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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Advantage: Porto!

29
Jan13

Este campeonato começa a assemelhar-se a uma longa partida de ténis, disputada nas vantagens. Vantagem de um lado, vantagem de outro. Só por mero acaso teremos vantagem nula.

 

Neste momento, depois da goleada de ontem, a vantagem está do nosso lado, e temos três bolas de “break” (golos) à maior. Digo bolas de “break”, porque o “serviço”, não está do nosso lado. Mais uma vez. Ainda assim, estou como o Zé Luis, não acredito que seja por aí que se irá decidir o que quer que seja.

 

E o que tem mais piada é que, estando em primeiro lugar, ainda ex-aequo, a volta que isto tudo deu, sem sair do mesmo sítio.

 

Na Pedreira, o nosso (único) rival, ao que consta, por necessidade pouco comprovada – lesão de Cardozo, mas com Rodrigo no banco -, alterou o seu esquema habitual, e conseguiu aquilo que o seu treinador nunca antes conseguira.

 

A equipa das cavalgadas heróicas desta vez optou pelo pragmatismo. Entrou apenas com um avançado, apoiado por uma linha de três, e dois mais atrás. Apanhando-se a ganhar aos 67’, troca um extremo (Ola John) por um médio defensivo (André Almeida). O adversário reduz aos 77’, e o árbitro, para manter alguma normalidade nisto tudo, acaba com o jogo aos 84’.

 

Pelo nosso lado, também beneficiámos de uma expulsão, aleluia, a segunda em dois jogos consecutivos, ainda que apenas por o de Setúbal ter sido adiado da 12.ª jornada. A terceira da temporada, contando com a do Rojo, no jogo com os da Calimeroláxia. Será melhor que não nos habituemos, pois não tarda, o Rui Gomes da Silva põe a boca no trombone, e acaba-se.

 

Mas dizia eu, beneficiámos de uma expulsão, e para além de demonstrarmos que assim, também nós, mostrámos que com cabeça, com a bola a circular e sem grandes correrias desenfreadas, também se alcançam goleadas.

 

Curioso também é que, estamos à frente pela melhor diferença de golos. No entanto, pese embora os inegavelmente mais vastos recursos ofensivos à disposição do nosso adversário, só levamos menos um golo marcado – 40/41.

 

E apesar de todo o folclore, que de resto não é novo, a propósito de um avançado contrário que marca muitos golos, temos o melhor marcador da prova.

 

Nem vale a pena falar da solidez da defesa, que é a menos batida, com quatro golos de diferença para a seguinte. Deve ser dos penáltis que ficaram por marcar, e dos vermelhos que ficaram por mostrar – somos a única equipa que ainda não teve qualquer atleta expulso e a que tem menos amarelos. Mas isso resolve-se…

 

Pretender ver um nexo qualquer de causalidade entre isso e a posse de bola, como aconteceu ontem, será perfeitamente estapafúrdio para os Goberns da nossa praça.

 

 
(imagem tirada do "Público", link acima)
 
As trivialidades que debitei até agora devem ter sido em número suficiente para que tenham percebido aquilo que vi do jogo. Os vinte e poucos minutos do costume.

 

Ouvi o relato da primeira parte, e aos quarenta minutos dizia o suspeitíssimo Manuel Queiroz, que o FC Porto estava a joga muito bem. Porém, ao intervalo, tivera sorte na forma como obtivera os dois golos. Coisas da vida!

 

Comecei a ver o jogo já com três zero, e o Gil com um jogador a menos. Irritei-me umas quantas vezes com o Varela, mas o homem lá marcou um golo, e com alguns passes em profundidade, dignos das 30.000 léguas submarinas.

 

Depois vi em repetição os golos do Danilo e do Defour. Que maravilhas!

 

O Danilo, a avançar e a serpentear para dentro trouxe-me à memória as diagonais do capitão João Pinto, com a ligeira diferença que acabou com um pontapé para o golo e sem feridos na bancada.

 

O do Defour é uma obra-prima em qualquer lado. Não me surpreende por isso, que o Jorge lhes dê dois Baías.

 

Então, e as corridas do Castro? Ninguém reparou?! Eu reparei, mas o que é que querem, gosto do rapaz. Fez duas corridas a dobrar colegas, à direita e à esquerda, que não foram brinquedo, e acabou ambas a proteger bem a saída da bola na frente dos respectivos oponentes.

 

Para minha consolação, como se me servisse de alguma coisa, constatei hoje de manhã que não devo ter sido o único que falhou grande parte do espectáculo.

 

Estes também não devem ter marcado presença, ao contrário do Leonardo Jardim…
 
 
 
 

O costume. Fica a dúvida: será distracção, negação ou apenas azia?  

