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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

O estado geral pidesco da nação

20
Abr12

 

 

No meio desta história toda do vice-presidente do Sporting, do Cardinal e etc., o que mais me espanta, muito sinceramente, é que o indivíduo em questão é um ex-Polícia Judiciária (PJ).

 

Primeiro, fico preocupado por saber que na PJ, poderão eventualmente existir fulanos capazes de actos deste jaez.

 

Depois, porque, a ser verdade, e convém não esquecer que até prova em contrário, todos são inocentes, que na PJ, poderão eventualmente existir fulanos capazes de actos deste jaez, e com tamanha incompetência.

 

Será possível que até o bilhete para a viagem à Madeira do funcionário, tenha sido adquirido em Alvalade? Inacreditável!

 

E daí, também não é nada de muito surpreendente que algo assim possa realmente ter sucedido. Um ex melhor saberá as linhas por que se cose a sua antiga casa.

 

Bem vistas as coisas, se prestarmos uma atençãozinha, mesmo que ínfima, aos grandes casos judiciais dos últimos tempos, o que é que temos?

 

O Casa Pia nasceu de denúncias anónimas. O Freeport de uma carta anónima, que posteriormente se veio a saber, ser da autoria, por recomendação da própria PJ, de um tal Zeferino Boal, ao que parece ex-dirigente sportinguista dos tempos de Sousa e Cintra, e putativo candidato abortado à presidência nas últimas eleições. Mera coincidência, obviamente.

 

O caso Bragaparques terá nascido de uma conversa gravada, ainda que em legítima defesa, mas sem a necessária autorização judicial, que despoletou a posterior investigação do Ministério Público.

 

O Apito Dourado, acabou por ser reaberto por causa de um livro, escrito a várias mãos por personagens de triste e pouco duvidosa reputação, vá-se lá saber a conselho de quem. Bem, mas pelo menos neste caso, salvou-se a vertente lúdica da coisa!

 

Ou seja, quanto à metodologia de intervenção da PJ e do Ministério Público, estamos conversados. São do mais variado, de cartas anónimas e gravações ilegais a algo que se poderá assemelhar a plantação de provas. A esperança é que episódios como estes sejam a excepção, e não a regra.

 

Tremo quando me lembro dos casos Joana e Maddie.

 

Tendo em conta os precedentes, o que é que uma situação como esta que envolve o vice-presidente sportinguista poderá ter de surpreendente? Muito pouco.

 

Na realidade, nem sequer a denúncia do presidente do Nacional da Madeira, de que estaríamos em presença de uma estratégia de coacção de árbitros, se revestirá de grande novidade. Ou ainda a revelação de que o vice-presidente do Sporting teria acesso a “dados dos árbitros que não estão ao alcance de qualquer dirigente desportivo”.

 

Tudo isto são notícias requentadas, apenas mudando ligeiramente o(s) protagonista(s).

 

No fundo, bem filtrada toda a balbúrdia à sua volta, e uma vez falhado o objectivo primordial, que seria afastar o FC Porto da Champions, o que foi o Apito Dourado, senão uma forma de colocar em sentido a arbitragem?

 

Pouco mais. A estratégia que alguns persistem em seguir, sempre que as coisas não lhes correm de feição, de descredibilização dos campeonatos, dos árbitros, da justiça, para além de uma boa desculpa para o(s) frequente(s) insucesso(s), é o quê?

 

O passar da imagem maniqueísta de que de um lado estão todos os bons, e do outro são todos maus, serve a quem?

 

“A informação é poder”, é um conhecido adágio. Não foi Paulo Pereira Cristóvão que fez essa magnífica descoberta.

 

Antes de serem divulgados online os dados pessoais dos árbitros, já alguns deles eram agredidos em centros comerciais, e outros sujeitos de ameaças. Neste caso, de tal maneira a informação foi poder, que o então presidente da Liga, sendo destas conhecedor desde Janeiro, só as denunciou junto da instituição competente em Maio, depois de decidido o campeonato de 2009/2010.

