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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

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Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Revisitando os direitos às avessas

06
Mar13

Há coisa de quase um ano, em 12 de Abril de 2012, escrevi o texto "Direitos às avessas", onde abordei a questão dos direitos televisivos.

 

Era então minha convicção de que, a transição de um certo canal televisivo, especializado em transmissões radiofónicas, “para transmissões televisivas à séria, com alguma viabilidade económica teria sempre de ser suportada num canal codificado”.

 

 

Mais, achava eu que, [e]sta opção colocaria necessariamente a (icaTv em concorrência directa com a SportTv”, o que, a meu ver, em nada prejudicaria os pequenos clubes, o FC Porto, ou o Sporting.

 

“Pelo contrário, até os beneficiaria. Se do bolo a repartir por todos, 111 milhões que eram para atribuir a quem levava a maior fatia, não são gastos, mais sobraria para os restantes que ficam”.

 

Os mais recentes acontecimentos, até certo ponto, vieram a dar-me razão. A (...) icaTv vai passar a ser codificada e paga, a partir de Julho.

 

No entanto, esta situação, antecedida pela aquisição por aquele canal dos direitos televisivos para a transmissão de jogos da liga inglesa, somados aos dos campeonatos grego, americano e brasileiro, de que era já detentor, foi vista por muitos como um rude golpe aplicado a Joaquim Oliveira e à sua SportTV.

 

Não tenho grande prazer em ir contra a corrente, apenas por ir, mas continuo a achar que não é assim.

 

Desconhecendo os ratios de audiências das ligas estrangeiras, a nível nacional sendo aquela televisão, apenas detentora dos direitos televisivos relativos às partidas que o clube a que pertence realizará em casa, o restante, está ainda sob controlo da SportTv.

 

Ora, os jogos em casa serão precisamente aqueles que mais público afecto ao clube levarão ao estádio, logo menor audiência televisiva terão. Ou audiência de sofá, ou público no estádio. Ambas serão neste caso, alternativas mutuamente exclusivas

 

Já os jogos fora, ainda que levem gente ao estádio, com certeza levarão menos que os anteriores. E quem é que detém os direitos sobre a transmissão destes? Precisamente a SportTv.

 

Ou seja, ainda que a estratégia de passar o canal a codificado possa ser um passo essencial na estratégia de confronto com a empresa de Joaquim Oliveira, colocando os adeptos entre a espada e a parede, entre a opção pela sua televisão e a SportTv, dará resultado?

 

Haverá adeptos que, para terem acesso a todas as partidas disputadas, subscrevam ambos os canais? Nos tempos que correm, quase de certeza que serão muito poucos.

 

A ser assim, recaindo a escolha apenas num dos canais, parece-me mais lógico e racional a opção por aquele que transmite as partidas fora de casa.

 

Além disso, os demais direitos de transmissão televisiva, estão ainda na mão do Joaquim Oliveira. Para o espectador nacional adepto do clube dono do tal canal, que não sendo residente na capital, é por norma também apoiante do clube da terra, o que terá mais interesse: os campeonatos grego, brasileiro e inglês, ou a nossa liga?

 

Se me disserem, que futuramente a (…)icaTv, com a ajuda da Portugal Telecom, do Rui Pedro Soares, ou de um banco qualquer, tenciona adquirir os direitos de transmissão da nossa liga, tudo bem, acredito que isso seja um duro golpe na SportTv. Caso contrário, não.

 

Mas para isso, teria de ser afastada a hipótese de os direitos televisivos virem a ser negociados clube-a-clube. Não estão a ver o FC Porto, que por sinal, também é proprietário de um canal televisivo, a negociar com o rival, ou estão?

 

Teriam de ser negociados em bloco, e aqui poderá entrar a Liga de clubes, e o papel a que o seu presidente se tem prestado.

 

Há ainda outro pormenor, que não passa de uma convicção minha, e por isso, vale o que vale.

 

Para Arons de Carvalho, o actual governo oferecera um Euromilhões à Olivedesportos, ao retirar da “lista de acontecimentos de interesse generalizado público”, os jogos da Liga de futebol e das competições europeias.

 

Talvez dê a impressão de que hoje, estou particularmente do contra, mas acho que é precisamente todo o contrário.

 

Esta exclusão daquela lista, se favoreceu alguém, terá sido precisamente a (…)icaTv, que assim, ficou sem um sério concorrente à transmissão dos jogos na Cesta do Pão.

