Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Demolições Danilo, Herrera e Imbula & Cia. Lda.

16
Ago15

Da primeira vez que vi o Danilo Pereira e o Imbula jogarem juntos, chamei-lhes "duo demolidor". Longe de mim andava a ideia de fazer um trio, juntando-lhes o Herrera.

 

De facto, depois de ver o Jorge Jesus sagrar-se bicampeão à base da correria (e não só...), tenho forçosamente de concluir que o jogar futebol está claramente sobrevalorizado, pelo menos por mim, e a cair em desuso.

 

O meio-campo inicial de hoje do FC Porto, foi um autêntico trio de combate. Que se lixe o futebol. Ou melhor, que se lixe pelo centro do terreno. Pelas alas é que é caminho, e pelo meio...eles que tentem, que está em campo a brigada de demolição.

 

E se estes três são as Miley Cyrus de serviço, para o trabalho de minúcia, estiveram lá o Varela, o Maxi Pereira e o Aboubakar.

 

O Silvestre dificilmente perde uma bola, ainda que não consiga dar sequência à jogada.

 

O ex-benfiquista confirmou aquilo que todos sabemos dele: é um filho-de-uma-progenitora-de-profissão-duvidosa, mas...sabe jogar à bola com objectividade, e tem a vantagem de o fazer por dentro ou colado à linha. As duas assistências que deu, confirmam-no.

 

E o Aboubakar, fartava-me de rir se desatasse a marcar golos e a jogar como um predestinado, e que o empresário viesse reclamar por melhores condições, a braçadeira de capitão, e etc.

 

Portanto, a lógica parece ser: se não vai em jeito, vai em força. Que seja, mas que vá!

miley_cyrus_wrecking_ball.jpg

 

 

 

Uma estranha sensação de déjà vu

15
Ago15

IMG_20150815_004330.jpg

Apesar do frisson e curiosidade que todas estas movimentações, entradas e saidas de pré-época, provocam, confesso que não acompanhei muito de perto o nosso arranque de temporada.Talvez alguns espanhóis o tenham feito por mim...

 

No entanto, ainda assim, vi parte do jogo contra o Borussia Mönchengladbach, e os jogos contra o Duisburgo, o Valência e o Stoke City, estes dois últimos em diferido.

 

Do jogo contra os espanhóis não retirei grandes conclusões. Ambos os treinadores pareceram apostados em esconder algo, e apenas preocupados em não perder. Nos restantes encontros, momentos houve em que experimentei uma estranha sensação de déjà vu.

 

E o pior é que, por exemplo, ao contrário do que acontece no "Feitiço do Tempo", em que o Bill Murray aproveitar o facto de reviver continuamente o mesmo dia, para ir corrigindo as asneiras que comete (u), aqui, tenho duvidas que assim seja.

 

Naqueles jogos, nomeadamente sempre que o Bueno estava em campo, vi-me de volta aos empates da temporada transacta, frente ao Vitória de Guimarães, que vamos defrontar amanhã, e ao Estoril-Praia.

 

Não sei se se recordam mas, naqueles dois jogos, entrámos com o Brahimi e o Quintero, como terceiras unidades do meio-campo. Ou seja, na prática, o mesmo que acontece de cada vez que entra o Bueno, o tal avançado disfarçado de médio, como diz o Lopetegui.

 

Tendo em conta que o jogador foi a primeira contratação para a nova temporada, e que o treinador terá sido decisivo na sua vinda, tudo leva a crer que aquele esquema táctico tenha sido delineado a contar com a sua presença.

 

Assim sendo, e a pensar fundamentalmente no campeonato português, parece-me que o 4x3x3 a que estamos habituados, tem os dias contados.

 

Desconfio que Lopetegui quer a equipa instalada no meio-campo adversário, para aí controlar a partida. Duplo pivot a meio-campo, subido, liberdade aos laterais, dois extremos, de certa forma assimétricos: Brahimi ou Varela mais metidos para dentro do terreno, e o Tello, mais colado à linha, um ponta-de-lança, e o Bueno a entrar por detrás, essencialmente para finalizar, que é a sua especialidade, e não a construção de jogo.

 

O duplo pivot do meio-campo tem como função primordial, servir de tampão aos contra-ataques adversários. Um dos dois, mais posicional, fará a posição 6 - em princípio o Danilo Pereira, embora o Rúben Neves tenha arrancado bastante bem, tal como na temporada passada. O outro médio, para alem de bloquear as investidas adversárias, terá como função pivotear, girando a bola de flanco a flanco.

 

Em caso de saída em transição rápida, julgo que o flanco preferencial será o direito, através do Tello e do lateral respectivo. Se não funciona, é temporizar, e a bola vai ao centro, onde o tal pivot a envia para o outro flanco, para o Brahimi ou para o Varela. Aí, ou entra o próprio (no caso do Brahimi. Não vejo o Varela com pedalada para isso...), ou espera pelo lateral, mantendo a posse o tempo suficiente para atrair os adversários. Não resulta? Bola novamente ao centro, e tenta-se do outro lado, em velocidade, para apanhar o adversário desposicionado.

