Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

E vai-se a ver...

Ainda a propósito do artigo anterior, o texto que se segue, foi escrito por mim, em Março de 2008.

 

Mal imaginava eu que a realidade, por vezes, supera largamente a ficção...


 

O “Abafanço”

 

Ao contrário do que vem publicamente deixando transparecer, o nosso Primeiro-Ministro, o Eng.º José Sócrates, ficou bastante apreensivo com a “Marcha da Indignação” dos professores, e principalmente, com a dimensão que a mesma tomou.

 

Manifestação por manifestação, algumas até vão dando jeito, como aquelas que alguns promovem à porta dos locais onde vão decorrer reuniões de militantes do PS. Uma vitimizaçãozita, de vez em quando, até ajuda!

 

Mas 100.000 marmelos! E depois, ainda por cima, não pareciam nada indignados, como queriam fazer crer os promotores da “Marcha”. Cantavam, dançavam, lançavam palavras de ordem bem-humoradas. Quer dizer, de indignação, nada!

 

Ainda se estivessem murchos, cabisbaixos. Mas não, até parecia que a vida lhes corria bem. Insuportável!

 

De tal maneira que o nosso Engenheiro, até dormiu mal nessa noite. Deu voltas e voltas na cama, e acordou cedíssimo no Domingo seguinte.

 

“O melhor é calçar as sapatilhas, vestir uma t-shirt e uns calções e ir dar uma corridinha, para espairecer” pensou.

 

E, se assim pensou, assim fez. Meia-hora depois já corria, solto, nos trilhos da mata do Estádio Nacional. Após uma curva, entra numa área de menor densidade de vegetação, e avista ao fundo na pista, um grupo de homens que se avizinha.

 

À medida que simultaneamente se aproximam, há uma figura, de bigode, que se destaca do grupo. Quando se encontram a uns cinco metros de distância, exclama:

 

- Ó Presidente, então, tá bom?

 

- Ó Sr. Primeiro-Ministro, hmm, então, por cá?

 

- É verdade, é verdade, boa corrida!

 

Era, nada mais, nada menos, que o presidente do Benfica, Luis Filipe Vieira, que fazia “jogging”, com um grupo de colegas.

 

Continuam o seu exercício matinal, e passados uns vinte minutos, extenuados, encontram-se novamente, junto das precárias instalações sanitárias, onde, enquanto fazem uns alongamentos, aproveitam para entabular conversa:

 

- Então, Primeiro, hmm, hmm, tá em forma?

 

- Nem por isso, pá! Não tenho tanto tempo como queria, para dar umas corriditas! Mas, o Presidente, tá em forma. Não tá vermelho, nem nada!

 

- Não diga isso, hmm, senão, hmm, hmm, perco as próximas eleições (“nem que fosse na Albânia, hmm” pensou de si, para si)

Isto é só para queimar uns pneuzinhos, hmm. Foi uma mania que me ficou sabe, hmm? De outros tempos…

 

- Mas olhe que isso, co-incinerado, era melhor!

-Hmm?!

- Não ligue, foi uma piada. Eu estou um bocado em baixo, sabe? Foi daquela “Marcha” de ontem. 100.000 gajos! É muita gente! Nem no Estádio da Luz!

 

- Olha, hmm, hmm, quem me dera a mim! Com 100.000 nas bancadas, hmm, já pagava, hmm, um mês de ordenados àqueles, hmm, mânfios!

 

- Pois é, Presidente. Mas, que me caiu mesmo mal, caiu. O que era mesmo porreiro, pá, era de qualquer coisa, uma catástrofe qualquer, que distraísse as atenções. É que enquanto o pau vai e vem…

 

- Hmm, hmm, folgam as costas! Pois é, Primeiro. É pá! Não se chateie, hmm! E se eu, hmm, lhe der uma ajudinha? Isto, hmm, a bem da Nação, hmm, e de benfiquista para benfiquista, hmm. Dá-se um toque ao Rui, hmm, ele fica nas encolhas, e sem ele, hmm, hmm, não ganhamos o jogo com o Leiria! Vai ver, hmm, ninguém se vai lembrar da “Marcha”, hmm, dos 100.000, hmm, é uma limpeza!

 

- Ó Presidente, você fazia isso? E o Campeonato?

