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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

O efeito Mendes

12
Jul18

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Rui Patrício e Podence, ambos representados pela Gestifute, de Jorge Mendes, são, até à data, os únicos dois jogadores que rescindiram com o Sporting, e arranjaram formalmente clube.

 

(nesta data, a contratação de Rúben Ribeiro, pelo Nantes, estará presa por um “contratempo”, e nós vimo-nos e desejámo-nos para vender um homem que esteve no Mundial, o Layún, por uma bagatela, e aquém do que custou.)

 

Rui Patrício seguiu para o Wolverhampton, clube da Fosun, ou seja, do Jorge Mendes, e Podence, para o Olympiakos, de Evangelos Marinakis, também proprietário do Nottingham Forest, treinado pelo adjunto favorito de Mourinho, Aitor Karanka, e para onde neste defeso, se transferiram do Benfica, João Carvalho e Diogo Gonçalves (e se falou do Bruno Varela), e onde está emprestado pelo Mónaco, Gil Dias.

 

Sim, todos Gestifute.

 

Na época passada, André Silva e Rúben Neves, que também são Gestifute, saíram do FC Porto, para o AC Milan e para o Wolverhampton, e para este último, saiu Boly, por empréstimo, entretanto, concretizado em saída definitiva.

 

Ricardo Pereira, cuja carreira não é gerida por Jorge Mendes, saiu para o Leicester, para onde, antes dele, haviam saído do Sporting, Slimani e Adrien.

 

O Leicester, que parece próximo do Stellar Group, parece ser um bom porto de abrigo para jogadores que não são representados pela Gestifute.

 

No mercado de Janeiro, o FC Porto contratou Waris, vindo do Lorient, cujo proprietário, vindo do mundo da finança, aparentemente trabalha por conta própria, Paulinho, do Portimonense, ligado a Juan Figer, e fez regressar Gonçalo Paciência.

 

Por sua vez, o Sporting, como termo de comparação, contratou Rúben Ribeiro, que já teve a carreira acompanhada por agentes como César Boaventura ou Tiago Calisto, e apalavrou Marcelo, junto do Rio Ave, e Wendel, através de um consórcio que terá juntado Figer e o Stellar Group.

 

Antes destes, havia contratado no início da época ao SC Braga, Bataglia. Sobre o Rio Ave e o SC Braga, e a relação destes com Jorge Mendes, será desnecessário dizer alguma coisa.

 

Surpreendentemente, Diogo Dalot e Gonçalo Paciência, ambos representados pela Proeleven, de Carlos Gonçalves, antigo agente de Rui Patrício, não renovam com o FC Porto, e saem. Dalot para o Manchester United, orientado pelo primeiro dos treinadores de Jorge Mendes, José Mourinho, e Gonçalo Paciência, para o Eintracht de Frankfurt.

 

No entanto, não obstante ter colocado Lindelöf em Manchester, Mendes parece vir a perder protagonismo para aquelas bandas, em detrimento de Mino Raiola.

 

De Dalot, correm zunzuns que apontam no sentido de ter sido pressionado para mudar de empresário e a aceitar um empréstimo ao Wolverhampton, e de Gonçalo Paciência, que terá sido convidado a renovar e a sair novamente emprestado, não se sabe para onde, mas não fica muita margem para a imaginação.

 

Curiosamente, o próprio presidente do Nápoles afirmou que, quando estava em negociações com o Sporting (supõe-se que através da Proeleven), de repente surgiu Jorge Mendes, que não era sequer representante do jogador, e as coisas descambaram.

 

Miraculosamente, surge uma proposta do Wolverhampton, e tudo se resolve. Mas antes, Rui Patrício teve de mudar de empresário. Diogo Dalot e Gonçalo Paciência, até ver, permanecem com Carlos Gonçalves.

 

Entretanto, é público, depois da destituição de Bruno de Carvalho, o Sporting pediu auxílio a Jorge Mendes.

 

E, extraordinariamente, a dramática hemorragia das saídas por rescisões de contratos parece estancada. Dos mais renitentes, Gelson Martins, através de Futre, é negociado para o Atlético de Madrid, outro dos clubes da esfera de Mendes, e resta Bataglia.

