Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Porque perguntar, em princípio, não ofende…

10
Set12

“É público que o FC Porto conseguiu encaixar cerca de 450 milhões de euros, com as suas melhores 20 transferências (para além disso, só o FC Porto conseguiria encaixar cerca de 10 milhões de euros, em 2003 (!), pela venda de Postiga ao Tottenham!). Isso contribuiu, e muito justamente, para afectar positivamente à imagem do clube do Dragão uma aura de intocável capacidade de negociação. Agora que os contornos da transferência de Hulk estão a ser discutidos na praça pública (o que vai fazer a CMVM perante declarações não coincidentes produzidas pelas partes interessadas?!...) e sobretudo perante a inevitável decepção em torno dos números, muito distantes dos 100 milhões, talvez estejamos perante a queda de um mito: com efeito, o FC Porto, ao longo dos tempos, vendeu muito e bem.


A verdade é que, não obstante essas vendas e o produto das receitas de qualificações sucessivas para a Champions, o passivo anda na ordem dos 200 milhões de euros. Nestas condições, podemos falar em boa gestão? Afinal a ‘boa gestão’, que vem sendo dada como um dado adquirido na opinião publicada, não será apenas um ‘módulo de propaganda’ e dar como certo algo que não está plasmado nas contas? Não teria o FC Porto a obrigação, num quadro de encaixes tão significativos, e com esta capacidade de realizar transferências de indiscutível impacto financeiro, de apresentar contas equilibradas? Com tantas receitas, não estará o FC Porto a gastar mais do que pode? Sem oposição externa e interna, este é um assunto condenado a não dar discussão”

 

“Ouvi muitas coisas nestes últimos meses sobre a situação financeira do nosso clube. Como não sei de ciência certa não me vou alargar. Confesso apenas uma incompreensão e deixo um desejo. O Porto só nos dois últimos anos fez vendas de mais de cem milhões de euros. Como é possível estar a viver dificuldades? O meu desejo é que não se desbaratem estes 40 ou 50 milhões mais os do Guarin e do Pereira. Como podem perceber, não peço muito”.

 

Vendo as coisas pelo prisma utilizado nestes três parágrafos, o concurso de medição de pilinhas sobre os valores das transferências do Hulk e do Witsel, a discussão sobre quem arcou ou vai arcar com a solidariedade e os empresários, ou sobre quem esperou por quem para dar o(s) negócio(s) por consumado(s), ficam um bocado em perspectiva.

 

É a velha questão da árvore e da floresta.

 

Os dois primeiros parágrafos são da autoria daquele, que por esta altura já devem ter percebido, é um dos meus amores de perdição, Rui Santos.

 

Há que dar-lhe por isso um desconto. Nem chega bem a ser uma ejaculação precoce. Assemelha-se mais a um daqueles desejos formulados quando se apagam as velas todas do bolo de aniversário.

 

Não é por o Rui o querer ou desejar, que estaremos como com propriedade, diz à cautela, “talvez”, e sublinha-se, aviva-se e põe-se em itálico, o talvez, “perante a queda de um mito”. Resta-lhe pois engolir em seco, e seguir para diante, escrevendo textos como aqueles que habitualmente nos dedica.

 

O último parágrafo é para mim mais preocupante. Pelo conteúdo, e por ser um portista acima de qualquer suspeita, Pedro Marques Lopes, quem partilha quase estereofonicamente a preocupação do Rui Santos.

 

 

 

 

Obviamente que as motivações e as apreensões de um e outro, são inquestionável e necessariamente diferentes, mas a questão fulcral é a mesma.

 

Como muito bem escreve o Jorge, a filosofia de compra/valoriza/vende que tem sido pivotal na capacidade negocial no mercado de transferências e na manutenção de plantéis competitivos”.

  

Pivotal, de acordo. Porém, será mesmo imprescindível? Não em termos abstractos, mas tomando como exemplo este caso concreto do Hulk, haveria mesmo a necessidade imperiosa de vender, agora e pelo preço a que se realizou a transação, seja ele qual fôr?

 

Tem-nos sido dito que sim. A maior parte dos sócios e adeptos acredita que sim. Muito sinceramente, também me parece o mesmo. Mas afinal, qual o impacto da transferência do Hulk nas contas da nossa SAD?

 

Desta vez, o argumento mais abundantemente empregue para justificar o estado de necessidade, foi o pagamento do empréstimo obrigacionista de 18 milhões, que vence até ao final no corrente ano.

 

Será isso? Se foi por 18 milhões, então as vendas do Álvaro Pereira, do Guarín e do Belluschi, resolviam a questão, e ainda sobravam uns trocados.

 

Indo ao Relatório de Contas Consolidado do 3.º trimestre – 2011/2012 (pág. 14), retiramos que o passivo da SAD ascendia, àquela data, a 214.171.035 euros, dos quais € 167.533.480, classificados no passivo corrente.

 

Por seu turno, o activo corrente é apenas de € 52.683.659. Portanto, sejam 40 milhões, 31 milhões, ou qualquer outro valor intermédio ou abaixo daqueles dois, o desequilíbrio era de tal sorte, que não é a venda do Hulk que vai equilibrar as contas.

 

Que ajuda, é inquestionável, mas daí até se concluir, neste momento e pelo montante que seja, pela sua imprescindibilidade, é outra história. É um daqueles casos que alivia, mas não cura.

 

Se estivéssemos a fazer um puzzle, a parcela onde aquele montante mais facilmente encaixaria seria nos custos com pessoal – 31 milhões e meio de euros no trimestre.

 

É bem certo que, a ser verdade o que se diz quanto à duplicação do ordenado do jogador, a partir de Setembro, a poupança andará por volta dos 9 milhões de euros. Ou seja, feitas as contas, o que o Zenit despendeu pagará qualquer coisa como um trimestre de encargos com salários e afins. Ficam a faltar outros três.

 

Para quem não gosta de números e contas, vamos tentar analisar a coisa por outra via.

 

Peguemos nas transferências mais vultuosas de há três épocas a esta parte. Comecemos pelas do Bruno Alves e do Raúl Meireles. Sem olhar para as somas envolvidas, era por demais evidente que ambos estavam por cá descontentes.

 

O papá do Bruno Alves não se calava, e o Raúl Meireles, que não ia além dos 70 minutos por jogo, foi para Inglaterra correr que nem um galgo atrás do coelho.

 

A seguir veio a do Falcao. Segundo reza o relatório de contas, a sua transferência deu azo a uma mais-valia de 20.170.000 €. Independentemente disso, todos sabemos que se tratou de uma shotgun sale, tendo em conta a ambição do jogador em mudar de ares.

 

Ainda assim, mesmo partindo de uma posição negocial menos vantajosa, a sua saída poderá vir a revelar-se mais rentável que a do Hulk.

 

Tanto quanto consta, não terá sido por vontade expressa deste último que se operou a mudança para Sampetesburgo. O próprio afirmou que não estava à espera de ser transferido, antes contava ficar entre nós e festejar o tricampeonato

 

Nesse particular, esta movimetação teve mais similaridade com a saída do Lucho Gonzalez, que com qualquer uma das atrás mencionadas.

 

 

Assim sendo, volto à questão fundamental: a venda do Hulk, neste momento e por qualquer que seja o valor, era efectivamente imprescindível ou vem resolver definitivamente alguma coisa, do ponto de vista financeiro?

 

Desportivamente, o timing da sua venda, quando o mercado português se encontrava encerrado, não permitiu acrescentar ao plantel um substituto de que se diga poder preencher directamente a sua lacuna.

 

Resta a prata da casa. Era essa a intenção? A sua saída (ou a do João Moutinho, por hipótese), sendo inevitável e impreterível, dentro daquela que é a lógica de gestão do clube, foi atempadamente acautelada pelas entradas do Iturbe, do Atsu ou do Kelvin? É isso? Ou serão o James ou o Varela que o vão substituir?

