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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Ser ou não ser, um apelo à esquizofrenia

22
Dez15

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Li por aí em vários sitios, que no último jogo o FC Porto teve finalmente, uma entrada à Porto. Determinado, dinâmico, pressionante, enfim, tudo aquilo que a malta gosta e quer. E as coisas correram bem.

 

Pela primeira vez não desperdiçámos uma boa oportunidade, num mau resultado do adversário, e eis-nos no topo da tabela. Dando de barato a injecção de motivação que terá sido a derrota alheia, quanto a mim houve dois factores primordiais que marcaram decisivamente o jogo.

 

Duplo pivot às malvas. Não é novo, já acontecera contra o Vitória de Setúbal, e noutros jogos de menor dificuldade e em casa: Lopetegui prescindiu do duplo pivot. Rúben Neves foi o trinco, e Danilo Pereira e Herrera, os dois médios, uma espécie de dois oitos.

 

Com o regresso de Herrera à equipa é bastante provável que esta opção se venha a repetir, pois com o mexicano em campo, esqueçam lá o duplo pivot.

 

Quando vi os dois trincos no Brasil de Scolari, confesso que achei interessante. Também gostei do duplo pivot do Irureta, no Deportivo da Corunha, que chegou a campeão espanhol. Mas quando o Koeman ou o sobrinho da Lola Flores, não me recordo qual dos dois, resolveu plantar um gajo ao lado do Petit, comecei a desconfiar.

 

A soma das partes valia claramente menos do que o pitbull sozinho. Ele, por si só, varria literalmente, a zona do meio-campo que lhe estava confiada. Alguém ao seu lado apenas lhe tolhia essa capacidade inata.

 

O mesmo se passa no FC Porto actual. Lopetegui quer jogar com dois pivots a meio-campo. Contudo, para isso, com o Herrera não vale a pena contar.

 

E quanto ao Rúben Neves e ao Danilo Pereira já deu para perceber que pô-los lado-a-lado só os atrapalha mutuamente, tanto defensiva como ofensivamente. Ambos fizeram um bom jogo, o Rúben a trinco, e o Danilo muitas vezes como um inesperado box-to-box.

 

Assim sendo, para quê insistir em fazer do Danilo um seis, quando o Rúben Neves faz perfeitamente a posição? Ou um defesa central? Ou então desperdiçar recursos, lançando-os a ambos num duplo pivot sem grande utilidade prática?

 

Rotatividade moderada. Para este jogo, Lopetegui introduziu apenas, note-se, apenas uma alteração: a troca de Marcano por Maicon.

 

Já na temporada passada, quando o Lopetegui resolveu fazer a vontade aos críticos, e se deixou de rotatividades, as coisas estabilizaram e encarreiraram. Apesar de tudo, ainda tivemos alguns momentos de futebol razoável.

 

É claro, que nunca dando o braço a torcer, como é seu timbre,  mais tarde a rotatividade acabaria por revelar-se o segredo do sucesso contra o portentoso Basileia, que eliminara o Liverpool, e que esta temporada até já perdeu, em casa, com o Belenenses.

 

Tudo bem. Que assim seja, se fôr caso disso. Chega de rotatividades, e mais para a frente, se nos correr bem a eliminatória contra o Borussia de Dortmund, que fique por conta da rotatividade. Pode ser?

 

Depois do Bayern de Munique ter sido eliminado pelo Real Madrid, consta que Guardiola se recriminou por ter abandonado a sua convicção táctica, cedendo à tentação de lançar-se num ataque desenfreado, como lhe pediam instintivamente os jogadores.

 

Lopetegui funciona ao contrário: quando abandona aquelas que são as suas convicções, as coisas, tendencialmente, correm-lhe melhor.

 

Guardiola, como li recentemente, é um inovador, que reescreveu o manual do que é ser treinador através da sua capacidade de pensamento lateral, o "thinking outside the box".

 

Para Lopetegui as hipóteses de sucesso parecem aumentar quando se deixa de inovações, e essencialmente, quando consegue pensar fora de si próprio.

A merda, segundo o padrão-Couceiro

13
Dez15

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Completaram-se ontem onze anos sobre a conquista da nossa segunda Taça Intercontinental.

 

Corria a época de 2004/2005, inesquecível, e não obstante, de má memória.

 

O FC Porto acabara de se sagrar campeão europeu pela segunda vez, e para além de José Mourinho, jogadores como Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Aleinitchev e Deco deixaram o clube.

 

Outros, com Costinha e Maniche à cabeça, prefeririam tê-lo feito, e demonstraram-no abundantemente ao longo da época.

 

Del Neri, vindo do modesto Chievo Verona foi o escolhido para suceder a Mourinho. Os jogadores haveriam de chegar aos magotes pela temporada fora, com o senão de que, a par de Quaresmas, Luises Fabianos ou Diegos, também vieram Leandros e Leandros Bonfins, Areias, Leos Limas, Cláudios Pitbulls, e outros do género.

