Terça-feira, 29 de Junho de 2010

Dá-me esperança Joana!

Antes de mais, uma espécie de “declaração de interesses”.

 

Nunca fui, e não sei se poderei algum dia vir a ser, admirador do ex-seleccionador nacional Luiz Filipe Scolari.

 

O seu percurso, enquanto treinador de futebol, não me convence, e menos ainda me convenceu a sua passagem pelo banco da Selecção Nacional portuguesa.

 

Foi campeão do Mundo com o Brasil? Ah, pois foi. Só que ser campeão do Mundo com o escrete, digamos que, é assim como o Mário Wilson, em tempos idos, dizia do Benfica: quem por lá passa(va), arrisca(va)-se a ser campeão…

 

Mesmo deixando de fora o Romário!

 

Obteve bons resultados com a Selecção portuguesa? Também é inegável. Curiosamente os bons resultados coincidiram com os, também excelentes, resultados de um clube português, e vocês sabem de quem é que eu estou a falar…, em cuja equipa assentou, após a casmurrice inicial, a base do onze do Sargentão.

 

A Selecção que foi à final do Euro 2004, só começou a carburar depois de, devidamente arrumado no banco o sr. Rui Costa, e da entrada em funções do meio-campo do FC Porto. Enfim, coincidências…

 

No entanto, tenho de admitir: em termos de capacidade de liderança e de habilidade para pegar numa equipa, que até tinha alguns jogadores talentosos, e após o nosso Euro, pô-la a produzir exibições como as dos jogos contra a Holanda e a Inglaterra no Mundial, aí, penso que dificilmente alguém lhe chegará aos calcanhares.

 

Porque é que não gosto do sr. Scolari, paladino da defesa do seu “minino”?

 

Porque não gosto que gozem comigo, na minha própria casa. Porque fui vezes suficientes ao Brasil para ver como os nossos irmãos “brasucas”, escarnecem dos “portugas” e dos “manóeis” bigodaças de Portugal.

 

O comportamento do sr. Scolari entre nós, naquela sua postura de “em terra de cego, quem tem um olho é Rei”, sendo ele o feliz contemplado, sempre me fez lembrar isso mesmo.

 

E depois, porque, futebolisticamente, como disse, não me parece que tenha trazido nada de novo, para além de umas estatísticas bonitas.

 

Também não morro de amores por Carlos Queirós (ou será, Queiroz?). Neste caso, como, de certeza absoluta, no de milhões (seis??) de outros portugueses, por nenhum motivo em especial. Apenas porque não!

 

No entanto, convirá não esquecer, que também ele foi campeão do Mundo de futebol. E por duas vezes!

 

Foi nos juniores!? Ah, pois foi. Mas andarão por aí muitos treinadores que se possam orgulhar do mesmo? Quantos em Portugal?

 

Parece-me evidente que o que lhe faltou (falta), como, de resto, aconteceu a tantos dos jogadores que comandou, foi fazer convenientemente a transição para os seniores.

 

É bem certo que não lhe terão faltado boas oportunidades para isso. Mesmo assim, não sei, se apesar de tudo, a sua passagem pelo Real Madrid não terá sido mais prolongada que a do Scolari pelo Chelsea.

 

Enfim, pela minha parte, nada a favor, nada contra. Porquê a embirração generalizada com o actual seleccionador nacional?

 

Pois claro que o Carlos Queirós cometeu erros de palmatória.

 

Então é lá coisa que se faça chegar à Selecção, e não arrumar logo com dois ou três jogadores, como o Scolari fez com o Vítor Baía, o João Vieira Pinto e o Sérgio Conceição?

 

Como se não bastasse, ainda vai ter a infeliz ideia de por a jogar os naturalizados Képler Laveran Lima Ferreira e Liedson da Silva Muniz, quando por lá já andava um tal de Anderson Luiz de Souza. Ainda por cima não sendo nenhum deles portador desse inelutável “selo de qualidade”, que é ter tido uma experiência de sucesso com uma camisola vermelha vestida (a do Salgueiros não conta!).

 

Para acabar em beleza, sai a convocatória para o Mundial, e, não querem lá ver? Nem Quim, nem Nuno Ribeiro, nem Ruben Amorim, nem Carlos Martins. Népia. Do Benfica, só o Fábio Coentrão, para tomar o gosto.

 

Assim é impossível ser levado a sério. Por “sorte”, lá se aleijou o Nani, e entrou o Amorim, e o Jesus lá fez o favor de despedir o Quim, em directo, que é sempre uma maneira simpática de fazer as coisas…

 

O árbitro do jogo particular com os Camarões também deu uma ajudinha, ao expulsar o Eto’o, ainda na primeira parte. Sempre foi uma forma de cativar mais alguns adeptos benfiquistas…

 

No entanto, não chega. O Carlos Queirós (ou Casqueroz, como alguns lhe chamam!) que se cuide: assim que Portugal vier para casa…é o burro do costume!

 

É impressionante a falta de apoio de que padece esta Selecção, a que alguns, jocosamente, apelidam de “escrete B”.

 

E começou, como de costume, pelo princípio, ou seja, pela fase de qualificação. Recordo um episódio que me deixou basbaque.

 

Depois daquela brilhante fase de apuramento, com resultados razoáveis (bem, alguns foram assim p’ró fraquinho. Mauzitos, mesmo. Pronto, que diabos, decepcionantes), não nos restou alternativa senão disputar a presença no Mundial, no tal de play-off a duas mãos, com a Bósnia-Herzegovina, essa potência (emergente) da cena futebolística internacional.

