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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Coxos e rotos, mas glamorosos

25
Mar13

Como alguém que parcos conhecimentos detém sobre essa máquina maravilhosa que é o corpo humano, até do meu próprio, ou não me fosse impossível distinguir à primeira entre um ataque de sinusite ou de rinite, e uma reles constipação, só conseguindo fazê-lo após uma aplicação fracassada de um anti-histamínico qualquer, faz-me espécie esta cena do João Moutinho.

 

Ora, tanto quanto se sabe, porque é do domínio público, o nosso jogador ter-se-á apresentado lesionado em Óbidos, na concentração da selecção nacional.

 

É da praxe que a quem se apresenta em tais condições, é normalmente passada guia de marcha de regresso a casa.

 

Desta vez, com o João Moutinho isso não aconteceu. Estando lesionado, deverá, em princípio, ter apresentado à chegada um qualquer documento médico a atestar esse facto.

 

Presumivelmente, sendo o responsável pelo corpo clínico do clube o Dr. Nelson Puga, terá sido da sua lavra o dito documento. Ou de outro médico qualquer, é irrelevante para a questão.

 

 

Esse documento, certamente terá sido apreciado por um colega ou colegas de profissão, concluindo este(s) que existiriam hipóteses válidas de recuperação do jogador, a tempo do desafio em Israel.

 

Sendo assim, não tenho a menor dúvida de que o lógico, o ético, o aceitável, seria o corpo médico da selecção, o presidente, o contínuo, quem quer que fosse, entrasse em contacto com o clube do jogador, e explicasse a situação, e o motivo porque permanecia aquele em estágio.

 

O lógico, o ético, e o aceitável.

 

Pois bem, qual não é o espanto quando, na véspera daquele jogo o seleccionador vem dizer que o jogador só alinharia naquela partida se estivesse a 100%, e que a decisão seria do atleta.

 

Após o jogo, é o próprio quem afirma que, "Se joguei é porque estava a cem por cento".

 

Desconheço quais serão os tempos de recuperação para o tipo de lesão de que padecia o João Moutinho, mas recordo-me que, pelo clube, desde 2 de Março, quando defrontámos o Sporting, falhou esse jogo e mais aquele em que derrotámos o Estoril-Praia.

 

Regressou frente ao Málaga, mas apenas por 46 minutos, e tornou a falhar a partida contra o Marítimo.

 

Agora, em três dias, recuperou a lesão e jogou 90 minutos, de fio, a pavio, e aposto que no Azerbaijão vai suceder o mesmo.

 

A hipótese lógica, ética e aceitável de ter havido contactos entre a selecção e o clube, cai por terra quando o presidente do FC Porto, constata no pós-jogo que “Moutinho não está bem” e que, "[o] Moutinho de Israel não foi o Moutinho a 100 por cento que temos visto no FC Porto".

 

Vejo várias hipóteses para matar esta charada.

 

A que mais me agrada é a de que o homem, efectivamente chegou lesionado, mas recuperou, com ou sem milagre, o que constitui uma óptima notícia para nós, pois tanta falta nos tem feito.

 

Outra hipótese é a de que o João Moutinho não estava lesionado com a gravidade anunciada, e o FC Porto, numa altura morta das competições, em que poderia aproveitar esta semana e meia para recuperar sem pressas da lesão, tentou fazer com que o seu jogador não fosse à selecção.

 

Terá mentido Nelson Puga ou, pelo menos, exagerado ligeiramente a gravidade da lesão do jogador? Ou será hipocondríaco?

 

A derradeira hipótese, e a que, ainda assim, menos me agrada. Os senhores doutores da selecção nacional, deliberadamente ignoraram e desautorizaram completamente a opinião de um colega, e mantiveram o jogador em estágio.

 

A não ser assim, porquê a preocupação do treinador nacional de fazer recair sobre o jogador a responsabilidade da decisão de jogar ou não?

 

Pensaria estar perante uma lesão psicossomática, ao estilo do Izmaylov?

 

A reacção do clube, na pessoa do seu presidente, foi tão ténue, tão “low profile”, que quase deita por terra esta possibilidade.

 

Porém, tendo em atenção aquele que é o histórico mais recente de reacções, aos mais variados níveis, não deixa de se enquadrar no padrão.

 

Será que para o corpo clínico da selecção, hipócrita é um derivativo de Hipócrates?