 

- É pá, o campeonato, hmm, já se foi, hmm! Isto agora é só a, hmm, hmm, UEFA e a Taça, hmm!

 

- É pá, isso não era porreiro, pá! Isso era porreiríssimo, pá! Mas, e diga lá, há alguma coisa que possa fazer por si?

 

- Por acaso, hmm, hmm, até é capaz de haver, hmm. Tá a ver o Seara? É pá, o gajo, hmm, tá muito longe! Com o IC 19, hmm, demora mais a vir de Sintra, do que eu, hmm, a ir ao Algarve…e dava-me jeito, hmm, tê-lo por perto. É um bom conselheiro, hmm! E sempre preparávamos o, hmm, hmm, programa da SIC juntos.

 

- Não me vai dizer que quer obras no IC 19, pois não, é que…

 

- Hmm, hmm, nada disso, hmm, esteja descansado. É pá, se ele se candidatasse, hmm, e vocês perdessem as próximas eleições em Lisboa, hmm?

 

Os olhos de Sócrates brilharam, e tentou esconder a alegria que lhe perpassava o espírito. É que o António (Costa) estava fulo da vida com ele. Então o homem, estava descansadíssimo no Governo, era o nº2, e só tinha chatices quando o 1, raramente, ia de férias, e foram-no propor para a Câmara de Lisboa, que era um autêntico buraco sem fundo?

 

Estava possesso! Esta era uma oportunidade de ouro, para, tendo em conta os altos desígnios da governação, aproveitar para se esquivar.

 

- Considere isso feito, Presidente! E como bónus, ainda lhe ofereço os préstimos do Armando Vara e do Pina Moura, que são do melhor que há no País em matéria de gestão, e ficam bem na Administração de qualquer SAD!

 

- Hmm, hmm, não é que tenha falta deles, hmm, mas também, hmm, já lá temos tantos que, hmm, hmm, não fazem falta nenhuma.

 

Lembrou-se imediatamente do Luis Filipe. Mas, de repente, os nomes começaram a aparecer-lhe em catadupa, começou a ficar zonzo, e teve que agitar a cabeça, tipo Scolari, para recuperar.

 

A Sócrates, aquele movimento, não sabia porquê, mas fez-lhe lembrar umas férias que tinha tirado, aqui há tempos.

 

Despediram-se. O resto, bem, o resto já sabem de ginjeira. O Rui Costa não fez frente ao União de Leiria uma daquelas exibições, que vinham sendo costumeiras, o Benfica empatou o jogo, e foi abafada nos noticiários a “Marcha da Indignação”.

 

Só que a tramóia excedeu as expectativas. O Camacho resolveu demitir-se. O homem, apesar do seu aspecto bonacheirão, “És futból, és futból, mejor para la próxima…”, tinha uma vaga ideia de já ter visto aqueles tipos de vermelho a jogar futebol, e começou a desconfiar que havia ali algo que cheirava pior que as meias do Mantorras. Mesmo depois de só jogar 10 minutos. E, pronto, “no me creo em brujas, pero que las hay, hay. Hasta pronto, que me voy”.

 

Para a imprensa, tanto melhor. Mais sumo tem a história. Para o Engenheiro Primeiro-Ministro, idem. Para o clube? “É indiferente, hmm, e assim, hmm, hmm, tantos anos depois, hmm, voltamos a estar nas boas graças do regime”, pensou o Presidente.

 

No meio disto tudo, quem se safou, sereno e tranquilo, foi o Paulo Bento. O Sporting perdeu em Guimarães? Ninguém deu por nada. Até parece que já é hábito! Passou entre as gotas da chuva, com uma pinta desmarcada, e nem teve que sacudir água do capote. Sim senhor!


NOTA:

 

Toda esta história, com excepção dos nomes das personagens, é a mais pura das ficções. Chamem-lhe “teoria da conspiração”, chamem-lhe “mito urbano”, rumor, boato, Edcarlos, o que quiserem! Mas, não é real, tá bem, hmm, hmm?

 

NOTA 2:

 

Não faço a menor ideia se as meias do Mantorras cheiram a alguma coisa. Cálculo que sim, mas nem quero saber! O que não é difícil, porque de vez em quando perco o olfacto...

sinto-me:
música: Just an illusion - Imagination
publicado por Alex F às 18:42
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