 

Qualquer um dos outros médios faz esta posição. O Imbula e o Herrera, mais ao estilo box-to-box, acrescentando essa variação ao sistema; o André André e o Sérgio Oliveira, com uma maior capacidade de passe vertical à entrada da área; e o Evandro, um misto de ambos.

 

Em relação ao que aconteceu na época passada, nem o Quintero, nem o Brahimi, eram o Bueno, e com o Herrera, o Rúben Neves e o Casemiro este sistema não funcionou. Empatámos ambos os jogos.

 

Amanhã é o tira-teimas. Vamos ver se me engano muito ou pouco.

O que é que poderá correr mal?

08
Jul15

Passámos nas duas últimas temporadas por momentos desportivamente angustiantes, a que não estamos habituados, e que desafiaram assustadoramente a nossa estabilidade emocional.

 

"Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", reza, com a propósito, o dito popular.

 

Portanto, não admira que os episódios vividos tenham trazido à tona ressentimentos e azedumes, e desenterrado debaixo das pedras, onde repousavam adormecidos, odiozinhos de estimação que, de certeza, para lá não tardarão a voltar, fazendo companhia ao Bruno de Carvalho, quando deixar a presidência do Sporting.

 

Estou com uma boa sensação em relação à época que se avizinha. Querem saber porquê? Aí vai:

 

Não temos um treinador novo, sem experiência significativa no futebol de clubes, e desconhecedor dos meandros da Liga NOS.

 

Não temos um número desproporcionado de jogadores novos, carentes de um período de adaptação ao clube, ao futebol, à cidade, ao Pais, ao treinador, a eles próprios. São poucos os novos (até agora!) que vão chegar "no escuro".

 

Não estamos no ano 0 do projecto. O ano 0 é, por definição, o momento do investimento inicial, o de maior volume, e aquele em que se encaixam as peças e se monta a máquina. Isso já passou. Estamos prontos para começar a laborar em direcção ao pleno.

 

Temia-se, após o investimento inicial, uma quebra na temporada seguinte, com o fechar da torneira a ter como alternativa a prata da casa. Os 20 milhões investidos no Imbula, os nomes sonantes de jogadores de quem se fala, e os dos patrocinadores, vindos hoje a lume, desmentem veementemente essa hipótese.

 

É cada vez mais provável a saída de Quaresma, acabando-se assim com um factor de divisão entre portistas. Acaba-se a patetice do FC Quaresma, e fica apenas o FC Porto. Bem, talvez o FC Festas, o FC Assobios e a massa assobiativa façam as suas inevitáveis aparições, mas quanto a isso, está nas mãos de quem treina e de quem joga.

 

Vítor Pereira vai deixar as nomeações. O sorteio, em princípio, se não se entrar pela discussão da temperatura das bolas, coloca todos em pé de igualdade nesta matéria.

 

Com as contratações, a confirmarem-se, de homens como Maxi Pereira, Casillas ou Drogba, somados a outros como Helton, Maicon ou Varela, a média de idades do plantel vai subir, e consequentemente o nível de experiência competitiva dos jogadores.

 

O treinador do bicampeão nacional, resolveu finalmente, abandonar aquela que, segundo ele e vá-se lá saber porquê, seria a sua zona de conforto, e atravessou a circular para provar que do lado de lá, também consegue ser o melhor do Mundo.

 

Ou seja, perante isto, o que é que poderá correr mal?

 

ng4366260.jpg

 

De pequenino...

25
Abr15

Os meus filhos estão com seis anos, e um deles deu em Outubro passado, os primeiros passos da sua carreira futebolística.

 

Para já, infelizmente, não a antevejo como suficientemente promissora para garantir aos pais uma reforma folgada, mas enfim, não se pode ter tudo. Desde que ele goste e se divirta. As coisas mudam e as crianças também. Há que ter esperança...

 

O rapaz ainda está a começar, só que, até a mim que nunca treinei futebol, e que me limito a mandar bitaites, me parece que há ali demasiado amadorismo, e que os miúdos, passados seis meses, ainda andam perdidos em campo a maior parte do tempo.

 

Pese embora sejam federados, no escalão dele, os Petizes, não existem competições oficiais. As equipas combinam jogos entre si, ou organizam torneios amigáveis, para os miúdos se irem habituando à competição.

 

A equipa do meu filho está num desses torneios. É organizado pela Escola de Futebol Geração Benfica. Entre as 10 equipas participantes, andam por lá a Geração Benfica de Faro, a Geração Benfica de Loulé e a Casa do Benfica de Tavira, que tem equipa A e B.

 

Em dez equipas, quatro têm esse factor em comum.