 

Pela parte que me toca admito que fiquei surpreendido com a saída do Hulk, e confesso a minha frustração. Sendo certo que era algo que mais tarde ou mais cedo acabaria por acontecer, sempre acreditei que enquanto fosse possível se faria por ir protelando o inevitável.

 

Foi como regressar aos tempos da escola e adiar o início do estudo para o exame de Estatística, “só mais este jogo! Estou a ganhar ao Torquay, e a seguir só falta o Scunthorpe!” – meu rico Football Manager! Bons tempos -, ou o pendurar a porcaria do candeeiro da sala de jantar, que depois de demorar nove anos para ser comprado, convinha que ficasse pendurado vinte minutos antes de chegarem os convidados para o jantar.

 

Enfim, a vida é mesmo assim, e faz-se por ela. A que preço? Logo se vê.

Contas de sumir

29
Ago12

 

 

A 6 de Agosto, o nosso plantel era o seguinte:

 

Guarda-redes: Helton, Fabiano e Kadú;

 

Defesas: Danilo, Maicon, Álvaro Pereira, Miguel Lopes, Rolando, Emídio Rafael, Sereno, Mangala, Abdoulaye, Alex Sandro e Otamendi;

 

Médios: Lucho Gonzalez, Castro, João Moutinho, Fernando e Defour; e

 

Avançados: Iturbe, Jackson Martinez, James Rodriguez, Kléber, Hulk, Varela, Djalma, Janko, Atsu e Kelvin.

 

Entretanto, o Álvaro Pereira foi-se, o Sereno, idem aspas, e o Djalma e o Janko, idem aspas aspas.

 

O Rolando tem uma proposta do Queen Park’s Rangers, mas esperto como o rapaz é, quer é ir para Itália.

 

Pudera, no futebol inglês os centrais, embora cada vez menos, ainda têm que dar o corpinho ao manifesto. No calcio, com a muralha de gente que se planta entre o meio-campo e a linha de defesa, a bolinha ou chega filtrada, ou em rasgos de velocidade. Mesmo ao queres para o nosso amigo, que não anda ali para levar com klingons e com orcs.

 

O João Moutinho tinha a concorrência do Mvila para o Tottenham, e agora acabou por ser o Dembelé a ficar com o lugar.

 

O James Rodriguez gosta do futebol espanhol. O Hulk é muito caro para o Zenit, mas parece que ainda subsistem dois concorrentes. O Chelsea, que era o preferido do Incrível, agora vira-se para o Cavani.

 

O Inter também estará interessado no Fernando e, pasme-se, há dias havia “meia Europa atrás do Kléber”, e não consta que fosse mania da perseguição…

 

(se quiserem ter uma ideia das movimentações reais e imaginárias do mercado sugiro que consultem o Relvado)

 

Até o Belluschi, o Addy e o Kieszek, que não entravam para as contas do plantel, conseguiram colocação. Faltam o Bracalli, o Sapunaru, o Fucile (?) e o Ukra.

 

O Emídio Rafael é uma incógnita, o Castro e o Kelvin dão a ideia de ainda cá estarem para evitar a falta de quórum nos treinos de conjunto, e quando calhar, fazer uma perninha na B. Se estiverem para aí virados, é claro…

 

O Iturbe, nem sei se para isso.

 

Ou seja, dos 29 para o Tri de então, neste momento estamos reduzidos a 25, and counting…

 

Guarda-redes: Helton, Fabiano e Kadú;

 

Defesas: Danilo, Maicon, Miguel Lopes, Rolando, Emídio Rafael, Mangala, Abdoulaye, Alex Sandro e Otamendi;

 

Médios: Lucho Gonzalez, Castro, João Moutinho, Fernando e Defour; e

 

Avançado: Iturbe, Jackson Martinez, James Rodriguez, Kléber, Hulk, Varela, Atsu e Kelvin.

 

E é bastante provável que saia mais alguém. Assim sendo, ocorre-me perguntar:

 

Estamos a pouco mais de 60 horas do fecho do mercado de transferências de Verão.

 

O que temos chega?

 

Dará para a competição interna, e/ou para botar uma figura assim-assim na Champions? Tenho algumas dúvidas.

 

A SAD terá alguém em carteira para suprir (mais) alguma eventual saída? Espero que sim.

 

Se por um inverosímil bambúrrio de fortuna, como foram uma grande parte das saídas até agora, o Kléber tiver de facto, por algum motivo, que até podem ser multas de trânsito, “meia Europa atrás dele”, e o consegue apanhar, ficamos só com um ponta-de-lança.

 

Pronto, pronto, bem sei que temos o Dellatorre nos Bs, que parece ter alguma qualidade e marca golos. E o Sebá e o Vion. Mas será suficente?

 

Ficando o Hulk, caso haja necessidade, temos sempre a opção, que tem tanto de miraculosa, como de estultícia, de o pôr a jogar ao meio.

 

Saindo, ficamos sem suplente à altura para o Jackson Martinez (quando digo “altura”, estou novamente a pensar no Kléber, como devem ter percebido! - 1,84 do colombiano para 1,89 do brasileiro).

 

E se o Fernando sair? E o Moutinho?

 

Por favor, que chegue de uma vez o 1 de Setembro, que esta ansiedade mata!!

 

 

(Olha, olha, até o Xanax é azul e branco!!)

Os 29 para o Tri

06
Ago12

Guarda-redes: Helton, Fabiano e Kadú;

 

Defesas: Danilo, Maicon, Álvaro Pereira, Miguel Lopes, Rolando, Emídio Rafael, Sereno, Mangala, Abdoulaye, Alex Sandro e Otamendi;

 

Médios: Lucho Gonzalez, Castro, João Moutinho, Fernando e Defour; e

 

Avançados: Iturbe, Jackson Martinez, James Rodriguez, Kléber, Hulk, Varela, Djalma, Janko, Atsu e Kelvin.

 

(Fonte: http://misticaazulebranca.blogspot.pt/2012/08/os-29-magnificos.html)

 

Não se trata de uma lista definitiva, e parece-me que com Álvaros Pereiras e Rolandos, há por ali gente a mais na defesa. E infelizmente, se calhar também no meio-campo,...e no ataque.

 

Quanto ao resto...

 

 
 
 

Uaaaaá! O quê?! Já acabou?

05
Ago12
 

 

 

E pronto, estamos formalmente apresentados. Resta saber de quem foi o prazer...

 

Com o Miguel Lopes na direita da defesa, apesar de também não ser exímio a defender, ganhámos consistência em relação aos jogos em que por ali andou o Djalma. Sem desprimor para este, que aquela não é, sem dúvida a sua posição.

 

No centro, Maicon e Otamendi estão de pedra e cal, e nas vezes em que este último se deixou ultrapassar, estava lá o Mangala, a fazer um jogo bastante bom no lado esquerdo da defesa. Desta maneira, nem toda a polivalência do Sereno é capaz de ser suficiente para lhe garantir um lugar no plantel.

 

Olhando para a defesa, quer-me parecer que está encontrada aquela que será a nossa imagem de marca neste arranque de temporada, aliás, o próprio treinador, já o deu a entender: consistência defensiva. Aguentar defensivamente o embate dos primeiros jogos, pelo menos até o plantel estar completamete definido, e partir daí para a afinação dos processos ofensivos.

 

Se assim for, vamos ser confrontados com um adversário, o mais directo, que tem nos seus quadros, do meio-campo para diante, p'raí trezentos e cinquenta jogadores, o que lhe vai permitir entrar na máxima força, e sem ter de se preocupar em fazer aquilo que não sabe, a gestão do plantel. Há pois que ter calma.

