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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Business, as usual…

24
Jul12

No mês passado, escrevi aqui um texto, intitulado "Comichões e comissões", onde, a propósito das contas dos três grandes divulgadas por volta dessa altura, tentei transmitir os motivos porque permanecia tranquilo em relação ao nosso clube.

 

Disse então: “(…) bem vistas as coisas, uma instituição capaz de satisfazer os seus compromissos, e ainda gerar verbas na ordem dos 25 milhões de euros, para gastar em menos-valias, comissões e serviços de intermediação, não pode ser motivo de excessivas preocupações”.

 

Não vou agora virar o bico ao prego, e afirmar algo diferente. Contudo, quando escrevi aquele texto fi-lo, como diria um professor meu de Economia, na hipótese ceteris paribus, ou seja, crédulo de que todas as demais variáveis permaneceriam constantes.

 

O que não aconteceu, como se veio a verificar, nomeadamente com o caso da suspensão da FC Porto Basquetebol SAD.

 

 

Não, não vou aproveitar para surfar esta onda, só porque está a dar. Basquetebol foi o único desporto que pratiquei federado, nos escalões jovens, é certo, mas joguei.

 

Aprendi a gostar de basquete a ver jogadores como Tó Ferreira, Júlio Matos, Beto Van Zeller, Rui Pereira, Parente, Charuto, e outros tantos, que não tenho de cor, e se for pesquisar perde a piada.

 

Por isso, confesso que sinto algum pesar por esta situação, assim como me entristece que o voleibol, que também pratiquei, mas apenas nos torneios do INATEL, e onde a minha figura de referência era, claro está, o incontornável, Nélson Puga, também tenha sido banido do nosso clube.

 

E faz-me espécie, de facto, que não haja uma solução para a continuidade do basquetebol. É claro que, se me colocarem as coisas em termos de ultimato: “queres o basquete ou queres uma grande equipa de futebol?”, a minha opção irá sempre pela segunda.

 

Mas será que chegámos a esse ponto?

 

Há por vezes coisas que estão nos relatórios de contas, mas que não nos apercebemos delas. Por exemplo, até ao Encontro de Sábado passado, graças ao José Correia, nunca tinha dado conta de que, parte do “proveito das quotizações pagas pelos associados do FC Porto (…) são proveito da sociedade desportiva” (Relatório e Contas 2010-2011 – 1 de Julho de 2010 a 30 de Junho de 2011, pág. 10), correspondendo a uma percentagem que “baixou de 80% para 75%” (pág. 11 do ante citado Relatório).

 

Este proveito surge no Relatório (pág. 85) contabilizado sob a rúbrica “19. Prestação de serviços”, subrúbrica “Receitas desportivas”, que contém:

 

“(ii) o montante de 11.642.723 Euros (11.071.546 Euros em 30 de Junho de 2010) relativo a venda de bilhetes para jogos realizados no Estádio do Dragão e de lugares anuais, o qual inclui 3.071.499 Euros (3.648.333 Euros em 30 de Junho de 2010) relativos à proporção da Sociedade nas receitas do Futebol Clube do Porto com quotas dos seus associados”

 

Aqui, começam as minhas dúvidas. Porque é que uma verba, que é um “proveito das quotizações pagas pelos associados”, é depois classificada como “prestação de serviços” ou “receita desportiva”?

 

Resulta do protocolado entre o clube e a SAD? Lindamente. Mas porquê aquela classificação?

 

Decorre da dívida que o clube terá perante a SAD? Talvez.

 

De acordo com o “Relatório e Contas Consolidado – 1.º Semestre de 2011/2012” (pág. 51), a dívida não corrente do clube para com a SAD, ascendia em 31.12.2011, a 12.727.243 Euros.

 

Neste sentido, [o] Conselho de Administração da FCPorto, SAD em conjunto com a Direcção do Clube, definiu um plano de acções para reduzir progressivamente a dívida, tendo o mesmo sido contratualizado em 30 de Junho de 2011. Este plano de pagamentos pressupõe a dotação do Clube de capacidade financeira através de um conjunto de medidas de diferentes naturezas, das quais:

 

(…)

 

(ii) revisão da política de preços e redistribuição interna das receitas de quotização dos associados entre o Clube e a FCPorto, SAD;

 

(…)

 

O mencionado plano, que estima a realização daquele montante ao longo de quinze anos, até ao exercício 2025/26, considera o vencimento de juros a uma taxa Euribor a 6 meses, acrescida de um spread de 6%.