 

Curiosamente, com a vitória do clube dos presumíveis implicados.

 

Há pessoas que são autênticos poços sem fundo de informação. Não é de estranhar, por isso, que saibam onde alguns árbitros almoçam e na companhia de quem, ou de outras ocorrências gastronómicas, com outros intervenientes. Ou ainda que sejam receptores preferenciais de denúncias de ofertas feitas a adversários.

 

 

 

Nada disto é, no fundo, estranho. Quanto muito podemos achar que é uma grande coincidência. Como por exemplo, saber-se de uma oferta a jogadores do Leixões para derrotarem o clube cujo presidente recebeu a denúncia do facto, precisamente na véspera do, supostamente ofertante, defrontar o Sporting, e depois, precisamente antes do embate deste último clube com o FC Porto, o Dragão receber a visita da PJ.

 

A propósito de quê? Luciano d’ Onofrio, Baía, Rui Barros e Sérgio Conceição. Coisa premente e bastante actual, como se constata. Ou um voto de confiança nos sportinguistas?

 

Será tudo isto assim tão invulgar? Será inverosímil que, ao que se saiba, sem que seja assistente no processo ou que patrocine qualquer dos assistente, um qualquer Pragal Colaço, afirme veementemente, na mesma televisão onde produz incitamentos à violência, que há muito mais matéria, muito mais escutas no processo “Apito Dourado”, para além daquelas que foram divulgadas?

 

Talvez não. Nunca num País em que, por uma incrível coincidência, um ex-Ministro da Administração Interna, fez parte da comissão de honra de um dos candidatos à presidência de um clube.

 

Ou onde um ex-Secretário de Estado da Justiça, associado da sociedade “Correia, Seara e Associados, Sociedade de Advogados, RL”, em que o Seara, é de Fernando Seara, apesar de membro do Conselho Superior do Ministério Público, tenha sido, entre outros moinhos de vento, o ilustre causídico que patrocinou a telenovela benfiquista e vimaranense, que pretendeu afastar o FC Porto da Liga dos Campeões.   

 

“Não há coincidências”, diria a Margarida Rebelo Pinto. Hmmmm, respondo eu.

 

Cardinal, asterisco, e muitas reticências

11
Abr12

 

Ora, quando ainda se sentem, e por quanto mais tempo irão sentir-se, os efeitos da arbitragem do dérbi de segunda-feira, uma notícia como a da suspeita de corrupção do árbitro auxiliar José Cardinal, cai que nem sopa no mel para desviar as atenções.

 

Não sei se será a oportunidade da sua “divulgação”, terá sido ditada por esse objectivo, mas quanto a mim, parece-me um perfeito fait divers, digno de uma silly season fora de tempo. Ainda que rodeado de muitas coincidências. Demasiadas, talvez.

 

Primeiro. Se há coisa que o “Apito Final” ensinou, a quem quis ou conseguiu aprender, foi que não há corrupção sem que se produza o efeito procurado pelo corruptor. Por isso, dado que o árbitro assistente em questão nem sequer interveio no jogo, será um exagero falar em corrupção. Quanto muito na sua tentativa.

 

A não ser que, com base nesta, estejam a ser investigadas outras hipotéticas situações.

 

Segundo. O facto de ter sido depositado dinheiro na conta, não implica necessariamente que o seu titular tenha alguma coisa que ver com isso. Infelizmente comigo nunca aconteceu. Mas pode acontecer, e ninguém está livre disso.

 

Espero que a “investigação” consiga averiguar se o dinheiro ficou na conta, ou se o José Cardinal, recebendo-o, ainda que distraidamente, fez uso dele. Como podiam, e deveriam ter feito em relação ao hipotético envelope, hipoteticamente entregue por Pinto da Costa ao Azevedo Duarte, no tal “Apito”.

 

Depois, vêm as coincidências. A notícia é divulgada após a vitória do Sporting no clássico, e precisamente na semana em que este clube ultrapassou o Marítimo na classificação da Liga Zon Sagres.