 

Porém, Hernan Barcos - ainda se lembravam dele? – é colocado no Cruzeiro de Belo Horizonte, que tem um acordo com Mendes, e através do qual tenta arranjar clube, entre outros, para Joel, que esteve na temporada passada emprestado ao Marítimo.

 

O FC Porto, por sua vez, empresta Galeno ao Rio Ave, tal como na época transacta, o Sporting emprestou Francisco Geraldes.

 

Eu não sei que conclusão tiram destas movimentações, mas a mim, fica-me a sensação de que, ao contrário do Sporting, que já recorria indirectamente a Mendes, e agora passou a fazê-lo directamente, no nosso caso, fomos impelidos a fazê-lo. E pelo próprio Mendes.

 

Parece-me estranho, num mercado com tantos clubes e tantos empresários, só consigamos vender, ou através do Mendes, para onde ele quer, e pelo preço que quer, ou para o Leicester.

 

E por outro lado, só consigamos fazer aquisições em franjas perfeitamente marginais do mainstream (Waris, João Pedro, Janko), ou ao Portimonense (Paulinho, Ewerton).

 

Fico com a nítida sensação que o nosso mercado é decisivamente condicionado pelo Jorge Mendes, e a via poderá ser aquela que circula por aí, em relação aos casos do Rui Patrício e do Diogo Dalot, tendo por objectivo estrangular-nos financeiramente, e colocar-nos na sua dependência.

 

A confirmar-se esta hipótese, entre clubes-satélites do Benfica e da Gestifute, a Liga NOS está toda ela controlada. Com que propósito? Veremos.

 

É o efeito Mendes.

Um treinador de gestão

10
Dez15

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Com a eliminação da Champions League de ontem, caiu por terra o último argumento que se interpunha entre Lopetegui e o falhanço rotundo de Jorge Mendes, na tentativa de lhe construir uma carreira de treinador.

 

A desvalorização, seja pelo próprio ou por terceiros, desta eliminação e da consenquente queda para a Liga Europa, com o argumento de que estão ainda em disputa quatro troféus, é de fazer corar de vergonha - se a tiverem - todos quantos na pretérita temporada empregaram argumentário inverso, quando a situação foi, também ela a inversa.

 

Se Jorge Mendes e Lopetegui têm algumas noções de gestão de carreiras, hão-de chegar à conclusão de que este, é o momento mais conveniente para dar de frosques.

 

O glamour do percurso anterior na Champions empalideceu, mas nada mais se perdeu ainda, que alguma vez tivesse sido encontrado. É pois o tempo de pegar nos cacos que restam e tentar capitalizar sobre eles.

 

Continuar significa arriscar a que qualquer uma das quatro provas em disputa possa correr mal. E o que será, nesse caso, "correr mal"?

 

Relegados de mister próprio para a Liga Europa vindos da prova máxima, o pensamento vai imediatamente para a vitória. Realisticamente, olhando para a concorrência, diria que chegar aos quartos-de-final, será o mínimo dos mínimos.

 

Contudo, é a liga nacional que passa a ser o desígnio prioritário. Menos que a sua conquista vem com o travo amargo do fracasso.

 

As Taças, de Portugal e da Liga, tão desprezadas no passado, em contraponto com os milhões, a valorização dos jogadores e a suposta projecção do clube, poderão ser a tábua de salvação para a temporada?

 

Claro, que sim. Já se viu que há quem se agarre a tudo para permanecer à tona. Mas a Lopetegui só servirão se a ideia for ficar por cá muitos anos. Será que é isso que quer?

 

Sinceramente, não consigo exprimir em percentagens as probabilidades de as coisas correrem bem ou mal, mas se o passado servir de indicador para alguma coisa, digamos que 50/50%, poderá ser lisonjeiro.

 

Portanto, o risco de que se esvaia a réstea de credibilidade que ainda possui é bastante elevado.

 

Logo, a ficar até ao fim, não esperemos de Lopetegui que corra grandes riscos. Vamos ter um treinador de gestão, que irá praticar os actos de gestão corrente necessários a dar resposta ao expediente normal, e com muito cuidadinho, para não se colocar ainda mais a jeito.

