesto dirigido a alguém em particular. Nem aos jogadores, nem ao treinador, nem sequer à SAD ou ao presidente.

 

Pareceu-me antes uma chamada de atenção para o rumo que as coisas tomaram e, ao que parece, será para continuar autisticamente inalterado.

 

Um pai que dá uma palmada num filho, por este se portar mal, porventura deixará de o amar da mesma maneira?

 

Bem, na presente conjuntura, aquilo que acabei de escrever não é certamente politicamente correcto, e alguém ainda seria capaz de ir a correr chamar a Comissão de Protecção de Menores.

 

É isso, no fundo, que as claques aplicaram: uma palmada, um correctivo. Para que no futuro a asneira não se repita. Para que se arrepie caminho. Para que, ao menos, se oiça. Neste caso, ironicamente, o silêncio, como cantaram Simon & Garfunkel.

 

Seriam preferíveis apedrejamentos? Que se virassem e incendiassem viaturas ou que se saqueassem armazéns?

 

Essas, ultimamente, parecem ser actividades mais próprias para festejos, do que para manifestações de protesto.

 

E quanto a mim, nada disto não tem que ver com ser ou deixar de ser coerente, o essencial permanece lá, quero crer que intacto e imutável: a paixão pelo clube.

 

Ou seria melhor bater palminhas, e ficar alegremente a ver as coisas descambarem, como Nero num torpor esgazeado a olhar para Roma a arder?

 

Vale o que vale, mas se noutras ocasiões estive longe de concordar com a postura das claques, neste caso em particular, têm a minha total compreensão.

  

“Hey Mr. Pinochet

 

You’ve sown a bitter crop

 

It’s foreign money that supports you

 

One day the money’s going to stop

 

No wages for your torturers

 

No budget for your gun

 

Can you think of your own mother

 

Dancin’ with her invisible son”

 

Nota: não me levem a mal por ir buscar esta música, que retrata e tem a ver com coisas muito mais sérias do que este assunto. Por favor, ao lerem coloquem as coisas na sua devida proporção. Relativizem. Foi apenas a música que imediatamente me ocorreu.

 

Também não me levem a mal a referência a Pinochet. Está na música, e ao mantê-la não estou a fazer qualquer comparação entre personagens históricas. Quanto muito, uma longíqua, mas possível analogia de situações… 

 

Estatisticamente falando

24
Mai15

transferir.jpg

 

 

Não tenho a ideia exacta de quando é que isto começou, mas se por algum motivo tivesse de situar no tempo o início desta febre estatística, apontaria para o período do Sporting de Peseiro.

 

É claro que sempre existiram números e dados estatísticos, recordo que, como em tantas outras áreas, também nessa o FC Porto foi o percursor, através do prof. José Neto, que integrou a equipa técnica de Pedroto.

 

Agora, o inferno estatístico em que hoje vivemos, salvo erro começou com o Sporting do Peseiro, e as suas incomensuráveis series de vitórias, que foram assim amplificadas, talvez na esperança de que não tivessem fim à vista. Uma espécie de #colinho doutra natureza.

 

Ironicamente, acabariam por perder em casa com o CSKA, a hipótese de chegar a um título europeu, e a mona lisa do Luisão haveria de os apear da corrida para o campeonato nacional.

 

A coisa agora refinou-se e expandiu-se, como se a grande beleza do futebol não residisse na sua aleatoriedade, e a única verdade estatística insofismável é a de que só contam as bolas que entram na baliza.

 

Não tarda, alguém vai chegar à conclusão de que o actual campeão, é o clube que mais títulos alcançou com um defesa central careca ou com um defesa-direito com uma verruga bá cara e o nome começado por "M".

 

Por exemplo, estatisticamente, o FC Porto terá tido a melhor defesa da Europa, e teve o melhor marcador do campeonato, que, ainda assim, não ganhou.

 

O que é que isso nos diz? A mim não me diz grande coisa.

 

Diz-me que, no futebol, o objectivo principal do jogo é marcar golos, e não impedir que o adversário os marque.

 

De vez em quando pode acontecer que uma selecção como a italiana, empate todos os jogos da fase de grupos e acabe campeã europeia. Mas isso é numa prova com apenas três jogos em poule. Um campeonato é longo e é uma competição de regularidade, convém marcar mais golos que os adversários.