 

Numa selecção onde é titular um jogador como o Varela, protagonista de uma época magnífica e que na última partida do seu clube entra aos dez minutos, para tornar a sair, e chateado, aos 73 minutos, que mais se poderá esperar?

 

E pronto, assim empatámos com Israel, e agora a seguir, contra o Azerbaijão, não vamos ter o craque n.º1, eterno putativo candidato mal sucedido a superar a pulga.

 

Mas não faz mal, afinal somos ricos, lindos e todos têm inveja de nós por isso. Ou por outro motivo qualquer...

 

 

 

Mas que raio de merdas são estas?

20
Mar13

Sete dias, com uma breve reincidência pelo meio, e onze páginas de paleio depois, que espero, me rendam no mínimo, uma medalha de mérito, eis que espero interromper aqui a minha sabática semi-voluntária.

 

Devagarinho, e sem muita paciência para grandes devaneios, como é sintomático após uma paragem. Ou deveria sê-lo.

 

Depois de ler o que segue, já nem sei…

 

"João Moutinho já corre no relvado para recuperação da lesão muscular"

 

 

Ainda que pressurosamente, alguns tenham acorrido a esclarecer que "treinou, mas contínua em dúvida".

 

Este, para que não haja confusões, é o mesmo João Moutinho que saiu ao intervalo no La Rosaleda, e que nem se equipou no Funchal. Porquê?

 

Porque teve, ao que consta, uma recidiva da lesão que o apoquentara e privara de alinhar, aquando das partidas frente ao Sporting e ao Estoril-Praia.

 

O mesmo João Moutinho que se apresentou em Óbidos lesionado, e que, ao contrário de outros, como, com muita propriedade, frisou o Caríssimo Kosta, do Kosta de Alhabaite, em vez de receber guia de marcha para casa, permaneceu no estágio. E agora? É tipo “up and at’em”? É isso?

 

Terá sido a pensar no segundo jogo do duplo confronto com Israel e o Azerbaijão?

 

Não me acredito que o Paulo Bento esteja a contar com ele para, depois da lesão mal recuperada, e da subsequente recaída, fazer dois jogos em cinco dias. Nem que seja aos bochechos ou a lateral-direito.

 

No meio disto tudo, ocorre-me perguntar: então e o João Moutinho, ele próprio, o que é que terá a dizer sobre esta matéria?

 

Antes disto, havia sido a reintegração de Fucile no plantel principal.

 

 

 

Enquanto me perguntava a mim mesmo, se o desespero teria chegado a este nível ou se, mediante a fucilização de tanto gajo, teriam optado pela “real thing”, ou seja, o original.

 

Quando me alegrava por um dos principais erros de planeamento da temporada, agravado em Janeiro, pela saída do Miguel Lopes, ir finalmente ser corrigido, ainda que muito provavelmente, a destempo.

 

Quando me fiava na mais-valia que seria a possibilidade do uruguaio jogar tanto à direita, como à esquerda.

 

Quando apesar do que disse atrás, me irritava, por esta reintegração me soar a déjà vu, e trazer à memória o processo do Sapunaru, que quando fez falta, foi chamado de volta ao grupo, mas que, a seguir, foi dos primeiros a fazer da porta de saída serventia da casa.

 

Eis quando senão, vem de lá o Correio da Manhã e, não me deita água na fervura, dá-me é uma banhada, da cabeça aos pés.

 

Não é a sério. Afinal, não houve nada uma reintegração, "este regresso do Fucile não representa uma reintegração no plantel, uma vez que o atleta não está inscrito na liga portuguesa". Et por cause, não poderá jogar no que resta da temporada.

 

Ou seja, se não foi inscrito, terá sido por nunca ter sido cogitada a hipótese da sua reintegração.

 

Se assim foi, o que é que se alterou? Se foram chamados ao treino 13 jogadores da equipa B, não haveria por lá mais um para fazer de meco, como defesa-direito ou esquerdo?

 

Será que, para além das hipóteses anteriores, dado o ambiente que se vive, deveremos, à cautela, é claro, adicionar um populismozinho, tão usual por outras bandas, mas a que não estamos muito habituados e, pela minha parte, espero nunca vir a estar?

 

Ou terá sido apenas e só, um mero acto de pura compaixão pascal?

Mercado: o papão irracional

03
Set12

A visão do “mercado”, que me transmitiram quando estudei (ou a que consegui apreender, quiçá por ser a mais redutora e simplista), é que este era apenas e só o ponto de encontro entre vendedores e compradores.