 

Também já todos vimos no passado, até bem próximo, o resultado dessa opção.

 

Assim sendo, faites vos jeux, Monsieur Mendes!

Em questões de princípios, os fins justificam os meios?

20
Ago15

Apenas três notas sobre acontecimentos recentes:

 

Athletic Bilbao. Na segunda-feira, depois de 31 anos sem conquistar qualquer titulo, empata no Campo Nou, e vence a Supertaça espanhola, com um resultado de 5-1, no conjunto das duas mãos.

 

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Benfica e Jorge Jesus. "(...) quando estamos casados com alguém temos de calar e aceitar os defeitos e as faltas de carácter. Mas esse dever termina quando o casamento chega ao fim".

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Nem vou comentar esta bela noção de harmonia matrimonial. Cada um saberá de si.

 

Portanto, durante seis temporadas calaram e aceitaram os defeitos e as faltas de carácter. Fizeram bem mais do que isso, mesmo sendo conhecedores dessas faltas de carácter, alimentaram-nas, patrocinaram-nas e defenderam-nas.

 

A troco de quê? Três títulos da Liga, cinco Taças da Liga, uma Taça de Portugal e duas finais da Liga Europa. Bom proveito.

 

Onde é que está a maior falta de carácter? Em quem, pura e simplesmente não o tem, ou em quem o tolera e se vende a troco daqueles títulos?

 

E o freguês que se segue, faz pouco do anterior porque levou seis anos para compreender o corolário manuel-machadiano de que um cretino, é apenas um cretino, mas pouco se importa com isso, e prepara-se para lhe seguir os passos.

 

Estão bem uns para os outros.

 

FC Porto, como não poderia deixar de ser.

 

"(...) só com a bendição de Mendes e da sua teia de negócios é que o FC Porto sobrevive."

 

Esta frase foi retirada de um texto escrito recentemente pelo Miguel Lourenço Pereira, no "Reflexão Portista".

 

Ao contrário de outros escritos do mesmo autor, que geraram ondas de indignação, até por parte de co-autores daquele espaço, e por vezes descambaram inclusivamente em insultos, desta vez, nada. Zero.

 

Vários comentários sobre o tema da peça escrita - o negócio da venda do Otamendi, mas sobre este ponto em particular, tudo tranquilo.

 

Como se de nada de novo se tratasse, ou nada de particularmente interessante ou grave. Afinal, fala apenas sobre a sobrevivência do clube, nada de especial, portanto.

 

Ninguém parece ter ficado grandemente preocupado ao ler que dependemos da bendição de Jorge Mendes para sobreviver.

 

O mesmo Jorge Mendes que coloca jogadores e treinador no FC Porto, na expectativa da sua valorização, e serve em simultâneo de intermediario para transferir para o Valência e para o Mónaco, uma série de jogadores de um rival, a valores, nalguns casos, bastante acima do valor de mercado, fazendo entrar nos cofres desse clube mais de 100 milhões de euros.

 

Ou ainda que efectivamente não entrem, sempre dão uma ajuda para mascarar a contabilidade, e contornar o fairplay financeiro.

 

É que, uma coisa é partilhar o risco de investir em jogadores especulativamente, tendo em vista a sua valorização, outra completamente diferente é comprar passes, sem grande regateio, por valores acima dos de mercado. Neste caso, para não lhe chamar branqueamento de capitais, chamar-lhe-ia apenas "investimento institucional".

 

E, olhando para o recente caso Jorge Jesus, dá que pensar a sua resposta de que vive num pais livre, e que pode escolher o clube para onde vai trabalhar. Mas isso alguma vez esteve em causa?

 

Pelos vistos sim, a fazer fé naquela resposta. Mas então, quem é que condicionou a sua liberdade de escolha, e o quis colocar noutro sitio?

 

De acordo com alguns comentários, que aquela resposta vem corroborar, Vieira e, obviamente, o seu empresário, Jorge Mendes, himself.

 

O facto da sobrevivência do FC Porto depender da bendição de Jorge Mendes e da sua teia de negócios, não causa transtorno a ninguém?