 

O José Cardinal é o árbitro assistente de que o Sporting se tem vindo insistentemente a queixar desde a recepção ao Olhanense, na primeira jornada.

 

Há ainda sportinguistas que tentam associá-lo ao penálti fantasma que deu a Taça Lucílio ao mais grande do Mundo dos arredores de Carnide. Porém, nesse caso, exageram.

 

Conforme o próprio Lucílio Baptista assumiu na altura, não terá sido induzido em erro pelo Cardinal, mas sim, pelo Pais António - o famoso Ferrari de Setúbal.

 

Para além do Olegário Benquerença, também o José Cardinal foi homenageado pela AF do Porto, na temporada passada, nas vésperas do cataclismo de Guimarães à quarta jornada, que ditou a então reacção holocáustica do clube derrotado.

 

O Marítimo, sobre quem recaem as suspeitas de ter pago os dois mil euros, vai defrontar brevemente o segundo e o primeiro classificados da Liga, por esta ordem respectivamente.

 

Apesar do bom relacionamento que o homem do guardanapo tem com o seu homologo de orelhas grandes, tal não impediu que houvesse mosquitos por cordas no final da partida disputada no Estádio da Lucy, na época finda.

 

No fundo, nada disto é muito relevante, e não passam como disse de factos isolados, que, conjugadamente se tornam numa série de coincidências, com potencial para dar azo a umas belas teorias da conspiração.

 

Contudo, à frente do nome do José Cardinal, o asterisco, que já não era pequeno, começa a tornar-se gigantesco.

 

Agora, relevantes, relevantes, quanto mim, são pormenores como o facto de, sem querer beliscar minimamente o bom trabalho do Pedro Martins, os madeirenses estarem a fazer a sua melhor época desde há anos a esta parte.

 

De a carreira do árbitro madeirense Marco Ferreira se vir a projectar numa rota ascendente nas últimas duas temporadas, sem que a qualidade das arbitragens produzidas tenha evoluído correspondentemente.

 

Ou de o actual presidente da Liga de clubes, indicado precisamente pelo Marítimo, revelar ser uma sorte ter um dos contendores na final da Taça da Liga, criada teoricamente, para dar oportunidades aos ditos clubes pequenos, que até terão contribuído grandemente para a sua própria eleição.

 

Ou ainda que, este mesmo presidente, a propósito da questão da negociação dos direitos de transmissão televisiva, tenha trazido à colação o exemplo do FC Porto, como sendo o clube onde o detentor daqueles direitos [a Olivedesportos], seria simultaneamente proprietário de percentagens da SAD e do clube:

 

"Devia ser proibido que o detentor dos direitos televisivos tenha percentagens em clubes de futebol, como acontece com o FC Porto e com a SAD, e depois nomeie membros para o Conselho de Administração. Pode haver a ideia, que eu penso na realidade que pode estar a acontecer, desses clubes serem beneficiados quando se trata da divisão desse bolo".

 

Isto quando a empresa em causa é detentora de partes do capital social, não só do FC Porto, mas também do Sporting (pág. 121), 5,474 % dos direitos de voto através da Sportinveste, dominada pela Olivedesportos, de Joaquim Francisco Alves de Ferreira de Oliveira, e do tal clube da sorte grande (pág. 19), 2,66% daqueles direitos, detidos pela mesma empresa, como consta nos respectivos relatórios de contas.

 

Assim sendo, porquê a fixação do Sr. Presidente da Liga com o FC Porto?

 

Ainda que a SAD tenha na altura, rebatido em comunicado a afirmação produzida pelo presidente da Liga, fê-lo, a meu ver, de forma insuficiente, pois esqueceu-se daqueles dois exemplos de idêntico pecado.
 
Este tipo de postura, que não esconde minimamente ao que vem, oriundo de alguém indicado, supostamente, pelo Marítimo, preocupa-me bem mais do que os dois mil euros que o Cardinal possa ou não ter empochado.