Quinta-feira, 14 de Junho de 2012

A academia da fruta podre

Paulo Futre. Dani. Luís Figo. Simão Sabrosa. Ricardo Quaresma. Cristiano Ronaldo. João Moutinho. Miguel Veloso.

 

Paulo Futre, aos 18 anos não teve problemas em voltar às escondidas as costas ao clube, transferindo-se para o FC Porto, a troco da titularidade e de uma conta bancária com mais zeros.

 

Dani, as noitadas e as festarolas nunca o deixaram ser jogador de futebol. Nem uma passagem pelo Ajax o endireitou.

 

Luís Figo, a sua saída do Barcelona fez dele um dos mais famosos peseteros de sempre do futebol espanhol. Abandonos e regressos à Selecção, rezas à Nossa Senhora do Caravaggio no balneário e pequenos-almoços com candidatos a Primeiros-Ministros, fazem também parte da sua imagem de marca.

 

Simão Sabrosa, mal aterrou no outro lado da Segunda Circular, apressou-se a proclamar que, agora sim, estava num clube grande.

 

Ricardo Quaresma, nunca compreendi como é que o Jesualdo Ferreira aturou, impávido e sereno, mau feitio, birras constantes, e o jogar quando e como muito bem lhe apetecia.

 

Cristiano Ronaldo, eleito melhor do Mundo, não teve pejo em fazer a vida negra ao Sir Alex Ferguson e deitar a perder uma final da Champions, mal o Real Madrid lhe acenou.

 

João Moutinho, a maçã podre por excelência.

 

Miguel Veloso, todos se recordarão das desavenças com o actual seleccionador, na época que antecedeu aquela em que obteve a desejada carta de alforria, precisamente porque se queria ir embora.

 

Todos eles jogadores formados, se não na celebradíssima Academia, nas escolas do Sporting.

 

João Rocha, Amado de Freitas, Jorge Gonçalves, Sousa Cintra, Santana Lopes, José Roquette, Dias da Cunha, Soares Franco, José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes, passaram pela presidência do Sporting nos últimos trinta anos.

 

Há ali exemplares para todos os gostos dessa raça tão característica da fauna avícola do nosso País, o pato bravo. Escroques, banqueiros trapaceiros, típicos self-made mens tugas, políticos, velhotes pataratas e testas-de-ferro, à discrição.

 

Nesse mesmo lapso de tempo conquistaram três campeonatos/ligas, cinco Taças de Portugal e sete Supertaças Cândido de Oliveira.

 

Talvez por isso, contam com adeptos como José Diogo Quintela ou Daniel Oliveira, lídimos representantes dessa espécie, que começa a estar tão em voga na nossa flora hortofrutícola, a melancia.

 

Ainda recentemente, por imperativos de ordem familiar, assisti ao segundo jogo da final do campeonato de futsal, entre Sporting e outra equipa da capital, na companhia de seis benfiquistas e dois sportinguistas. Por incrível que pareça, vibrei e gozei mais com a derrota de uns, do que os adeptos daquele clube com a sua vitória.

 

Vejamos agora a nossa Selecção Nacional. O treinador, para além de duas Taças de Portugal e duas Supertaças Cândido de Oliveira, foi campeão nacional de juniores, sempre ao serviço do Sporting.

 

A equipa técnica, é, mais coisa, menos coisa, a que o tem acompanhado, enquanto treinador principal.

 

Dos 23 jogadores que estão no Euro, dois guarda-redes, Rui Patrício e Beto, foram formados em Alvalade.

 

Da equipa titular, dois dos médios também são provenientes da mesma escola, Miguel Veloso e João Moutinho. Nos suplentes, estão mais dois, Custódio e Hugo Viana.

 

No ataque, obviamente, o Cristiano Ronaldo e o Nani, no onze, e no banco, Silvestre Varela e Quaresma.

 

São dez jogadores em vinte e três. É obra. A título de comparação, formados no FC Porto, temos apenas o Bruno Alves, o Ricardo Costa, o Hélder Postiga e o Hugo Almeida, e no clube mais grande do Mundo dos arredores de Carnide, o João Pereira, o Miguel Lopes e o Nelson Oliveira.

 

Dos formados sobre os auspícios verde-e-brancos, apenas o Rui Patrício continua lá pelos lados da Calimeroláxia, mas ao que parece, e pese embora a recente renovação de contrato, o desejo é vê-lo pelas costas, que a falta de pilim fala mais alto.

 

O que é quero dizer com isto tudo?

 

Muito simples, antes que, caso as coisas corram pelo melhor à nossa selecção, e esperemos que assim seja, este tipo de conversa sobre a proveniência dos heróis, acidentais ou não, venha à baila, como agora fizeram questão de lembrar a propósito do Silvestre Varela, convirá ter presente que há sempre um reverso para cada medalha.

 

 

Socorrendo-me de um autor muito querido do nosso presidente, José Régio, e do seu “Cântico Negro”, direi a propósito do historial daquele clube:

 

“Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

Sei que não vou por aí!”

música: Rotten apples - Smashing Pumpkins
sinto-me:
publicado por Alex F às 13:34
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4 comentários:
De Sérgio Moura Bessa a 14 de Junho de 2012 às 16:10
Boa posta :)
Só acrescentar que te faltou o Hugo Almeida, formado no FCPorto.

Cumprimentos Portistas da Caparica
De Alex F a 14 de Junho de 2012 às 16:46
Boa tarde Sérgio,

É verdade! Que raio de lapso! Já lá está o Hugo Almeida.

Obrigadíssimo pela ajuda.
De penta1975 a 14 de Junho de 2012 às 20:36
e se for para sermos rigorosos, falta o João Pereira, formado na lampiónica agremiação de Carnide ;)

abr@ço
Miguel | Tomo II (http://tomoii.blogspot.com/)
De Alex F a 14 de Junho de 2012 às 23:10
Bem, isto hoje estava mau! Vê-se bem que a minha principal preocupação foi a lagartagem.

Obrigado Miguel, foi de facto uma falha.

Já agora, só para ver se não me esqueço de ninguém, acho que só faltam o Eduardo (SC Braga), o Pepe (Corinthians Alagoano), o Rolando (Campomaiorense/Belenenses), o Coentrão (Rio Ave), o Rúben Micael (União da Madeira) e o Raúl Meireles (Boavista).

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