 

Agindo o mais racionalmente possível, de modo a maximizarem a satisfação das suas necessidades, uns procuram comprar a maior quantidade possível e/ou a melhor qualidade, ao preço mais baixo que lhes aceitarem, e os outros, vender a maior quantidade possível, ao preço mais elevado que queiram pagar-lhes.

 

Esporadicamente, os que vendem partilham com os compradores alguma da sua preocupação com a qualidade.

 

No fundo, é isto. Outros enviesamentos poderão eventualmente acontecer por força de factores de distorção artificialmente introduzidos mas na prática, continuo a pensa que se resume a pouco mais que isto.

 

Depois, entram em cena a procura e a oferta. Quando aquela sobe, aumentam os preços, quando faz o percurso contrário, descem. E vice-versa em relação à oferta.

 

Por isso, há certas movimentações do “mercado” de transferências que me são particularmente difíceis de entender, senão as tomar por conta destes factores de distorção.

 

Três exemplos:

 

 

O interesse do Zenit no João Moutinho. Depois do Conselho de Administração do Zenit de Sampetesburgo ter vetado o pagamento de 50 milhões de euros pelo Hulk, ou o FC Porto ter recusado uma oferta daquele clube, por aquele montante pelo jogador, consoante os pontos de vista, foi noticiado que o clube em questão afinal, se virara para João Moutinho.

 

Tudo isto passado entre os dias 28 e 30 de Agosto, e portanto, a um dia do fecho da grande parte dos mercados europeus mais relevantes. As excepções serão os mercados francês, turco e, espantosamente, o russo.

 

Pelo que então se pôde ler, a oferta do Zenit pelo médio português ascendeu a 26 milhões de euros, quando a sua cláusula de rescisão é na ordem dos 40 milhões. O Tottenham chegou aos 27 milhões, e segundo consta, terá ficado a meras irregularidades processuais de consumar a contratação.

 

Concordo com o Vítor Pereira, quando diz que não haverá por esse Mundo futebolístico treinador que, dispondo o seu clube de arcaboiço financeiro para tanto, não queira dispor nas suas fileiras de Hulk e João Moutinho, ou apenas um deles.

 

O Spalleti, com certeza não será diferente. O que eu não percebo é a fixação do Zenit nos jogadores do FC Porto.

 

O Hulk e o João Moutinho actuam em posições bastante diferentes, por isso, só vejo duas hipóteses: ou os russos estavam (estão?) necessitados de jogadores para ambos os lugares, ou far-nos-ão em estado de tal carestia financeira, que depois da primeira nega, alimentavam esperanças de levar o segundo a preço de saldo.

 

Quanto às necessidades do lado deles, não faço a menor ideia. Sobre as nossas, aparentemente não serão tão prementes como tudo isso. Apesar das poucas vendas que fizemos, algumas, as melhores por coincidência, de faca ao pescoço, e os ajustamentos introduzidos no plantel, ainda assim, parece que fomos os que conseguimos o maior lucro.

 

Porque carga d’água é que o Zenit tanto insiste na nossa tecla? E mais ainda, porque é que um clube de um País onde o mercado de transferências ainda está aberto, entra em concorrência com um Tottenham, pelo João Moutinho?

 

Se era com o nosso desespero que contavam, então mais valia esperar pelo encerramento dos restantes mercados com alguma projecção, e aí sim, avançar com uma qualquer oferta.

 

Quem está desesperado por vender, se não tem mercado, não lhe resta alternativa senão baixar o preço. Serão estes russos burros ao ponto de desperdiçar uma vantagem competitiva destas? – à atenção de monsieur Platini, o fairplay financeiro também passa por aqui!

 

Porém, constata-se que, ao passo que os seus conterrâneos iconoclastas do Anzhi foram bastante lestos a negar o seu interesse por jogadores de outro emblema, quebrando assim a imagem de resistência estóica que se queria ver transmitida, da parte do Zenit não houve refutação alguma da versão do nosso presidente.

 

Tudo isto, é no mínimo estranho. E também não deixa de ser sui generis que tal aconteça em vésperas de uma deslocação complicada da nossa equipa, acompanhada da nomeação de um árbitro também ele complicado, mas que a bem da verdade, até nem complicou de sobremaneira.