 

O plano de pagamento pressupõe a liquidação de prestações semestrais (capital e juros), com vencimento em 31 de Dezembro e 30 de Junho de cada ano, de montante crescente, vencendo-se no exercício de 2011/2012 o montante de 177.312 Euros de capital e 1.022.688 Euros de juros, à taxa acima indicada. A médio e longo prazo, o vencimento daquelas prestações pode ser resumido da seguinte forma:”

 

- 01.01.2013 a 31.12.2014 – 2.700.000 (720.164 – capital; 1.979.836 – juro)

- 01.01.2015 a 31.12.2018 – 6.090.671 (2.626.740 – capital; 3.463.931 – juro)

- 01.01.2019 a 30.06.2026 – 12.610.027 (9.380.339 – capital; 3.229.718 – juro)

 

Ou seja, para saldar uma dívida de 12.727.243 Euros, o clube irá arcar, até 30.06.2026, com o pagamento de 8.673.485 Euros de juros, elevando o montante global a pagar para 21.400.728 Euros.

 

Há qualquer coisa que não joga. Se a transferência daquela percentagem das quotizações tem, de facto, por objectivo solver este compromisso, e se o ritmo a que se processam aquelas transferências se mantiver mais ou menos constante, a dívida estaria saldada em quatro anos e qualquer coisa (12.727.243/3.071.499 = 4,14), mais os eventuais juros, vá lá, cinco/seis anos.

 

Prevê-se alguma quebra significativa na receita das quotizações de associados?

 

Convirá ter presente uma outra possibilidade. Em 31 de Dezembro de 2011, os capitais próprios individuais da Sociedade representavam menos de metade do capital social, caindo assim no âmbito do artigo 35.º do Código das Sociedades Comerciais (“Relatório e Contas Consolidado – 1.º Semestre de 2011/2012” (pág. 25) .

 

Perante este resultado, [o] Conselho de Administração da Sociedade considera que, em função dos resultados consequentemente positivos apresentados nos últimos cinco exercícios, das estimativas orçamentais à data para o fecho deste exercício económico, e da melhoria dos resultados económicos e financeiros que se perspetivam para os próximos exercícios, a estrutura de capitais da sociedade sairá naturalmente reforçada.

 

Ainda assim, e no pressuposto de mais rapidamente dar cumprimento a esta obrigação, o Conselho de Administração, poderá ainda convocar uma Assembleia Geral Extraordinária, para discussão e aprovação das propostas que vierem a ser apresentadas, as quais poderão passar pelas seguintes alternativas:

 

• Redução do capital social para montante não inferior ao capital próprio da sociedade;

 

• Realização pelos sócios de entradas para reforço da cobertura do capital; e

 

• A conjugação das duas alternativas”.

 

Sendo o clube detentor de 40% do capital da SAD, aquela verba poderia consubstanciar uma entrada do sócio, para reforço da cobertura do capital.

 

Esta possibilidade, porém, uma vez mais, colide com o tipo de classificação (“prestação de serviços”) utilizado, uma vez que, quanto a mim, deveria antes ser reflectida ao nível do capital social.

 

Vendo as coisas doutra forma, ou por outro lado, como se faz noutros sítios, que impacto tem uma verba de cerca de três milhões nas contas da SAD?

 

Se estas deram prejuízo, poderão concorrer para a sua atenuação, e favorecer o cumprimento do famigerado artigo 35.º.

 

Se, pelo contrário, como resulta do próprio Relatório e Contas do 1.º semestre, é o próprio Conselho de Administração a considerar que ”em função dos resultados consequentemente positivos apresentados nos últimos cinco exercícios, das estimativas orçamentais à data para o fecho deste exercício económico, e da melhoria dos resultados económicos e financeiros que se perspetivam para os próximos exercícios, a estrutura de capitais da sociedade sairá naturalmente reforçada”, o mais natural será haver lucro.

 

Assim sendo, os três milhões apenas irão incrementá-lo, aumentando o IRC a pagar ao estado, que tão carecido anda dele.

 

Bem, dito isto, retrocedo e torno a afirmar, se me colocam a questão em termos de a espada ou a parede, uma grande equipa de futebol, ou o basquetebol, ou qualquer outra modalidade de alta competição ou amadora, diga-se em abono da verdade, a minha escolha será sempre a mesma: o futebol.

 

No entanto, há uma questão que não consigo afastar da minha mente:

 

Uma Sociedade Anónima Desportiva capaz de satisfazer os seus compromissos, e ainda gerar verbas na ordem dos 25 milhões de euros, para gastar em menos-valias, comissões e serviços de intermediação”, necessita tão impreterivelmente de três milhões de euros, que não pode prescindir deles em prol da manutenção de uma modalidade como o basquetebol?