 

Que vantagem retirará a Olivedesportos do facto de ser titular de uma série de direitos de transmissão em que, como se viu esta época, ninguém quer pegar?

 

A permanência naquela lista assegurava a existência de um comprador garantido: em nome do interesse público, a televisão estatal.

 

Contudo, da mesma maneira que aquelas transmissões foram retiradas da dita lista, podem vir a ser novamente incluídas. Haja para isso, dinheiro público suficiente para pagar ao seu detentor. E o dinheiro público é coisa que sempre aparece, quando estão em causa os amigos.

 

A "Operação triângulo", que se traduziu na aquisição pela Portugal Telecom à Zon de 25% do capital da SportTv, e a passagem dos direitos de transmissão televisiva da Controlinveste para esta última, foram vistos por muitos como um sinal do estrangulamento de Joaquim Oliveira, que ainda assim, continuou a deter uma participação maioritária de 50% naquela empresa.

 

 

 

Em Outubro do ano passado, Joaquim Oliveira alienara a Controlinveste, detentora dos títulos “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias” e ”O Jogo”, a capitais angolanos, em princípio à Newshold, dona de participações na Cofina (“Correio da Manhã” e “Jornal de Negócios”) e na Impresa (SIC), deixando porém de fora, a referida participação.

 

A Newshold, por sua vez, apareceu como a única potencial interessada na privatização ou concessão do serviço público da RTP.

 

A Zon, cada vez mais está nas mãos de Isabel dos Santos, e Newshold, através de Álvaro Sobrinho e da Akoya Asset Management, a empresa da famosa “Operação Monte Branco”, está intimamente ligada ao grupo Espírito Santo.

 

Por uma via, ou por outra, porque isto quando se tratam de capitais angolanos, todos os caminhos vão dar ao estado, daí até ao ministro Relvas e à reposição do futebol na “lista de acontecimentos de interesse generalizado público”, é um saltinho.

 

É minha convicção que a recente associação de Joaquim Oliveira à Newshold, teve por objectivo a entrada em parceria na RTP, e as alienações entretanto operadas, não foram um sinal de fraqueza, mas um meio de obtenção da liquidez necessária à operação.

 

Uma vez na RTP, e sendo a liga nacional e eventualmente, as competições europeias, “acontecimentos de interesse generalizado público”, o estado ver-se-ia na contingência de, por desígnio nacional, ter de adquirir os respectivos direitos de transmissão.

 

A quem? Pois claro. À SportTv. Logo, uma fonte de receita garantida para o amigo Oliveira, e paga por todos nós através, designadamente, da “taxa de audiovisual”, que mesmo com a televisão pública privatizada ou concessionada, não deixaria de constituir receita do privado que a assumisse.

 

Assim sendo, causarão mossa significativa ao Joaquim Oliveira as movimentações da (…)icaTv? Tenho dúvidas.

 

Da mesma forma que tenho dúvidas quanto ao sucesso desta aposta, uma vez que tudo dependerá do comportamento dos adeptos.

 

Se se comportarem como consumidores racionais, afectados por esta austeridade que nos assola a todos, optarão apenas por um dos canais codificados: SportTv ou (…)icaTv.

 

Estendendo a irracionalidade, sempre tão presente em todos os momentos, a esta escolha, é bastante provável que subscrevam ambos os canais.

 

Ou seja, apenas se se deixarem levar pelo apelo e pelo fervor clubísticos, será expectável que Joaquim Oliveira venha a passar por algum sofrimento.

 

Para terminar, a título de curiosidade, registo apenas que os principais opositores à privatização da RTP, contra os desejos de Miguel Relvas, foram Paulo Portas e o CDS-PP.

 

O facto de nomes como Sílvio Cervan, Telmo Correia, Ribeiro de Castro e Bagão Félix, serem membros deste partido, é com certeza uma mera coincidência. Espero eu.

 

E, no entanto, ela não se move, (es)vai-se

14
Dez12

 

No início do mês passado, Arons de Carvalho, antigo responsável socialista pela televisão pública, escreveu no “Público", num artigo de opinião, que o actual governo, ao retirar da “lista de acontecimentos de interesse generalizado público”, os jogos da Liga de futebol e das competições europeias, oferecera um Euromilhões à Olivedesportos.

 

Se foi efectivamente um Euromilhões, e o objectivo pelo qual o mesmo terá sido oferecido, não faço ideia. O certo é que, ainda recentemente ficámos a saber que a empresa em causa rescindiu o contrato que tinha com a Liga de clubes, para a transmissão dos jogos da Taça da dita cuja.

