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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

O bê-à-bá da domesticação de mentecaptos

22
Fev14

"[Jesus] limitou-se a contestar uma decisão real e inequívoca da arbitragem. Dessa falha grave e indiscutível resultou a vitória do clube visitante e consequente vitória do campeonato, por parte do clube que beneficiou do erro"

 

"O árbitro em causa tinha todas as condições para ver a falta e tinha a obrigação funcional de o fazer, e não o fez, por motivações que só ele sabe"

 

"O treinador, que era um dos grandes ofendidos do erro cometido, passou, por artes mágicas, a arguido e, nessa qualidade, punido disciplinarmente"

 

Das hipóteses abaixo, escolha e indique, em menos de 2 minutos e picos, aquela, e apenas aquela, que corresponda ao autor das frases acima reproduzidas:

 

a) Luis Filipe Vieira;

 

b) um familiar do pateta platinado, o herói da Merdaleja;

 

c) Jorge Nuno Pinto da Costa;

 

d) um qualquer outro elemento azul e branco, que tenha por hábito remeter fruta e conviver com árbitros de futebol no seu domícilio;

 

e) um sportinguista, depositante de importâncias monetárias nas contas bancária de árbitros, expositor em público dos dados pessoais destes, e destruidor exímio de montras de talho;

 

f) Herculano Lima, o ilustríssimo e iluminadíssimo mafarrico portista que preside à Comissão Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol;

 

 

   

Este desafio tem como principais destinatários os ilustres sportinguistas Eduardo Barroso e Dias Ferreira. Sendo possuidores de formação superior e figuras de proa nas suas actividades profissionais, certamente que, apesar de ser ténue a linha que separa a clubite da desonestidade intelectual, não lhes será complicado demonstrar que é possível a existência de inteligência, também no futebol.

 

Tendo em conta aquelas frases, poderão ainda aproveitar para explicar aos seus correligionários, assumindo que estes não serão totalmente mentecaptos, porque é o Conselho de Disciplina não lhes dá garantias de imparcialidade, no que toca ao FC Porto.

 

Peguem nestes dois sportinguistas, e mais no presidente, e peguem num benfiquista, e mostrem-me as diferenças.

 

Cada vez mais, a melancia costumava ser uma fruta de Verão, nos dias de hoje é fruta da época o ano inteiro.

O desprezo, segundo Barroso

08
Jan13

 

 

Da ida de Izmailov para o FC Porto, e a possibilidade de alinhar mal assente arraiais no Dragão, diz Eduardo Barroso:

 

 

 

Por sua vez, da troca de Vercauteren por Jesualdo Ferreira, observa que:

 

 

 

Portanto, se bem percebo, e até não deixo de concordar em parte, um jogador que faz fita para não jogar pelo clube, como forma de pressionar a sua saída, e que chega ao novo emblema, disponível para alinhar de imediato, é desprezível.

 

Um clube contrata um treinador. Poucos meses volvidos contrata um novo treinador para passar por director-técnico, manager, treinador de treinadores, ou lá o que é, arranjando maneira de fazer do anterior um supranumerário, à boa maneira do funcionalismo público.

 

Vendo que o homem não se toca, e dá de frosques por sua conta, corre com ele, porque não convenceu os adeptos e porque seria catastrófico não aproveitar o que, entretanto, foi contratado, o qual, obviamente assume o lugar.

 

Como é que poderemos classificar este tipo de comportamento da parte do clube? “Desprezível”, será adequado?

 

Estes são, pelos vistos, dois dos níveis de “desprezível” de Eduardo Barroso, insigne presidente da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal.

 

Poderá haver outros intermédios, como as tonalidades de cinzento, entre o preto e branco, consoante as situações.

 

Quanto ao novo treinador, apenas por algum respeito ao seu passado com as nossas cores, prefiro pensar que foi apanhado no meio de tudo isto.

Dia da Melancia na Calimeroláxia

05
Jan12

Aproximando-se a passos largos o Dia da Melancia, festejado com a nossa deslocação, no próximo sábado, a terras do pintainho preto com o chapéu de casca de ovo na tola, achei por bem recuperar um antigo artigo do Daniel Oliveira, a antecipar o massacre dos cincazero, publicado no blog “Arrastão”.

