Terça-feira, 20 de Março de 2012

Corruptos e corruptores – Subsídios para um português que se quer escorreito (ou “Quando for grande quero ser como a Dr.ª Edite Estrela”)

 

Apercebi-me recentemente, muito por força da azia que a nossa vitória de há duas semanas no estádio onde vamos jogar hoje, terá provocado, que os adeptos do clube derrotado insistem e continuam a mimosear-nos com o carinhoso epiteto de “corruptos” e a (des)tratar o nosso clube denominando-o de “Futebol Corrupto do Porto”.

 

Vindo de onde vem, não é algo que me afecte grandemente, e não é por isso que me dediquei a escrever este texto.

 

Num País onde, pese embora todas as Novas Oportunidades, a iliteracia grassa quase omnipresente, é nosso dever cívico, enquanto cidadãos de corpo inteiro, contribuir, sem pretensões ou superioridades, para minorar esse flagelo junto dos nossos concidadãos, que por tanto se mostrem interessados. Os que não estão interessados, passem bem.

 

É pois, imbuído deste espírito, que passo ao seguinte esclarecimento de conceitos, com a inestimével ajuda do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa:

 

Corrupto (adj.) – 1. Que sofreu corrupção; 2. Adulterado, viciado; 3. Desmoralizado, devasso; 4. Prevaricador, venal; 5 . Errado (falando-se de linguagem).

 

Corruptor (adj. s. m.) – 1. Que ou o que corrompe; 2. Que instiga à corrupção, ao suborno.

 

Assim sendo, ainda que para mim resulte em quase imperscrutável o, certamente tortuoso, a existir algum, processo mental por intermédio do qual os adeptos daquele clube concluem sermos “corruptos” e o nosso clube o “Futebol Corrupto do Porto”, presumo que se filiarão nos famosos casos dos “Apitos”, o “Dourado” e o “Final”.

 

Nem me vou dar ao trabalho de enunciar a quantidade de vezes em que as mais variadas instâncias judiciais e desportivas deitaram por terra as teses por eles sustentadas, e deram por finalmente mortos e enterrados processos em estado moribundo, ressuscitados pela híper-mega-task-force da Procuradora-Geral Adjunta Maria José Morgado.

 

O YouTube revela índices de credibilidade bem mais elevados que todas aquelas instâncias juntas. Os tribunais só acertam, conforme se queixa o próprio, quando o arguido em causa dá pelo nome de João Vale e Azevedo, ultimamente tão na berra.

 

Como álibi para a terminologia empregue refugiam-se, conjecturo apenas, porque a psiquiatria não é o meu forte, no facto de o Futebol Clube do Porto, nunca haver interposto recurso da decisão da Federação Portuguesa de Futebol, que lhe retirou seis dos pontos conquistados ao longo da temporada 2007/2008. Os tais seis pontos, que não voltam mais.

 

Há muitos portistas que ainda caminham desconfortavelmente com essa pedra no sapato. Compreendo-os. É uma mácula que ficou impregnada nas faixas daquele título, o clube, ao contrário do que fez o seu presidente, não ter contestado a acusação que sobre si impendia.

 

Na altura, confesso que também assim pensei. Mas depois, acordei para a realidade do ardil urdido pela corja fomentadora daquele processo, e, sinceramente, neste momento, nem me aquece, nem me arrefece.

 

Na altura, recordo-me que havia duas linhas de argumentação que defendiam a não interposição do recurso.

Uma, sustentava que um eventual recurso poria em causa a homologação do campeonato, e, consequentemente, a inscrição do clube nas provas da UEFA da época subsequente.

 

A outra, que um recurso, a acontecer, protelaria uma qualquer decisão para a época seguinte, e por conseguinte, a produção dos seus efeitos. Ou seja, em vez de terminar a temporada de 2007/2008, com uns míseros catorze pontos de vantagem para o segundo classificado, arriscávamo-nos a iniciar a época seguinte com menos seis pontos, ou a perdê-los, no decurso da mesma.

 

Não sei qual das duas, se alguma, será verídica. A mim parece-me mais verosímil a segunda. Tendo este pressuposto em consideração, é compreensível a opção estratégica do clube.

 

E sei que, tal como eu a compreendo, muitos daqueles que se destacam da mole ignara de apaniguados daquele clube, também entendem perfeitamente a opção tomada. Contudo, perante a impotência, perante a humilhação das derrotas sofridas, no campo e fora dele, fazem daquela arma de arremesso o paliativo de recurso.

 

Pois bem, tenho uma má notícia para lhes dar. Estão redondamente equivocados. Para já, a ter sido em alguma instância, daquelas que valem, e não no YouTube ou na …ica TV, condenado o Futebol Clube do Porto, nunca seria “corrupto”. Quanto muito, nessa hipótese, admitida apenas com intuito didáctico, seria “corruptor”.

 

Ou seja, aquele que corrompe, e não o que é corrompido. Portanto, do primeiro erro voluntário, vira-se a página e entramos na confusão, também voluntária para alguns, nem tanto, para outros, na aplicação dos conceitos.

 

Se o Futebol Clube do Porto corrompesse, então teria, em princípio de existir um corrompido. Digo “em princípio”, porque não são virgens na justiça e na política portuguesas as situações em que, havendo “corruptores”, não há “corrompidos”.
 
 
 

Como curiosidade adicional, refira-se que no primeiro daqueles casos, em que, no Tribunal da Boa Hora, numa sala de audiências eram condenados os corruptores, figuras gratas caídas em desgraça do Partido Socialista, e noutra sala era absolvido o presumível corrupto, a equipa do Ministério Público encarregue da acusação, que na altura, ao que consta, não era híper-mega, nem sequer task force, incluía nas suas fileiras a atrás mencionada Maria José Morgado, Procuradora-Geral Adjunta.

 

Ora, se, como se arrogam, são seis milhões os adeptos do nosso adversário de hoje, e apenas um milhão e trezentos mil do nosso lado. Se, como é sobejamente sabido, e em muitos casos, perante declarações públicas de amor serôdio, a maior parte dos árbitros actualmente em funções são também, digamos, “simpatizantes” do dito clube.

 

Se, ainda há não muito tempo, até no Conselho de Ministros a maioria era pelas suas cores, então, parece-me a mim, que a probabilidade estatística de que os “corruptos”, afinal estejam noutro lado, será…hmm, hmm, é fazer as contas, bastante elevada.

 

A não ser que, numa hipótese desprovida de grande sentido, a quase totalidade da magistratura nacional e demais vendidos/comprados esteja incluída no tal mísero milhão e trezentos mil.

 

Pois é meus caros. Lamento muito informá-los, mas laboram em erro. Os “corruptos” estão quase de certeza do vosso lado. É entre vós que, a haver alguma réstia de corrupção, poderão procurar os corruptos.

 

Por isso, lanço-lhes daqui um apelo: caso mais logo o jogo não lhes corra de feição, deixem-se de tangas, e enfrentem a realidade. Ou então, não o façam, como sempre. Garanto-vos que será, com certeza, para o lado que vou dormir melhor…
sinto-me:
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