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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

(Tele)Visão Azul

17
Jan12

 

 

Ontem no “Somos Porto”, do Porto Canal, entre outros apontamentos e comentários que subscrevo inteiramente, vi sugerir aquilo de que falei no último artigo: o regresso do Mário Jardel ao FCP, para treinar os nossos avançados. E inclusivamente, quem defendeu essa tese – a empresária Rita Moreira - sustentou-a com um dos argumentos que utilizei: se há treinadores para guarda-redes, porque não fazê-lo para avançados?

 

É sempre reconfortante quando vemos que as “nossas” ideias mais estapafúrdias, afinal talvez não o sejam tanto como isso. Ou pelo menos, que há outros que têm ideias tão estapafúrdias como as nossas!

 

Quando escrevi o texto não sabia que o Jardel estava por cá, ou que ia estar, portanto foi mesmo pontaria. Ver ontem aquela entrevista e a conversa que a seguiu, entrecortada com as imagens dos golos marcados pelo Super Mário ao AC Milan, acreditem, deixou-me de lágrima no canto do olho.

 

 

 

Se estão a pensar que sou um pieguinhas por aquilo que acabei de confessar, garanto-lhes que sou tão emotivo como qualquer um. Admito que chorei quando vi o Bambi, quando o Faísca McQueen desistiu da Taça Pistão, para ajudar o Rei a acabar a corrida, quando o Rocky Balboa deitou abaixo o brutamontes do Dolph Lundgren ou quando vejo a Cardozo expulso por simular uma falta, depois de milhentas agressões impunes.

 

O que é que querem? Sou assim.

 

Aproveito para prestar aqui a minha singela homenagem ao Porto Canal. Ao contrário de outros, nunca vi naquele canal ser ofendido alguém com outras preferências clubísticas, ou incitamentos à tomada de armas contra quem quer que seja. Antes, vejo programas que, embora simples, se pautam por conteúdos e debates de um nível bastante mais elevado do que a boçalidade por aí se vê. E não é só nos canais de certos clubes.

 

Para quem como eu, mora a 550 quilómetros do Dragão, e tem poucas possibilidades de se deslocar, um canal como o Porto Canal constitui um excelente veículo para estreitar os laços afetivos com o clube.

 

Poder assistir em direto a transmissões de jogos de basquetebol, andebol e hóquei em patins no Dragão Caixa, foi uma alegre novidade e um contacto com uma realidade quase desconhecida, tão raro esses jogos aparecem nos canais ditos generalistas.    

 

Este canal, que quanto a mim ainda poderia aprofundar o seu “portismo”, contribui para combater uma das pechas, entre outras, que desde sempre apontei ao nosso presidente.

 

Sendo algarvio e vivendo no Algarve, fiquei desde sempre chocado com o discurso regionalista de Jorge Nuno Pinto da Costa.

 

Quando decidi que o meu clube era o FC Porto, nos idos de 1977-78, na minha sala da escola havia apenas dois portistas. Não sei atualmente quantos miúdos do FC Porto terá cada sala, mas é provável que sejam mais.

 

O clube cresceu, os êxitos alcançados contribuíram para difundir a sua imagem pelo Mundo todo, e atualmente encontram-se portistas, adeptos ou meros simpatizantes, por todo o lado.

 

Por isso, não posso concordar com o nosso presidente, quando o seu discurso é no sentido de manter o clube encarcerado no seu reduto regional, esquecendo os portistas que situam fora desse espaço territorial, e não contribuindo assim em nada para uma expansão ainda maior do a até à data registada.

    

Que o FC Porto é um clube, primeiro da cidade do Porto, depois do Norte, e só a seguir vem o resto, ninguém põe em causa. É a realidade, e é óbvio.

 

Mas é tremendamente redutor acabar por aí. O combate ao centralismo não é um exclusivo nortenho ou portista, ainda que aí se possa sentir com uma maior intensidade. O jugo que a capital do império exerce faz-se sentir sobre o resto da paisagem, e cada qual reage à sua maneira. haja quem capitalize e congregue esse setimento de revolta.