 

 

De entre os motivos apontados para essa tomada drástica de posição, conta-se o facto de, cabendo à Olivedesportos desencantar um patrocinador para a competição e à Liga, encontrar um canal aberto disposto a transmitir os jogos, esta só o terá conseguido fazer em Novembro, quando se encontrava já em curso a terceira fase da prova, e ainda assim, por um valor bastante abaixo ao praticado no mercado – 50 mil euros /jogo, ao passo que a SIC, na época transacta, pagava à volta de 200 mil.

 

É esta a Liga de clubes cujo presidente quer rescindir contratos com a Olivedesportos? E vai negociá-los com quem? Será que os vai negociar da mesma forma como fez com os jogos da Taça Lucílio Baptista?

 

Sem patrocinador e com os direitos televisivos negociados ao preço da uva mijona, como é que vai sobreviver a Taça que assegurava um título por época a uma certa equipa, e uma receita, que se queria razoável, aos clubes pequenos?

 

E a própria Liga, como é que fica?

 

Com a arbitragem e a disciplina saídas para a Federação, e sem a sua Tacinha, qual o seu destino?

 

Um conhecido benfiquista, uma vez, a propósito não se sabe muito bem de quê, porque o fez num post sriptum a um texto que nada tinha que ver com a matéria, questionava inocentemente: "Porque será que a sede da Liga é no Porto?"

 

Neste caso, dadas as últimas evoluções, parece que não a conseguindo mudar de sítio, a alternativa será esvaziá-la de conteúdo. Será isso?

Quem TViu, e quem TVê

16
Nov12

Em Março, ficámos a saber que a liga de clubes pretendia interpor junto das instâncias comunitárias uma queixa contra a Olivedesportos, por violação das regras da concorrência, no tocante aos direitos de transmissão televisionada de jogos de futebol.

  

Em Maio, soubemos que Joaquim Oliveira era comparsa em jantares tendo como restantes convivas o ministro Miguel Relvas, o nosso presidente e ainda Fernando Seara e a digníssima esposa.

 

A 18 de Outubro soube-se que Joaquim Oliveira havia vendido a Controlinveste a capitais angolanos.

 

 

 

48 horas antes de ser reeleito, o presidente de um clube anunciou que esse mesmo clube não renovaria o contrato que o ligava à Olivedesportos, passando os jogos (em casa) a serem transmitidos pela televisão do próprio clube.

 

Esse presidente foi reeleito em 26 de Outubro.

 

Em 10 de Novembro, deputados do PS questionam o ministro “Miguel Relvas sobre o fim dos jogos da I Liga em canais abertos”.

 

A 13 de Novembro, "Miguel Relvas diz que Portugal não está «em tempo» de suportar transmissão de futebol em canal aberto", e que a TVI, se quiser transmitir esses jogos, pode voltar a fazê-lo, como fez na época passada.

 

 

Será genuína a preocupação dos deputados socialistas?

 

Joaquim Oliveira supostamente, seria amigo do PS. Ou sê-lo-ia apenas de Sócrates e Vara?

 

No entanto, o maior partido da oposição, ou alguns dos seus deputados, “estranha(m)” “uma decisão que parece apenas beneficiar quem tem os direitos de transmissão no cabo”.

 

Porém, uma vez declarado o interesse público das transmissões televisivas de futebol da I Liga, não havendo privados interessados, certamente a RTP (ou seja, todos nós), entraria (entraríamos) com o cantante.

 

Uma receita mais que certa para o Joaquim. Quem é amigo, quem é?

 

Aqui, as opiniões dos deputados do PS, pelo menos na aparência, do presidente da Liga, e do presidente eleito do tal clube, parecem convergir na censura ao monopólio.

 

O ministro Relvas, colega de repastos, pelo contrário, não parece para aí virado. Mantendo-se o actual status quo, como aparenta ser a sua ambição, quem se lixa é o amigo Joaquim.

 

E, não obstante, assim, mantém-se o monopólio. Mas qual monopólio? A partir de 2013 há, pelo menos um clube que fura o monopólio.

 

Porque é que o ministro Relvas havia de declarar o interesse público das transmissões quando os famosos seis milhões de público interessado deixariam de o estar, e, ao lado, o canal do clube também estaria a transmitir futebol?

 

O interesse público restringir-se-ia aos jogos fora de casa, ou, para contrabalançar as coisas, o interesse público seria declarado para os jogos a transmitir por ambos, a empresa detentora dos direitos e o clube em auto-transmissão?