As opções de Vitor Pereira (ou "A arte de manejar pinças com luvas de boxe calçadas")

26
Ago12

Pois é, foram precisos três jogos oficiais, para, acho eu, finalmente perceber o que queria dizer o nosso treinador, quando afirmava que a pré-época servia essencialmente, para preparar a equipa para o jogo da Supertaça Cândido de Oliveira.

 

E o que queria dizer, era isso mesmo.

 

Com os três internacionais brasileiros (Hulk, Danilo e Alex Sandro) nos Jogos Olímpicos, e com os internacionais portugueses (Miguel Lopes, Tolando, João Moutinho e Varela) a apresentarem-se mais tarde no Dragão, pouco mais lhe restaria fazer senão trabalhar com os que sobejavam, preparando-os para conquistar mais um título. Como acabou por acontecer.

 

 
A equipa que alinhou perante a Académica de Coimbra, se descontarmos a entrada do Miguel Lopes para o lugar do Djalma (como acontecera contra o O. Lyon), acabou por ser aquela que mais rodou na pré-época, e com inteira justiça, quanto a mim, para aqueles que cá estavam desde o início dos trabalhos. Lembro-me, designadamente do Defour, que manteve o seu lugar, apesar de já cá estar o João Moutinho.

 

O jogo foi sofrido, e não causou grande surpresa ver na segunda parte a mesma asneirada que havia sido ensaiada no jogo de apresentação, ou seja, um ataque com o Djalma e o Silvestre Varela, a jogarem em simultâneo, com o James por detrás, a organizar jogo, que, como então se percebera, estaria fadado ao insucesso.

 

Entre o jogo da Supertaça e a primeira partida da Liga Zon Sagres 2012-2013, é emprestado o Djalma, numa opção que, confesso, não entendi. Não por causa do que o próprio jogador possa ou não ser ou valer, enquanto futebolista, ainda que pessoalmente prefira um Djalma que dá o que tem e pode, a um artista qualquer que joga quando muito bem quer e lhe dá na real gana. 

 

Estranhei este empréstimo porque o angolano fez praticamente toda a pré-época na posição de lateral-direito, que não é a sua, e em que não lhe agradava jogar, conforme o próprio a dada altura admitiu. No jogo da Supertaça, quando foi necessário reforçar o ataque, foi mesmo a primeira opção, e menos de uma semana depois, acaba a dar com os costados na Turquia. Estranho.

 

  

Para Barcelos, já cá estavam os brasileiros. Contudo, tal como escreveu o Jorge, na antevisão do jogo, também a mim me parecia, que mais não fosse por uma questão de justiça, seria de manter a equipa que jogou na Supertaça. O Alex Sandro e o Hulk seriam sempre potenciais candidatos a entrar no decorrer do jogo, consoante as coisas evoluissem.

 

O Hulk acabou por jogar de início, até porque o Atsu foi jogar pelo seu País à China, ou coisa que o valha, e o Alex Sandro, esse sim, entrou na segunda parte. Com a entrada deste último nos convocados, saiu muito naturalmente o Rolando. Se é a quarta opção para o centro da defesa, os outros três estão a jogar de início, e há mais uma opção para o flanco esquerdo da defesa no banco, que falta é que fazia lá o Rolando?

 

Por sua vez, a exibição pobre do João Moutinho acabou por explicar a sua não entrada no onze inicial da Supertaça. Isso, ou aquilo que para mim, foi o mais estranho.

 

O João Moutinho, na véspera de jogar pela Selecção, é suplente na Supertaça, para depois jogar 73 minutos num encontro particular contra o Panamá, e a seguir ser titular contra o Gil Vicente.

 

Será que esteve a ser poupado para a Selecção? Depois de mais de 2/3 do jogo em campo, quando no FC Porto vinha a jogar 30 minutos, dá-se-lhe a titularidade em Barcelos? Porquê?

 

 

Para o terceiro jogo oficial, no Dragão, contra o Vitória de Guimarães, tivemos finalmente a nossa melhor equipa toda disponível. E foi o que se viu. Poderá ser discutível a entrada do Atsu, em detrimento do James, mas, a meu ver, foi a melhor opção. O colombiano não é exactamente um extremo, e é mais um que também já fez saber que gosta é de jogar a "10". Assim sendo, é o substituto natural do Lucho. Logo, entra, quando este rebentar, e será bom que não se queixe.

 

(Re)vendo estes três jogos, fico com a nítida sensação de que, efectivamente, o Vitor Pereira preparou inicialmente a equipa, apenas para o jogo da Supertaça. Em Barcelos, como é seu apanágio, e quiçá, com o resultado da época passada na memória e o Duarte Gomes no pensamento, entrou com cautelas e caldos de galinha, para depois, no primeiro jogo em casa, soltar as feras.