 

E é isso que, para mim, significa e sempre significou o “portismo”: um estado de espírito, uma forma de estar, uma capacidade de pensar sem seguir o resto da maralha. Em suma, um ato de revolta e de resistência, e uma maneira de estar diferente daquelas marias-vão-com-as-outras, que alegam um direito divino a vencer, independente dos seus méritos, mas apenas porque sim, e porque são em maior número que os demais.

 

Oxalá o Porto Canal, agora também com esse grande portista que é o Júlio Magalhães, siga neste sentido. Essa seria sem dúvida uma vitória ímpar, maior do que ser o mais grande do Mundo e arredores.

Na senda de um avançado matacão

11
Jan12

Antes de mais, uma espécie de “disclaimer”. Quando comecei a ver futebol, o ponta de lança titular do FC Porto era o Fernando Gomes. O meu primeiro ídolo no futebol internacional foi o Horst Hrubesh, avançado do Hamburgo e da selecção da, então, RFA, e o gajo que mais forte vi cabecear até hoje.

 

 

     

 

Neste momento está aberto o mercado de transferências, e para os nossos lados, o assunto do dia, tal como já o foi na época transacta aquando da lesão do Falcao, é a hipotética contratação de um avançado centro que substitua, agora a título definitivo, o melhor marcador das competições europeias de 2010-11.

 

No ano passado por esta altura defendi, ainda que talvez não o tenha escrito, que o homem ideal a contratar seria o João Tomás, do Rio Ave, então com 34 anos.

 

Caso tenham ficado surpreendidos, acrescento que, quando o Jardel regressou a Portugal para representar o Beira-Mar, fui da opinião de que, caso desse certo em Aveiro, devíamos ir buscá-lo, precisamente na janela de transferências de Janeiro, para vir acabar a época entre nós.

 

E isto não tinha nada a ver com alguma assomo de gratidão ou paga pelos serviços prestados. Passo a explicar.

 

A meu ver o FC Porto tem alguma tradição naquilo que defino como os “avançados matacões”. Aquela história do “pinheiro”, de que o Cepo que em tempos passou por Alvalade, falava e que não é de hoje. O tipo não inventou nada. Caramba, o Brasil de 1982, que foi a melhor equipa que vi jogar até hoje, tinha plantado lá na frente o Serginho, e outros exemplos não faltarão.

 

Quando falo em “avançado matacão” não me estou a referir a rapazes altos e toscos, como o Manniche (o original, e não aquele que só fez alguma coisa de jeito entre nós), ou o Peter Crouch, ou mesmo o checo Köller, ainda que este, disfarçasse mais do que os outros dois a tosquice.

 

Estou a falar de tipos altos, sim, daqueles que jogam na área, sabem cabecear, e que se mexem, mas fundamentalmente, sabem mexer a bola ou pelo menos direccioná-la com propriedade para a baliza.

 

Quando o Fernando Gomes foi tentar a sorte em Gijón, veio o primeiro avançado deste género que me lembro: o Mick Walsh, um cabeceador por excelência.

 

Depois vieram o Júlio e o Jacques, que fugiam um pouco a este padrão. Este último, apesar da sua pequena estatura chegou a melhor marcador nacional.

 

Seguiu-se um extenso rol de avançados, uns melhor sucedidos outros pior. Nomes como Paulo Ricardo, Paulinho César, Mielcarski (o Miguel Castro, para os amigos), Stephane Paille, Jankauskas, Pizzi e Quinzinho, por exemplo, passaram pelo FC Porto sem deixar grandes marcas.

 

Homens como Vinha ou Kaviedes, nem deu para perceber muito bem o que é que raio é que eram.

 

Tivemos também produtos caseiros. Paulo Alves, ainda que vindo como júnior do Vila Real, e tendo ficado associado quase em exclusivo, vá-se lá saber porquê, ao Sporting, Hélder Postiga, Miguel Bruno ou Hugo Almeida, são exemplos dessa produção.

 

No entanto, os que mais me marcaram foram claramente, Gomes, o Rui Águas, apesar de tudo, e claro está, acima de todos, aquele que podia servir de modelo, e cuja fotografia devia ilustrar o termo “avançado matacão” na Wikipedia, o Super Mário Jardel.          

 

 

Coloco noutro plano outros dois que também me impressionaram. Obviamente o Falcao, e o Benny McCarthy, que não foram exactamente exemplos de “matacão”, mas sem margem para dúvidas, grandes avançados.