 

Então, cá vai:

 

“Os três sportinguistas

 

por Daniel Oliveira

 

O confronto entre o Porto e o Benfica deixa sempre os adeptos do meu clube numa situação difícil. Há, perante isto, três tipos de sportinguistas: os tácticos, os automáticos e os éticos Os tácticos fazem contas. Estão contra o que estiver melhor na tabela ou mais ameaçar uma determinada posição do seu clube. Os automáticos estão sempre contra o Benfica. Os éticos, a não ser que razões pragmáticas ditem o contrário, estão contra o Porto.


O Benfica é seguramente o principal adversário do Sporting. O mais irritante dos adversários, na verdade. Fanfarrão por natureza. Vivendo à sombra das glórias passadas, sem que o presente pouco brilhante perturbe a sua injustificada autoconfiança. E estão, para os sportinguistas de Lisboa, demasiado próximos. São vizinhos, amigos, familiares. São eles que nos dizem, contra todas as evidências, que apoiam o maior clube do Mundo.


Mas, ainda assim, incluo-me seguramente na terceira corrente, muito minoritária entre os sportinguistas. Porque o Porto não é um adversário. É, com a bonomia e ausência de ódio que o futebol exige, o que de mais próximo há de um inimigo. Contra o Benfica move-nos o futebol. Contra o Porto move-nos a civilização contra a barbárie. Os portistas não são nem melhores nem piores do que os outros. Mas a sua direcção é de natureza diferente. Move-se pelo tráfico de influências, a batota e métodos inaceitáveis num Estado de Direito. Baseia a sua paixão num bairrismo provinciano, que se mistura facilmente com o ressentimento contra Lisboa.


Por isso, e sem sequer me dar ao trabalho de fazer contas, estarei pelo Benfica este fim-de-semana. Por mais que isso choque os que, sportinguistas como eu, ainda vivem de rivalidades antigas.”

 

 

Conclusão: este é um daqueles jogos que, para os sportinguistas, é para ganhar. Naturalmente. Mal seria se assim não fosse.

 

Se porventura ganharem, porque afinal vimos da quadra natalícia, e quem acredita no Pai Natal, também poderá colocar essa hipótese, mantêm as suas ínfimas probabilidades de chegar ao título. Irão continuar a seis pontos do seu “principal adversário”, e a três do, “com bonomia”, “inimigo”, que fica virtualmente afastado da corrida.

 

Digo virtualmente, por dois motivos.

 

Primeiro, porque é mais que certo que os vizinhos da Segunda Circular não irão perder pontos a Leiria.

 

E em segundo lugar, porque a leve sensação de que, se essa tal equipa se apanha sozinha na liderança, está o caso desta Liga arrumado. Aliás, essa é a minha firme convicção, desde o jogo dos três penáltis do Duarte Gomes. O destino desta competição parece traçado, e por muito que façamos, só nos resta resistir até ao fim.

 

Não digo isto para desculpar as nossas falhas já ocorridas, que foram algumas, e as que, eventualmente, esperemos que não, ainda possam vir a acontecer.

 

A recente nomeação daquele árbitro para ir ajuizar um jogo entre os primeiros classificados da liga saudita, como que confirma essa minha expectativa.

 

Portanto, dá-me a ideia que não lhes trará grandes remorsos o triunfo da ética, sobre o tacticismo e o calculismo, e mais um título no pecúlio, já de si bastante superior ao seu, do grande rival.

 

 

É um fenómeno a que se assiste para aquelas bandas, e que consiste num paralelismo bem sucedido entre o Mundo da fantasia da Gata Borralheira e a realidade do futebol nacional: os adeptos daquele clube, a partir de um número indeterminado de abstinência de vitórias anos no campeonato nacional (ou neste caso, Liga), transmutam-se, por efeito dessa privação, não em abóboras como no conto, mas em melancias.

 

 

Ganhe o Sporting ou o mais grande do Mundo dos arredores de Carnide, ficam sempre a ganhar. Desde que o FC Porto perca é “win-win”.

 

Esta melacianização é visível nas mais variadas situações, como por exemplo, no empurrar para diante com a barriga (do Luis Duque?) as dívidas e o passivo, ou nos fundos de jogadores, vergonhosos num dia, e magníficos no seguinte, ou nos candidatos comuns à presidência da Federação Portuguesa de Futebol, ou até nas declarações do Presidente da Assembleia Geral daquele clube sobre espirros e arbitragem.