 


Nota: A pergunta não é retórica!

Faltou um bocadão assim (actualizado às 22:50)

24
Mai12
 

Há muito tempo que não assistia a um jogo de basquetebol, ainda que pela televisão, quase na sua totalidade.

 

Ontem fi-lo, e em má hora, pois pude presenciar duas situações que, quase de certeza absoluta, raramente se terão visto até à data, e que dificilmente se tornarão a presenciar.

 

A primeira, uma equipa marcar apenas quatro pontos, no decurso de um dos quartos da partida (no caso, o segundo), e todos eles de lance livre.

 

A outra, uma equipa que, com 17 segundos para jogar (no último quarto), e a possibilidade de passar para a frente no marcador, numa reposição de bola pela linha lateral, sobre a linha de meio-campo, entrega a bola ao adversário.

 

Infelizmente, as duas ocorreram do nosso lado. E perdemos o campeonato nacional.

 

Só tinha tido a oportunidade de espreitar um dos jogos da série final, o de sábado passado, em que também fomos derrotados (querem lá ver que sou eu, que sou pé frio!). O que então me pareceu, e escrevi-o num comentário que fiz num texto anterior, foi que tínhamos entrado “fraquinhos e sem grande chispa”.

 

Quanto mim, foi o que se tornou a ver ontem. Não tenho a menor dúvida de que, na cabeça dos jogadores, o pensamento estava na vitória. A forma como recuperaram de onze pontos de desvantagem, até quase virar o jogo, é elucidativa.

 

Mas faltou ali, sempre qualquer coisa. Faltou acerto, é verdade. Às vezes, uma pontinha de sorte, também. Mas, fundamentalmente, faltou garra, faltou a capacidade para reagir, ou melhor, capacidade para reagir à Porto.

 

Os jogadores até iam acertando umas coisas, desde que não fossem triplos, e o Stempin, que até foi eleito MVP, lances livres, desde que de um em um. Só que depois, tornavam a recair na mesma maldita letargia. Pareciam amorfos.

 

Durante o intervalo, mostraram o Rolando a dar autógrafos na bancada, e pensei: “É isso! É isso que estes tipos parecem: uma trupe de Rolandos”.

 

Foi um estado de amorfidão generalizado, em que o único que a dada altura, no início do último quarto, pareceu querer escapulir-se, foi o miúdo Diogo Correia.

 

Colocado, pelo que percebi, de forma não muito usual, a primeiro base, teve duas boas iniciativas. Vai daí, ensaiou um triplo em cima do relógio dos segundos, que falhou, e foi recambiado de novo para o banco.

 

Mais a frio, e tendo em conta aquilo que se ouvia por aí, sobre salários em atraso nas modalidades (basquetebol, andebol e hóquei em patins), será que isso teve algum peso na postura dos jogadores?

 

Depois de ler, no Dragão até à morte, a entrevista do treinador do andebol, Obradovic, e de observar o seu comportamento no banco, e em várias entrevistas em directo, parece-me evidente que, a sua desenvoltura para lidar com uma situação daquela natureza, será razoavelmente diferente da que, pelo que é dado a ver, terão o Moncho López, apesar de ser, sem dúvida, um grande treinador, ou o Tó Neves.

 

Tudo somado, a dúvida com que fiquei foi: estiveram ou são “fraquinhos, e sem grande chispa”?
 
 

 

Uma nota final para o que se terá passado a seguir ao jogo. Não vi. Desliguei a televisão antes.

 

No entanto, ainda no decorrer do jogo, viram-se objectos a caírem dentro do campo, o que, aparentemente, terá motivado a entrada da polícia. Para além disso, não vi mais nada.

 

Mas todos conhecemos o Carlos Lisboa, e assim sendo, sabemos do que é/foi capaz. De bom, infelizmente, e de mau…

 

Por isso, e no que a ele diz respeito, não andaremos muito longe da verdade se pensarmos como confessou um dia o ex-árbitro Carlos Valente:

 

“Decidi acertadamente, por intuição, uma situação de jogo estando de costas para o lance”.

