Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011

Um outro FC Porto x Marítimo

Muito se disse já sobre o FC Porto x Marítimo. Sobre o golaço do Guarín, sobre os festejos de Jorge Nuno Pinto da Costa e de André Villas-Boas, aquando do golo do puto James, sobre a importância desta vitória para afastar a insustentável pressão das papoilas, enfim, de tudo um pouco.

 

Admito que também eu, depois da derrota no jogo da Bwin Cup, estava (e estou) cheio de medo, e por isso, também vibrei com a bomba do Guarín e com os demais golos portistas, o do James incluído.

 

Mas, mais do que esses aspectos, já sobejamente vistos e revistos, houve naquele jogo alguns pormenores, que ainda não vi suficientemente destacados, e que me tranquilizam quanto ao futuro.

 

Acaso repararam bem na equipa que entrou em campo?

  

  

 

Comparem-na com as expectativas prévias ao início da época e com aquele que vem sendo o onze-tipo de Villas-Boas.

 

O FC Porto entrou com Sapunaru, que na pré-época poucos ou nenhuns alvitravam como titular, no lugar, que supostamente, seria cativo do Fucile.

 

Não me atrevo a dizer, com Otamendi no lugar do Maicon, porque este é um dos lugares cujo titular só agora parece começar a ficar definido. Adiante, e para concluir a defesa, o Emídio Rafael no lugar do Álvaro Pereira.

 

No meio-campo, o Guarín em vez do Fernando, se bem que aqui começo a ter dúvidas de quem é que será na realidade o lugar.

 

Na frente, o James no lugar do Hulk, e o Hulk no do Falcao.

 

No decorrer do jogo, aos 66 minutos, com o resultado em 2-1, entra o Fernando para o lugar do Varela, e altera-se ligeiramente o esquema táctico, passando a um meio-campo com quatro jogadores.

 

Mais liberdade para o Guarín, e golo aos 73 minutos. Aos 74, sai o Sapunaru lesionado e entra o Maicon. Oito minutos depois, o regressado Mariano Gonzalez ocupa a posição do Belluschi.

  

  

 

O FC Porto acaba o jogo com o Otamendi no lugar do Sapunaru, o Maicon no lugar do Otamendi, o Fernando no do Guarín, este no do Belluschi, e o Mariano, no do Varela.

 

Ou seja, trocas de posição e alterações tácticas, q.b., sempre sem comprometer o resultado final da partida.

 

Mais, com o Fernando, Varela e Mariano, todos eles a regressarem após lesões, a deste último, prolongada.

 

Pressão? Medo? Esta equipa mostrou acima de tudo, que tem soluções. Há polivalência e há jogadores que permitem encontrar diferentes alternativas para os entraves que forem surgindo, e de certeza que vão ser muitos.

 

Que me perdoe o Jorge, do Porta 19, mas quanto a mim, e com o devido respeito, este jogo mostrou que o nosso ensemble, neste momento não está muito talhado à maneira das grandes orquestras com tubas e violinos. É bem mais jazz, com uma boa dose de capacidade de improvisação colectiva e swing individual à mistura.

 

Assim se mantenha o soul, ou por outras palavras, a vontade de vencer e o querer.

 

No entanto, como não poderia deixar de ser, há sempre um “no entanto” ou um “mas”, que vem avacalhar a harmonia. Neste caso, são algumas notas dissonantes dadas por jogadores como o Rúben Micael, Walter, Souza, Sereno, Cristián Rodriguez e o Emídio Rafael, que por diferentes motivos, continuam a não tocar pela mesma partitura.

 

 

 

É pena, e oxalá entrem rapidamente em sintonia (os que tiverem unhas para isso…), porque, nas palavras do Carlos Tê e na voz do Rui Veloso, “não se ama alguém que não ouve a mesma canção” (“Anel de Rubi”).

música: The future's so bright I gotta wear shades - Timbuk 3
sinto-me:
publicado por Alex F às 18:57
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2 comentários:
De Jorge a 13 de Janeiro de 2011 às 01:13
a tua analogia melómana faz mais sentido, realmente. mas como o jazz decorre da imaginação e do poder de improviso, neste jogo pensei que uma aproximação mais sistemática pudesse ser mais eficaz contra o que pensei ser um adversário um pouco mais fraco do que mostrou ser.

bah, valeram os golos!!!

abraço,
Jorge
Porta19
De Alex F a 14 de Janeiro de 2011 às 23:53
Caro Jorge,
Com tantas mexidas na equipa, só mesmo na base do improviso, ...ou então do Hulk.
Em condições normais, também preferia ver uma orquestra bem afinada.
Enfim, o que interessa é ir ganhando, e quando possível embalar um bocadinho com uma melodia mais clássica.
Abraço

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