 

O nosso meio-campo, pese embora toda a boa vontade do Fernando, e alguns bons passes do Defour e do Lucho, também não ajuda grandemente, muito por força de uma deficiente ligação com os homens do ataque. Por exemplo, ontem vimos passes de ruptura, tanto do belga como do argentino.

 

Mas esses passes foram quase todos para o Atsu, que até lhes deu sequência, quase sempre bem, e dos seus pés nasceram as jogadas de maior perigo, mas tornou sempre a endossar a bola para o centro da área ou para trás.

 

Nenhum daqueles passes dos médios foi directamente para a zona de finalização. O único passe a rasgar para o Jackson Martinez, de que me recordo, acabou por dar origem a um remate deste, descaído para a direita, e nunca em posição frontal à baliza.

 

A entrada do João Moutinho não trouxe grandes novidades. O Defour recuou para trinco, e até continuou a fazer uns passes bem medidos, e o Lucho entrara em contagem decrescente para a saída.

 

Depois, foi a entrada quase em seguida do Silvestre Varela e do Djalma, para as alas do ataque. Estes dois, jogando mais à base da velocidade e do físico, são por excelência os nossos homens para as transições rápidas. Como estas não fazem parte do nosso léxico táctico, o meio-campo acabou por aí.

 

É escusado pô-los a jogar em simultâneo, e espero que tal não seja necessário, porque viu-se que perdendo um elemento criativo à frente, como o James ou o Atsu, ficamos com o ataque reduzido a zero.

 

O Castro ainda ensaiou umas variações de flanco, mas variou pouco o flanco, e foram quase sempre para a direita, e o Jackson Martinez, mostrou alguns pormenores.

 

Foi pena a lesão do Sereno, que acabou, no entanto, por permitir a entrada do Iturbe a um minuto do ou dois do fim. Ao que parece, um castigo por instantes antes do jogo ter andado a brincar com o twitter.

 

O Álvaro Pereira é que não teve oportunidade de levantar o traseiro do assento. Nem para aquecer. Esta filosofia dos castigos e dos jogadores encostados, é coisa que não me entra na cabeça.

 

Por mais voltas que dê, não consigo concordar com o que comentou o Bruno Prata durante o jogo, e com aqueles que entendem que esta situação é um prejuízo para o clube e para o jogador.

 

O jogador, mais dia, menos dia, sai do clube e vai para outro ganhar tanto ou mais ainda do que está a auferir por cá. O clube, por sua vez, vai ter de o vender por tuta e meia, se não quiser ficar com ele a servir de bibelot no banco de suplentes.

 

O mais interessado em resolver a situação será sempre, quanto a mim, o clube, e neste caso, é o que menos se vê fazer para isso. Se é para castigar. castigue-se de uma vez por todas, e acabem-se com estas meias tintas e pseudo-humilhações públicas.

 

Bem, no próximo fim de semana é a sério. Numa semana é capaz de não se alterar muita coisa, mas pode mudar alguma coisa. Haja esperança.

 

         

   

Quem não tem Falcao, caça com Martinez?

03
Ago12

 

 

“Jackson Martinez foi contratado para ser ponta de lança, no habitual 4x3x3. O colombiano assumiu, no entanto, que nunca jogou sozinho na frente e que até costuma ser o avançado mais recuado do ataque. Apesar disso, não vê problemas na adaptação. “Posso habituar-me a jogar assim, mas durante toda a minha carreira joguei sempre com outro avançado. Nunca estive sozinho na frente. Fui quase sempre segundo avançado da equipa, e jogava um pouco mais recuado, porque dessa forma podia combinar com o meu companheiro de ataque. Gosto de jogar em apoio, mas, mesmo assim, acredito que me posso adaptar a esta nova forma de jogar, até porque vou ter ao meu lado grandes jogadores”.

 

(entrevista de Jackson Martinez a’”O Jogo”, sacada, com a devida vénia, do FC Porto para sempre)

 

 

“Os Jaguares, pelo que percebi, joga(va)m muito na contra-ofensiva, ou em transições rápidas, como preferirem, e em 4x4x2, aparecendo o Jackson muitas vezes mais recuado, alternando de posição com o outro avançado, outro colombiano de nome Rey.

 

Nos livres e nos cantos então, é vê-lo sair da zona do agrião, e vir para trás na expectativa de algum ressalto”.

 

(eu próprio, aqui mesmo, recentemente)

 

Na altura, acrescentei também, que:

 

“Por aquilo que vi, que como calcularão, não foi muito, posso estar enganado, mas se estão à espera de um ponta-de-lança “à Falcao”, desenganem-se.

 

O nosso novo rapaz joga bem com os pés (não me perguntem qual deles o melhor, porque não me lembro!), e com a cabeça, contudo, não é homem para ficar na área.

 

(…)

 

Como disse, gostei do que vi com os pés, e em particular de alguns golos de cabeça. É brigão, e recupera bolas. Contem com ele para a tal pressão alta. Vamos ver como é que se adapta à nossa equipa, e se está ponta solta ficará resolvida”.

 

 

Calculo que o nosso scouting, com bases muito mais fidedignas para isso e horas de observações, tenha chegado às mesmíssimas conclusões que moi même.

 

A não ser assim, como compreender termos andado quase meio ano a catrapiscar e acabarmos por desembolsar quase 9 milhões de euros, por um jogador que nunca jogou, como o próprio admite, num estilo de jogo que se assemelhe ao nosso?

 

Acho muito interessante, romântica mesmo, esta ideia de ter todas as equipas, de todos os escalões do clube, a empregarem o mesmo modelo de jogo.

 

Interessante e romântica para clubes como o Ajax, que não sei se terá uma Visão 611, ou outra qualquer, e vai buscar jogadores de várias proveniências, ainda em tenra idade, para os enquadrar naquele que é o seu padrão de jogo.

 

Não é exactamente o nosso caso, em que a visão, ainda que agora com a equipa B, é cada vez mais uma miragem.

 

É claro que um jogador que chega a uma equipa rotinada num determinado modelo de jogo, se quiser jogar, tem mais é que se adaptar, e ponto final. Se tiver qualidade para isso, certamente não terá problemas.

 

E acredito que assim venha a ser com o Jackson Martinez, porque, como disse, daquilo que vi, joga bem com os pés e sabe cabecear. Mas não vai jogar sozinho, e terá de se encaixar na equipa.

 

Se o tempo necessário para a adaptação, era um dos argumentos que vi ser utilizado para justificar a não contratação de um ponta-de-lança em Janeiro último, então, mais vale não nos precipitarmos, se as coisas não correrem pelo melhor logo às primeiras tentativas.

 

Além disso, em caso de necessidade extrema, uma alternativa Martínez-Janko, parece-me bem mais apetecível, que uma dupla impensável Kléber-Janko, por exemplo...

 

 

Santa Clara(mente) falando

30
Jul12

Ultimamente, não tenho tido muito tempo para ver futebol, propriamente dito, quanto mais para escrever sobre o assunto.

 

Aliás, se leram os últimos textos, terão certamente reparado que tentei fugir do tema, tanto quanto possível.

 

Pudera. Das seis partidas que vão jogadas na nossa pré-época, apenas consegui seguir o jogo contra o Santa Clara. Dos outros, apenas o que foi aparecendo nos resumos, e os golos. E alguns deles, que golos! Impressionantes os do Maicon, pela raridade, e brilhante o do Iturbe.

 

Portanto, tudo aquilo que se segue tem por base, fundamentalmente, o que consegui observar no jogo contra os açorianos.

 

 

 

Naquele (re)encontro de cunhados, a pretexto do Troféu Pauleta, o que mais me surpreendeu pela positiva foi a consistência revelada pela nossa equipa, principalmente do ponto de vista defensivo.

 

Digo isto porque, a bem dizer, levamos quase uma pré-época inteira com as faixas laterais da defesa ocupadas por duas adaptações, o que poderia propiciar algum desconforto. Mas não.