 

A Bósnia-Herzegovina (ou República da Bósnia e Herzegovina, como consta na Wikipedia), resultou do desmembramento da Jugoslávia, e é, na prática, uma federação, composta por dois estados: a Federação da Bósnia e Herzegovina e a República Sérvia (que, aparentemente, não é a mesma coisa que a Sérvia).

 

A sua população é maioritariamente de origem bósnia (44%), de religião muçulmana, numa proporção relativamente inferior, vêm os sérvios (31%), cristãos ortodoxos, e em minoria estão os croatas (17%), que são cristãos. Pelo meio ficam as várias combinações que se podem obter daqueles povos.

 

O jogo da segunda mão realizou-se na cidade de Zenica, a 80 km da capital, Sarajevo, na Federação da Bósnia e Herzegovina, num estádio, que teria mais ou menos (para menos) a capacidade do Estádio de São Luís, em Faro (17.000 lugares), e cujo relvado, ou coisa que o valha, como o Simão Sabrosa fez questão de salientar, pedia meças ao de Alvalade, após um qualquer concerto.

 

No meio da amálgama que é a Bósnia-Herzegovina, o que é certo é que os indivíduos, desde a chegada da nossa Selecção ao aeroporto, não pararam de fazer barulho. Todos a puxar para o mesmo lado, presumo eu, que não os entendo, tanto nos insultos, como nos incentivos.

 

No jogo da primeira mão, os bósnios (e herzegovinos), tinham sido recebidos, com pompa e circunstância, na capital de Portugal, naquele estádio, que intitulam por “A Catedral” do futebol português.

 

A escolha do palco, naquela altura, não colheu a preferência do treinador nacional, e, por aquilo que vou dizer a seguir, compreende-se.

 

O Estádio da Luz (ou do Sport Lisboa e Benfica, oxalá venha o “naming” do bendito do estádio, para acabar a confusão), tem hospedado quase todos os momentos altos dos eventos desportivos realizados no nosso País.

 

Tem capacidade para 60 e tal mil espectadores, e esse pormenor, associado à receita que daí advém, não terá sido despiciendo para a Federação Portuguesa de Futebol. E como temos um Estádio Nacional, com condições mais ou menos como aquelas que vão encontrar na Bósnia (excepto o relvado), e que só serve para fazer um jogo por ano, e mais uns concertos….

 

Neste palco imponente, eis o que a dada altura, mais ou menos perto do final da primeira parte (trinta e tal minutos), me é dado a ouvir:

 

“Cheira bem, cheira a Lisboa!”

 

Não sei se foi alguma resposta ao Carlos Queirós, por ter dito a um dos diários desportivos, que “cheira(va) bem, cheira(va) a África do Sul”.

 

Queirós nasceu em Moçambique. É natural que goste do cheiro de África. Neste caso, terá sido uma forma metafórica de dizer que acreditava no apuramento para o Mundial.

 

Só que, claro está, aquela deturpação da canção tradicional, foi mais uma acha para a fogueira daqueles que o querem ver pelas costas. Mas daí até cantar “cheira bem, cheira a Lisboa”, num jogo da Selecção Portuguesa…

 

Que raio! Quem é que estavam a apoiar? O Eduardo? O Ricardo Carvalho? O Bruno Alves? O Duda? O Raúl Meireles? Tirando o Nani, que salvo erro, nasceu em Lisboa, e o Paulo Ferreira, que ou muito me engano, ou é de lá perto, de Setúbal, quem é que estavam a apoiar?

 

Os portugueses nascidos no Brasil? O Liedson, de facto, vive em Lisboa. E o Deco e o Pepe, tiveram passagens por Lisboa, que embora efémeras, foram mais demoradas que uma passagem em trânsito pelo Aeroporto da Portela. O próprio Simão, apesar de ter passado grande parte da sua carreira na capital, não é alfacinha.

 

Seria para os suplentes? O Tiago, jogou no Benfica, mas é de Braga, e o Fábio Coentrão, apesar de jogar no Benfica, é das Caxinas (Vila do Conde). Seria para o Hugo Almeida? Não me parece.

 

Desde quando é que “Cheira bem, cheira a Lisboa”, é uma canção de incentivo à Selecção? É porque não “Grândola vila morena”? Ou a “Ti Anica de Loulé”? E já não digo o “Porto sentido”, porque é muito mortiço.

 

Havia necessidade disto?

 

Ou, num exemplo bem mais comezinho: depois do golo do Bruno Alves, no jogo da primeira mão, virem dizer que o golo foi marcado por “um defesa vindo sabe-se lá donde”, ou coisa que o valha.

 

Pois é. Não foi do Luisão, nem do David Luiz, que esses estão no escrete A!

 

Custa-lhes pronunciar o nome do Bruno Alves? Dá-lhes uma azia do caraças que os golos decisivos de Portugal tenham sido marcados pelo Bruno Alves, pelo Raúl Meireles e pelo Liedson. Mas o que é que se há-de fazer? É como dizia o outro: “É a vida!”

 

Agora isso não justifica os tratos de polé com que têm obsequiado a Selecção Nacional. É Portugal, caramba!

 

Não concordam com o treinador, porreiro! Mas não estejam a torcer por uma derrota para desancar o homem.

 

Pelo menos abstenham-se. Deixem-se de parvoíces, torçam pelo Brasil, pela Argentina ou pelo Uruguai, e sejam felizes!

 

É por isso que eu digo: “Dá-me esperança Joana”, para aturar este estado de coisas!

 

FORÇA PORTUGAL!

 

sinto-me:
música: Gimme hope Joanna - Eddy Grant
publicado por Alex F às 17:50
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