 

Se não estamos “«em tempo» de suportar a transmissão de futebol em canal aberto” para um, estaríamos para garantir uma renda fixa a dois?     

 

Poderia o interesse público entrar em concorrência directa com a televisão particular do clube? Dá-me a ideia que, aí sim, haveria algumas regras da concorrência que seriam violadas.

 

A posição daquele clube, de certo modo, força a de Relvas, e parece colocar em maus lençóis o amigo Joaquim.

 

Será assim?

 

Quem vende parte do seu império ao dinheiro angolano, estará verdadeiramente necessitado de liquidez?

 

A quebra das negociações entre o clube e a empresa foi apenas uma manobra populista em véspera de eleições, ou o reconhecimento de que não estando a outra parte em estado de necessidade, dificilmente cederia na negociação em curso?

 

No meio disto tudo, fica ainda o reparo do José Lima, no "Mística Azul e Branca", Não se vislumbra quem possa ser o herói que pague pelo menos o dobro daquilo que a SportTv oferece, como pretende o clube da treta, e a LIGA promete”.

 

Para que é mesmo que a Liga quer centralizar em si a gestão dos direitos de transmissão televisiva? 

Mestrado em gestão de direitos televisivos desportivos

23
Ago12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Miguel Relvas não para. E se uns dias antes tinha sido visto a almoçar com Joaquim Oliveira e Zeinal Bava na praia do Ancão, na véspera do Pontal, terça-feira ao final do dia, participou noutro jantar com figuras de primeira água. Entre elas, Joaquim Oliveira, o patrão da Sport TV e do "DN", Pinto da Costa e António Salvador, presidente do Braga. De que falariam tão ilustres comensais, em vésperas do início do campeonato e numa altura em que as televisões generalistas ficaram alheadas da transmissão dos jogos do campeonato? Para que conste, o jantar foi no Golfinho, na praia da Falésia".

 

(lido num comentário a um artigo em o "Relvado" - comentário de dia 20 de Agosto, pelas 23:45)

 

Os nossos amigos que gostam de fazer as coisas pelo outro lado, parece que andam muito preocupadinhos com as actividades veraniegas do ministro Miguel Relvas. De tal maneira que agora, até já nem se importam de ter na sua lista sócios e ex-putativos candidatos, que em tempos, acusaram de não pagar quotas à trinta anos.

 

Sempre é menos um potencial candidato, e um homem da Ongoing.

 

Não se preocupem meus caros, porque como muito bem documenta o Miguel, no Tomo II, as televisões por estes dias, não têm pilim que chegue para mandar cantar um ceguinho.

 

E quanto ao ministro Relvas, está apenas a fazer o TPC, de modo a conseguir recolher os créditos necessários para obter o mestrado em Gestão de Direitos Televisivos Desportivos. Por equivalência, está visto.

 

"Este sim" - terá comentado Relvas com o colega de governo Nuno Crato, "Este mestrado vale a pena. Na licenciatura tinha de gramar com as sandochas do refeitório, aqui são almoços no Ancão, e jantares na Falésia. Isto sim, é educação ao longo da vida!" 

 

(surripiado daqui) 

 

Direitos às avessas

12
Abr12

Retomando parcialmente o assunto do texto anterior, foi ontem tornado público que FC Porto, Sporting e Nacional da Madeira, conforme previamente haviam anunciado, requereram a nulidade da Assembleia Geral da Liga de clubes, que aprovou o alargamento dos campeonatos profissionais.

 

Sabendo-se que o actual elenco da direcção da dita Liga não teve o apoio declarado de nenhum dos três grandes, ou coisa que o valha, e ainda que estejam na moda as troikas, estranha-se a não ver aqui um quarteto, em vez daquela tríade.

 

Aliás, é estranho o silêncio quase total a que se vem remetendo, ao que parece, voluntariamente, um certo e determinado clube, no tocante a matérias atinentes à Liga de clubes, quando noutras, se desboca com o maior dos à vontades.

 

Talvez, como eu, lhes pareça que esta questão, mais tarde ou mais cedo, e independentemente de se concordar ou não com o aumento do número de participantes nas ligas profissionais, tenderá a solucionar-se por si própria, quando passarmos do tão portuguesinho “onde comem dezasseis, comem dezoito”, para o também tradicional “em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.

 

Mais interessante parece-me sem dúvida, a questão dos direitos televisivos. Até porque se dá a coincidência de, Nacional da Madeira à parte, me parecer, conforme anteriormente escrevi, que dificilmente tanto FC Porto, como Sporting, retirarão algumas vantagens em prosseguir uma estratégia tão declaradamente valedeazevediana, de afrontamento à Olivedesportos.