 

É bem certo que os adversários foram o que foram, e que são apenas treinos, como disse o Mourinho, depois de levar cinco. Mas ainda assim, até Valência, foram cinco jogos e cinco vitórias, sem sofrer golos. Noutros sítios, seria o título da Liga, da Taça da dita cuja, e da Champions, já ali ao virar da esquina!

 

Contra os insulares, gostei de ver o Fabiano. Pareceu-me, quando o vi jogar em Olhão, e continua a aparentar ser um muito razoável guarda-redes. Até talvez demasiado bom, e principalmente, demasiado jovem, para ficar uma época inteira à sombra do Helton.

 

O puto Kadú entrou nesse jogo, e fez logo uma defesa para a fotografia. Na baliza parece-me que estamos bem servidos se ficarmos com o Helton, o Bracalli, para o que der e vier, e o miúdo ou outro da equipa B à espreita.

 

Na lateral-direita não me agrada ver o Djalma. Lá porque o Coentrão deu resultado, até parece que agora têm de nascer debaixo das pedras extremos que dêem bons defesas.

 

O Djalma não é suficientemente forte defensivamente, o que, se a outra equipa alinhar com três avançados exige uma atenção redobrada ao médio que cai para aquele lado, ou do trinco. Num meio-campo com o Lucho Gonzalez, talvez seja uma sobrecarga excessiva para os outros dois elementos.

 

O regresso do Miguel Lopes em Valência, leva a crer que será a alternativa mais fiável ao Danilo. A parte chata é que, também o Miguel Lopes, a defender não é aquilo a que possa chamar um primor de segurança. O golo do Valência, apontado na pequena—área ou lá por perto, pareceu-me resultar de uma falha de marcação sua.

 

Os centrais estão encontrados. O Otamendi e o Maicon são, sem dúvida os esteios daquele sector. O Rolando, quanto a mim, pode ir fazendo as malas, ou preparar-se para passar muito tempo sentado, e o Mangala, terá que ter paciência, mas será sempre a terceira opção.   

 

Para quarto central, ao contrário de muitas opiniões, ficaria com o Sereno. Gostei de o ver contra o Santa Clara, nos poucos minutos que fez a posição ao lado do Rolando. No entanto nem é tanto por aí.

 

É mais pela preocupação em relação à lateral-esquerda, quem possa lá jogar, e pela possibilidade de, numa emergência, o Sereno poder fazer o lugar.

 

Aí a coisa afigura-se mais complicada que do outro lado. Partindo do princípio que o Álvaro Pereira será descartável, restam o Alex Sandro, o Emídio Rafael e o David Addy.

 

Pelo que até à data, deu para ver do Alex Sandro, deixá-lo sem concorrência poderá constituir meio-caminho andado para que baixe a guarda. Conviria ter alguém a espicaçá-lo, que, admito, não será o Sereno, como também não serão o David Addy ou o Emídio Rafael, este caso recupere.  

 

O David Addy, por muito bom rapaz que possa ser, sinceramente, não acho que chegue para ficar no Dragão. Equipa B? Será que aceita?

 

No meio-campo, gostei de ver o Fernando. É raro não gostar. Esteve mais participativo, e a transportar com frequência a bola, naquilo a que agora chamam a primeira fase ou primeiro momento de construção do ataque.

 

Ou por outras palavras, aqueles três primeiros passos que dá com a bola dominada, na direcção do meio-terreno contrário, para depois servi-la a um dos outros médios, ou enviá-la em passe vertical para o ponta-de-lança de serviço, evitando que o ataque principie num chuto para a frente do Maicon.

 

Continua a preocupar-me que ainda não tenhamos um suplente à altura para este rapaz.

 

Quanto aos outros dois, o grande problema do Defour, é o mesmo de quase todos os médios deste Mundo, excepto um: não é o João Moutinho.

 

No mais, é um jogador de equipa. Não é uma primeira figura, para isso está lá o Lucho Gonzalez, mas também, nunca o vi ser dos piores em campo. Quando as coisas correm mal à equipa, não é ele que irá certamente levá-la às costas, quando saem bem, integra-se e é capaz de fazer umas coisas interessantes.

 

Do Lucho, todos sabemos que não regressou tanto pelo que possa jogar, mas pelo que faz jogar, e pela capacidade de impor a sua voz de comando, dentro e fora do relvado. Ainda assim, esperam-se sempre uns bons sessenta minutos em cada jogo.

 

Desde que a partida se resolva nesse período, tudo bem, se não, quais são as alternativas?

 

No meio-campo da época passada, seria o Defour. Para já, temos o Castro, ou o tal duplo pivot, que também foi ensaiado contra o Santa Clara, com o Kelvin para diante, à frente do João Moutinho e do referido Castro.

 

Admitindo-se, neste caso, a hipótese do Danilo jogar numa das duas posições mais recuadas do triângulo, e mesmo ficando o Castro por cá, ainda é curto.

 

No ataque, temos gente e temos qualidade. No entanto, sendo a manutenção do Hulk a única dúvida, em caso de saída, o que há, como diria a minha Avó, tem avonde para consumo interno, para a Champions, tenho dúvidas.

 

Dos novos, o Atsu não é para mim novidade. Está a encher-me as medidas e confirmar as minhas expectativas.

 

 

Sobre o Kelvin, tenho lido e ouvido muita coisa. Que é “brinca na areia”, que tem talento, mas não tem maturidade competitiva suficiente, que se desinteressa dos lances, que lhe falta garra, que deveria rodar emprestado mais uma temporada, ou ir para a B.

 

Todas elas visões a considerar, sem dúvida, e por incrível e muito pouco coerente que pareça, até concordo com quase todas elas, excepto a parte do ser emprestado ou ir para a B.

 

Na minha opinião, mais do que o talento, o Kelvin tem uma boa percepção do terreno de jogo, do seu posicionamento no dito, e do dos colegas. Depois, tem, de facto, a tal componente técnica de “brinca na areia”, que lhe permite fabricar passes açucarados, como na triangulação Atsu-Kelvin-Castro, do terceiro golo contra o Santa Clara.

 

Por mim, depois daquela jogada, ficavam os três na equipa principal. E é aí que me parece o lugar, também do Kelvin.

 

Passo a explicar. Se em Vila do Conde, com todos os defeitos que lhe apontam, fez vinte e sete jogos, será que sendo novamente emprestado ou indo para a equipa B, não acontecerá o mesmo?

 

Ou seja, dada a sua qualidade, o puto vedeta, por muitos erros que cometa, o mais provável é que continue a jogar, e dificilmente se corrigirá.

 

Não seria preferível, digo eu, mantê-lo no plantel principal, fazê-lo crer que tem mesmo hipóteses de entrar no onze, dar-lhe um cheirinho, fazendo-o entrar de vez em quando, para que compreenda que está nas suas mãos, desde que se esforce, e quando não o fizer…ala, uns joguitos de castigo no banco!

 

Dá-me ideia que seria a melhor forma de o fazer crescer como jogador. Mas não queiram fazer dele um extremo, porque ainda é menos extremo que o James, e por outro lado, é mais matreiro e tecnicista do que este. Se se coloca a hipótese de por o James a jogar atrás do avançado-centro, esse será o lugar natural do Kelvin.

 

Quanto aos restantes, sendo o Jackson Martinez para rever, restam uma dúvida e uma preocupação. Valerá a pena ficar com o Kléber e o Janko?

 

Começo a ter sérias dúvidas. O Kléber depois dos golos iniciais contra o Servette, um pouco à imagem da pré-época da temporada passada, tornou a desaparecer.

 

A manutenção dos três só se justificará, caso efectivamente, o Hulk parta, e como actulamente, para fazer face a alguma eventual lesão.