 

Para já, o nosso treinador faz-me lembrar o "idiota da aldeia", dos Monty Python. Um arranque de temporada timorato e temeroso, com os adeptos a cairem-lhe em cima, ao melhor estilo da temporada passada, para depois, no Dragão, sacar uma daquelas exibições de ópera, e fazê-los meter a viola no saco. Pelos menos por uma semana. Será isso? Uma semana de cada vez, é o lema?

 

  

Vamos ver. Na próxima semana temos o final do mercado de transferências de Verão. Estes sete dias vão ser arrasadores, e nem vale a pena elevar muito as expectativas para Olhão, no fim de semana.

 

O Álvaro Pereira, já se foi, o Rolando, se não foi, também não conta para grande coisa, e o Iturbe parece, cada vez mais, ser carta fora do baralho. Ficam os que tem esperança de sair, e os que têm esperança que os primeiros saiam.

 

Jogadores como Miguel Lopes, Mangala e Defour, tendo em conta as opções do treinador, com certeza que já perceberam o seu lugar neste plantel, e não terão grandes esperanças de atingir a titularidade. O que dizer então de um Abdoulaye ou de um Castro?

 

O fosso que se cava entre os titulares e as segundas opções, começa a tomar proporções descomunais. Pior ainda, depois do 31 de Agosto, saindo um Hulk, um Fernando ou um João Moutinho, decididamente que vamos ter um plantel mais fraco. Mas, não saindo qualquer um deles, teremos, uma vez mais, alguns jogadores que, ou queriam, ou não se importariam grandemente de porventura mudar de ares.

 

Espero estar a ser pessimista, mas vejo no nosso plantel uma série de jogadores quase sem expectativas de virem a jogar, e outros tantos com expectativas, eventualmente frustradas, de irem jogar noutros lados.

 

Tudo somado, e acrescentado ainda a gestão atabalhoada dos recursos que tem ao seu dispor, tão característica do nosso treinador, parece-me que apesar de neste momento, termos uma excelente equipa, temos perante nós um belo dum barril de pólvora. Outra vez.

 

Oxalá me engane.   

Os lemingues também se abatem

30
Jan12

 

Varela, de seu nome, o rapaz da foto. Tenho de confessar que, quando ouvi por aí que o tal fulano que joga futebol pelos cotovelos, tinha sido considerado o “homem do jogo” de sábado à noite, não consegui conter a minha estranheza.

 

Como é que é possível? Sim, marcou um golo. E depois? O Varela fez o resultado do jogo. Não fora ele e o árbitro auxiliar, que invalidou um golo limpo ao Feirense, o desfecho do jogo não tinha ido além do nulo.

 

Coitado do rapaz, vai na volta até é bom moço. Foi só uma daquelas noites em que tudo corre mal. Bem, tudo também não, afinal foi ele o autor do único golo da sua equipa.

 

Quanto ao resto, depois do golo na própria baliza e do penálti, cada vez que o via aproximar-se da bola, fiquei à espera de um atraso para o guarda-redes ou um vermelho directo, só para compor o ramalhete. O vermelho esteve quase. Foi por uma nesga que não rasteirou o Rodrigo, quando este seguia isolado para a baliza.

 

A dada altura fez-me lembrar aquela anedota dos pais que vão ver o filho à parada militar, e que constatam embevecidos que o seu rebento é o único que vai com o passo certo.

 

Assim foi o Varela. Toda uma equipa a puxar para um lado, e só o bom do Varela a remar contra a corrente. É obra. Nunca tinha visto uma coisa assim. Ou melhor, até tinha, só que os protagonistas se chamavam Veríssimo e Marc Zoro.

 

Atenção, com o que acabei de afirmar não estou a querer insinuar rigorosamente nada, apenas a constatar a semelhança entre algumas actuações de jogadores, que no caso dos dois últimos, até tinham algumas coincidências no seu percurso desportivo.

 

Aliás, a bem da verdade, tenho que me penitenciar pelo comentário que fiz antes da partida, sobre a eventual maior ou menor entrega dos homens da Feira.

 

Na realidade, os rapazes do Feirense correram e suaram as camisolas até ao limite das suas forças. O Diogo Cunha até atirou uma bola ao travessão. Pronto, aconteceu aquilo do Varela, mas sobre isso já disse o que tinha a dizer.

 

Também não pretendi por em causa vitória de quem a obteve. Nem por sombras.

 

Quem ganhou correu atrás do prejuízo. Correu, correu, correu, muito correram aqueles jogadores. E deram a volta ao resultado.