 

Que tenha havido interesse dos Hotspurs, e que tenham chegado a vias de facto, não duvido. Quanto ao resto, haja irracionalidade meus amigos, mas nem tanto…
 

  

 

 

O affaire Palito. Este é outro negócio que, à primeira vista, prima em primeiro grau, para não sair da família mais chegada, pela irracionalidade.

 

Antes de mais, considero que foi um excelente negócio. Para nós, é claro. Podem vir dizer que o uruguaio há duas épocas atrás valia 22 milhões, o certo é que, no momento em que foi transferido, o valor facial do Álvaro Pereira era, quanto a mim, zero.

 

O seu destino no FC Porto estava delineado, e não era nem de ontem, nem desde este defeso. O jogo com o SC Braga, na Pedreira, deixou muito pouca margem de manobra a todas as partes envolvidas (jogador, treinador, clube).
 
 
 

Encostado, ou coisa parecida, nem o que demos por ele quando o contratámos, valia. Por tudo aquilo que já se viu ser capaz de congeminar no balneário, com impacto negativo junto do grupo de trabalho, se tivesse que o avaliar, talvez lhe desse um valor abaixo de zero.

 

Vir um clube como o Inter de Milão, aliás à semelhança do que aconteceu com o outro do chapéu, dar 10 milhões pelo Palito, é quase como estar com uma gastroenterite, e encontrar uma casa de banho decente no deserto tunisino (been there, done that!).

 

Ainda bem para nós, mas o que me faz espécie é porque é que os neroazzurri se prestaram a desembolsar tais quantias por aqueles dois jogadores?

 

Dirão que são dois bons jogadores, e que valem aquela dinheirama toda. No caso do uruguaio, não contesto. Quando quer, consegue ser efectivamente um dos melhores do mundo na sua posição. Ou pelo menos já o logrou conseguir, e os italianos terão a esperança de que volte a sê-lo.

 

O outro, nem tanto, mas parece que é por lá apreciado.

 

Por outro lado, o Inter não é conhecido por fazer contratações de jogadores a pensar na sua valorização e posterior revenda com lucro, como infelizmente parece ser o nosso fado sem remissão.

 

Logo, se se prestou a pagar aqueles valores, será porque era mesmo aqueles que queria no seu plantel.

 

Se é assim, sabendo de antemão o estado azedo a que haviam chegado as relações dos jogadores com o treinador, e por via disso com o clube, por que carga d’água é que atiram com aqueles montantes para cima da mesa, em vez de esperar que os dois lhes caíssem de maduros no colo?

 

Não é que me esteja a queixar, mas do ponto de vista meramente economicista, não parece ser uma decisão muito racional.

 

A não ser que, sem que a comunicação social, sempre tão expedita a arranjar interessados para os atletas que fazem parte do plantel do FC Porto, e que interessa manter, tenha dado por isso, o Inter tivesse alguns concorrentes na corrida por aqueles dois.

 

Ou querem lá ver que nós é que estamos mal habituados por cá, e por outras paragens ainda perdura alguma réstia de ética no futebol?

 

Numa altura em que o próprio Real Madrid parece que se prepara para provar o próprio veneno, e pagar com língua de palmo e meio os métodos que empregou quando contratou o Cristiano Ronaldo, duvido muito.
  
 

A contratação do Lima. Começo por dizer que até há dois dias atrás, gostei do Lima enquanto jogador, e que não me importava se por esta altura envergasse de azul e branco, em várias tonalidades, em vez de vermelho e branco.

 

No entanto, grande parte daquilo que vou escrever de seguida, infelizmente também teria aplicação se estivesse connosco.

 

Por uma vez, concordo inteiramente com a opinião do tratador de cavalos que masca chiclas, e também acho que são perfeitamente compatíveis, podendo jogar lado-a-lado, o Cardozo e o Lima.

 

Como alguma comunicação social, a mesma a que acima aludi, fez questão de frisar que, enquanto pontas-de-lança prioritários das suas equipas, aqueles dois valeram na pretérita temporada, 20 tentos cada um.

 

No entanto, jogando juntos, salvo se estiver para vir por aí uma avalanche de jogo ofensivo, dificilmente conseguirão alcançar aquela marca. Portanto, a tendência será para reduzirem a sua produtividade.

 

Marcando menos golos, é muito natural que baixe o seu valor de mercado.