 

Aproveito aqui esta deixa para abrir um parêntesis sobre esta matéria. O Dr. Eduardo Barroso, ainda para mais sendo médico, deveria saber que, nem sempre quando se espirra, isso é sintoma de estar constipado.

 

Por exemplo, eu próprio farto-me de espirrar, não por estar constipado, mas por ter sinusite e rinite alérgica. A maior parte das vezes, nem eu sei se é uma coisa ou outra. Acreditem que é uma chatice, pois nunca sei que medicamentos tomar: se para a alergia ou para a constipação.

 

Por isso, está a ver Dr. Barroso, se o nosso Presidente espirrou, tal não implica necessariamente que a arbitragem se constipe. Pode ser muito simplesmente uma reacção alérgica à arbitragem de Duarte Gomes, e nesse caso, não haverá qualquer risco de contágio.

 

O comentário canhestro que fez, para mais vindo de quem vem, e no cargo que ocupa, fica mal. Seria, mais coisa menos coisa, como se andássemos por aí a dizer que quando o Dr. fala, alguém cai para o lado em coma alcoólico. E nós não fazemos isso. Percebe?

 

Agora que houve qualquer coisa que inebriou a visão e toldou o entendimento do árbitro Cosme Machado no jogo do seu clube, na segunda-feira passada, isso houve. É que o segundo amarelo ao Polga, já no período de descontos, era limpinho, e ele não o viu.

 

 

Se as regras que se aplicam ao seu clube, são as mesmas que se aplicam ao Pedro Mendes e ao Vitória de Guimarães, era menos um a jogar contra nós.

 

Sendo o Polga, só não sei se isso seria bom ou mau para o nosso lado…

 

Mar de preocupações, em seara alheia

12
Ago09

 

A TVI24 tem mais um daqueles programas dedicados ao comentário da actualidade desportiva, onde representam Benfica, Sporting e FC Porto, respectivamente, Fernando Seara, Eduardo Barroso e Pôncio Monteiro.
 
Anteontem, a dada altura e a propósito das contratações do Benfica, Eduardo Barroso fez um comentário qualquer que enervou Fernando Seara, e que o levou a recomendar paternalmente, que “não se preocupasse tanto com o Benfica”, que o Benfica estava bem, e que “não se preocupasse com o Benfica”.
 
Aposto que Eduardo Barroso, tal como eu, e muitos outros não benfiquistas, ficámos todos muito mais aliviados, porque o Benfica se encontra bem e de saúde. Mas tal, não leva a que, ao menos pela minha parte, o Benfica deixe de ser motivo de preocupação.
 
E preocupo-me, e vou continuar a preocupar-me, porque a reacção do Dr. Fernando Seara, foi idêntica à reacção do presidente do Benfica, quando confrontado com a notícia de que a sua direcção havia hipotecado dez anos de receitas para pagar os reforços contratados neste defeso.
 
Preocupo-me porque, pouco depois de ser do conhecimento público esta operação financeira, o presidente do Benfica veio dizer que “o dinheiro não cai do céu”, e que afinal de contas não havia qualquer antecipação de receitas, mas que estava tudo bem. Porém, não explicou, nem pouco mais ou menos, de onde vinha então o dinheiro.
 
Preocupo-me ainda, porque foi o Benfica o clube que foi multado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários em 40 mil euros, por “informação não verdadeira”, aquando da contratação do brasileiro Ramires.
 
Preocupa-me que, no clube com mais associados em todo o Mundo (cento e setenta e um mil, ao que consta), a Direcção em funções tenha sido, Enver Hoxhianamente[1], eleita por 18.825 votantes (91,74% dos votos), e o orçamento para 2009/2010, de 29 milhões de euros, tenha sido aprovado por 90%, de 52 gatos pingados, após segunda convocatória, por falta de quórum à primeira, e com chapadas à mistura.
 
  
 
Preocupo-me pelo ar de evidente desconforto de que Fernando Seara fez alarde, quando Eduardo Barroso, se calhar não tanto descabidamente como poderia parecer, associou a sua presença naquele espaço de comentário às eventuais vantagens políticas que daí poderia retirar.
 
Preocupa-me o ar maioral com que o Dr. Fernando Seara proclamou que o Benfica se encontrava em posição privilegiada para renegociar os direitos das transmissões televisivas, cujos contratos, pelos vistos, vão caducar em lá para 2013, ou seja, após o términus do mandato desta direcção do Benfica, que o Dr. Seara apadrinha.
 