 

(comentário retirado daqui)

 


Actualização (2012.05.24, às 22:50):

 

Carlos Lisboa, no seu melhor:

 

 
E o que é que o indíviduo em questão, tem a dizer sobre o assunto:
 
"As pessoas têm de saber encaixar quando ganham e quando perdem. Ganhámos, ficámos contentes, fomos melhores nos momentos decisivos dos jogos e mais competentes. Agora, essas coisas...não vi imagens nenhumas. Não vejo o canal do FC Porto, nem leio o "site". Festejei como é normal...esse gesto, se calhar, era a explicar um bloqueio, não sei"
 
Bem, parece-me que não é preciso dizer mais. É suficientemente elucidativo do que é o sujeito em questão, e até da azia que lhe vai na alma. De tal maneira que, no momento de saboriar a vitória, até se lembrou dos célebres bloqueios do seu colega de clube. Deve ser um critério de selecção e recrutamento lé para aquelas bandas...
 
Oa meus parabéns ao Nuno Marçal pela compustura e pela coragem de ir sozinho falar com um tipo destes, ainda para mais, estando ele rodeado pela sua pandilha. Foi uma pena ter-se portado como o Senhor que é, e não lhe ter aviado, ali logo, um valente paposeco!

 

O ovo no cú da galinha e a Taça na vitrina da Académica

22
Mai12

 

Seria hipócrita da minha parte se dissesse que a vitória do Sporting, na final da Taça de Portugal, me deixaria mais feliz que o triunfo da Académica.

 

E isso nem teria que ver com o facto de, vencendo, o Sporting nos alcançar em número de títulos da Taça de Portugal. Haverá de ser um dia de frio no Inferno, quando me preocupar que o número de títulos que tal equipa conquiste, se equipare aos nossos.

 

Também não foi pela mísera consolação de ver ganhar o clube que nos atirou pela borda fora da prova em questão.

 

Nada disso. Ou em parte até seria por este último motivo. Mas só porque seria assim, uma espécie de desforra particular em relação a algumas melancias, que quando fomos eliminados, se divertiram a gozar o prato.

 

Aos sportinguistas a sério, por esses, que conheço vários, e com os quais sinto uma réstia de empatia, sinto alguma pena de não terem conseguido o troféu, só para os ver felizes.

 

É engraçado como os estados de espírito de uns e outros, era bastante diferente antes do encontro iniciar. Para os melancias a vitória era um dado adquirido, quase um mero pró-forma. Os outros, a partir do momento em que foi nomeado o Paulo Baptista, recordaram a solidariedade do alentejano com o João “pode vir o João” Ferreira, e começaram a por travões à euforia.

 

No fim de contas, até parece que o Paulo Baptista não terá tido grande influência no desfecho da partida. Se, até como diz o Sá Socos, a derrota resultou de um “detalhe”…aos quatro minutos de jogo.

 

Para dizer a verdade, cada vez me agrada mais o Sá. A mim, e pelos vistos, aos sportinguistas e aos melancias.

 

A equipa perde. O homem vai à conferência de imprensa, diz umas quantas verdades incontornáveis, do tipo, “o Sporting não pode perder com a Académica de Coimbra de maneira nenhuma”, ou “não fomos o Sporting que temos sido, aquele que eu [me] orgulhava de liderar”. Enfim, coisas bonitas e que calam fundo junto dos adeptos do clube.

 

Ou então, coisas com uma profundidade de espírito espantosa, como [h]ouve alguma apatia no subconsciente, porque no consciente eles queriam ganhar”. A melanciada fica derretida, e aplaude.

 

Vem o próximo jogo. Nova derrota. Mais umas quantas tiradas ao nível das anteriores, e temos de novo a malta a aplaudir, de lágrima no canto do olho. Novo jogo, nova derrota, e mais umas quantas pérolas de inspiração. Sim, dá mesmo gosto ouvir este Sá Socos, em versão hari krishna.

 

Também foi interessante ver que, para além dos melancias, outros houve que bradavam: “Ó inclemência, ó martírio, que a Académica safou-se da descida na última jornada, e agora, pasme-se, até vai à Liga Europa, à pala do Sporting, está visto”.

 

Pois é. Os de Coimbra tinham lugar assegurado apenas pelo simples facto de defrontarem os leões na final da Taça. Na qualidade simbólica de derrotados, obviamente. Da mesma maneira que foram às competições europeias outros clubes, como o Leixões, e outros por certo, de que não me recordo.

 

Agora com a Académica, lembraram-se de ficar chocados. Pronto, assim já ficam descansadinhos. Desta feita, a Briosa vai lá na qualidade de titular do troféu. E, ao que parece, vai diretamente para a fase de grupos, enquanto o seu rival ainda vai para o play-off, ou lá o que é. Boa. É a velha estória de contar com o ovo no cú da galinha, e sair merda.