 

A preocupação é o Iturbe. Marcou um golo espectacular contra o Celta de Vigo, só que, no jogo dos Açores, por exemplo, não lhe vi um pingo de jogo colectivo.

 

Faz arrancadas com a bola colada ao pé, sim senhor, tem uma técnica apurada, mas, ao contrário do Kelvin, não lhe vi uma noção de jogo de equipa. Ânsia de se mostrar? Talvez.

 

Se não corrigir essa pecha, a ele sim seria de emprestar, tendo presente que esteve uma temporada quase sem jogar, e que apesar de se tratar de um jovem, tem algum cartel na América do Sul.

 

Seria um desperdício empresta-lo por cá ou coloca-lo na equipa B. Poderia rodar numa equipa sul-americana com algum potencial, para tentar regressar à sua selecção, e recuperar alguma da confiança que eventualmente, lhe falte. Ou então, num futebol competitivo, como o daqui ao lado, que o obrigue a soltar a bola, antes da sarrafada.

 

O Depor parece que está a receber jogadores emprestados de todo o lado, não estará interessado no Iturbe?

 

Entretanto, toda a gente quer o Moutinho. Ainda não acabou Julho, e já estou farto disto. Se não fossem as férias por gozar, não me importava que viesse Setembro duma vez por todas.


Nota: Uma nota para a alteração que o Santa Clara introduziu no emblema. Apesar da águia, está muito mais tragável.

 

Pontas soltas

16
Jul12

 

Ainda não espreitei o FC Porto nesta pré-época. Apesar das transmissões na SporTTv, o raio dos horários não dão para mais.

 

Tentei ver se haveria por aí, no online, alguma coisa, mas nada feito. Também, diga-se em abono da verdade, seria mesmo só para ver o FC Porto, e os novos equipamentos.

 

A bem dizer, jogadores novos, só o Jackson Martinez, e esse ainda não alinhou. Os outros, se retirarmos os miúdos, o David Bruno, o Pedro Moreira e o Mikel Agu, não são de todo desconhecidos.

 

Para mim, o que esta pré-época tem revelado são uma série de pontas soltas.

 

A ponta solta do avançado-centro, na qual andámos a enlear-nos ao longo de toda a época passada, parece ter ficado, até ver, resolvida.

 

Estava curioso sobre o Jackson Martínez (será Jackson ou será Martínez? Os dois nomes parece-me demais…), então resolvi ir além dos vídeos que por aí circularam, e dediquei uma meia horinha a procurar na net jogos dos tais Jaguares, da capital mexicana do crime, como lembrou o Miguel Sousa Tavares.

 

Conclui que, para além dos Jaguares terem perdido muitos jogos no Torneio Clausura (a liga mexicana parece ser como a argentina, subdividida em dois torneios: Abertura e Clausura), não há muito mais além dos resumos que incluem os golos. Alguns deles do nosso Martínez.

 

Por aquilo que vi, que como calcularão, não foi muito, posso estar enganado, mas se estão à espera de um ponta-de-lança “à Falcao”, desenganem-se.

 

O nosso novo rapaz joga bem com os pés (não me perguntem qual deles o melhor, porque não me lembro!), e com a cabeça, contudo, não é homem para ficar na área.

 

Os Jaguares, pelo que percebi, joga(va)m muito na contra-ofensiva, ou em transições rápidas, como preferirem, e em 4x4x2, aparecendo o Jackson muitas vezes mais recuado, alternando de posição com o outro avançado, outro colombiano de nome Rey.

 

Nos livres e nos cantos então, é vê-lo sair da zona do agrião, e vir para trás na expectativa de algum ressalto.

 

Como disse, gostei do que vi com os pés, e em particular de alguns golos de cabeça. É brigão, e recupera bolas. Contem com ele para a tal pressão alta. Vamos ver como é que se adapta à nossa equipa, e se está ponta solta ficará resolvida.

 

Uma ponta, que eu nem imaginava ainda estar solta, era a do Sapunaru. Depois do final da época passada, nunca me passou pela cabeça, salvo aquelas propostas mirabolantes que acontecem no futebol, ainda que quase sempre no mesmo papel para forrar fundos de gaiolas de periquitos.

 

Julgava eu que a questão estava arrumada, e que tínhamos Sapunaru, se não para titular, ao menos para compensar as eventuais ausências do Danilo. Nada disso. O romeno está mesmo de saída, ou já se foi, e nós, ao contrário do que se previa, ou não, estamos sem lateral-direito.

 

A não ser que fique o Miguel Lopes a fazer de Sapunaru. Cá por mim, nada a objectar. Ou será que o lugar está reservado para o Djalma?

 

O que mais me chateia nisto tudo, nem é a saída do Sapunaru, ou a do Fucile, diga-se. O que me desagrada é que esta saída revela que havia ali um ressentimento mal resolvido do nosso treinador em relação ao romeno.

 

Após as quezílias que ditaram aquela sua espécie de suspensão-que-não-o-foi-oficialmente, o tipo fez um final de época bastante satisfatório. O treinador utilizou-o quando fez falta, ou quando quis, e ele correspondeu. Se a situação não estava resolvida, porque é que não se limitou a despachá-lo?

 

Fazê-lo agora entristeceu-me. Parece uma mesquinhice, um traço de pequenez. Os problemas disciplinares ou se ultrapassam ou não, não se guardam rancores para depois.

 

Mais duas pontas soltas serão os destinos do Álvaro Pereira e do Rolando. Nem atam, nem desatam. Desconfio que nem um, nem outro, farão parte dos planos para a próxima temporada. Ao, menos assim o espero.

 

O Rolando aparenta ter mercado. Todos os dias é vendido, e todos os dias aparece nas listas de compras de não sei quantos clubes. É o AC Milan, é o Fenerbhaçe. Uma festa. Até oferecem em troca jogadores que outros terão tentado contratar em vão. No entanto…

 

Ao Álvaro Pereira, ninguém parece querer pegar. Onde é que andam os 22 milhões de dois defesos atrás?

 

São pontas ainda soltas.

 

A última ponta solta é o nosso meio-campo. Continua a sê-lo. Terminámos a temporada passada com quatro centro-campistas, e o cenário mantém-se.

 

Sim, temos o Castro, temos o Mikel Agu e o Pedro Moreira. E chega(rá)?

 

Não seria nada de novo, nem extraordinariamente surpreendente se chegássemos ao fim da pré-época, e o Castro fosse despachado. Quantas vezes isso já aconteceu?

 

Os outros dois rapazes que me perdoem, mas se o Castro não fica, então por maioria de razão, terão que aguardar pela sua chance.

 

Se alguém se lembra de insistir com o João Moutinho e o Fernando, como é que ficamos?

 

Se a ideia passar por inverter o triângulo do centro do terreno, para dar mais liberdade ao Lucho, o Danilo até poderá constituir uma boa alternativa. O próprio já disse que até prefere alinhar a meio-campo.

 

Porém, dificilmente poderá estar em simultâneo na lateral-direita e fazer o duplo pivot.

 

Parece-me curto. Mais curto que a defesa e o ataque, onde, por exemplo, até para uma hipotética saída do Hulk, com o que temos, não estamos mal apetrechados.

 

Silvestre Varela, James Rodriguez, Djalma, Atsu, Jackson Martínez, Janko, Kléber e, por mim, o Kelvin, pese embora a juventude de alguns deles, oferecem um naipe de alternativas interessantes.

 

Claro que nenhum deles substitui o Incrível, mas é incomparável com as soluções que temos para o meio-campo.

 

É bem certo que ainda estamos a quase um mês, do arranque oficial da temporada, mas não me importava nada de ver alguma proactividade neste capítulo.

 

Desagradam-me as pontas soltas. Ou se empeçam, ou é por onde as coisas se começam a desfiar…

 

FC Porto 2012/2013 – The Next Generation (Adenda)

18
Mai12

O texto anterior, "FC Porto 2012/2013 - The Next Generation", deu azo a um muito interessante comentário, por parte do Sérgio Bessa, um Portista da Caparica.

