Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Moralistas de pechisbeque

Aqui há dias ficou-se a saber que o Luiz Suarez, do Liverpool, foi punido pela FA inglesa com oito jogos de castigo, por ter alegadamente ter dirigido insultos racistas ao Evra, do Manchester Utd.

 

Nada que não se tenha visto já por estas bandas. Os insultos, isto é. Porque de castigos, nem vê-los. Será que no caso cá da santa terrinha chegou a ser aberto inquérito? Sinceramente, não sei.

 

 

 

Se tivermos em conta a rápida intervenção da maior figura de todos os tempos do pontapé na bola pátrio, que veio rotular de estúpida a pretensa vítima, é provável que não. Afinal, também a ele, nos idos dos anos 60 e 70, apodaram de “preto”, e ele nunca se queixou, pois se é isso mesmo que ele é!

 

É claro que os anos 60 e 70 foram no século passado, mas pronto, tendo jogado e tomando as dores da equipa por quem toma, é natural que se encontre algures capturado numa cápsula temporal retida naqueles tempos.

 

Estranhamente tranquila ficou a chusma de moralistas anglicistas, que aqui à coisa de uns dois anos, aquando do castigo ao Hulk e ao Sapunaru, queriam inclusivamente, que o clube se precipitasse à decisão do Conselho de Disciplina da Liga, e punisse por sua conta os jogadores.

 

Como exemplo apontavam o Manchester Utd., que castigou exemplarmente o Eric Cantona, quando este, à saída do relvado, agrediu selvaticamente a pontapé de kung fu, um adepto que se encontrava na bancada.

 

 

Claro está que se esqueceram de um pormenor de somenos. A situação do Cantona, presenciada e evidente para todos, ocorreu como consequência de algo, que infelizmente, tal como acontecia quando chamavam “preto” ao Eusébio há 50 anos atrás, é usual nos estádios. Invectivar jogadores das equipas adversárias e árbitros, quando não os próprios atletas da equipa por quem se torce, é algo de corriqueiro. Que o diga o Prof. Doutor Rei da Chuinga aquando da sua passagem por Faro!

 

A reacção do Cantona não. Não tem nada de usual, e foi punida como tal.

 

Nos casos do Hulk e do Sapunaru, o próprio Acórdão do Conselho de Disciplina assume com factor atenuante para as penas aplicadas, o clima de provocação latente no túnel em causa, e que terá despoletado a situação. O próprio relatório da PSP, veio recentemente confirmar essa versão dos factos.

 

Será normal a existência deste tipo de clima num túnel de acesso aos balneários? Pois foi essa pergunta que ficou sem resposta. Ou melhor, teve-a ainda que indirectamente, na redução das penas aplicadas.

 

Depois deu-se o caso da garrafa de água atirada pelo Guerrero, do Hamburgo, à cabeça de um adepto da própria equipa que o insultara. Valeu-lhe cinco jogos de castigo.

 

Lá vieram novamente os moralistas à carga, comparando os castigos dos jogadores do FC Porto, com os que se aplicam nos países a sério.

 

De caminho aconteceu a cena do Luisão e o isqueiro. Mas essa, mais depressa do que o diabo esfrega o olho, foi prontamente desmontada.

 

Para esses moralistas, estava mantida a honra, que claro está, nem as agressões do mesmo Luisão, no jogo para a Taça da Liga, contra o Nacional da Madeira, e do Javi Garcia, na partida contra o Vitória de Guimarães para a Liga, macularam.

 

E se estes moralistas de pechisbeque se vissem ao espelho? Mais vale acarditar no Pai Natal!

música: Cuidado com as imitações - Sérgio Godinho
sinto-me:
publicado por Alex F às 18:30
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