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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Idle hands are the devil’s tools

14
Mar12

 

Começam a escassear adjetivos para qualificar o alargamento da Liga Zon Sagres a 18 clubes, aprovado na reunião do Conselho de Presidentes da Liga Portuguesa de Clubes Profissionais, realizada no Porto, no pretérito dia 12.

 

"Ilegal, irracional e oportunista", criticou o ex-Secretário de Estado do Desporto, pessoa que, em termos de legalidade e racionalidade, temos o caso Carlos Queiróz(s), que fala por si. Sobre oportunismo não me pronuncio.

 

Para o FC Porto, é "cereja no topo de um bolo de imbecilidade". Imaginativo, sem dúvida.

 

O presidente do Nacional da Madeira, e ex-candidato desistente à presidência da Liga, diz que foi "uma grande caldeirada", montada por alguns clubes.

 

Do lado sportinguista, Luís Duque acrescenta que "o campeonato deixa de ter credibilidade e é uma machadada no futebol português".

Por sua vez, para o presidente da Liga, "a repescagem não fere a verdade desportiva", apontando como exemplo, as ligas americanas, "quase todas fechadas", ou seja, sem subidas e descidas de divisão.

 

Pois é. Não sei se será tanto assim, pois nas ligas americanas, como por exemplo, a NBA, até pode ser vantajoso ser último classificado. O último garante a primeira posição no “draft” da época seguinte, e as posições nas várias rondas do “draft” são tão transacionáveis como jogadores, treinadores e afins.

 

Além disso, nas ligas americanas existem umas coisas chamadas "salary caps", que limitam a massa salarial a despender pelos clubes em ordenados, e ainda mais engraçado, os clubes até são forçados a cumprir regras mais ou menos estritas de sanidade financeira para se manterem em prova.

 

Por cá, são os jogadores do Vitória de Guimarães, que ameaçam fazer greve. Os da União de Leiria, aparentemente, terão mesmo chegado a vias de facto, e fizeram greve, e de acordo com o evangelical presidente do Sindicato dos Jogadores, mais de 80% dos clubes têm dívidas aos seus profissionais.

 

Não sei porquê, mas parece-me que talvez não seja assim tão boa ideia ir a correr copiar as excentricidades dos nossos amigos cábóis.

 

Abstraindo destes factos e pseudo-factos, apenas um lamiré sobre dois pontos saídos da tal reunião, que atrairam a minha atenção.

 

Um tem a ver com o que vim a escrever. É engraçado que, assumindo que não haverão(iam) descidas de divisão, há um clube, dos três que lutam pelo título, que vai defrontar no que resta de Liga, três das equipas posicionadas nas quatro últimas posições na tabela classificativa, dois deles nas duas últimas jornadas da prova. É claro, que isto não passa de uma mera coincidência, mas lá que cheira a verdade desportiva feita pelo outro lado, cheira.

 

Especialmente se tivermos em conta que esse clube é recorrente na resolução de situações como a de Leiria, como outrora solucionou a do Vitória de Setúbal ou a do Estrela da Amadora, através de “valores adiantados (…) no âmbito dos contratos celebrados que dão (…) um direito de preferência numa futura aquisição de direitos económicos e/ou desportivos de activos intangíveis”, vulgo, “passes de jogadores”, que inclusivamente consagra nos seus relatórios de contas.

 

O outro ponto, menos realçado, é o dos direitos televisivos. Os clubes ponderam apresentar uma queixa na Comissão Europeia contra a Olivedesportos, detentora do monopólio dos direitos das transmissões desportivas, em violação daquelas que são as regras europeias da concorrência.

 

É interessante que, sem se saber qual o provimento que poderá ser dado a uma eventual queixa deste cariz, se avance com a indicação da época de 2013/2014, como aquela que marcará o términus do monopólio da Olivedesportos.

 

Mais curioso se torna ainda quando se nota que, tanto o FC Porto como o Sporting, são detentores de contratos válidos com aquela empresa, até 2018. Sendo deferida aquela queixa, consequentemente seguir-se-á nova negociação, de que estes clubes poderão sair beneficiados ou prejudicados. Por outras palavras, será trocar o certo, pelo incerto.

 

Porém, como todos estamos sabedores, há um clube cujo contrato de direitos de sobre as transmissões televisivas expira no corrente ano.

Clube esse que anda envolvido em negociações, se por essa designação entendermos uma sucessão de bluffs e ultimatos, com a Olivedesportos.

 

Uma queixa desta natureza, encaixa-se muito oportunamente numas negociações que se arrastam quase desde 2008, que, salvo erro, marca o advento da ...ica Tv.

 

Instrumentalização da Liga de clubes? Nunca na vida.

 

Só porque o actual presidente da Liga até é genro do tal fulano que não quer ser guardanapo do FC Porto, mas que não se importa de servir de papel higiénico noutros sítios? Nem tal se me passa pela cabeça.

 

É tudo em prol dos interesses dos pequenos mais grandes clubes do Mundo, que por aí pululam.

 

Entrelinhados

24
Jan12

Aqui há dias houve quem tivesse ficado surpreendido pela eleição de Mário Figueiredo para a presidência da Liga de clubes, ao arrepio daqueles que seriam os anseios mais ardentes dos clubes ditos grandes e mais que grandes cá do burgo.

 

 

 

Teve que ser o presidente do Gil Vicente, António Fiúza, a vir elucidar o pagode sobre o motivo pelo qual os clubes, ou pelo menos alguns, votaram no candidato eleito:

 

"Mário Figueiredo prometeu que nenhum clube iria descer".

 

 

Em face de tããããão surpreendente revelação, lá teve que sair das suas tamanquinhas insulares o novel presidente, e esclarecer que não era bem assim. O que prometeu foi que iria aumentar o número de clubes na Liga.

 

A parte de não haver descidas de divisão foi uma deficiente interpretação da parte dos clubes, que para seu grande azar, até votaram nele.

 

Agora é tarde, está votado, está votado. Quem tresleu nas entrelinhas, não tivesse treslido…

 

Outro caso de tresleitura generalizada, é a transferência do nosso Fucile. Mas esse ainda ninguém o esclareceu.

 

 

Que o Fucile foi em prestado ao Santos, não resta margem para dúvidas. E ao que parece, o Santos não terá tido qualquer encargo com o empréstimo, que terá ficado por conta do desbloqueamento da situação do Danilo.

 

Entretanto, segundo as imprensas brasileira e italiana, o Ganso será apenas a ponte que levará Fucile para Itália. Ao que parece o Milan estará disposto a pagar a cláusula de rescisão de 20 milhões que o liga ao FC Porto, com quem tem contrato até 2014.

 

Ou seja, o FC Porto tem um jogador encostado, que nesse estado, vale zero. Cede-o de borla ao Santos, e com essa cedência desbloqueia um investimento de 13 milhões, mais portes de envio.

 

Portanto, pelo menos 13 milhões o Fucile já vale. E apesar de fora dos planos do nosso treinador, o Milan está disposto a pagar, sem regatear, a cláusula de rescisão, acima desse valor.

 

Faz-me confusão que um jogador deste quilate, e com tamanha aceitação no mercado, não tenha lugar na nossa equipa, e tal só acontecerá certamente por mau feitio do treinador.

 

E ainda mais confusão me faz que, antes do desfecho a contento de todas as partes envolvidas neste sonho de fadas, e eventualmente de algumas ainda por envolver, o empresário do jogador tenha afirmado que, "pelo menos por um ano ele tem que sair, pois não tem lugar no time".

 

Porquê a referência então a “um ano”? Prazo de validade do Vítor Pereira no FC Porto?