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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Cardinal, asterisco, e muitas reticências

11
Abr12

 

Ora, quando ainda se sentem, e por quanto mais tempo irão sentir-se, os efeitos da arbitragem do dérbi de segunda-feira, uma notícia como a da suspeita de corrupção do árbitro auxiliar José Cardinal, cai que nem sopa no mel para desviar as atenções.

 

Não sei se será a oportunidade da sua “divulgação”, terá sido ditada por esse objectivo, mas quanto a mim, parece-me um perfeito fait divers, digno de uma silly season fora de tempo. Ainda que rodeado de muitas coincidências. Demasiadas, talvez.

 

Primeiro. Se há coisa que o “Apito Final” ensinou, a quem quis ou conseguiu aprender, foi que não há corrupção sem que se produza o efeito procurado pelo corruptor. Por isso, dado que o árbitro assistente em questão nem sequer interveio no jogo, será um exagero falar em corrupção. Quanto muito na sua tentativa.

 

A não ser que, com base nesta, estejam a ser investigadas outras hipotéticas situações.

 

Segundo. O facto de ter sido depositado dinheiro na conta, não implica necessariamente que o seu titular tenha alguma coisa que ver com isso. Infelizmente comigo nunca aconteceu. Mas pode acontecer, e ninguém está livre disso.

 

Espero que a “investigação” consiga averiguar se o dinheiro ficou na conta, ou se o José Cardinal, recebendo-o, ainda que distraidamente, fez uso dele. Como podiam, e deveriam ter feito em relação ao hipotético envelope, hipoteticamente entregue por Pinto da Costa ao Azevedo Duarte, no tal “Apito”.

 

Depois, vêm as coincidências. A notícia é divulgada após a vitória do Sporting no clássico, e precisamente na semana em que este clube ultrapassou o Marítimo na classificação da Liga Zon Sagres.

 

O José Cardinal é o árbitro assistente de que o Sporting se tem vindo insistentemente a queixar desde a recepção ao Olhanense, na primeira jornada.

 

Há ainda sportinguistas que tentam associá-lo ao penálti fantasma que deu a Taça Lucílio ao mais grande do Mundo dos arredores de Carnide. Porém, nesse caso, exageram.

 

Conforme o próprio Lucílio Baptista assumiu na altura, não terá sido induzido em erro pelo Cardinal, mas sim, pelo Pais António - o famoso Ferrari de Setúbal.

 

Para além do Olegário Benquerença, também o José Cardinal foi homenageado pela AF do Porto, na temporada passada, nas vésperas do cataclismo de Guimarães à quarta jornada, que ditou a então reacção holocáustica do clube derrotado.

 

O Marítimo, sobre quem recaem as suspeitas de ter pago os dois mil euros, vai defrontar brevemente o segundo e o primeiro classificados da Liga, por esta ordem respectivamente.

 

Apesar do bom relacionamento que o homem do guardanapo tem com o seu homologo de orelhas grandes, tal não impediu que houvesse mosquitos por cordas no final da partida disputada no Estádio da Lucy, na época finda.

 

No fundo, nada disto é muito relevante, e não passam como disse de factos isolados, que, conjugadamente se tornam numa série de coincidências, com potencial para dar azo a umas belas teorias da conspiração.

 

Contudo, à frente do nome do José Cardinal, o asterisco, que já não era pequeno, começa a tornar-se gigantesco.

 

Agora, relevantes, relevantes, quanto mim, são pormenores como o facto de, sem querer beliscar minimamente o bom trabalho do Pedro Martins, os madeirenses estarem a fazer a sua melhor época desde há anos a esta parte.

 

De a carreira do árbitro madeirense Marco Ferreira se vir a projectar numa rota ascendente nas últimas duas temporadas, sem que a qualidade das arbitragens produzidas tenha evoluído correspondentemente.

 

Ou de o actual presidente da Liga de clubes, indicado precisamente pelo Marítimo, revelar ser uma sorte ter um dos contendores na final da Taça da Liga, criada teoricamente, para dar oportunidades aos ditos clubes pequenos, que até terão contribuído grandemente para a sua própria eleição.