 

Dado que o clube em questão tem no seu plantel mais dois avançados muito semelhantes àqueles, Rodrigo e Kardec, será com naturalidade que estes últimos perderão algum espaço na equipa e tempo de jogo, ainda que no caso do segundo, tal não passasse à partida de uma miragem.

 

Tratando-se de dois jogadores mais jovens que o Lima, e com alguma margem de progressão e valorização, jogando menos, é esse potencial que em parte se perde.

 

A entrada deste jogador no plantel vai ainda dificultar a chamada à equipa de jogadores como o Aimar, o Bruno César ou, ainda que menos, o Gaitán, para jogarem por trás do ponta-de-lança.

 

Mantendo-se o esquema de 4x4x2, só restará, nos casos do Bruno César e do Gaitán, jogar na linha, onde a concorrência é numerosa, e ao Aimar, como médio mais adiantado, onde terá a companhia do Carlos Martins.

 

Seja como for, esta entrada conjugada com a saída do Javi Garcia, como já se percebeu, vai obrigar o Witsel a jogar mais recuado.

 

O Matic ou os Andrés da B, por muito boa vontade que se possa ter, não estão à altura do lugar, e o belga é o que mais garantias oferece. Tendo em conta as suas capacidades, é contudo um desperdício fazer dele um trinco mais posicional, e mais uma opção que dificilmente concorrerá para a sua valorização.

 

Tudo somado, qual é a racionalidade da contratação de mais um ponta-de-lança, por uma equipa que só dispõe de um lateral-direito e que não tem lateral-esquerdo, nem um trinco capaz?

 

Estes são três exemplos de como se fossemos apenas pela questão da racionalidade do mercado, uma grande parte dos negócios no futebol estariam fadados a morrer à nascença.

 

Nestes casos, ainda bem para nós.

Como substituir os insubstituíveis

23
Abr12

"Os cemitérios estão cheios de pessoas insubstituíveis".

(Georges Clemenceau)

 

Numa altura em que acabámos de celebrar os primeiros 30 anos de presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa, trazer para aqui esta citação poderá parecer um tanto ou quanto descabido.

 

 

 

Espero que não o seja, porque se o faço é a propósito do nosso jogo, e daquilo que se lhe seguirá.

 

Vencemos, como seria de esperar, e, contando apenas connosco, faltam duas vitórias, ou uma vitória e dois empates, para assegurarmos o 10.º bicampeonato da história do clube.

 

Quanto ao jogo propriamente dito, nada que não se tivesse visto em anteriores ocasiões. Uma primeira parte de pasmaceira, como que a servir de aquecimento para um arranque fulgurante da segunda, mas ainda assim, pareceu-me a mim, não tão má como por aí vi pintado.

 

Falhámos muitos passes? É verdade. As únicas duas oportunidades de golo do Beira-Mar, surgiram nesse período? Também é verdade. O penálti que deu origem ao golo foi daqueles que punham o saudoso Pôncio Monteiro e o Gabriel Alves a perorarem sobre a intensidade da falta, durante umas valentes horas? Idem.

 

Pontos positivos. Foi uma pasmaceira direccionada, e a direcção foi apenas uma: a baliza dos aveirenses. O problema foi o do costume, uma vez lá chegados, as ocasiões de golo também não foram muitas, e só no tal penálti é que a bola entrou. Com bastas responsabilidades do Janko, diga-se.

 

Das oportunidades do adversário, uma delas só aconteceu porque o Otamendi teve mais um dos seus lapsos, e o Helton esteve a preceito em ambas.

 

No regresso dos balneários a música foi outra, mas durou pouco. Entre os 41 e os 47 minutos, com o intervalo de permeio, o nosso meio-campo foi todo amarelado (Defour, 41’; João Moutinho, 42’ e Lucho, 47’).

 

Aos 57 minutos, com o resultado feito e quando o Danilo se preparava para fazer o seu regresso aos relvados, o nosso treinador dava já indicação para abrandar. E, entretanto, do Beira-Mar nada se via.

 

Entrando na parte que diz respeito aos insubstituíveis, que ilações tirar deste jogo?

 

Deixando de fora desta conversa o Helton, porque sendo guarda-redes, é um caso muito particular, vi neste jogo dois jogadores “à Porto”: Sapunaru e Maicon.

 

O arreganho, o querer e a fibra que puseram em campo não deixa dúvidas quanto a isso. O Sapunaru só não recebe o prémio para melhor actor dramático, porque se excedeu naquela segunda simulação de penálti. Não havia necessidade de borrar a pintura assim.