 

O que nos leva ao titulo de melhor marcador, que para além de atestar da capacidade individual de quem o alcança, para pouco mais serve, especialmente quando nos dois lugares imediatos se classificam os dois melhores marcadores do rival, com menos um e dois golos, respectivamente.

 

Mas já que é de estatísticas que se fala, há mais dois factos estatísticos que, apesar de tudo, catapultam Julen Lopetegui para a história do FC Porto de Pinto da Costa, e que não têm tido o devido realce.

 

Tal como aconteceu em 1988-1989, o FC Porto não conquistou qualquer titulo, mas enquanto Quinito não chegou ao fim da época, Lopetegui conseguiu fazê-lo.

 

E, caso Lopetegui continue a treinar o FC Porto na próxima temporada, será o primeiro treinador que o fará (na gestão de Pinto da Costa), depois de se ter aguentado uma época inteira sem ganhar o que quer que seja.

 

Estatisticamente falando ou não, é obra. Ou sinal dos tempos.

Hala Cristiano

22
Mai15

Imagen-de-Cristiano-Ronaldo-ju_54422118579_5411522

 

"Ronaldo reúne com Florentino Perez"

 

Florentino: Hola, Ronaldo, chico mio, que me quieres?

 

Ronaldo: Florentino, assim não vamos lá Florentino!

 

Florentino: Que te pasa tio?!

 

Ronaldo: Assim não dá Florentino, estoy muy triste!

 

Florentino: Como!? Que te pasó, hombre de diós?

 

És que no te hay callido bien lo de la Irina com el Cooper, de las películas?

 

Ronaldo: Cooper?! Qual Cooper? Tenho um na garagem. É para o puto brincar!

 

Não, pá. É que vocês não me merecem, pá. Vocês não me apoiam. Nem naquilo da festa, nem dos assobios, nem no campo… Nada Florentino!

 

Florentino: Pero, qué querias tu, hijo mio? La fiesta fué buenísima…

 

Ronaldo: Buenísima, o car….! Eu pedi palhaços, pá! PALHAÇOS, coño! Até podiam ser o Pepe e o Coentrão. E vosostros, qué?!

 

Stripers a sair do bolo! STRIPERS!!

Porra Florentino, yo soy un chico de família, caray! A D. Dolores ia tendo um fanico! Já não bastou a russa, hijos de put…!

 

Florentino: Mas, mas, mas…pero por diós, chaval, que era justo para olvidar a Irina. Tres chicas, a coger! Guapisimas!

 

Ronaldo: Sim, sim. E aquilo dos assobios? Em pleno Barnabéu, carago!

 

Florentino: Vaya, e qué querias tu que hicieramos?

 

Ronaldo: Olha Florentino, puxa pela cabeça, pá! Vê lá tu, ali ao lado, na minha terra, os cubanos do Porto resolveram um problema parecido.

 

Fizeram uma campanha a dizer: “Enquanto se canta, não se assobia”, e pronto.

 

Porra, pá! É brilhante! Não podíeis fazer o mesmo?

 

Florentino: … (baixa a cabeça, comprometido)

 

Ronaldo: Pois, agora calas-te, mas eu é que tenho que gramar com os assobios e as piadinhas!

 

E aquele Ancelotti, pá!? Assim não ganhamos, Florentino. Um gajo com um corte de cabelo certinho daqueles, pá! E nem o Fábio põe a jogar, caramba…

 

Florentino: Pués, és qué no juega un cuerno el Cuentrón!

 

Ronaldo: E o Casillas, pá! Quais ilhas, nem meias ilhas. Das ilhas basto eu, hombre!

 

Florentino: Puta madre! Pero, que hace dos dias te gustava tanto el spaghetti, hijo mio?!

 

Ronaldo: Pois, pois, está bem.

 

Olha, o gajo daquela cena dos assobios do Porto é que é porreiro, pá! Tem estaleca.

 

Florentino: Y ese quién és?!

 

Ronaldo: É um tal de Loto…, Lotepe…, Lope…tegui. Lopetegui, é isso!

 

Florentino: Lopetegui?! Pero ese és de los nostros, caramba!

 

Ronaldo: Vês?! Ainda por cima. Também tem um penteado para o foleirote, mas é especialista na Champions. Até ganhou um jogo ao Pep!

