Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015

Tá ilusão em monte, mó!

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(imagem retirada de Portista@FCPortoWorld)

 

Um casal de macacos empoleirado num ramo duma árvore, contempla defronte de si os escombros da Terra destruída por um holocausto nuclear.

 

Num suspiro, o macaco murmura para a macaca: "Querida, vamos ter de começar tudo de novo".

 

Imagino que, nos dias que correm, seja mais ou menos isto que sente o Lopetegui. Com a diferença que os macacos, talvez ainda se divirtam alguma coisa no processo. O Lopetegui, tenho as minhas dúvidas.

 

Tudo somado, saíram sete " titulares" da equipa da época passada. Saiu o guarda-redes. Saíram os dois defesas-laterais, e saíram ainda dois médios e dois avançados.

 

O Fabiano e o Quaresma terão sido "dispensados". O Casemiro e o Óliver, terminados os seus empréstimos, regressaram aos seus clubes de origem.

 

Dentro daquela que é a politica de gestão de activos e de equilíbrio financeiro da SAD, a saída do Jackson Martinez terá ficado apalavrada aquando da renovação de contrato. E é feio faltar ao prometido.

 

A venda do Danilo foi consumada em Janeiro, e a do Alex Sandro, por 26 milhões mais objectivos, tendo em conta a propalada recusa anterior de uma proposta de 30 milhões, parece que seria uma inevitabilidade.

 

Aliás, todas estas saídas pareceram inevitáveis. Assim sendo, pergunto: como é que se consegue descortinar aqui, um projecto a três anos?

 

Recordo que esse era um dos argumentos utilizados para pedir calma, e justificar os resultados da temporada transacta, ou a falta deles: estávamos apenas na primeira etapa de um projecto a três anos.

 

Em que raio de projecto a três, ao fim do primeiro, uma porção considerável dos recursos existentes está com guia de marcha?

 

No inicio e durante uma boa parte da minha carreira profissional, analisei projectos de formação profissional. Na universidade estudei análise de projectos e investimentos, mas muito sinceramente, não estou a ver. Têm a palavra os engenheiros.

 

Sejamos francos, no futebol português em geral, e no FC Porto em particular, não são sustentáveis projectos. Quanto mais projectos a médio prazo, de três anos...

 

É, ir sobrevivendo dia-a-dia, e tentar alcançar os melhores resultados desportivos possíveis, ou entaão, em alternativa, encontrar uma, ou várias, boas desculpas para quando tal não é possível.

 

A não ser que se esteja a confundir o projecto com a duração do contrato do treinador. Se é isso, então tenho cá para mim que nesse caso, o projecto não é outro senão a valorização do próprio treinador.

 

E depois? Não é um activo do clube, tal como os jogadores? Sim, é verdade. A questão é que, a ser assim, em termos de projecto, não será pouco ambicioso para o clube subordinar-se a esse propósito, e colher o que vier por acréscimo, como efeito colateral?

 

Renasceremos, é claro que sim, como sempre fomos capazes de fazer. Mas, por favor, não nos iludamos com projectos.

publicado por Alex F às 23:43
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9 comentários:
De Drax a 22 de Agosto de 2015 às 13:33
De facto, o paradigma mudou rapidamente.

Há uns oito, nove anos ainda era possível pensar em ciclos de três anos. Hoje, não. Os jogadores passam por aqui como malas numa alfândega à espera do despacho.

Alguns, suspeito que seja o caso de Imbula, são contratados com prazo máximo de uma época.

Abraço.
De Alex F a 22 de Agosto de 2015 às 19:35
Pois é Caro Drax,

É um círculo vicioso, que se tem revelado pouco virtuoso ultimamente.

Para sermos competitivos contratamos caro. Para contratar caro e sobreviver, dependemos de terceiros, e temos de valorizar e vender.

Se não conseguimos resultados, temos de vender na mesma, e coitado do treinador, da SAD, etc, que lá têm de começar de novo. Enfim...

A propósito, não conhecia o "Do calcanhar à trivela". Passei por lá e...gostei😉

Abraço
De Drax a 24 de Agosto de 2015 às 09:14
Muito obrigado, caro Alex.

Já acompanho o Azul ao Sul há algum tempo, sempre na sombra.

Análises racionais, olho crítico, escrita inteligente com um belo recorte sarcástico qb.

E partilho contigo esse estigma de ser portista no sul, dado que nasci em Lisboa e sempre vivi aqui. Já deixei de contar as vezes que me perguntaram: "Então mas é de Lisboa e és portista?"

Forte abraço. Continua.

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