 

 (imagem tirada daqui)

 

Por outro lado, para além dos pequenos clubes, cuja defesa constituirá o leit motiv de uma hipotética queixa a interpor junto das instâncias comunitárias da concorrência, o único clube que eventualmente daí poderá retirar alguns proventos, é precisamente o que não faz parte daquela troika.

 

De facto, a ser verdade o que se diz, os ganhos de FC Porto e Sporting, serão sempre marginais, e resultarão da revisão dos valores que terão sido acordados até 2018, em função da sua indexação ao que vier a ser negociado com o mais grande do Mundo dos arredores de Carnide. Para este último, o processo negocial, por assim dizer, encontra-se num impasse, com a recusa do valor avançado pela Olivedesportos.

 

Contudo, para o esclarecidíssimo Rui Santos, apesar dos 111 milhões oferecidos serem “aparentemente um bom valor, (…) estrategicamente (…) o clube fez muito bem em ter recusado".

 

Refere ainda que, segundo a criatura supostamente agredida aqui há tempos no Porto, “a recusa não se deveu apenas a razões financeiras (…) [o] que está em causa é o poder da Olivedesportos e poucos duvidam da força desse poder, desse monopólio”.

 

Concluindo que "neste sistema, o (…)ica não pode consolidar uma situação de hegemonia e por isso a via da rutura é a única que o (…)ica tem, deve romper este sistema para que algum dia possa obter o domínio do futebol em Portugal, pois se este sistema continuar, não tem hipótese nenhuma".

 

Para os ditos, clubes pequenos, a questão será outra. A negociação em bloco e a partilha dos dinheiros resultantes das transmissões televisivas faz todo o sentido.

 

Porque carga d’água é que os clubes, ou alguns deles, negoceiam directamente os direitos televisivos dos seus jogos?

 

Tanto quanto se sabe, quer nas ligas americanas, em que o senhor presidente se inspira, como nas provas da UEFA e da FIFA, são as entidades que organizam os torneios, que transacionam e fazem a gestão de tais direitos.

 

Parece evidente que sem Ligas, sem UEFA ou FIFA, não há competição. Não havendo competição não haverão jogos, e sem estes, não há lugar a direitos sobre transmissões televisivas.

 

Da mesma maneira, nenhuma equipa joga sozinha. Portanto, a postura de certos clubes, que se põem em bicos de pés, e se limitam a olhar para o seu umbigo, entrando em processos negociais numa postura de “isto é tudo nosso”, intriga-me.

 

Sem pequenos, não haverá grandes. Ou alguém estará interessado em assistir a jogos das equipas principais do seu clube contra a equipa B ou os juniores?

 

Não é exactamente esta a visão de todos os clubes envolvidos na matéria. Por exemplo, a daquele que se vem falando ficou muito clara, quando na mó de cima, em finais de 2009, o seu director de Marketing afirmou, fazendo ciência para boicotes futuros, o seguinte:

 

“Quando o (…)ica começa a ganhar, os clubes pequenos com os quais joga realizam cinquenta por cento das sua receitas de bilheteira do ano todo nos jogos com o (…)ica. (…) é o (…)ica que está sempre em primeiro lugar quando toca a levar pessoas aos estádios, próprios ou alheios”

 

(extracto de uma entrevista de Miguel Bento, director de Marketing do (…)ica, a uma revista do Diário de Notícias, algures em finais de 2009, cujo link não consegui encontrar, e a revista, ainda menos)

 

Como é fácil de constatar, estamos claramente perante objectivos distintos, a serem prosseguidos com recurso à mesma estratégia.

 

Porém, estes objectivos são conflituantes entre si. Para os clubes pequenos, obter o seu quinhão, forçando a Olivedesportos, ou qualquer outro operador que se queira candidatar à posse dos direitos de transmissão televisiva.

Para o outro clube, o objectivo primordial, se não são só as razões financeiras que estão subjacentes à recusa, será fundamentalmente, quebrar a espinha à Olivedesportos e libertar-se do seu monopólio.

 

Mas, paremos um pouco e ponderemos quais as alternativas viáveis a este estado de coisas?

 

Para os clubes pequenos, para já, nenhumas. Para o outro, foram já aventadas várias.

