Aproximando-se a passos largos o Dia da Melancia, festejado com a nossa deslocação, no próximo sábado, a terras do pintainho preto com o chapéu de casca de ovo na tola, achei por bem recuperar um antigo artigo do Daniel Oliveira, a antecipar o massacre dos cincazero, publicado no blog “Arrastão”.
Então, cá vai:
“Os três sportinguistas
por Daniel Oliveira
O confronto entre o Porto e o Benfica deixa sempre os adeptos do meu clube numa situação difícil. Há, perante isto, três tipos de sportinguistas: os tácticos, os automáticos e os éticos Os tácticos fazem contas. Estão contra o que estiver melhor na tabela ou mais ameaçar uma determinada posição do seu clube. Os automáticos estão sempre contra o Benfica. Os éticos, a não ser que razões pragmáticas ditem o contrário, estão contra o Porto.
O Benfica é seguramente o principal adversário do Sporting. O mais irritante dos adversários, na verdade. Fanfarrão por natureza. Vivendo à sombra das glórias passadas, sem que o presente pouco brilhante perturbe a sua injustificada autoconfiança. E estão, para os sportinguistas de Lisboa, demasiado próximos. São vizinhos, amigos, familiares. São eles que nos dizem, contra todas as evidências, que apoiam o maior clube do Mundo.
Mas, ainda assim, incluo-me seguramente na terceira corrente, muito minoritária entre os sportinguistas. Porque o Porto não é um adversário. É, com a bonomia e ausência de ódio que o futebol exige, o que de mais próximo há de um inimigo. Contra o Benfica move-nos o futebol. Contra o Porto move-nos a civilização contra a barbárie. Os portistas não são nem melhores nem piores do que os outros. Mas a sua direcção é de natureza diferente. Move-se pelo tráfico de influências, a batota e métodos inaceitáveis num Estado de Direito. Baseia a sua paixão num bairrismo provinciano, que se mistura facilmente com o ressentimento contra Lisboa.
Por isso, e sem sequer me dar ao trabalho de fazer contas, estarei pelo Benfica este fim-de-semana. Por mais que isso choque os que, sportinguistas como eu, ainda vivem de rivalidades antigas.”
Conclusão: este é um daqueles jogos que, para os sportinguistas, é para ganhar. Naturalmente. Mal seria se assim não fosse.
Se porventura ganharem, porque afinal vimos da quadra natalícia, e quem acredita no Pai Natal, também poderá colocar essa hipótese, mantêm as suas ínfimas probabilidades de chegar ao título. Irão continuar a seis pontos do seu “principal adversário”, e a três do, “com bonomia”, “inimigo”, que fica virtualmente afastado da corrida.
Digo virtualmente, por dois motivos.
Primeiro, porque é mais que certo que os vizinhos da Segunda Circular não irão perder pontos a Leiria.
E em segundo lugar, porque a leve sensação de que, se essa tal equipa se apanha sozinha na liderança, está o caso desta Liga arrumado. Aliás, essa é a minha firme convicção, desde o jogo dos três penáltis do Duarte Gomes. O destino desta competição parece traçado, e por muito que façamos, só nos resta resistir até ao fim.
Não digo isto para desculpar as nossas falhas já ocorridas, que foram algumas, e as que, eventualmente, esperemos que não, ainda possam vir a acontecer.
A recente nomeação daquele árbitro para ir ajuizar um jogo entre os primeiros classificados da liga saudita, como que confirma essa minha expectativa.
Portanto, dá-me a ideia que não lhes trará grandes remorsos o triunfo da ética, sobre o tacticismo e o calculismo, e mais um título no pecúlio, já de si bastante superior ao seu, do grande rival.
É um fenómeno a que se assiste para aquelas bandas, e que consiste num paralelismo bem sucedido entre o Mundo da fantasia da Gata Borralheira e a realidade do futebol nacional: os adeptos daquele clube, a partir de um número indeterminado de abstinência de vitórias anos no campeonato nacional (ou neste caso, Liga), transmutam-se, por efeito dessa privação, não em abóboras como no conto, mas em melancias.
Ganhe o Sporting ou o mais grande do Mundo dos arredores de Carnide, ficam sempre a ganhar. Desde que o FC Porto perca é “win-win”.
Esta melacianização é visível nas mais variadas situações, como por exemplo, no empurrar para diante com a barriga (do Luis Duque?) as dívidas e o passivo, ou nos fundos de jogadores, vergonhosos num dia, e magníficos no seguinte, ou nos candidatos comuns à presidência da Federação Portuguesa de Futebol, ou até nas declarações do Presidente da Assembleia Geral daquele clube sobre espirros e arbitragem.
Aproveito aqui esta deixa para abrir um parêntesis sobre esta matéria. O Dr. Eduardo Barroso, ainda para mais sendo médico, deveria saber que, nem sempre quando se espirra, isso é sintoma de estar constipado.
Por exemplo, eu próprio farto-me de espirrar, não por estar constipado, mas por ter sinusite e rinite alérgica. A maior parte das vezes, nem eu sei se é uma coisa ou outra. Acreditem que é uma chatice, pois nunca sei que medicamentos tomar: se para a alergia ou para a constipação.
Por isso, está a ver Dr. Barroso, se o nosso Presidente espirrou, tal não implica necessariamente que a arbitragem se constipe. Pode ser muito simplesmente uma reacção alérgica à arbitragem de Duarte Gomes, e nesse caso, não haverá qualquer risco de contágio.
O comentário canhestro que fez, para mais vindo de quem vem, e no cargo que ocupa, fica mal. Seria, mais coisa menos coisa, como se andássemos por aí a dizer que quando o Dr. fala, alguém cai para o lado em coma alcoólico. E nós não fazemos isso. Percebe?
Agora que houve qualquer coisa que inebriou a visão e toldou o entendimento do árbitro Cosme Machado no jogo do seu clube, na segunda-feira passada, isso houve. É que o segundo amarelo ao Polga, já no período de descontos, era limpinho, e ele não o viu.
Se as regras que se aplicam ao seu clube, são as mesmas que se aplicam ao Pedro Mendes e ao Vitória de Guimarães, era menos um a jogar contra nós.
Sendo o Polga, só não sei se isso seria bom ou mau para o nosso lado…