 

Consta que não é só no futebol que isto acontece. Como, de qualquer maneira, nunca conseguiria (tele)visionar em directo a quarta partida do play-off do campeonato nacional de basquetebol, quando soube do resultado (74-65, a nosso favor), fiz uma tentativa desesperada para a (re)ver em diferido.

 

Por falta de alternativa, tive que ir zappando até à …icaTv, aparentemente a única coisa, aproximada de uma tv, que transmitiu em directo o desafio. E lá estava: repetição anunciada para as 21, e qualquer coisa.

 

“Porreiro”, pensei. “Vou ver o jogo, e ainda gozar com as caras de enterro dos gajos dos comentários”.

 

Qual quê! Ao contrário do anunciado, estavam a dar uma repetição, sim senhor, mas do jogo da Liga Zon Sagres, entre os donos do canal e o finalista vencido da Taça de Portugal!

 

 

Para ontem (segunda-feira), estava anunciado um jogo de basquetebol às 21:54. Julguei que fosse o último, ou seja, o de domingo. Qual quê, outra vez? Transmitiram o jogo de sábado, em que ganharam por um ponto (67-66).

 

“O que os olhos não vêem, o coração não sente”. Para quê mostrar as derrotas, quando se tem uma vitória aqui à mão de semear?

 

O que interessa é que o próximo jogo, salvo erro, é o decisivo, e joga-se no Dragão Caixa. Digo “salvo erro”, porque esta questão suscitou algumas dúvidas no Reflexão Portista.

 

Por cá, não há muito a tradição americana de disputar séries de play-offs à melhor de sete jogos. Foi assim na temporada 2010-2011, e fomos campeões. Agora, ter-se-á alterado o modelo. Começa a parecer-se com o hóquei em patins, em que à medida que íamos conquistando títulos, se ia modificando o modelo de prova, até que, por fim, dez títulos depois, ter-se-ão cansado.

 

Deduzo por isso, que se tratará de uma final à melhor de cinco, ou por outras palavras, até um dos contendores atingir três vitórias, o que acontecerá necessariamente na próxima quarta-feira. Há que ter cuidado, porém, pois nesta final já perdemos em casa (80-82, no segundo jogo). Ainda assim, tudo se prefigura para mais um camião de t-shirts irem acabar em panos do pó.

 

Com um melão considerável devem ter ficado os nossos amigos bávaros. Aquela derrota caseira contra o Chelsea, não veio nada a calhar. A eles, porque a nós, enquanto selecção portuguesa, até pode ter sido um favor.

  

Diz o Beckenbauer que os jogadores do Bayern estão deprimidos, e ainda são uns oito na selecção do Joachim Löw.

 

Não nutro nenhuma simpatia especial pelo Chelsea, contudo, desde os tempos do Vialli, do Gullitt e do Zola, que acho alguma piada àquele clube. Por outro lado, desde o Hamburgo dos finais dos anos 70/inícios dos 80, que o futebol alemão não me diz grande coisa. No entanto, como poderei ficar indiferente à tragédia do finalista derrotado de Viena?

 

E à tristeza do Schweinsteiger no final da partida? Coitado do rapaz.

 

 

 

Para variar um bocadinho de toda esta maré de tristezas, e portanto, completamente fora da ordem do texto, estão de parabéns os nossos sub-17, treinados pelo Nuno Capucho, que ontem vi no Porto Canal, e cujo discurso me deixou francamente impressionado pela positiva.

 

 

Vi o final da primeira parte do jogo contra o Vitória de Guimarães, que terminou, salvo erro, com 0-2, e os vinte minutos iniciais da segunda. Achei particularmente interessante o comentário ao intervalo de um miúdo, para aí dos seus quinze anitos, que resumiu tudo: “O Porto está em cima, eles foram lá a baixo duas vezes, e marcaram dois golos”.

 

E era isso mesmo. Como se viu na segunda parte, ficou espelhado no resultado final de 5-2.

 

Ouvi dizer, que seria a equipa das camadas jovens em que menos se apostava para chegar ao título, mas pareceu-me que há ali matéria-prima.

 

Gostei do lateral-esquerdo, Rafa. Boas iniciativas a subir pelo flanco, e seguro a defender, ainda que o Vitória pouco se tenha afoito no ataque, naquilo que vi do desafio.

 

Também me agradou o extremo-direito, Raul. Para além da carga afectiva, que para mim o nome carrega, esteve bastante bem a desmarcar-se e na recepção e domínio da bola.

 

Mostraram personalidade, sabendo jogar sem precipitações, e com umas variações de flanco (no sentido esquerda-direita, principalmente), com bastante a propósito.

 

Parabéns rapazes, parabéns Capucho!