 

O putativo canal televisivo a criar pelo Dragão de Ouro Rui Pedro Soares e Emídio Rangel, que nunca passou disso mesmo. As negociações com Pais do Amaral, que também não tiveram qualquer sequência, e mais recentemente até a Al-Jazeera veio à baila.

 

Todas estas hipóteses parecem tão credíveis como a OPA dos chineses. A solução mais à mão de semear será sempre, a caseira (…)icaTV. Contudo, será esta credível como querem fazer parecer?

 

 

 

 

A transição das transmissões televisivas em estilo radiofónico, para transmissões à séria, com alguma viabilidade económica teria sempre de ser suportada num canal codificado.

 

Ora, a (…)icaTV é, neste momento, de acesso livre através do MEO. O MEO faz parte do universo PT, do qual, curiosamente, tal como das SAD do FC Porto, Sporting, e dos outros, também é acionista a Controlinveste de Joaquim Oliveira (2,28%). Vai na volta, para além da hospedagem garantida, ainda recebem alguma mesada à conta disso.

 

Esta opção colocaria necessariamente a (…)icaTv em concorrência directa com a SportTv. Em que é que esta situação prejudicaria os pequenos clubes? E o FC Porto? Ou o Sporting?

 

Rigorosamente em nada. Pelo contrário, até os beneficiaria. Se do bolo a repartir por todos, 111 milhões que eram para atribuir a quem levava a maior fatia, não são gastos, mais sobraria para os restantes que ficam.

 

Além disso, mais horários ficariam disponíveis para as transmissões, que inclusivamente, se em concorrência, poderiam ser simultâneas, dos jogos do mais grande do Mundo dos arredores de Carnide e de outros clubes, possibilitando assim, ficar com uma ideia mais exacta do share efectivamente detido por cada um. Desde que a medição não ficasse a cargo da famosa GfK…

 

Será que estão dispostos, e têm condições para alinhar em algo assim? A (…)icaTv sobreviveria com a retransmissão de quinze ou dezassete jogos por época? Os campeonatos grego ou dos States, serão suficientemente cativantes?

 

Sinceramente, não sei. Tudo bem espremido, parece uma alternativa tão válida como as demais, logo, até ver, tanto o tal clube mais grande, como os pequenos, como todos os restantes, estão no mesmo barco.

 

Se é assim, estará aquele clube verdadeiramente interessado em dividir o bolo? Se não está, porque é que não se manifesta?

 

Se como vimos os objectivos das várias partes são distintos e a estratégia é a mesma, a favor de qual delas é esta prosseguida?

 

É aqui que começa a cheirar fortemente a instrumentalização da Liga de clubes. Se não a favor de alguém, pelo menos, aparentemente em nosso desfavor, tendo em conta a postura do presidente da Liga relativamente ao FC Porto, a que aludi no último texto.

 

A não perder as cenas dos próximos capítulos…

Cardinal, asterisco, e muitas reticências

11
Abr12

 

Ora, quando ainda se sentem, e por quanto mais tempo irão sentir-se, os efeitos da arbitragem do dérbi de segunda-feira, uma notícia como a da suspeita de corrupção do árbitro auxiliar José Cardinal, cai que nem sopa no mel para desviar as atenções.

 

Não sei se será a oportunidade da sua “divulgação”, terá sido ditada por esse objectivo, mas quanto a mim, parece-me um perfeito fait divers, digno de uma silly season fora de tempo. Ainda que rodeado de muitas coincidências. Demasiadas, talvez.

 

Primeiro. Se há coisa que o “Apito Final” ensinou, a quem quis ou conseguiu aprender, foi que não há corrupção sem que se produza o efeito procurado pelo corruptor. Por isso, dado que o árbitro assistente em questão nem sequer interveio no jogo, será um exagero falar em corrupção. Quanto muito na sua tentativa.

 

A não ser que, com base nesta, estejam a ser investigadas outras hipotéticas situações.

 

Segundo. O facto de ter sido depositado dinheiro na conta, não implica necessariamente que o seu titular tenha alguma coisa que ver com isso. Infelizmente comigo nunca aconteceu. Mas pode acontecer, e ninguém está livre disso.

 

Espero que a “investigação” consiga averiguar se o dinheiro ficou na conta, ou se o José Cardinal, recebendo-o, ainda que distraidamente, fez uso dele. Como podiam, e deveriam ter feito em relação ao hipotético envelope, hipoteticamente entregue por Pinto da Costa ao Azevedo Duarte, no tal “Apito”.

 

Depois, vêm as coincidências. A notícia é divulgada após a vitória do Sporting no clássico, e precisamente na semana em que este clube ultrapassou o Marítimo na classificação da Liga Zon Sagres.