 

Florentino: Entonces deberá ser bueno de verdad, non?!…

 

Ronaldo: Sí, por supuesto, que sí. De puta madre! Por acaso, até tenho aqui o número de telemóvile do empresário dele. Apunta-te-lo…

 

Florentino: Vale. Pero…Eso qué és?! Ese número!?...No me suele muy raro!

 

Mira, ese és el número de Jorge!

 

Ronaldo: Hã…!? Jorge?! Hmm! Sim, sim. Y eso que importa?! Liga-lhe vai.

 

"Ancelotti despedido esta sexta-feira"

Uma questão de higiene

21
Mai15

Futuro OJogo.png

  

E parece que o futuro se discute a dois. Há muito que oiço dizer que dois é bom, três é demais, talvez daí ter ficado à porta a multidão com pás e picaretas.

 

Consta que a continuidade está em cima da mesa, para contentamento de alguns portistas, agora menos que há uma semana atrás, and counting…, e inclusivamente já se fala em renovação do contrato, que já era à partida de três anos.

 

Visto deste modo, dir-se-ia que muita gente acredita que a continuidade do treinador é algo que dependerá exclusivamente da vontade unilateral do clube, e a que aquele estará receptivo.

 

Quanto outros factores, nomeadamente alguns externos, que poderão pesar na decisão que venha a ser tomada, ignoram-nos ou desprezam-nos olimpicamente. O futuro o dirá.

 

Entretanto, coloca-se a questão: em que é que a continuidade contribuirá para a nossa felicidade?

 

Estabilidade é a palavra de ordem.

 

Enquanto país, levámos 40 anos para passar do PREC para os PEC, sendo que a diferença é uma letrinha apenas. A nós, bastou-nos uma época. Somos rápidos.

 

Não sendo eu particularmente fetichista no que toca às estatísticas, por vezes, não deixo de sentir alguma curiosidade histórica.

 

Foi o que aconteceu recentemente, após o nosso jogo na Cesta do Pão.

 

A questão que me surgiu de imediato foi: “há quantos anos teremos chegado ao fim da temporada sem conquistar um único título para amostra?”

 

Feita uma breve pesquisa – a internet ajuda que se farta! – eis que cheguei à conclusão, que até os mais insuspeitos de alguma vez terem ganho um título que fosse com as nossas cores, os piores dos piores, conseguiram fazê-lo, com Octávio Machado à cabeça.

 

Mas a resposta em concreto à minha dúvida, acabei por encontrá-la no Mais Futebol, num artigo escrito no final da época passada, talvez por não lhes passar pela cabeça a possibilidade de que ainda poderíamos descer mais abaixo.

 

600.jpg

 

Foi, portanto, há 16 anos, na temporada de 1988/1989.

 

O treinador era Quinito, que substituíra Tomislav Ivic, e apressou-se a afirmar que o FC Porto “era o Gomes e mais dez”.

 

Depois acabou por perceber que a tarefa era areia de mais para a sua camioneta, e teve a hombridade de pôr o lugar à disposição.

 

Para repor as coisas nos eixos, regressou Artur Jorge, e fê-lo, e de que maneira. Não houve cá estabilidades e o Rei Artur empreendeu a mais radical “limpeza de balneário” de que alguma vez houve notícia.

 

E foi a doer. A mim doeu a valer ver alguns daqueles que foram os heróis do imaginário da minha meninice serem afastados do clube, sem dó nem piedade.

Homens como Fernando Gomes, Inácio, Lima Pereira, Sousa, Frasco, Jaime Pacheco, todos eles portistas e campeões europeus, bem como outros, também campeões europeus, mas mais recentes, como Mlynarczyk, Eduardo Luís, Quim ou o Vermelhinho, do golo de Aberdeen, deixaram o clube, numa ranchada de dezassete saídas.

 

No entanto, nas Antas continuaram outros como Zé Beto, Vitor Baía, João Pinto Geraldão, Paulo Pereira, Branco, Bandeirinha, Semedo, André, Jaime Magalhães, Domingos e Rui Águas, e na temporada seguinte, tornámos a ser campeões.

 

Não quero com isto fazer qualquer comparação com a realidade actual. O passado foi lá atrás, e o que foi não volta a ser, dizem os Xutos.

 

Os tempos são outros, a conjuntura é outra, os jogadores são outros, e os que ficaram naquela altura possuiam um certo je ne sais quoi – não lhe vou chamar “mística”, para não correr o risco de ferir a susceptibilidade de alguns mais epidermicamente sensíveis a retrodragologismos – que, quer se queira, quer não, facilitava as coisas.