 

A mim, causa-me. E ao que parece, em Espanha, os adeptos do Valência e do Atlético de Madrid vão acordando para a realidade de que os seus clubes são concorrentes directos, e Jorge Mendes está em ambos.

 

A ser verdade, a tentativa de afastar um treinador de um clube adversário, não entreabrirá uma porta a outros tipos de manipulação?

 

Aparentemente, no pasa nada. Desde que os resultados desportivos vão aparecendo, e não se zanguem as comadres, os fins justificam os meios, e os princípios são os fins, eles próprios.

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Mendes' World, algures no ano 2016

14
Nov14

Ainda amargurado e sem digerir a troca no defeso do sidekick perfeito, di Maria, por James Rodriguez, depois de nova manifestação pública de apreço de Ancelotti por Toni Kroos, com culpas no cartório para Miguel Lourenço Pereira, subitamente, Cristiano Ronaldo sente-se triste, e Florentino Pérez põe os patins ao treinador italiano.

 

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Nem a Champions, o título espanhol e a Taça do Rei chegaram para salvar-lhe a pele.

 

Para o seu lugar surge Julen Lopetegui, recente campeão em título português e semi-finalista derrotado pelo Real Madrid na Liga dos Campeões, que põe assim abruptamente, fim a um projecto a três anos, após um final dramático de campeonato.

 

A derradeira jornada da prova viria a revelar-se decisiva com os dragões e o clube mais grande dos arredores de Carnide a alcançá-la em igualdade pontual.

 

O FC Porto derrota o Penafiel, depois de entrar a perder, com o golo adversário a ser apontado numa assistência de Herrera, em passe ao bom estilo de Secretário. Jackson Martinez empata, através de uma grande-penalidade assinalada por Artur Soares Dias, por falta cometida sobre Adrián Lopez.

 

O tento da vitória e do título, viria a ser obtido por Ricardo Quaresma, de livre directo, já em período de descontos.

 

O mais directo concorrente na luta pelo ceptro de campeão, acaba derrotado nos Barreiros, com um golo de Talisca na própria baliza.

 

Coincidindo com o términus do projecto de Peter Lim em Valência, o sucessor de Lopetegui é Nuno Espiríto Santo, que assim regressa ao Porto depois de ter sido terceiro classificado da La Liga, logo atrás de Real Madrid e Barcelona, e vem finalmente dar alguma substância à hashtag #SomosPorto.

 

O magnata de Singapura abandona Espanha e instala-se na capital lusa, trazendo consigo na bagagem Rodrigo, André Gomes, João Cancelo, Ivan Cavaleiro, Bernardo da Silva e Enzo Pérez, cuja estadia em Mestalla, não foi além de seis meses.

 

Fica assim cumprida a profecia do indivíduo das orelhas protuberantes, de que aqueles jogadores, que haviam saído por empréstimo, um dia regressariam ao seu clube.

 

Fazendo jus ao nome do seu novo proprietário, o clube passa a ser vulgarmente conhecido por Sport Limsboa e vocês sabem o resto.

 

Quem acaba por não beneficiar desta lufada de ar fresco, é o pateta platinado que orientava a equipa. Tão tradicionalmente habituado a morrer na praia, quando em confronto com o FC Porto, como a ser beneficiado por erros de arbitragem nos seus jogos, não consegue resistir a um terceiro lugar, atrás do Vitória de Guimarães de Rui Vitória, que, seguindo à última jornada a dois pontos dos líderes, derrota em Coimbra a Académica.

 

Comovido, o pateta platinado despede-se eloquentemente, como é seu apanágio: "Atão prantes, é assim: sou muita bom, mas fui!"

 

Seguindo na onda das profecias que se realizam, como nos contos de fadas, o seu substituto é Paulo Fonseca, que por sua vez, profetizara que um dia ainda voltaria a treinar um clube grande. Cumpre desse modo o seu sonho inconfessado de menino e, como bónus, segue as pisadas do seu grande ídolo. Um três em um.

 

É este o Mundo de Mendes, Jorge, algures em 2016, ano da graça dele próprio.

 

Rói-te Nostradamus!