 

Dir-me-ão: “Bolas! Em tantos gajos, foram tão poucos os bem sucedidos, para quê insistir nessa tecla?”

 

Por vários motivos. Na época passada, o João Tomás, ou há uns anos atrás o Jardel, poderiam ser contratados por uma tuta e meia, e quase de certeza que marcavam mais golos do que o Walter marcou. O João Tomás foi o melhor marcador português da Liga, estando no Rio Ave.

 

No FC Porto, com a equipa montada para um ponta-de-lança (ver o artigo anterior), parece-me ser expectável que concretizasse um número razoável de golos. O mesmo valia, à data, para o Jardel.

 

Outro argumento que pesa na minha tese, é o facto de que, um bom avançado, de certa maneira, nasce assim. A forma como o Jardel adivinhava os lances, ele que em termos de mobilidade, até não era um portento, terá algo de aprendido e de experiência, mas tem, de certeza absoluta, muito de instintivo.

 

Aí, qualquer um destes jogadores não teria grande valor acrescentado, mas, naquela parte que é possível transmitir, os macetes do lugar, as movimentações, a arte de cabecear, a maneira como lidar com vários tipos de defesa, uns mais filhos-da-mãe, que outros, isso pode ser passado para os avançados mais novos.

 

A minha ideia era, sendo os pontas-de-lança do FC Porto jovens (Falcao e Walter ou Kléber e Walter, ou outros quaisquer), aproveitar a experiência de um homem de área mais velho, para fazer uma espécie de escola de avançados. Quem sabe, à posteriori, ponderar a integração um homem com estas características na equipa técnica.

 

Bolas, se há um treinador específico para guarda-redes, porque não para avançados-centro?

 

O João Tomás, mais ainda do que o Jardel, cuja capacidade para transmitir este tipo de experiência, me parece inferior, poderia ser o homem ideal.

 

“Épá, tem juízo! O gajo já tem 35 anos” – dirão. É verdade. Mas, se estão recordados, o Gomes jogou até aos trintas e tais, e, no campeonato inglês, certamente mais exigente do ponto de vista físico que o português, há uma série de exemplos de longevidade de jogadores com estas características.

 

Ian Rush, Andy Cole, Teddy Sheringham, e o Alan Shearer, são apenas alguns que passaram da trintena de primaveras, e continuaram a jogar. Protegendo o físico, é certo, só que fazendo uso da experiência e da ratice, em vez do vigor de outrora. Portanto…

 

Pronto, eu sei que aquilo que acabei de escrever é do mais naïf que pode existir, uma espécie de sonho de criança, mas, como dizia outro “avançado matacão” das décadas de 60 e 70, o falecido José Torres, “deixem-me sonhar”

 

Passatempo infantil

13
Jan11

Para crianças dos 3 aos 36 meses, e adeptos do clube mais grande do Mundo dos arredores de Carnide, de qualquer idade.

  

Una as seguintes imagens:

  

  

 

 

 

 

E descubra o resultado final:

 

 

 

 

A isto chama-se transparência. Aliás, mais transparente do que isto deve ser difícil de encontrar.

 

É a “e pluribus unum” veritas a funcionar, e nem sequer é grande novidade, se recordarmos a transferência do Fábio Faria do Rio Ave, na época passada, e a sua “recusa” em alinhar no derradeiro encontro da Liga Pescada, o que garantiu o título de campeão nacional a quem já era campeão antes de o ser.

 

E depois vêm falar de jogadores emprestados, e do Pedro, de Leiria, que fez "caixinha".

 

Ora...vão mas é lamber sabão (ou coisa pior)!


Nota:  É interessante a associação de idéias que se pode fazer entre as capas d'"O Jogo", de ontem, e "A Bola" de hoje: "A Taça é uma obsessão" e "Jesus reencontrou o caminho". A verdade acaba sempre por vir ao de cima...

De resto, a nós, as obsessões do Prof. Doutor Rei da Chuinga até nos dão jeito. Por exemplo, a sua obsessão por passar madrugadas a ver na televisão jogos de campeonatos sul-americanos, já nos rendeu o James, e não sei até que ponto, o Falcao e o Álvaro Pereira, e a sua obsessão pelo Hulk deu uma valente ajuda na cabazada dos 5-0!