 

É impressionante o que aqueles homens correm. Jogar, não jogam muito, mas correm como se fossem onze Forrest Gumps. Ainda me lembro que foi isso que o seu treinador disse, quando chegou à Cesta do Pão. Que com ele, aqueles jogadores tinham de correr três vezes mais. E bolas, que o fazem. Melhor, fazem-no sem se ressentirem com lesões de esforço, ou coisa que o valha. Umas quantas gastroenterites e mais nada. O Rei da Chuinga deve ter descoberto a receita da poção do Panoramix.

 

Há, porém o reverso da medalha. Nunca dão a sensação de ter a partida controlada, basta ver as estatísticas, mas empregam-lhe uma dinâmica e uma intensidade difíceis de conter.O domínio do jogo fica repartido e embates como o de sábado, ficam transformados, como dizem os espanhóis a propósito dos jogos da NBA, em autênticos corre calles. Quando a coisa se parece encaminhar para o torto, vem de lá uma ajudazinha extra, que a repõe de volta nos eixos.

 

 

(Estatísticas Oficiais da Liga Zon Sagres - LPFP/wTVision/Amisco)

 

Logicamente que isso não é o quanto baste para garantir vitórias. Bem se viu naquele jogo. Não fora o Varela e o providencial golo anulado, e onde é que andaria a vitória. Achava eu, na minha ingenuidade, que o Rui Costa era demais para esta ida a Santa Maria da Feira.

 

Verdade seja dita, as minhas previsões deram quase todas, como se costuma dizer, com os burros na água.

 

Veja-se o caso do Sporting. Era capaz de apostar que não era desta que ganhariam. Ainda para mais, com o Duarte Gomes como árbitro.

 

Rotundo falhanço. O Onyewo encarregou-se de mandar as malvas as minhas capacidades preditivas.

 

Infelizmente, o único ponto em que acertei, foi no ardor estomacal que me dava a nomeação do Bruno Paixão para o nosso jogo. Admitamos também, que era o mais fácil de prever.

 

Como não vi o nosso jogo em Barcelos, apenas consegui ir ouvindo o relato radiofónico, vou abster-me de tecer grandes comentários sobre o assunto. Pelo que ouvi, e recorrendo às mesmas estatísticas que pesquei acima, foi um jogo à FC Porto actual: muita posse de bola, ataque inconsequente e defesa sobre brasas.

 

 (Estatísticas Oficiais da Liga Zon Sagres - LPFP/wTVision/Amisco)

 

Quanto ao resto, o título deste texto diz quase tudo. A trajectória do nosso clube nesta edição de 2011-12 da Liga Zon Sagres, faz lembrar um grupo de lemingues, numa cavalgada desenfreada e inexorável em direcção do abismo.

 

O Bruno Paixão limitou-se a dar o tiro de misericórdia que impede de sentir nos bigodes (acho que os lemingues, enquanto roedores, têm bigodes!) a vertigem do vazio, num salto de bungee, sem cabo. Como de resto, se adivinhava, e certamente correspondendo inteiramente às esperanças nele depositadas por quem o nomeou.

 

 

Pelo que disse logo no início, devem com certeza ter percebido que dei uma vista de olhos pelo jogo do clube que nos antecede na classificação. Estive num sítio onde a televisão estava ligada no canal do jogo, e, de vez em quando não resisti.

 

Como dizem os anglófonos, “better the devil you know”. Pior ainda, tive o desprazer de me sentar ao lado de um adepto daquele clube.

  

Pois bem, sabem qual é o principal motivo porque aquelas almas estão confiantes de que serão os novos campeões? Porque o Vítor Pereira é o nosso treinador.

 

Nem mais. Não é porque jogam enormidades, como há dois anos, ou porque há uma vaga de fundo, há quem lhe chame andor, que os empurra, ou porque tem que ser. Simplesmente porque o Vítor Pereira é o nosso treinador, e enquanto tal, estão confiantes. É triste.

 

Ainda a propósito do Vítor Pereira registei, como eu havia sugerido a troca da braçadeira de capitão de equipa entre o Helton e o Rolando. Pena é que a minha sugestão redundou (como se esperava, n’est-pas?) numa perfeita estupidez. Basta ver o nó cego que o André Cunha lhe pregou no lance do terceiro golo do Gil Vicente, para se perceber que a braçadeira não traz ao Rolando grande valor acrescentado.

 

Contudo, fiquei na esperança de que o Vítor Pereira fosse capaz de aqui vir beber mais alguma ideia gasificada. Mas não, ilusão minha. Não foi daqui que ele sacou a ideia. Afinal houve, como sempre há, uma razão muito mais lógica para a atribuição daquela responsabilidade ao Rolando. Resultados é que, nem por isso.