 

Comecei a responder com um comentário ao comentário, só que a coisa começou a ficar para o grandote. Então, resolvi transformá-la numa adenda ao dito texto, e simultaneamente uma resposta ao Sérgio Bessa.

 

Espero que não se importe, e desde já, agradeço pelo comentário que fez, que assim me permitiu, por exemplo, falar do Iturbe, de quem me havia esquecido. Cá vai.

 

 

Caro Sérgio Bessa,

 

Antes de mais, não há que pedir desculpas pela extensão do comentário. Da maneira como por aqui brotam os comentários, ainda não tinha sido atingida este mês a quota mensal. {#emotions_dlg.angel}

 

Quanto ao resto, vamos por partes, para eu (fundamentalmente) não me perder. Há aqueles jogadores que gostaria de ver pelas costas, não direi que a qualquer preço, mas quase, e esses são o Rolando e o Álvaro Pereira.

 

Os outros, se pudesse ficava com eles todos, mas em doses diferentes. O Otamendi, havendo uma boa, diria mesmo, excelente proposta, e substituto à altura, porque não? Para o Varela, quase o mesmo, mas o excelente até pode ser menos excelente. Em ambos os casos, só havendo ofertas reais, e não daquelas que são feitas através dos jornais.

 

Depois temos o Hulk e o Fernando. Por mim ficavam cá a o resto da carreira, só que…há que ser realista nestas coisas. Dado o comportamento de ambos, e embora o Givanildo tenha de certeza, mais mercado que o Polvo, surgindo a possibilidade, acho que merecem que não se lhes corte as pernas. Por muito que isso me (nos) custe.

 

O João Moutinho, acho que seria para ficar. Contudo, os ecos da Calimeroláxia aquando da sua transferência para o Dragão, a serem verdade, é claro, não deixam adivinhar nada de bom se ficar contrariado, não é? Aliás, isto aplica-se a todos, e é um dos motivos porque equaciono a possibilidade de tantas saídas: gajos contrariados, não, por favor! Nem por todo o dinheiro do Mundo.

 

A única excepção que abro a esta regra é para o James. Fica, e fica nem que o pintem de dourado. A não ser que batam o valor da cláusula de rescisão.

 

 

É verdade, esqueci-me do Iturbe. Ainda bem que alguém reparou. Para mim, porque é sinal que alguém se deu ao trabalho de ler o texto, e para o Iturbe, que a sua falta foi notada. Mal seria, para ele, se assim não fosse.

 

Vi jogar o Iturbe duas ou três vezes pela selecção argentina, e a opinião que tenho dele é a que formei desses jogos em que participou, um deles ainda por cima, em que só entrou na segunda parte.

 

Parece-me que constituiria uma alternativa válida ao Lucho, para fazer aqueles trinta minutos finais dos jogos, para os quais o El Comandante já não tem pedalada.

 

Vi-o sempre a entrar prioritariamente pela meia-esquerda, fazendo aquela posição a que chamavam nos tempos do 3x2x5, de “interior”, ao passo que o Lucho cai mais para a direita. Não me parece que isso seja problemático.

 

Ganhando alguma rodagem, talvez se adapte a jogar à linha, mas é, claramente, menos extremo que o James, por exemplo.
 
 

 

Quanto ao miúdo Kelvin, acredito que é capaz de surpreender muita gente, se tiver oportunidade para isso.

 

O Atsu é mais jogador, sem dúvida. O outro é mais “brinca na areia”, mas tem pelo na venta. É atrevido e não tem receio de ir para cima do adversário. Uma espécie de Quaresma em formação, mas ainda com um bastante razoável deficit de objectividade. Acho que esse, e eventualmente a componente física, ainda que essa valha o que vale, serão as suas lacunas.

 

A permanência entre a gente graúda, e acima de tudo no Dragão, para sentir o cheiro à casa, far-lhe-ia bem. Que mais não fosse até Janeiro.

 

Dito isto, as saídas que dou por adquiridas serão apenas as do Rolando e do Álvaro Pereira. As prováveis serão as do Hulk e do Fernando, mais do primeiro que do segundo.

 

Otamendi e Varela, se saírem, não vou chorar baba e ranho, e o João Moutinho (e outro qualquer, excepto o James), se for para ficar contrariado, prefiro que saia.

 

É isto, independentemente do dinheiro que possamos fazer com a venda, para além de algumas das joias da coroa, de mais uns quantos pesos (semi) mortos.

 

E siga p'ra Tri!


Nota: Estou curioso. O que será que os colegas do BiTri irão fazer quando conquistarmos o tri? Será que vão mudar de nome para TriTri? É que não basta parecer um grilo, soa um bocado abichanado, não soa? {#emotions_dlg.blink}

FC Porto 2012/2013 – The Next Generation

17
Mai12

 

Como disse aqui em textos anteriormente publicados, certa ou errada, é minha convicção, e pelo que me parece, de uma boa parte dos adeptos portistas, que, desta vez vamos chorar mais partidas, do que no final do defeso passado, em que, no que a jogadores toca, as saídas saldaram-se apenas pelas do Falcao (o apenas aqui, soa um tanto ou quanto descabido, mas enfim…) e do Ruben Micael.

 

Por muito que se queira amarrar por cá alguns dos rapazes que fazem parte do actual plantel, dentro daquela que tem sido a filosofia de gestão de activos da SAD, com a qual, digo já, concordo inteiramente (atenção! Concordo com a filosofia. Com a gestão, terei de admitir algumas divergências pontuais), é muito natural que venhamos a ver zarpar um povaréu de gente.

 

Deixo aqui, para quem quiser perder tempo, e lá para Agosto/Setembro voltar cá e chamar-me lunático, a minha antevisão do que vai ser o nosso plantel na próxima temporada.

 

Guarda-redes.

 

Aparentemente, depois de ultrapassada a questão das comissões do empresário, dissiparam-se as dúvidas quanto à continuidade do Helton.

 

Assim sendo, acho que deveriam rodar os emprestados, para que o Bracalli, que já tem 31 primaveras no bucho, não fique duas temporadas sem jogar, o que naquela idade, não seria muito aconselhável.

 

Logo, para a baliza teríamos o Helton, regressaria o Beto, e manter-se-ia no plantel principal o Kadú.

 

Defesa-lateral direito.

 

Em principio teremos três candidatos ao lugar: Sapunaru, Danilo e Miguel Lopes.

 

Mantendo-se o Vítor Pereira no comando da equipa, o Fucile é carta fora do baralho.

 

O Sapunaru, depois do começo de temporada atribulado, e do castigo, pseudo-castigo, emprateleiramento, ou lá o que foi, acabou a época ao seu melhor nível.

 

O Danilo vai estar no Jogos Olímpicos até meados de Agosto, e o Miguel Lopes vai passar, pelo menos, mais um mesito, de quinas ao peito.

 

Atentas estas duas presenças nas selecções nacionais, antevê-se algum atraso na integração nos trabalhos de pré-época.

 

Posto isto, se eventualmente, o Sapunaru tiver uma boa proposta, acho que não será de cortar as pernas ao rapaz, tendo em conta a antiguidade e os bons serviços prestados. Se não, para já, ou seja, até Janeiro, seria de ficar com os três, podendo o romeno compensar as dificuldades de arranque que os outros dois possam sentir.

 

Em Janeiro, consoante o rendimento dos dois elos mais fracos (Sapunaru e Miguel Lopes), seria de pensar em por um deles a rodar.

 

Com o Sapunaru e/ou o Miguel Lopes no banco de suplentes, há sempre a possibilidade de adiantar o Danilo para o meio-campo, quando a opção táctica passar pelo duplo pivot.