 

Além do mais, agora a etapa da “limpeza de balneário” está percorrida. Foi feita no defeso passado, e o plantel terá sido construído de acordo com as possibilidades e as necessidades encontradas. Só faltam mesmo os resultados.

 

Não, não é essa a minha intenção. Recordo este episódio simplesmente porque então aprendi uma lição: ninguém, mas mesmo ninguém, está acima do clube. Nem treinadores, nem jogadores, nem a administração da SAD, que acrescento, porque na altura não existia.

 

É tão somente uma questão de higiene, quem faz merda, sai.

 

 

Percebem agora?

19
Mai15

"Sei lá quantos vai assinar patrocínio milionário com a Emirates"

 

Estão a perceber porque é que não dou relevância, por aí além, aos milhões da Liga dos Campeões?

 

Não é que não valorize a caminhada feita, é claro que não é todos os dias que se chega aos quartos-de-final, mas daí a fazer do dinheiro o foco prioritário…

 

Arrecadámos vinte e tal milhões, temos garantidos mais doze para a próxima temporada e vem aí um empréstimo obrigacionista de mais 40.

 

Apesar disso, o Danilo está vendido, e parcialmente recebido, ao que consta, e ainda vamos ter de nos desfazer de mais alguém.

 

E do outro lado, o que é se vê?

 

Sai a PT, que dava quatro milhões/ano, e entra a Emirates, que vai dar oito.

 

Mas isto nem é o mais importante.

 

Nada impede que venhamos a ter nas nossas camisolas o Azerbaijão, o Usbequistão, ou outro “ão” qualquer.

 

A questão não é essa. A questão é que contra recursos que são ilimitados, não há concorrência possível.

 

Não vale a pena entrar no jogo dos milhões, porque nesse, estamos condenados a ficar sempre a perder.

 

Se não for da Emirates, o dinheiro haverá de brotar por qualquer outra via, e nunca faltará. Peter Lim, Jorge Mendes, BES, Novo Banco, donde quer que seja…

 

Manto.png

E, fundamentalmente, por dois motivos, qualquer um deles inquestionável: a dimensão do mercado e a impunidade.

 

Quanto à dimensão do mercado, é claro que um share de seis milhões, give or take a few (millions!), é sempre mais apetecível que um de quatro, três ou menos.

 

E se esse share, face às suas características idiossincráticas revela uma propensão quase irracional para um consumo desenfreado, melhor ainda.

 

Relevante, é também o manto de impunidade que cobre as fontes donde provém o financiamento, seja elas claras ou obscuras.

 

Bernardino Barros questiona com alguma frequência no Porto Canal, porque é que o “Apito Dourado” não desceu abaixo de Leiria.

 

Não é só com o “Apito Dourado” que isso acontece. É geral.

 

Toda e qualquer matéria em que dê azo à mais pequena dúvida quanto à sua legitimidade, e mais grave, legalidade, é rapidamente abafada, e se tal não for suficiente, branqueada.

 

Para tal, concorre grandemente o beneplácito de todas as instâncias, de cima abaixo nas suas hierarquias, e a conivência decisiva, inacreditavelmente muito mais por acção do que por omissão, de todo um universo de comunicação social, em que as leis de mercado se sobrepuseram há muito tempo, àqueles que deveriam ser os seus princípios éticos e deontológicos.

 

Neste caldo, a concorrência pelos milhões é claramente impraticável.

 

O único campeonato europeu onde consigo vislumbrar um paralelo de comparação é a Bundesliga, onde a desproporção é de tal ordem, que o Bayern de Munique, recorrentemente, se dá ao luxo de contratar os melhores jogadores dos rivais directos, como o Borussia de Dortmund.

 

Ainda assim, este último consegue, ainda que episodicamente, fazer-lhe frente, e o presidente dos bávaros, Uli Hoeness, embora a título pessoal, foi condenado por fraude e evasão fiscal.

 

E por cá?

 

Por cá, fico estúpido quando vejo adeptos portistas, do alto da sua credulidade, a caírem convictamente na esparrela de que no outro lado o dinheiro vai acabar.

 

Boa sorte.

 

O Oráculo de Alexandrini

18
Mai15

Deixemos por momentos o passado para adiante, e debrucemo-nos sobre o futuro, que se quer de regresso ao passado.