 

O José Cardinal é o árbitro assistente de que o Sporting se tem vindo insistentemente a queixar desde a recepção ao Olhanense, na primeira jornada.

 

Há ainda sportinguistas que tentam associá-lo ao penálti fantasma que deu a Taça Lucílio ao mais grande do Mundo dos arredores de Carnide. Porém, nesse caso, exageram.

 

Conforme o próprio Lucílio Baptista assumiu na altura, não terá sido induzido em erro pelo Cardinal, mas sim, pelo Pais António - o famoso Ferrari de Setúbal.

 

Para além do Olegário Benquerença, também o José Cardinal foi homenageado pela AF do Porto, na temporada passada, nas vésperas do cataclismo de Guimarães à quarta jornada, que ditou a então reacção holocáustica do clube derrotado.

 

O Marítimo, sobre quem recaem as suspeitas de ter pago os dois mil euros, vai defrontar brevemente o segundo e o primeiro classificados da Liga, por esta ordem respectivamente.

 

Apesar do bom relacionamento que o homem do guardanapo tem com o seu homologo de orelhas grandes, tal não impediu que houvesse mosquitos por cordas no final da partida disputada no Estádio da Lucy, na época finda.

 

No fundo, nada disto é muito relevante, e não passam como disse de factos isolados, que, conjugadamente se tornam numa série de coincidências, com potencial para dar azo a umas belas teorias da conspiração.

 

Contudo, à frente do nome do José Cardinal, o asterisco, que já não era pequeno, começa a tornar-se gigantesco.

 

Agora, relevantes, relevantes, quanto mim, são pormenores como o facto de, sem querer beliscar minimamente o bom trabalho do Pedro Martins, os madeirenses estarem a fazer a sua melhor época desde há anos a esta parte.

 

De a carreira do árbitro madeirense Marco Ferreira se vir a projectar numa rota ascendente nas últimas duas temporadas, sem que a qualidade das arbitragens produzidas tenha evoluído correspondentemente.

 

Ou de o actual presidente da Liga de clubes, indicado precisamente pelo Marítimo, revelar ser uma sorte ter um dos contendores na final da Taça da Liga, criada teoricamente, para dar oportunidades aos ditos clubes pequenos, que até terão contribuído grandemente para a sua própria eleição.

 

Ou ainda que, este mesmo presidente, a propósito da questão da negociação dos direitos de transmissão televisiva, tenha trazido à colação o exemplo do FC Porto, como sendo o clube onde o detentor daqueles direitos [a Olivedesportos], seria simultaneamente proprietário de percentagens da SAD e do clube:

 

"Devia ser proibido que o detentor dos direitos televisivos tenha percentagens em clubes de futebol, como acontece com o FC Porto e com a SAD, e depois nomeie membros para o Conselho de Administração. Pode haver a ideia, que eu penso na realidade que pode estar a acontecer, desses clubes serem beneficiados quando se trata da divisão desse bolo".

 

Isto quando a empresa em causa é detentora de partes do capital social, não só do FC Porto, mas também do Sporting (pág. 121), 5,474 % dos direitos de voto através da Sportinveste, dominada pela Olivedesportos, de Joaquim Francisco Alves de Ferreira de Oliveira, e do tal clube da sorte grande (pág. 19), 2,66% daqueles direitos, detidos pela mesma empresa, como consta nos respectivos relatórios de contas.

 

Assim sendo, porquê a fixação do Sr. Presidente da Liga com o FC Porto?

 

Ainda que a SAD tenha na altura, rebatido em comunicado a afirmação produzida pelo presidente da Liga, fê-lo, a meu ver, de forma insuficiente, pois esqueceu-se daqueles dois exemplos de idêntico pecado.
 
Este tipo de postura, que não esconde minimamente ao que vem, oriundo de alguém indicado, supostamente, pelo Marítimo, preocupa-me bem mais do que os dois mil euros que o Cardinal possa ou não ter empochado.

Idle hands are the devil’s tools

14
Mar12

 

Começam a escassear adjetivos para qualificar o alargamento da Liga Zon Sagres a 18 clubes, aprovado na reunião do Conselho de Presidentes da Liga Portuguesa de Clubes Profissionais, realizada no Porto, no pretérito dia 12.

 

"Ilegal, irracional e oportunista", criticou o ex-Secretário de Estado do Desporto, pessoa que, em termos de legalidade e racionalidade, temos o caso Carlos Queiróz(s), que fala por si. Sobre oportunismo não me pronuncio.