 

Os árbitros são todos da Geração Benfica, e no último jogo da equipa do meu miúdo, era, curiosamente, um dos treinadores da equipa adversária. Árbitro e treinador, ao mesmo tempo. É para se irem habituando...

 

O torneio tem regras. Ainda não as vi escritas, mas tem-nas. Jogam futebol de cinco, em metade de um campo relvado sintético de futebol de sete e as equipas podem levar para cada jogo até 10 jogadores. Os cinco iniciais em cada parte, jogam obrigatoriamente apenas meia parte, para que tanto quanto possível, joguem todos. Uma espécie de iniciação à rotatividade.

 

O clube do meu filho, até agora, tem feito um esforço no sentido de cumprir escrupulosamente esta regra.

 

Do lado dos organizadores, não é tanto assim. Em vez dos dez jogadores, aparecem seis, sete, oito…

 

Ou seja, partindo do princípio que são convocados para os jogos os melhorzinhos, há alguns destes que acabam por jogar mais tempo do que os miúdos das demais equipas.

 

Os responsáveis dizem que convocam os miúdos, mas que os pais não os levam aos jogos, o que me faz espécie. Sendo aquela uma marca de sucesso, seria de esperar que tivessem miúdos aos magotes, prontos para serem convocados, e paizinhos disponíveis para os levar aos jogos.

 

Contudo, através de alguns pais de miúdos que lá andam, fiquei a saber que, por vezes, nem têm conhecimento dos dias em que jogam. Alguns nem sequer tinham conhecimento da existência de jogos.

 

É incrível que, aos seis anos de idade, este tipo de coisas aconteça, mas também não é surpreendente, se tivermos em conta o comportamento de alguns dos progenitores que assistem às partidas.

 

Muitos querem ter mais do que um poster do Cristiano Ronaldo lá em casa, e além disso, há que afirmar a marca. A pressão para ganhar começa cedo, e haja dinheiro para estátuas.

 

É estranho, mas é apenas folclore.

 

A questão é que vivo no Algarve, mais propriamente em Faro, e por isso, não sei o que se passa noutras zonas do País. Agora, isto é algo que presencio a cada quinze dias, sempre que há jogos.

 

Obviamente que não estava à espera de encontrar um Dragon Force ao virar da esquina, o mais perto que conheço fica em Almancil.

 

Apesar de não ser longe, com a famosa EN 125 em hora de ponta, torna-se de todo impraticável para quem vive em Faro.

 

A realidade é esta: em termos de implantação, a cor vermelha preenche  um espaço de tal ordem no todo nacional, que os miúdos aos quais é deixada alguma margem de escolha, quando chegam a estas idades, são autênticas ilhas, rodeadas de um apelativo mar vermelho.

 

E é nestas idades que se faz esse tipo de escolha, quase sempre irreversivel, e que assim, quase deixa de ser uma opção para passar a um afogamento.

 

Como é que se contorna isto?

 

Não sei. Apenas posso falar do meu exemplo. Como é que um algarvio, que nunca pusera os pés no Porto, se torna adepto do FC Porto?

 

Os meus pais são sportinguistas, mas nunca me influenciaram. Quando comecei a jogar futebol na primária, a escolha era ainda entre o vermelho e o verde.

 

Na altura, optei pelo vermelho. Mas depois, influenciado por um primo mais velho, por sua vez influenciado pelo bicampeonato conquistado por Pedroto, em 77-78 e 78-79, acabei por decidir que o azul-e-branco era a minha cor.

 

E, pese embora as derrotas dos anos seguintes, até hoje.

 

A minha irmã era do Boavista, por causa do Folha, não o nosso, mas o axadrezado que dava mortais quando marcava golos.

 

Quando este se mudou para a capital, também passou a ser portista.

 

São estas coisas que levam os miúdos a decidir. Os milhões são importantes, sem dúvida.

 

Mas, a acontecer o bicampeonato do outro lado, quantos miúdos, daqueles que vivem longe do Dragão, imersos na realidade que descrevi antes e que não percebem nada de milhões, irão escolher o vermelho?

 

É irrelevante isso? Bem, se o Carlos Abreu Amorim tiver razão, e o sul fôr apenas uma terra infestada de magrebinos, sim.

 

Ou se o que se quer é apenas um clube nortista, elitista e muito pouco liberal, também.

 

Contudo, dou o benefício da dúvida, e interrogo-me se quem decide que há vitórias e competições prioritárias, e que o mais importante são os milhões, estará consciente desta realidade, ou estará apenas refasteladamente alapado no sofá do seu portismo.

 

E já agora, se está consciente, talvez possa transmitir aos nossos rapazes que vão entrar em campo amanhã, e ao treinador que os comanda, o que é esta sensação claustrofóbica avermelhada.

 

Pode não servir de nada, mas também pode ser meio caminho andado para a vitória.

1301915439342_f.jpg