 

Com campeão encontrado, a La Liga espanhola termina no próximo fim-de-semana.

 

Sem liga e fora da Champions, Carlo Ancelotti, qual ET, não deverá demorar muito tempo a fazer as malas de regresso a casa com o objectivo de, sob nova gerência, fazer ressurgir das cinzas o AC Milan.

 

A subscrição obrigacionista dos 40 milhões termina quinta-feira, e a Liga NOS, como a espanhola, também no próximo fim-de-semana. Portanto, se a semana que agora começa poderia ser decisiva para potenciais investidores, se de um investimento racional se tratasse, a próxima sê-lo-á para quem não tem o que festejar.

 

Lopetegui vai receber uma oferta, daquelas irrecusáveis e, apesar de estar muy a gusto entre nós, irrecusável é irrecusável. Tem pena, mas…

 

Relutantemente, a SAD irá deixá-lo sair. Há oportunidades que só surgem uma vez na vida, e não se cortam as pernas a um homem perante uma proposta de grande clube europeu e mundial.

 

Além disso, não sei de quanto é a cláusula de rescisão do contrato/projecto de três anos, mas deve ser valente. Logo, financeiramente torna-se satisfatório. Parece que nos dias que correm é o que conta: acrescentar milhões aos milhões da Liga dos Campeões e da valorização dos jogadores.

 

O interesse de um grande clube só vem atestar do acerto da ousada aposta feita no treinador, e confirmar, como se fizesse falta, o descrédito total desta liga do #colinho.

 

Ao técnico do campeão, a esse ninguém lhe pega, como se tivesse sarna. Vai continuar por cá, coberto pelo seu manto de conforto, e a ser na sua cabeça o melhor treinador do Mundo. Acaba por ser o do segundo classificado, quem recebe um convite para mais altos voos. Irónico, no mínimo.

 

Para o lugar de Lopetegui, virá outro alguém, que uma vez mais, e na linha dos anteriores, será, ou mais uma grande aposta da SAD, ou uma aposta pessoal do presidente.

 

A diferença entre uma e outra, ainda está para ser descoberta, como o ovo e a galinha. E tudo começa de novo.

 

Aqui há tempos, apostei em Nuno Espirito Santo, que tendo feito escala em Valência, não teria contra si o estigma Rio Ave, e as recordações que traria do Paulo Fonseca, vindo directamente do Paços de Ferreira.

 

Continuo a achá-lo bastante plausível.

 

Estas são as previsões do que irá acontecer na próxima semana, de acordo com o Oráculo de Alexandrini.

 

Se tudo isto se confirmar, ou, vá lá, não exageremos, uma parte considerável, duas coisas garanto qua irão acontecer:

 

Primeira, na semana seguinte, garanto que divulgo a chave completa do Euromilhões.

 

Segunda, vão continuar a fazer flores por aí, uma série de indivíduos, agora muito chateados, mas que preferem manter as cabeças enfiadas nos traseiros uns dos outros, em vez de lhes darem uso para pensar, e tentar compreender o que é que aconteceu na temporada que acabou de lhes passar pelo outro lado.

 

Separados.jpg

 Separados à nascença?

Porquê Bernardino?

12
Mai15

hqdefault.jpg

 

"90 Minutos à Porto" de ontem.

 

Bernardino Barros, para demonstrar a bondade do trabalho feito na temporada, pergunta onde estavam na época passada Casemiro, Óliver Torres e Tello, e quanto tempo jogaram.

 

Conclui que os jogadores cresceram e valorizaram-se. Cândido Costa concorda, e acrescenta que não só os jogadores se valorizaram, como também o treinador.

 

Bernardino Barros diz que não quer ir por aí. Mas porquê Bernardino? Porque não ir por aí? Por acaso não será verdade?

 

Alguém que chega do nada, bem, não exactamente do nada, mas das selecções jovens espanholas, do Castilla e do scouting madridista, e que, sem ganhar nada, é dado como possível sucessor de Carlo Ancelotti, no Real Madrid, ou como hipótese para a AC Milan, a par do Ancelotti, outra vez, do pateta platinado e de Unai Emery, valorizou-se ou não?

 

Relembro apenas que Ancelotti conquistou só três Ligas dos Campeões, que ao pateta platinado, Lopetegui não conseguiu ganhar mais do que um ponto, e que o Unai Emery é o detentor da Liga Europa, para cuja final caminha novamente a passos largos na presente edição.