 

Quanto ao Maicon, por muito que o empresário do Rolando e eventualmente, o próprio Rolando, achem que é ele o melhor defesa-central do FC Porto – quem, senão o noivo, para louvar a noiva? – na minha opinião, o Maicon, hoje por hoje, passou-lhe claramente à frente nesse particular. Em disponibilidade e segurança, não tenho a mais pequena dúvida, e nesta partida, ainda fez o passe para o terceiro golo.

 

O Rolando se se acha insubstituível, será só na cabeça dele, e na do empresário, e não me surpreenderia se estivesse de saída por uma porta bem mais pequena do que aquela que o estatuto, que julgará ser seu, lhe abriria.

 

Vi outros dois jogadores que nem precisam de se esfarrapar à Porto. Em qualquer lado, jogadores com a classe do João Moutinho e do Lucho, sobressaem.

 

E um, que faz a síntese entre uns e outros: o Hulk. Cada vez mais, quando as coisas lhe correm de feição, mistura momentos de pura classe, com outros em que luta como poucos, como muito bem notou o Jorge.

 

Estes foram, a meu ver, os pontos altos individuais da partida, deixando de fora o Helton, que esteve sempre bem, apenas pelo motivo que apontei acima.

 

Quanto aos demais, bem, nos demais temos aqueles que parecem bem encaminhados, e os outros em que as dúvidas são sensíveis.

 

Por exemplo, o Otamendi. Pelo que li recentemente, também poderá estar de saída. Nem chegou ao estado de insubstituível. As falhas frequentes não o permitem. Não é um elemento que me inspire muita confiança, e o eixo da defesa, caso efectivamente saia, não fica mal servido com o Maicon e o Mangala.

 

À esquerda, não andarei muito longe da verdade se disser que não se notou a ausência do Álvaro Pereira. O Alex Sandro esteve bastante melhor do que em anteriores aparições. Jeitoso a atacar e prático e despachado a defender.

 

Aliás, é diferente a equipa a atacar pelas alas com o Danilo e o Alex Sandro, em relação àquilo que faz com quaisquer outros dois, nomeadamente com o Álvaro Pereira. A saída para o ataque flui mais assente em técnica e toque de bola, em vez de em força, à base de arrancadas e repelões. Faz mais sentido numa equipa que privilegia como modelo de jogo, a conservação da posse de bola.

 

O Álvaro Pereira é o segundo insubstituível, que poderá ter um desgosto no que resta de temporada.  

 

No meio-campo, o Defour teve a ingrata tarefa de fazer esquecer um senhor, esse sim, quase insubstituível: o Fernando.

 

Desta vez, com o João Moutinho mais adiantado, apareceu mais desacompanhado na posição seis, em vez do duplo pivot, anteriormente utilizado. Não esteve mal. Saiu amarelado, e não sei se esgotado, mas acredito que sim.

 

Com o Fernando, quase de certeza absoluta, na agenda de uma boa parte dos tubarões do futebol por essa Europa fora, e o João Moutinho a caminho dos 26 anos, e por isso mesmo, a não poder desperdiçar as hipóteses que por aí lhe surjam de dar o salto para fora, a presença do Defour e do Lucho é incontornável.

 

Aqui sim, mais do que em termos defensivos, poderemos vir a enfrentar problemas para substituir algum daqueles dois, ou ambos. E a alternativa mais imediata que vem à mente, resume-se ao regresso do Castro.

 

No ataque, mora outro verdadeiramente insubstituível: o Hulk, claro está!

 

 

Não tem substituto possível, e acredito que seja a maior dor de cabeça de quem tem nas mãos os destinos do clube. Por muito dinheiro que entre nos cofres com a sua venda, onde encontrar algum outro jogador que faça o mesmo?

 

No Sábado, correu, atacou, defendeu, perdeu e recuperou bolas, marcou dois golos – pronto, um foi de penálti, mas marcou-o, não marcou? – e fez o passe para o outro, quase obrigando o Janko a marcá-lo.

 

E nem foi dos seus melhores jogos. Como é que se substitui alguém assim?

 

Podíamos perguntá-lo ao James, por exemplo, para ver se acorda para a vida. O rapazola vai jogando, é certo. Só que daí até se poder levar a sério aquilo o Guarín diz dele, vai uma grande distância.