 

Para o FC Porto, é "cereja no topo de um bolo de imbecilidade". Imaginativo, sem dúvida.

 

O presidente do Nacional da Madeira, e ex-candidato desistente à presidência da Liga, diz que foi "uma grande caldeirada", montada por alguns clubes.

 

Do lado sportinguista, Luís Duque acrescenta que "o campeonato deixa de ter credibilidade e é uma machadada no futebol português".

Por sua vez, para o presidente da Liga, "a repescagem não fere a verdade desportiva", apontando como exemplo, as ligas americanas, "quase todas fechadas", ou seja, sem subidas e descidas de divisão.

 

Pois é. Não sei se será tanto assim, pois nas ligas americanas, como por exemplo, a NBA, até pode ser vantajoso ser último classificado. O último garante a primeira posição no “draft” da época seguinte, e as posições nas várias rondas do “draft” são tão transacionáveis como jogadores, treinadores e afins.

 

Além disso, nas ligas americanas existem umas coisas chamadas "salary caps", que limitam a massa salarial a despender pelos clubes em ordenados, e ainda mais engraçado, os clubes até são forçados a cumprir regras mais ou menos estritas de sanidade financeira para se manterem em prova.

 

Por cá, são os jogadores do Vitória de Guimarães, que ameaçam fazer greve. Os da União de Leiria, aparentemente, terão mesmo chegado a vias de facto, e fizeram greve, e de acordo com o evangelical presidente do Sindicato dos Jogadores, mais de 80% dos clubes têm dívidas aos seus profissionais.

 

Não sei porquê, mas parece-me que talvez não seja assim tão boa ideia ir a correr copiar as excentricidades dos nossos amigos cábóis.

 

Abstraindo destes factos e pseudo-factos, apenas um lamiré sobre dois pontos saídos da tal reunião, que atrairam a minha atenção.

 

Um tem a ver com o que vim a escrever. É engraçado que, assumindo que não haverão(iam) descidas de divisão, há um clube, dos três que lutam pelo título, que vai defrontar no que resta de Liga, três das equipas posicionadas nas quatro últimas posições na tabela classificativa, dois deles nas duas últimas jornadas da prova. É claro, que isto não passa de uma mera coincidência, mas lá que cheira a verdade desportiva feita pelo outro lado, cheira.

 

Especialmente se tivermos em conta que esse clube é recorrente na resolução de situações como a de Leiria, como outrora solucionou a do Vitória de Setúbal ou a do Estrela da Amadora, através de “valores adiantados (…) no âmbito dos contratos celebrados que dão (…) um direito de preferência numa futura aquisição de direitos económicos e/ou desportivos de activos intangíveis”, vulgo, “passes de jogadores”, que inclusivamente consagra nos seus relatórios de contas.

 

O outro ponto, menos realçado, é o dos direitos televisivos. Os clubes ponderam apresentar uma queixa na Comissão Europeia contra a Olivedesportos, detentora do monopólio dos direitos das transmissões desportivas, em violação daquelas que são as regras europeias da concorrência.

 

É interessante que, sem se saber qual o provimento que poderá ser dado a uma eventual queixa deste cariz, se avance com a indicação da época de 2013/2014, como aquela que marcará o términus do monopólio da Olivedesportos.

 

Mais curioso se torna ainda quando se nota que, tanto o FC Porto como o Sporting, são detentores de contratos válidos com aquela empresa, até 2018. Sendo deferida aquela queixa, consequentemente seguir-se-á nova negociação, de que estes clubes poderão sair beneficiados ou prejudicados. Por outras palavras, será trocar o certo, pelo incerto.

 

Porém, como todos estamos sabedores, há um clube cujo contrato de direitos de sobre as transmissões televisivas expira no corrente ano.

Clube esse que anda envolvido em negociações, se por essa designação entendermos uma sucessão de bluffs e ultimatos, com a Olivedesportos.

 

Uma queixa desta natureza, encaixa-se muito oportunamente numas negociações que se arrastam quase desde 2008, que, salvo erro, marca o advento da ...ica Tv.

 

Instrumentalização da Liga de clubes? Nunca na vida.

 

Só porque o actual presidente da Liga até é genro do tal fulano que não quer ser guardanapo do FC Porto, mas que não se importa de servir de papel higiénico noutros sítios? Nem tal se me passa pela cabeça.

 

É tudo em prol dos interesses dos pequenos mais grandes clubes do Mundo, que por aí pululam.