 

Lopetegui chegou aos oitavos-de-final da Champions, e teve na vitória sobre Bayern de Munique, um one hit wonder que aparentemente, o catapultou para a estratosfera dos treinadores.

 

Valorizaram-se os jogadores, valorizou-se o treinador. Ganharam, ou vão ganhar os clubes que emprestaram aqueles jogadores, vão ganhar os fundos e os investidores, que são donos de partes de passes de outros.

 

Ganha com a sua valorização, o empresário do treinador, que é Jorge Mendes.

 

E tudo isto sem que o clube conquiste um único título.

 

No entanto, os adeptos também ganham. Ou querem convencer-nos disso. Moralmente são vencedores, porque este foi um campeonato roubado pelos árbitros e pelo colinho. São vencedores porque estatisticamente, as coisas até não correram mal.

 

Porque o percurso europeu foi bastante bom e foram ganhos muitos milhões, porque se recuperou prestígio (esta, não a compreendo muito bem, mas também entra no rol, porque já a vi escrita por aí!), porque a equipa melhorou em relação à temporada passada. Piorar, também, era difícil, mas enfim…

 

Os outros, os que vão ganhar títulos, obviamente que também ficam contentes.

 

Vão ser bicampeões, algo que já não atingiam há trinta anos e preparam-se para cantar d’alto. Vão alcançar mais um triplete inédito, juntando ao campeonato, a Supertaça e a Lucílio Baptista. É o investimento de Peter Lim e Jorge Mendes, outra vez, mas desta vez, do outro lado, a render.

 

Até os que nem juízo ganham, este ano vão ter a possibilidade de molhar a sopa, se o Sérgio Conceição não lhes fizer a desfeita na Taça de Portugal.

 

Ou seja, é win-win-win-win e mais win, all over. Parece um rescaldo eleitoral.

 

Com jeitinho, ainda alguém é capaz de chegar à conclusão de que tudo isto não passou de uma congeminação pintocostista: deixar o pateta platinado ganhar o bicampeonato, para desamparar a loja, de uma puta de uma vez por todas.

 

E assim sendo, é mais um win garantido.

 

Um dia, mais tarde, talvez alguém se lembre de fazer uma daquelas contabilidades interessantes de títulos, e chegue à brilhante conclusão de que todos ganharam, mas na realidade, os troféus estão no Cosme Damião e no wc (a ver vamos!), e no by BMG está o minuto 92 do Kelvin.

 

Ainda assim, talvez concluam: melhor, menos trabalho para o pessoal que puxa o lustro às taças. E sai mais um win!

 

Mais salomónico do que isto, deve ser impossível. Nem o Salomão, ele próprio!

 

Só não percebo é porque é que o Bernardino Barros não quer ir pela valorização do treinador...

A mística do funcionalismo

07
Mai15

 

 

9-to-5-390x2851.jpg

 

Ele há pessoas que têm um prazer insano em complicar aquilo que é simples.

 

Então não é que uns indivíduos quaisquer, um tal de Vítor Baía, um Jorge Costa e um Ricardo Costa, resolveram ligar o “complicómetro”, e tiveram a distinta lata de vir para a praça pública falar em “falta de mística" no FC Porto actual?

 

Que raio! Não têm nada de mais produtivo para fazer?

 

Mas, o actual treinador da nossa equipa respondeu-lhes à letra, certamente para grande alegria dos seus fãs:

 

"Falta de mística? A mística passa pelo profissionalismo, pelo orgulho, pela responsabilidade, e a equipa mostrou isso"

 

Ora, nem mais. É tão prosaico e linear, que não percebo donde vêm questões tão a despropósito.

 

Outra coisa que também não percebo é que, se a equipa mostrou estas características ao longo da temporada, e os outros é que vão à frente, o que é que faltou?

 

Os outros tiveram mais profissionalismo? Mais orgulho? Foram mais responsáveis?

 

Sim, já sei: as arbitragens. É claro.

 

O descalabro de Paulo Fonseca também começou com o penálti mal assinalado na Amoreira. Por outro lado, o Jesualdo Ferreira foi campeão, mais do que uma vez, em plena ebulição do Apito Dourado, numa altura em que nenhum árbitro nos dava o benefício da dúvida. Antes pelo contrário.

 

Mas voltemos ao que interessa.

