Chamam-lhe "Noddy"...
…entre outros mimos!
Admito que fui um dos que ficaram preocupados depois do Torneio de Paris, e em particular, após presenciar o jogo com o Bordéus, ainda que dando um desconto à ausência nesse jogo, julgava eu, de muitíssimos titulares.
No entanto, apesar de manter o 4-3-3 jesualdiano, o FC Porto jogou bem na Supertaça Cândido Oliveira, e deu para perceber que sendo a mesma a disposição táctica, o modelo de jogo é bem mais dinâmico que o do prof..
Aliás, essa é a diferença que se nota de caras neste FC Porto de Villas Boas. Os espartilhos da época passada, como que por magia, parecem ter desaparecido.
A equipa está mais solta em campo e o meio-campo, em particular, livrou-se daquele rigor táctico, quase mortis, em que os jogadores pareciam bonecos de matraquilhos, raramente abandonando as suas posições.
A magia, neste caso, tem claramente um rosto e um nome, e desta vez o mágico não dá pelo nome de Deco, mas sim de João Moutinho. A mobilidade agora descoberta pelo meio-campo é imagem de marca do ex-leão.
Um jogo oficial disputado com a camisola do FC Porto, um troféu conquistado.
Para média, não está mal! É só continuar...
No sábado passado, por mais de uma vez vi, quando o adversário colocava a bola num dos flancos (mais o direito, no caso), os centrocampistas (Moutinho, Beluschi e Fernando), a flectirem nesse sentido, encurralando, com o apoio do extremo desse lado, o portador da bola.
E o mesmo, quando em posse de bola, na saída para o ataque, criando supremacia numérica sobre o adversário.
Ou seja, exactamente a mesma coisa que vi fazer o Sporting de Paulo Bento, na Supertaça Cândido de Oliveira de 2008/2009, o último jogo do FC Porto que tive a oportunidade de presenciar ao vivo, e em que fomos derrotados.
O Sporting jogava então em losango, e o João Moutinho, o Izmailov, o Derlei, e o Rochembach, deram cabo do juízo do Lucho, que, lá está, por causa da malfadada rigidez táctica do professor, teve que se haver, juntamente com o Sapunaru, com aquele emaranhado de gente.
Com um meio-campo assim, a defesa fica menos exposta, porque as dificuldades do adversário em criar jogo são evidentes, e os médios, os extremos e os avançados contrários deixam de conseguir, com tanta facilidade, aparecer embalados de trás.
Por outro lado, o ataque pode deixar de (sobre)viver de “transições rápidas”.
Na Supertaça a pressão ofensiva foi contínua e (im)pressionante. O Varela esteve endiabrado, haja força para continuar assim. E se não houver, é para isso que estão lá os outros extremos, n’est pas? Para manter ritmos elevados através da rotatividade, em vez de marcar e recuar, como num passado recente.
Percebo agora que aquilo era possível “naquele” Sporting, porque morava lá o João Moutinho. Também percebi que, caso o Raúl Meireles venha mesmo a sair, ficamos a ganhar com a troca.
O Moutinho é claramente mais jogador de futebol que o Meireles. É futebol da cabeça aos pés. Tudo aquilo que faz é pensado, e normalmente pensa e faz bem.
O Raúl Meireles, que não fique dúvida nenhuma, é também um excelente jogador, mas o seu futebol é feito mais à base de nervo, mais físico, ainda que não seja um portento nesse aspecto.
De vez em quando, lá lampeja um rasgo de génio, e sai um ou outro passe extraordinário.
O Moutinho é constância, o Meireles é o momento. O que era óptimo era que ficassem ambos na equipa.
Nota: finalmente consigo ver algum interesse nesta música…