 

Ou ainda que, este mesmo presidente, a propósito da questão da negociação dos direitos de transmissão televisiva, tenha trazido à colação o exemplo do FC Porto, como sendo o clube onde o detentor daqueles direitos [a Olivedesportos], seria simultaneamente proprietário de percentagens da SAD e do clube:

 

"Devia ser proibido que o detentor dos direitos televisivos tenha percentagens em clubes de futebol, como acontece com o FC Porto e com a SAD, e depois nomeie membros para o Conselho de Administração. Pode haver a ideia, que eu penso na realidade que pode estar a acontecer, desses clubes serem beneficiados quando se trata da divisão desse bolo".

 

Isto quando a empresa em causa é detentora de partes do capital social, não só do FC Porto, mas também do Sporting (pág. 121), 5,474 % dos direitos de voto através da Sportinveste, dominada pela Olivedesportos, de Joaquim Francisco Alves de Ferreira de Oliveira, e do tal clube da sorte grande (pág. 19), 2,66% daqueles direitos, detidos pela mesma empresa, como consta nos respectivos relatórios de contas.

 

Assim sendo, porquê a fixação do Sr. Presidente da Liga com o FC Porto?

 

Ainda que a SAD tenha na altura, rebatido em comunicado a afirmação produzida pelo presidente da Liga, fê-lo, a meu ver, de forma insuficiente, pois esqueceu-se daqueles dois exemplos de idêntico pecado.
 
Este tipo de postura, que não esconde minimamente ao que vem, oriundo de alguém indicado, supostamente, pelo Marítimo, preocupa-me bem mais do que os dois mil euros que o Cardinal possa ou não ter empochado.

Corruptos e corruptores – Subsídios para um português que se quer escorreito (ou “Quando for grande quero ser como a Dr.ª Edite Estrela”)

20
Mar12
 

Apercebi-me recentemente, muito por força da azia que a nossa vitória de há duas semanas no estádio onde vamos jogar hoje, terá provocado, que os adeptos do clube derrotado insistem e continuam a mimosear-nos com o carinhoso epiteto de “corruptos” e a (des)tratar o nosso clube denominando-o de “Futebol Corrupto do Porto”.

 

Vindo de onde vem, não é algo que me afecte grandemente, e não é por isso que me dediquei a escrever este texto.

 

Num País onde, pese embora todas as Novas Oportunidades, a iliteracia grassa quase omnipresente, é nosso dever cívico, enquanto cidadãos de corpo inteiro, contribuir, sem pretensões ou superioridades, para minorar esse flagelo junto dos nossos concidadãos, que por tanto se mostrem interessados. Os que não estão interessados, passem bem.

 

É pois, imbuído deste espírito, que passo ao seguinte esclarecimento de conceitos, com a inestimével ajuda do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa:

 

Corrupto (adj.) – 1. Que sofreu corrupção; 2. Adulterado, viciado; 3. Desmoralizado, devasso; 4. Prevaricador, venal; 5 . Errado (falando-se de linguagem).

 

Corruptor (adj. s. m.) – 1. Que ou o que corrompe; 2. Que instiga à corrupção, ao suborno.

 

Assim sendo, ainda que para mim resulte em quase imperscrutável o, certamente tortuoso, a existir algum, processo mental por intermédio do qual os adeptos daquele clube concluem sermos “corruptos” e o nosso clube o “Futebol Corrupto do Porto”, presumo que se filiarão nos famosos casos dos “Apitos”, o “Dourado” e o “Final”.

 

Nem me vou dar ao trabalho de enunciar a quantidade de vezes em que as mais variadas instâncias judiciais e desportivas deitaram por terra as teses por eles sustentadas, e deram por finalmente mortos e enterrados processos em estado moribundo, ressuscitados pela híper-mega-task-force da Procuradora-Geral Adjunta Maria José Morgado.

 

O YouTube revela índices de credibilidade bem mais elevados que todas aquelas instâncias juntas. Os tribunais só acertam, conforme se queixa o próprio, quando o arguido em causa dá pelo nome de João Vale e Azevedo, ultimamente tão na berra.

 

Como álibi para a terminologia empregue refugiam-se, conjecturo apenas, porque a psiquiatria não é o meu forte, no facto de o Futebol Clube do Porto, nunca haver interposto recurso da decisão da Federação Portuguesa de Futebol, que lhe retirou seis dos pontos conquistados ao longo da temporada 2007/2008. Os tais seis pontos, que não voltam mais.