 

Não digo que veja o Silvestre Varela actual a fazer o mesmo que ele, mas um Djalma, sem convencimentos, sem arrogâncias e sem se por em bicos dos pés, não lhe fica muitos furos abaixo. Nas calmas.

 

Por outras palavras, artistas como Rolandos, Palitos ou James, com maiores ou menores dificuldades substituem-se. Para jogadores como o Fernando, o João Moutinho ou o Hulk, a coisa fia mais fino.

 

Quanto ao nosso Homem da curva, está aí para as curvas, e a vários níveis. Noutros sítios, as coisas são bem diferentes…
 
 
 
 
 
 

Chamam-lhe "Noddy"...

10
Ago10

…entre outros mimos!

 

Admito que fui um dos que ficaram preocupados depois do Torneio de Paris, e em particular, após presenciar o jogo com o Bordéus, ainda que dando um desconto à ausência nesse jogo, julgava eu, de muitíssimos titulares. 

 

No entanto, apesar de manter o 4-3-3 jesualdiano, o FC Porto jogou bem na Supertaça Cândido Oliveira, e deu para perceber que sendo a mesma a disposição táctica, o modelo de jogo é bem mais dinâmico que o do prof.. 

 

Aliás, essa é a diferença que se nota de caras neste FC Porto de Villas Boas. Os espartilhos da época passada, como que por magia, parecem ter desaparecido.

 

A equipa está mais solta em campo e o meio-campo, em particular, livrou-se daquele rigor táctico, quase mortis, em que os jogadores pareciam bonecos de matraquilhos, raramente abandonando as suas posições.

 

A magia, neste caso, tem claramente um rosto e um nome, e desta vez o mágico não dá pelo nome de Deco, mas sim de João Moutinho. A mobilidade agora descoberta pelo meio-campo é imagem de marca do ex-leão.

  

 

Um jogo oficial disputado com a camisola do FC Porto, um troféu conquistado.

Para média, não está mal! É só continuar...

 

No sábado passado, por mais de uma vez vi, quando o adversário colocava a bola num dos flancos (mais o direito, no caso), os centrocampistas (Moutinho, Beluschi e Fernando), a flectirem nesse sentido, encurralando, com o apoio do extremo desse lado, o portador da bola.

 

E o mesmo, quando em posse de bola, na saída para o ataque, criando supremacia numérica sobre o adversário.

 

Ou seja, exactamente a mesma coisa que vi fazer o Sporting de Paulo Bento, na Supertaça Cândido de Oliveira de 2008/2009, o último jogo do FC Porto que tive a oportunidade de presenciar ao vivo, e em que fomos derrotados. 

 

O Sporting jogava então em losango, e o João Moutinho, o Izmailov, o Derlei, e o Rochembach, deram cabo do juízo do Lucho, que, lá está, por causa da malfadada rigidez táctica do professor, teve que se haver, juntamente com o Sapunaru, com aquele emaranhado de gente.

 

Com um meio-campo assim, a defesa fica menos exposta, porque as dificuldades do adversário em criar jogo são evidentes, e os médios, os extremos e os avançados contrários deixam de conseguir, com tanta facilidade, aparecer embalados de trás. 

 

Por outro lado, o ataque pode deixar de (sobre)viver de “transições rápidas”.

 

Na Supertaça a pressão ofensiva foi contínua e (im)pressionante. O Varela esteve endiabrado, haja força para continuar assim. E se não houver, é para isso que estão lá os outros extremos, n’est pas? Para manter ritmos elevados através da rotatividade, em vez de marcar e recuar, como num passado recente. 

 

Percebo agora que aquilo era possível “naquele” Sporting, porque morava lá o João Moutinho. Também percebi que, caso o Raúl Meireles venha mesmo a sair, ficamos a ganhar com a troca. 

 

O Moutinho é claramente mais jogador de futebol que o Meireles. É futebol da cabeça aos pés. Tudo aquilo que faz é pensado, e normalmente pensa e faz bem. 

 

O Raúl Meireles, que não fique dúvida nenhuma, é também um excelente jogador, mas o seu futebol é feito mais à base de nervo, mais físico, ainda que não seja um portento nesse aspecto. 

 

De vez em quando, lá lampeja um rasgo de génio, e sai um ou outro passe extraordinário.

 

O Moutinho é constância, o Meireles é o momento. O que era óptimo era que ficassem ambos na equipa.

 

 


Nota: finalmente consigo ver algum interesse nesta música…