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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Pedimos desculpa pela interrupção

28
Fev14

 

O programa de erradicação do Paulo Fonseca em curso, segue dentro de momentos.

 

Não vi o nosso jogo de ontem. Jogos às seis da tarde têm destas coisas. Fui ouvindo o relato e acompanhando um minuto-a-minuto na internet, que mais parecia um quarto-de-hora-a-quarto-de-hora. Depois vi o resumo no Porto Canal e na net.

 

Do pouco que vi e ouvi, fiquei com a ideia de que os três golos alemães tiveram na sua génese, como de costume, déficits colossais do nosso sector defensivo, e nós marcamos três, fundamentalmente, à conta do querer e da determinação. E do Quaresma, e do Ghilas, e do Mangala, e do Licá. Sim, do Licá. Que extraordinário, não é!?

 

Este jogo não altera rigorosamente nada do que está para trás, apenas entreabre a porta para o que aí poderá vir.

 

O verdadeiro teste ao Paulo Fonseca não era este. O teste a sério vai ser quando regressar ao Dragão para receber o Arouca.

 

O de ontem e o do próximo fim de semana em Guimarães, não passam de etapas classificativas, quiçá eliminatórias, para o teste final.

 

Da maneira como as coisas estão, com a pateada do último domingo e com o que desde então se disse e escreveu, as posições extremaram-se de tal forma, que por muito boa vontade que se tenha, acho que foi atingido o ponto de não retorno.

 

Quem recuar agora vai saborear o travo amargo da derrota. Aqui chegados, a ironia é que a vitória do clube (do treinador, do presidente e da SAD), será a derrota da quase generalidade dos adeptos, que desespera por uma mudança. Por sua vez, a derrota do clube, será a vitória destes últimos.

 

Bem vistas as coisas, é um win-win agri-doce para quem quer a mudança – não acredito que, apesar de tudo, haja um portista a sério que não fique contente com a vitória do seu clube – portanto, que vença o FC Porto, dê lá por onde der.

 

E pode ser também ao Nápoles, dos Hamsiks, dos Higuains e dos Inlers, que os jogos e as eliminatórias só se perdem no fim.

 

Antes que me esqueça, uma nota final para o Jackson "cha-cha-cha" Martinez. É verdade que marca muitos golos. Mas também é verdade que, nos últimos tempos, falha para aí o triplo das oportunidades que marca, o que o deixa muito próximo de perder um dos "cha"'s do epíteto.

 

Entretanto, o Gonçalo Paciência está de volta aos B, e a fazer bons jogos. Que tal uma troca?

Discutir é preciso, às vezes

26
Fev14

 

No futebol, como na vida, hão de haver sempre opiniões divergentes e vozes discordantes.

 

Temo-las quando as coisas correm pelo melhor, quanto mais quando elas estão tremidas. O futebol é neste contexto, um fórum de discussão privilegiado. Tudo se discute. O que está de fora e o que nos toca directamente.

 

Os golos, as faltas, os foras-de-jogo, as decisões dos árbitros, os treinadores, as opções dos treinadores, os jogadores, os presidentes, as direcções das SAD, quando existem, os adeptos, quem é mais adepto, quem é menos adepto, qual a postura correcta, qual a incorrecta…

 

Enfim, discute-se tudo e mais alguma coisa.

 

Parece-me que é este o ponto em que nos encontramos neste momento. Dando razão ao ditado da casa onde não há pão, tudo parece ser argumento para fomentar a discussão.

 

Começámos a época a discutir jogadores, quem ia, quem vinha, quem ficava, quem era dispensado, e porquê.

 

Rapidamente passámos para a discussão das decisões dos árbitros, os seus erros e omissões, quem foi mais ou menos beneficiado, quem são os sérios e os menos sérios, os que se querem, e os que não se querem ver nem pintados. Menos mal, há sempre quem dê um passo em frente e passe directamente para as montras de talhos!

 

Em seguida, mas quase em simultâneo, dedicámo-nos ao sistema táctico. Duplo pivot, trinco à antiga, 4x3x3, 4x2x3x1, 4x1x2x1x2. Veio depois a questão dos jogadores mais adequados ao dito sistema.

 

De caminho, iam surgindo os primeiros fogachos de discussão em torno do treinador. Discutindo-se o treinador, não havia como fugir a envolver na discussão quem teve a responsabilidade pela sua contratação.

 

Meteu-se Janeiro, e voltámos à recorrente discussão das entradas e saídas.

 

Agora, estilo bola de neve a rolar encosta abaixo, discute-se o treinador, a SAD, e a saída de um administrador, o presidente, e a sua relutância em mandar às malvas o treinador, os puxões de orelhas aos jogadores.

 

Sem se chegar a grandes conclusões sobre os pontos prévios na agenda, a coisa avança inevitavelmente para o campo maniqueísta do quem apoia e quem não apoia, quem são os bons e os maus adeptos, quem é mais ou menos portista.

 

Detesto quando as coisas se encaminham neste sentido. Estou demasiado afastado do palco onde decorre a acção principal para participar nesse debate, e gosto demasiado de cores, neste caso do azul, para limitar a realidade ao branco e preto.

 

Temos pela frente um jogo importante, mas mesmo que o não fosse, por mais voltas que dê, não concebo que exista um único portista que suspire por uma derrota da sua equipa em Frankfurt, Leverkusen, na Conchinchina ou lá onde quer que seja. Nem sequer o Miguel Sousa Tavares.

 

Mesmo que isso signifique que o Paulo Fonseca, o Pinto da Costa, o Fernando Gomes (o actual!), e a SAD, fiquem exactamente nos mesmíssimos lugares onde e como estão.

 

Não me interpretem mal, gosto de discutir. Acho que é da exposição civilizada de diferentes pontos de vista, antagónicos ou complementares,  que se aprende alguma coisa, apesar de notar em mim mesmo, uma cada vez maior renitência em abandonar os meus próprios pontos de vista. Deve ser da idade.

 

E gosto de discutir futebol, ainda que seja um dos temas onde, logo à partida, se encontram reunidas, pelos mais diversos motivos, todas as condições para que seja uma das menos prolíferas das discussões.

 

No entanto, e para que não fiquem dúvidas, quinta-feira é para ganhar, e acabou.

 

E sobre isso não há discussão.

A nossa época, em duas frases e uma canção

21
Fev14

 

 

“Lasciate ogni speranza, voi ch’intrate”

 

(Inferno, Dante Alighieri)

 

Devia aplicar-se aos adversários que entram no Dragão. Infelizmente, aplica-se é aos nossos sócios e adeptos que lá vão ver jogos europeus.

 

 

 

O nosso treinador fez coisas boas e inovadoras esta época. Infelizmente, as boas não foram inovadoras, e as inovadoras não foram boas.

 

(adaptado, salvo erro, de uma frase de Marcello Caetano)

 

 

“IV. Misplaced Rendezvous

It's getting late, for scribbling and scratching on the paper
Something's gonna give under this pressure
And the cracks are already beginning to show
It's too late
The weekend career girl never boarded the plane
They said this could never happen again
So wrong, so wrong

This time it seems to be another misplaced rendezvous
This time, it's looking like another misplaced rendezvous
With you
The parallel of you, you”

 

("Bitter Suite", Marillion)