 

Há muitos portistas que ainda caminham desconfortavelmente com essa pedra no sapato. Compreendo-os. É uma mácula que ficou impregnada nas faixas daquele título, o clube, ao contrário do que fez o seu presidente, não ter contestado a acusação que sobre si impendia.

 

Na altura, confesso que também assim pensei. Mas depois, acordei para a realidade do ardil urdido pela corja fomentadora daquele processo, e, sinceramente, neste momento, nem me aquece, nem me arrefece.

 

Na altura, recordo-me que havia duas linhas de argumentação que defendiam a não interposição do recurso.

Uma, sustentava que um eventual recurso poria em causa a homologação do campeonato, e, consequentemente, a inscrição do clube nas provas da UEFA da época subsequente.

 

A outra, que um recurso, a acontecer, protelaria uma qualquer decisão para a época seguinte, e por conseguinte, a produção dos seus efeitos. Ou seja, em vez de terminar a temporada de 2007/2008, com uns míseros catorze pontos de vantagem para o segundo classificado, arriscávamo-nos a iniciar a época seguinte com menos seis pontos, ou a perdê-los, no decurso da mesma.

 

Não sei qual das duas, se alguma, será verídica. A mim parece-me mais verosímil a segunda. Tendo este pressuposto em consideração, é compreensível a opção estratégica do clube.

 

E sei que, tal como eu a compreendo, muitos daqueles que se destacam da mole ignara de apaniguados daquele clube, também entendem perfeitamente a opção tomada. Contudo, perante a impotência, perante a humilhação das derrotas sofridas, no campo e fora dele, fazem daquela arma de arremesso o paliativo de recurso.

 

Pois bem, tenho uma má notícia para lhes dar. Estão redondamente equivocados. Para já, a ter sido em alguma instância, daquelas que valem, e não no YouTube ou na …ica TV, condenado o Futebol Clube do Porto, nunca seria “corrupto”. Quanto muito, nessa hipótese, admitida apenas com intuito didáctico, seria “corruptor”.

 

Ou seja, aquele que corrompe, e não o que é corrompido. Portanto, do primeiro erro voluntário, vira-se a página e entramos na confusão, também voluntária para alguns, nem tanto, para outros, na aplicação dos conceitos.

 

Se o Futebol Clube do Porto corrompesse, então teria, em princípio de existir um corrompido. Digo “em princípio”, porque não são virgens na justiça e na política portuguesas as situações em que, havendo “corruptores”, não há “corrompidos”.
 
 
 

Como curiosidade adicional, refira-se que no primeiro daqueles casos, em que, no Tribunal da Boa Hora, numa sala de audiências eram condenados os corruptores, figuras gratas caídas em desgraça do Partido Socialista, e noutra sala era absolvido o presumível corrupto, a equipa do Ministério Público encarregue da acusação, que na altura, ao que consta, não era híper-mega, nem sequer task force, incluía nas suas fileiras a atrás mencionada Maria José Morgado, Procuradora-Geral Adjunta.

 

Ora, se, como se arrogam, são seis milhões os adeptos do nosso adversário de hoje, e apenas um milhão e trezentos mil do nosso lado. Se, como é sobejamente sabido, e em muitos casos, perante declarações públicas de amor serôdio, a maior parte dos árbitros actualmente em funções são também, digamos, “simpatizantes” do dito clube.

 

Se, ainda há não muito tempo, até no Conselho de Ministros a maioria era pelas suas cores, então, parece-me a mim, que a probabilidade estatística de que os “corruptos”, afinal estejam noutro lado, será…hmm, hmm, é fazer as contas, bastante elevada.

 

A não ser que, numa hipótese desprovida de grande sentido, a quase totalidade da magistratura nacional e demais vendidos/comprados esteja incluída no tal mísero milhão e trezentos mil.

 

Pois é meus caros. Lamento muito informá-los, mas laboram em erro. Os “corruptos” estão quase de certeza do vosso lado. É entre vós que, a haver alguma réstia de corrupção, poderão procurar os corruptos.

 

Por isso, lanço-lhes daqui um apelo: caso mais logo o jogo não lhes corra de feição, deixem-se de tangas, e enfrentem a realidade. Ou então, não o façam, como sempre. Garanto-vos que será, com certeza, para o lado que vou dormir melhor…