Preocupam-me notícias, como aquela do “Sol”, aqui há uns dias, de uma dívida por parte do Benfica, à empresa Euroárea, decorrente do financiamento obtido para a construção do Centro de Estágio do Seixal, que deveria ser ressarcida através da obtenção, junto das Câmaras de Lisboa e do Seixal, de novos alvarás para projectos urbanísticos.
 
Preocupo-me porque, por exemplo, a Dr.ª Maria José Morgado, que tão diligentemente, não teve pejo em servir-se do “Eu, Carolina”, para reabrir os casos da “Fruta” e do “Envelope”, não dedique o mesmo tipo de atenção a notícias como a anterior.
 
Preocupo-me que, perante a existência de factos públicos, bem elucidativos da forma como o Benfica branqueou as dívidas fiscais que lhe impediam de receber fundos públicos para a construção do novo Estádio, a mesma Dr.ª Maria José Morgado fique impávida e serena.
 
Preocupa-me este tipo de encolher de ombros, que não é de hoje, e que vem repetir o que aconteceu aquando do episódio das certidões das Finanças, digamos, que relativamente conflituantes com a verdade, obtidas por Vale e Azevedo, descrito pela Dr.ª Maria José Morgado, no seu livro “O inimigo sem rosto – Fraude e Corrupção em Portugal”.
 
Preocupo-me porque aí, perante a diluição da(s) responsabilidade(s) pelo ocorrido por vários autores, a conclusão, pura e simples, foi que não era possível apurar o(s) culpado(s).
 
Preocupa-me o ataque de amnésia, que faz esquecer o eixo do mal, caracterizado pela autora no dito livro, como sendo constituído pela tríade: autarcas, promotores imobiliários e clubes de futebol, sempre tão presente em tantos aspectos da vida do Glorioso.
 
Preocupa-me que, afinal de contas, se dê tente dar um rosto à corrupção, mas que por detrás desse rosto esteja um clube desportivo, e que os factos com que se pretendia sustentar essa tentativa não fossem, ao que se sabe, além da estrita esfera do fenómeno desportivo, quando outros, de muito maior quilate, e transversais à sociedade, no seu todo, passam incólumes.
 
Preocupo-me porque este estado de coisas, em vez de melhorar, parece que tem vindo progressivamente a assumir contornos que parecem pouco apropriados para um regime democrático, e mais condizentes com uma ditadura – a ditadura dos seis milhões.
 
Preocupa-me, numa instituição, supostamente respeitável, como o é, o Sport Lisboa e Benfica, a constante falta de fairplay, de jogo limpo, de transparência, de vergonha na cara, de ética, desportiva e não só, e as recorrentes tentativas de abuso de posição dominante por parte dos seus corpos sociais.
 
Preocupa-me que, quando se fala em verdade desportiva, não sejam lançadas petições online sobre estes assuntos.
 
Preocupa-me que, numa altura em que o presidente da UEFA tanto se preocupa com o Real Madrid, o Cristiano Ronaldo e o Manchester City, o organismo que superintende o futebol europeu, não se preocupe com a transparência de gestão dos seus filiados, e não estude medidas que fomentem e defendam a sã concorrência entre os clubes.
 
Por estas alturas devem possivelmente, estar a pensar que vivo amargurado e deprimido com todas estas preocupações. Faço minhas, com o devido respeito, as palavras do Dr. Fernando Seara e do presidente do Benfica: não se preocupem, está tudo bem.
 
Devem ter notado que nenhuma das preocupações expressas, tem que ver com o que se passa no campo de jogo, propriamente dito.
 
Enquanto o FC Porto continuar a conseguir, por direito próprio, e sem favores de ninguém, nem pedidos para que outros sejam excluídos, ombrear taco-a-taco com clubes como o Manchester United, ainda que não lhes ganhe.
 
Enquanto no discurso dos seus jogadores, mesmo naqueles acabados de chegar há dois dias, a tónica for: “Ganhar, ganhar, ganhar!”.
 
Enquanto, cada vez que jogar, demonstrar o potencial suficiente para tornar irrelevante a presença do(s) árbitro(s), a favor ou contra.
 
Está mesmo tudo muito bem!

 


[1] de Enver Hoxha (Gjirokastër, 16 de outubro de 1908Tirana, 11 de abril de 1985) foi o governante da Albânia desde 1944 até sua morte, em 1985 (http://pt.wikipedia.org).