 

De Neri acabaria por ser despedido, ainda no decurso do período experimental, numa brilhante e, que se saiba, nunca antes vista, tecnicalidade jurídico-laboral.

 

Para seu lugar veio Victor Fernández, sendo que Rui Barros ainda teve tempo e engenho para conquistar a Supertaça.

 

Com Fernández o FC Porto venceu a sua segunda Taça Intercontinental, o grande feito dessa epoca, mas nem isso lhe valeu, pois foi substituído por Couceiro, que faria a sinuosa recta final do campeonato nacional.

 

Esta foi temporada do Estorilgate, que o "Reflexão Portista" recuperou há dias, através duma entrevista do, à época, treinador-adjunto do Estoril, Carlos Xavier, dos pénaltis pelas boladas do Simão Sabrosa nas mãos dos adversários, e do treinador, Trappatoni, que mal ela terminou, se pôs a milhas, com saudades de casa.

 

Num período do mais completo desnorte a nível interno, e que do ponto de vista externo, muito pouco ou nada, jogou a nosso favor, ainda assim o FC Porto acabou o campeonato em segundo lugar, a uns meros três pontos do campeão.

 

Pelo caminho houve momentos humilhantes, é certo. O pior terá sido a derrota caseira por 0-4, contra o Nacional da Madeira, mas também cllaudicámos em casa contra o SC Braga (1-3), e Boavista e Beira-Mar (0-1).

 

Curiosamente, também derrotámos o Chelsea, no regresso de Mourinho "a Palermo"...

 

Três treinadores, mais de três dezenas de jogadores, uma Taça Intercontinental, uma Supertaça Cândido de Oliveira, arbitragens estranhas, Cunha Leal na Liga de clubes, e acabámos a três pontos do campeão nacional.

 

Mal comparando com o passado recente, pergunto-me porque diabos é que, para tantos portistas, o Couceiro foi uma das maiores merdas que, desde sempre, passaram pelo nosso clube.

Um treinador de gestão

10
Dez15

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Com a eliminação da Champions League de ontem, caiu por terra o último argumento que se interpunha entre Lopetegui e o falhanço rotundo de Jorge Mendes, na tentativa de lhe construir uma carreira de treinador.

 

A desvalorização, seja pelo próprio ou por terceiros, desta eliminação e da consenquente queda para a Liga Europa, com o argumento de que estão ainda em disputa quatro troféus, é de fazer corar de vergonha - se a tiverem - todos quantos na pretérita temporada empregaram argumentário inverso, quando a situação foi, também ela a inversa.

 

Se Jorge Mendes e Lopetegui têm algumas noções de gestão de carreiras, hão-de chegar à conclusão de que este, é o momento mais conveniente para dar de frosques.

 

O glamour do percurso anterior na Champions empalideceu, mas nada mais se perdeu ainda, que alguma vez tivesse sido encontrado. É pois o tempo de pegar nos cacos que restam e tentar capitalizar sobre eles.

 

Continuar significa arriscar a que qualquer uma das quatro provas em disputa possa correr mal. E o que será, nesse caso, "correr mal"?

 

Relegados de mister próprio para a Liga Europa vindos da prova máxima, o pensamento vai imediatamente para a vitória. Realisticamente, olhando para a concorrência, diria que chegar aos quartos-de-final, será o mínimo dos mínimos.

 

Contudo, é a liga nacional que passa a ser o desígnio prioritário. Menos que a sua conquista vem com o travo amargo do fracasso.

 

As Taças, de Portugal e da Liga, tão desprezadas no passado, em contraponto com os milhões, a valorização dos jogadores e a suposta projecção do clube, poderão ser a tábua de salvação para a temporada?

 

Claro, que sim. Já se viu que há quem se agarre a tudo para permanecer à tona. Mas a Lopetegui só servirão se a ideia for ficar por cá muitos anos. Será que é isso que quer?

 

Sinceramente, não consigo exprimir em percentagens as probabilidades de as coisas correrem bem ou mal, mas se o passado servir de indicador para alguma coisa, digamos que 50/50%, poderá ser lisonjeiro.

 

Portanto, o risco de que se esvaia a réstea de credibilidade que ainda possui é bastante elevado.

 

Logo, a ficar até ao fim, não esperemos de Lopetegui que corra grandes riscos. Vamos ter um treinador de gestão, que irá praticar os actos de gestão corrente necessários a dar resposta ao expediente normal, e com muito cuidadinho, para não se colocar ainda mais a jeito.

 

Também já todos vimos no passado, até bem próximo, o resultado dessa opção.

 

Assim sendo, faites vos jeux, Monsieur Mendes!

Guardiolices lopeteguianas

07
Dez15

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(imagem e análise táctica do Bayern Munique x Arsenal em "Outside of the boot")

 

Há coisa de um mês, andou por aí meio mundo em êxtase com a Pirâmide do Guardiola.

Não é caso para menos. Uma inovação táctica que recria algo que existiu há cem anos atrás, é bem apanhada. Sem dúvida.