 

Se me dirigir a uma qualquer repartição pública, o mínimo que exijo aos meus concidadãos e colegas funcionários públicos, ou o quer que nos queiram chamar, é profissionalismo, orgulho e responsabilidade.

 

E, quer acreditem, quer não, há muitos bons profissionais na nossa administração pública. Têm orgulho em prestar um serviço público, e fazem-no de forma responsável.

 

É uma realidade que constato e com a qual convivo diariamente.

 

Aliás, digo mais, aquilo que a nossa administração pública tem de bom e que funciona, depende largamente do empenho desses profissionais, que dedicam uma porção considerável do seu horário de trabalho, a desfazer e reciclar merdas que chefias incompetentes, colocadas politicamente em função do cartão partidário, os tais “boys” e “girls”, que não acabaram, nem pouco mais ou menos, por ignorância, incapacidade e clientelismo produzem.

 

Talvez daí a necessidade de ampliação do horário de trabalho…

 

No entanto, a imagem global que passa da nossa administração pública é aquela que todos conhecemos.

 

Porquê? Porque os bons profissionais que existem não têm qualquer contrapartida palpável que os compense pela sua dedicação, e consequentemente, desmotivam-se.

 

Desmotivados, acabam por fazer aquilo que tantas vezes se vê: picar o ponto à entrada e à saída, e amanhã há mais.

 

E é este o cerne da questão: a motivação.

 

Um profissional competente e sério atinge os seus objectivos. É o normal, e é a isso que o seu profissionalismo, o seu orgulho e a sua responsabilidade, o obrigam.

 

Um profissional motivado, transcende-se, e supera-os.

 

Num clube, reconhecido mundialmente por contratar jogadores desconhecidos, embora cada vez menos desconhecidos, valorizá-los, e transferi-los com lucro, como é se motivam os profissionais para darem tudo o que têm, com profissionalismo, orgulho e responsabilidade, sabendo que, mais cedo ou mais tarde chegará o ansiado momento de "dar o salto"?

 

E para transcenderem-se?

 

Como é que se faz isso quando a sua cotação de mercado parece nem sequer depender dos títulos conquistados pela equipa?

 

Veja-se o caso do Jackson Martínez. Sem dúvida um bom jogador, e não o tenho como mau profissional. Em determinados momentos, se estivesse cá de corpo inteiro, talvez até pudesse fazer mais, mas ainda assim é inquestionável que faz bastante.

 

Desde que veste as nossas cores, foi apenas uma vez campeão, e vai com três épocas entre nós. Deixou de ter pretendentes ou o seu valor de mercado baixou por isso? Não me consta.

 

Portanto, deve necessariamente haver algo mais.

 

Ou o que queremos para o FC Porto são profissionais ao jeito do tradicional funcionalismo público?

 

Jogadores que se limitam a picar o ponto, e corram as coisas como correrem, vão para casa com a consciência tranquila do dever cumprido, porque se correr mal, para a semana há mais?

 

É esse o tipo de mística que queremos?

 

Compreendo e encaro com normalidade, que alguém vindo de fora, e que conhece da história deste clube, aquilo que tiveram a delicadeza de lhe ensinar, se é que a tiveram, ache que “a mística passa pelo profissionalismo, pelo orgulho, pela responsabilidade.

 

Contudo, parece-me demasiado redutor. Por isso, acho estranho que adeptos portistas pensem o mesmo, e surpreende-me a facilidade tamanha com que se prontificam a renegar parte da história do clube, bem assim como a opinião de figuras que dela fazem parte.

 

Porquê? Ignorância? Estupidez? Amnésia? Desonestidade intelectual?

Ainda a propósito de camisolas: os cadilhos de um pai portista

01
Mai15

Um dia destes, um dos meus filhos - sim, queiram desculpar, mas vou falar outra vez dos putos. De um deles. Devo estar numa fase "Eduardo Barroso" da minha vida - dizia eu, que um dos meus filhos andava pela casa com uma peça de roupa azul vestida, salvo erro umas calças.

 

Dizia ele que eram do Porto. Convirá esclarecer que, nunca até aquela data, manifestara qualquer predilecção pelo FC Porto. Normalmente, é de Portugal, do Cristiano Ronaldo, do Real Madids, como ele diz, e, por influência do irmão, daquela coisa vermelha.

 

Como tal, não me ocorreu que houvesse grande perigo em desencafuar a minha velhinha camisola Kappa, dos bons tempos do Jardel, e mostrar-lha.