 

Defesas-centrais.

 

É para mim dado adquirido que o Rolando está de partida. Quer o próprio queira, quer não.

 

Ficam assim o Maicon, o Otamendi e o Mangala. O Maicon, dos três, depois da temporada que fez, é sem sombra de dúvida, o mais fiável. Por nossa sorte, parece que não despertou ainda grandes atenções, e até renovou contrato recentemente. Com 23 anos, tem tempo para pensar noutros voos.

    

O Otamendi fez parte, juntamente com o Cristían Rodriguez e o Álvaro Pereira, do trio que se portou mal após a derrota em Barcelos. A sua saída foi falada, e logo para o Real Madrid, para o lugar do Ricardo Carvalho.

 

Inclusivamente, falou-se numa hipótese de troca-por-troca. A consumar-se, poderia ser uma boa alternativa. Isto caso o Ricardo Carvalho que regresse a casa, volte para ser mais um na equipa, no campo ou no banco, e não a prima dona, que abandonou a Selecção.

 

Não se verificando esta troca, ou a saída do Otamendi, ficaríamos com três elementos para o centro da defesa: ele, o Maicon e o Mangala, sendo que, quanto a este último, não deverão existir grandes dúvidas.

 

O quarto lugar que reservaria no plantel para um defesa-central, antes de o dar, por exemplo, ao Abdoulaye, ou a um dos Pintos (Ivo ou André), fazia regressar à base o Sereno, mais experiente, e com possibilidades de ser utilizado na faixa esquerda.

 

Defesa-lateral esquerdo.

 

Dou por líquida a saída do Álvaro Pereira, e restam-nos o Alex Sandro, a incógnita do Emídio Rafael e o David Addy.

 

A titularidade, em princípio, será para o Alex Sandro, que também vai estar e Londres, nos Jogos Olímpicos. Para fazer-lhe concorrência, como disse acima, preferia o Sereno. Se o Maicon fez boa parte da época a lateral-direito, o Sereno não poderá fazer uma perninha no outro lado?

 

Trinco.

 

Para mim, é a posição mais complicada. Custa-me a acreditar que o Fernando fique connosco. Não se ouve grande coisa, mas não me parece que ande por aí toda a gente distraída, e não nascem de baixo das pedras trincos como ele.

 

A alternativa melhor sucedida ao longo da época que passou, para suprir as suas ausências, foi o recente duplo pivot, com o Defour e o João Moutinho.

 

Mantem-se uma hipótese a considerar, a que se soma a possibilidade de utilização do Danilo numa dessas duas posições.

 

No entanto, chamem-me conservador, mas saindo o Fernando, acho que um trinco de qualidade, seria uma das nossas mais prementes necessidades. Sem querer parecer um exagerado, não seria de mais ir buscar também um back up, pois o miúdo Mikel, está demasiado verde para ser alternativa.

 

O Guarín, finalmente, bazou, e acho que ficou por demais demonstrado que, a darem-se os seus regressos, não vale a pena pensar num Souza ou num Castro, para o lugar.

 

Meio-campo.

 

A grande dúvida para as restantes duas posições no centro do terreno, prende-se, quanto a mim, com a continuidade do João Moutinho.

 

O João vai fazer 26 anos. Está feliz no FC Porto, diz ele, mas...

 

Independentemente do que vem naquela coisa que linkei, é natural que sinta vontade de experimentar outras paragens, outros campeonatos. Se for de facto, como alguns querem fazer crer, um dos fétiches do Villas Boas, aumentam as probabilidades da sua saída.

 

Certos, certos, estarão o Lucho e o Defour. Para compor o ramalhete, faria regressar o Souza e o Castro, sem dúvida. A última hipótese para cada um deles. Se não for desta, não é mais.

 

Mas ainda assim, saindo o Moutinho, teria necessariamente de entrar mais alguém. E não estou a pensar no Belluschi, obviamente! Para ele, um negócio como o do Guarín, é que era.

 

Extremos.

 

Incluo aqui o Hulk, só para excluí-lo imediatamente, porque desconfio que, se alguém bater com um valor acima dos 60 milhões, com cláusula de 100 milhões ou não, estará de partida, aproveitando as malas que já aviou.

 

O James é outra dúvida. Provavelmente, influenciado pelo compadre Guarín, estará cheio de vontadinha de se por na alheta. Se não o deixarem, será com certeza, a próxima novela colombiana que vamos ter de aturar.

 

Cá por mim, ficava cá. Contrariado ou não, jogando ou não. É novo, e se tiver de ficar um ano a pensar na vida, o único prejuízo será a valorização que se perde.

 

O Varela, é mais um ponto de interrogação. A sua quebra de rendimento tem algo de inexplicável. Pode ser que consiga aparecer no Europeu, e se assim for, há esperança. De contrário, oxalá repita mais vezes a exibição que fez frente ao Rio Ave, e que não se guarde para o último jogo da época, quando tudo estiver já decidido.

 

Portanto, como extremos, garantido, garantido, teríamos então…o Djalma. Convenhamos, é curto.

 

Para além dos regressos do Atsu e do Kelvin, que me parecem imprescindíveis, nem que seja para um deles ou os dois, serem dispensados em Janeiro, caso não resultem, seria de recrutar mais um flanqueador daqueles capazes de trocar os olhos às defensivas contrárias, e de dar nós nos rins dos Briguéis desta vida.

 

Apesar de que, de todos os extremos que temos actualmente sob contrato, o Kelvin me parecer o único capaz de centrar para um ponta-de-lança que jogue de cabeça. Mas isso vem a seguir.

 

Ponta-de-lança.

 

Com Janko e Kléber, e sem Hulk, será de voltar a insistir na questão do ponta-de-lança. Ficar dependentes do clique que se espera do Kléber, ou que o Janko produza algo mais, começando a trabalhar com a equipa logo à partida, poderá ser arriscado.

 

Que venha de lá o tal ponta-de-lança. Ou que o Atlético devolva o Falcao!

 

 

 

 

 

Resumindo e embaralhando, de saída, garantidamente, estarão o Rolando, o Álvaro Pereira e o Hulk.

 

Saídas prováveis, fundamentalmente, por motivos de bom comportamento, teríamos o Fernando e o João Moutinho.

 

A partida do Varela, seria a que menos aqueceria ou arrefeceria, e o James, ficaria de castigo mais uma temporada.

 

No lado das entradas, gostava impreterivelmente de ver de azul e branco um trinco, um extremo e um ponta-de-lança, todos de qualidade acima da média.

 

Saindo o Otamendi, deveria entrar mais um defesa-central. Um trinco de sobra, admito que seria já entrar no domínio do luxo, mas pedir não custa.

 

Agora, nomes. Bem, quanto a isso, vou dedicar-me a ver o Euro, sem muitas esperanças, porque os que lá vão são caros p’ra chuchu, e os Jogos Olímpicos, onde é capaz de ainda haver alguma coisa a preço de saldo, e logo dou notícias…  

 


Nota: Saiu no Relvado um artigo sobre o desempenho dos jogadores emprestados pelos grande, mais grande e grande assim-assim. Se quiserem dar uma vista de olhos, aproveitem.

 

Nota2: Parece que contratámos o Fabiano, do Olhanense. Desculpem lá mas não vou actualizar o que escrevi, porque senão, não saio daqui nos próximos tempos.

Eu, descrente, me confesso – Segunda parte

15
Mai12
 

Ora então, agora que chegámos ao fim desta edição de 2011-2012 da Liga Zon Sagres, parece-me que será o momento oportuno para continuar a minha confissão de descrente.

 

O senhor que se segue, terá necessariamente que ser o nosso Vítor Pereira. Sobre ele já foi quase tudo dito, e muito sinceramente, revejo-me em muito do que escreveu Ricardo Costa, no Mística Azul e Branca.

 

Ao contrário, por exemplo, do André Villas Boas, o Vítor Pereira não me gerou à partida, um sentimento de desconfiança.

 

Como disse por alturas do início de Janeiro, entendi a sua promoção numa perspectiva de continuidade, em relação a uma época 100% vitoriosa, Taça da Liga à parte.

 

A manutenção da quase totalidade da equipa anterior, mais os reforços, aparentemente consistentes que entraram, tudo indiciavam nesse sentido. A perda, não suprida em devido tempo do Falcao, seria o único elemento dissonante nessa trajectória.

 

A época até nem começou muito mal. O FC Porto conquistou a Supertaça frente ao Vitória de Guimarães, finalista derrotado da Taça de Portugal da temporada transacta, e embora sem o brilhantismo de uma vitória frente a um candidato ao título, como em 2010-2011, fez o suficiente para triunfar e venceu.

 

Na Liga Zon Sagres entrámos em velocidade cruzeiro, com duas vitórias até à partida da Supertaça Europeia, contra o Barcelona. Este jogo, apesar da derrota e das duas expulsões, elevou as expectativas. A pressão alta e a posse de bola reveladas até ao primeiro golo, ainda que contra um Barça em regime de rotações de férias, deixavam boas indicações de resposta às necessidades caseiras.

 

Somaram-se também por vitórias os dois embates seguintes para a Liga, sendo que, contra o Vitória de Setúbal foram poupados de início o Hulk e o João Moutinho, a pensar no Shakhtar Donetsk. Acabariam por entrar na segunda parte, contribuindo para vencermos por 3-0.

 

Vieram então os ucranianos, e após a vitória por 2-1, o nosso treinador, maravilhado com a exibição do James nesse jogo, saiu-se com aquela observação, que marcou o início da minha desconfiança:

 

"Temos muitos jogadores de qualidade. O meu papel é não estragar o talento que tenho em mãos e deixá-los desfrutar do jogo e crescer como equipa, sem muitas amarras tácticas. Espero não estragar o talento que tenho em mãos"

 

Ainda que, em tese, não possa deixar de concordar com o que disse, não compreendi, até bastante mais tarde na temporada, a subserviência e a posição de subalternidade que manifestava em relação aos jogadores seus comandados.

 

Desagradam-me os treinadores que se colocam a si próprios em bicos de pés e esquecem-se da matéria-prima ao seu dispor, mas também, “quem muito se verga, o rego se lhe enxerga”.

 

Veio o empate com o Feirense, em Aveiro, onde o James, quiçá por força daquele elogio, resolveu a dada altura tomar nos ombros o peso da equipa (com o Guarín e o Belluschi a formarem o trio de meio-campo com o João Moutinho, também não restaria grande alternativa), desgastou-se até à medula, e acabou expulso.

 

A seguir foi o empate no Dragão, contra o segundo classificado, e aí sim, começaram a desilusão e o desmoronar do castelo de cartas.

 

Daí para diante, confesso que, muitas vezes, quase todas, deixei de entender o discurso e as opções, ambos erráticos do nosso mister. A perspectiva de continuidade em relação ao passado esfumou-se completamente com as dispensas de Janeiro e as contratações do Lucho e do Janko.

 

A eliminação contra o Manchester City, e a leitura que o nosso treinador fez desses dois jogos da eliminatória, mais do que os maus resultados contra o Apoel e o Zenit, ou da eliminação na Taça de Portugal, às mãos da Académica, deixaram-me de sobremaneira preocupado.

 

No entanto, até conseguimos dar a volta por cima, e entrar no Estádio da Lucy em primeiro lugar, ainda que em igualdade pontual com o nosso mais directo rival. A vitória nesse jogo animou as hostes, e pareceu revelar um novo Vítor Pereira. O que ficou por perceber foi se esse Vítor Pereira era fruto do desespero de causa, ou se era mesmo assim.

 

O empate com a Académica marcou o retorno à (a)normalidade, e começaram a formular-se algumas hipóteses, sem se chegar, porém, a uma conclusão definitiva. Contudo, considerei que o treinador deveria ir até ao final. Era tarde demais para o substituir.
 
 
 

A opinião que expressei na altura foi de que, nunca deveria ter sentado o traseiro naquela cadeira. Confesso agora, em jeito de mea culpa, e como fiz na primeira parte deste texto, em relação aos demais treinadores mencionados, que exagerei, e o título de campeão está aí para comprová-lo.

 

O Vítor Pereira pode não ser um mestre da táctica, pode fazer opções incompreensíveis para a grande parte dos mortais, pode ser uma nódoa na gestão dos recursos humanos ao seu dispor, e ser tão incapaz de motivar a equipa como o Primeiro-Ministro de convencer-nos da bondade do desemprego, mas é campeão.

 

Por si só, sozinho, sem ficar na sombra de quem quer que seja. E conseguiu chegar lá numa época em que, para além da teimosia da SAD e de alguns adeptos, poucas ajudas teve daqueles que, mais do que quaisquer outros, deveriam ter estado consigo. Esse é, sem sombra de dúvida o seu grande, grandiosíssimo mérito

 

É claro que, para aquilo que é o FC Porto, foi uma época frustrante, salva in extremis pela vitória na Liga, que, de objectivo prioritário à partida, se foi, passo a passo, convertendo em objectivo único. Para além da Supertaça Cândido de Oliveira, claro está.

 

Do ponto de vista daquela que é a filosofia de gestão da SAD, foi também um passo atrás. O falhanço rotundo em matéria de competições europeias prejudicou a valorização de activos, que com a excepção honrosa do Maicon, deixou bastante a desejar. Os jogadores “vendáveis”, ou mantiveram o seu valor de mercado, ou dificilmente as ofertas que por aí apareçam, atingirão montantes alvitrados, por exemplo, na temporada passada.

 

Ainda assim, a saída de jogadores como Rolando, Álvaro Pereira, Fernando, João Moutinho, Hulk ou James, é, nalguns casos inevitável, e noutros bastante provável.

 

No entanto, por aquilo que se viu, pouco acautelada foi sendo a transição para uma realidade em que, pelo menos alguns daqueles jogadores, especialmente do meio-campo para diante, não estejam presentes. Djalma, Iturbe, Atsu e Kelvin serão as apostas para a próxima época?

 

Enfim, como se viu, fomos campeões, por mérito próprio e demérito de outros, mas essencialmente porque, como (quase) sempre, fomos Porto, e sempre seremos.

 

Agora se me perguntarem: “E em 2012-2013, Vitor Pereira, sim ou não?”

 

Ao contrário do que se diz no Mística Azul e Branca e noutros sítios, direi, correndo o risco de plagiar alguém: “Vítor Pereira forever”!

 

Por aquilo quanto disse sobre o seu mérito, apesar dos pesares dos seus deméritos. Por todas as provações porque passou ao longo da última temporada, e que superou. Porque, agora, é campeão de facto.

 

E porque o arranque da próxima época vai ser extremamente complicado. Dependendo do número de saídas, haverá que recompor a equipa, integrar os que chegarem e gerir os egos dos que ficarem para trás. Ou seja, um processo ligeiramente diferente daquele que concluiu, e um novo momento de aprendizagem.

 

Para além disso, há que ter em conta que no clube que perdeu o sprint final para o título, os tempos são conturbados e irá decorrer em Outubro uma espécie de processo eleitoral.

 

A estrutura vai manter-se, e para já, não se ouve falar em grandes ofertas ou saídas de jogadores (para além do Eduardo, que nem é titular). Adivinha-se por isso, uma aposta forte no início da próxima temporada para segurar o treinador e serenar os ânimos até ao sufrágio.

 

Por tudo isto, vale o que vale, e é muito pouco, mas o Vítor Pereira é sem margem para dúvidas, o meu treinador para 2012-2013.