 

O que é que fui fazer!? Passou-se! Então não é que a criança não me desata aos gritos: que ele era do Porto e queria uma camisola do Porto, e não descansou enquanto não lhe vesti a minha, enorme.

 

O pai portista orgulhoso que há em mim, mal contendo a baba, quase que voou porta fora, para ir comprar a camisola ao miúdo. Quase. E porque não? - será talvez a pergunta que se vos ocorre, se ainda estão a ler.

 

Pois, é que o outro rapaz, alertado pelo pranto, ouviu a conversa e sentenciou de pronto: "se ele tem uma camisola do FC Porto, eu quero uma vermelha".

 

A resposta também saiu sem deixar bater a bola no chão: " Olha querido, cá em casa nem penses. Entra a camisola, e sais tu mais a camisola!"

 

A minha mulher, que é sportinguista, mas que liga pouco ao futebol, como todos os sportinguistas, calada.

 

A questão é que depois comecei a matutar no assunto. Se compro a um, tenho de comprar ao outro. A alternativa é não comprar a nenhum! Sai mais barato, e mais higiénico.

 

Por outro lado, se não comprar, sou capaz de perder a oportunidade, quiçá única, de ter 50% da prole do meu lado.

 

Uma coisa é certa, comprar aquela coisa vermelha, com o pássaro a espreguiçar-se de asa aberta, nem que o bicho use desodorizante!

 

Só se alguém lha oferecer. Talvez se arranje. O tio era bem capaz disso, só para ter o prazer de xaringar-me o juízo!

 

Sabendo de antemão, que, se os conselhos servissem para alguma coisa, vendiam-se, e não se davam, e que portanto, não vale a pena contarem com qualquer tipo de recompensa, alguém tem alguma sugestão salomónica que queira dar?

 

Creiam que é de bom grado que a receberei, que isto, quem tem filhos, tem cadilhos!

 

1997-1998 e 1998-1999.jpg

 

Só um bocadinho de nada de coerência, s.f.f.

01
Mai15

JorgeJesus-PintoCosta_ojogo.jpg

 

Quem é que nunca escondeu sua admiração por aquele tipo, reconhecendo-lhe mérito, mesmo depois de uma vitória num campeonato, com passagem pelo túnel, e foram os jogadores, unidos, quem afirmou: "Somos Porto"?

 

Quem é que, por via desse reconhecimento, acabou por contribuir para que, uma vez propalado um eventual interesse do FC Porto, o indivíduo, não só renovasse contrato, mas que entrasse diretamente para o top 10 dos treinadores melhor pagos?

 

Quem é que contratou recentemente dois treinadores agenciados por Jorge Mendes, o qual, através do seu parceiro de negócios, deu milhões a ganhar ao nosso rival, comprando jogadores por importâncias consideravelmente superiores ao então, seu valor de mercado?

 

Quem é que contratou jogadores com o auxílio do fundo gerido por um amigo pessoal do presidente do clube nosso rival, o qual, de acordo com Bruno de Carvalho, o terá convidado pessoalmente para reunir-se com o dito presidente, para discutirem alianças?

 

Quem é que não teve peias em associar-se, a bem da salvação da nação do futebol português, a quem patrocinou um autêntico assassinato do seu carácter na praça pública, envolvendo Carolinas, Pinhões e Gatos Fedorentos?

 

Noutro registo, quem é que disse de um ex-Primeiro-Ministro, que "quase que pôs o Benfica como clube do regime", mas que era seu amigo, e continua a sê-lo, comprovando-o indo visitá-lo à prisão de Évora?

 

O Quaresma fez mais do que isto?

 

Porque é que adeptos, que acreditam piamente em Pinto da Costa, apenas por uma questão de fé, que crêem sem precisarem de outra qualquer evidência, para além das vitorias passadas, nas suas escolhas de treinadores, jogadores e na gestão em geral, põem agora em causa o Quaresma?

 

O discernimento que faz fé numas ocasiões, deixa de fazer noutras?

 

transferir.jpg

 

Sim, isto é feio, é abjecto, mete nojo, provoca náuseas e dá vómitos - caramba, a mim faz-me confusão um jogador, seja ele de que clube fôr, festejar um golo despindo a camisola do clube que lhe paga, quanto mais...- mas ainda assim, e que tal só um bocadinho de nada de coerência, se faz favor?