 

Agora a sério, nos tempos que correm, um treinador que lança mais do que três tipos na frente de ataque, é merecedor de todos esses encómios, e mais alguns. Cinco, é obra.

 

Mas será tanto assim? Não vi o famoso jogo piramidal do Bayern de Munique contra o Arsenal, mas (re)vi o último Bayern x Stuttgart, em que os bávaros cilindraram por 5-1. E o que é que vi?

 

Que o Guardiola me fintou, e deixou o famoso e centenário 2x3x5, em parte incerta.

 

O Bayern entrou com três defesas: Rafinha, Boateng e Alaba, e dois médios mais defensivos: Vidal e Kimmich. À frente deles o Douglas Costa, e ainda mais para diante: Robben, Thomas Müller, Lewandowski e Coman. Um 3x2x1x4, portanto.

 

Na defesa, o Rafinha foi um defesa-direito que quase não subia no terreno, enquanto o Boateng e o Alaba alternavam entre quem era o central e o defesa-esquerdo, quem subia e quem ficava.

 

Nos poucos, pouquíssimos, momentos de aflição em que o Stuttgart se aventurava para além do seu meio-campo, era um Deus nos acuda, à boa maneira do Adriaanse, com o Rafinha, invariavelmente, a ir buscar os heróis fugitivos.

 

A meio-campo Vidal e Kimmich asseguravam alguma solidez defensiva, com o chileno, mais afoito para diante, a cair para a direita, e o germânico mais posicional. Até porque da sua esquerda para o miolo, se abria o raio de acção de Douglas Costa, sempre em progressões rápidas e verticais.

 

Na frente, apareciam então Robben, Müller, Lewandowski e Coman. Dos quatro, Coman e Lewandowski eram os mais fixos, com o primeiro, colado à linha lateral esquerda, e dela pouco se afastaria, e o segundo, ao centro, entre os centrais contrários, passe a redundância.

 

Müller e Robben, mais móveis, a procurarem através de recuos e penetrações, triangular com Vidal.

 

Do tão falado cinco da frente, nem vê-lo. Só nas ocasiões em que o Douglas Costa se chegava à frente, mas sempre partindo de uma posição mais recuada.

 

Perante isto, o que diriam os fulanos que para aí andam extasiados, se tivessem presenciado o nosso jogo contra o Vitória de Setúbal?

 

É verdade, e se estivessem estado acordados entre os 59 e os 73 minutos de jogo, entre a saída do Evandro e a entrada do Osvaldo, e a saída do Brahimi e a entrada do Imbula?

 

Foram apenas 14 minutos, mas nesse quarto de hora menos um minuto, quando em posse de bola, o FC Porto jogou com Indi e Marcano, na defesa, como médios Danilo Pereira, a trinco, e André André, livre, e na frente, nada mais, nada menos, que seis homens: Maxi Pereira, Tello, Osvaldo, Aboubakar, Brahimi e Layún.

 

Maxi Pereira e Layún foram naquele período, os verdadeiros extremos, enquanto Tello e Brahimi flectiam para o centro, ao mesmo tempo que recuavam um nadinha, como os antigos interiores, procurando ocupar o espaço entrelinhas.

 

Osvaldo era o homem fixo diante da baliza, em torno do qual orbitava Aboubakar. E foi assim que surgiu livre para cabecear para o golo.

 

Ou seja, uma espécie de 2x1x1x3x3, ao qual não consigo associar qualquer figura geométrica. Talvez uma fórmula matemática: V+1+1+M, mas é demasiado rebuscado, por isso, vou chamar-lhe apenas o "coiso" de Lopetegui.

 

É claro que isto era um exagero de arrojo. Para mim, pessoalmente, tudo o que vá para além de dois defesas e um duplo pivot, para aguentar as coisas cá atras, faz-me arrepios na espinha.

 

O Vitória, ao não ter um único jogador capaz de ter a bola nos pés e de fazer um passe, que não fosse uma bola bombeada para o Suk, também ajudou.

 

Foram apenas catorze minutos, o bastante para chegar ao golo. Aí chegados, sai o Brahimi, entra o Imbula, e eis-nos de regresso ao 4x3x3. O adversário estava subjugado. Se até aí, pouco tinha feito, dificilmente o faria daí para diante.

 

Durou pouco, mas foi interessante ver o FC Porto com uma dinâmica de equipa crescida, mandona, e capaz de asfixiar o adversário, se não pela qualidade, pela quantidade.

 

Como seria de esperar, não vi este momento histórico a ser objeto de grandes parangonas onde quer que fosse. Mas aconteceu.

 

Talvez porque aquilo que para o Bayern é um modo de vida, para nós foi uma sala de pânico.

 

Nota: Se tudo correr bem, esta será a primeira parte de um texto, com duas partes. Como esta saiu um tanto ou quanto insonsa, na próxima, como não nasce Guardiola quem quer, vou tentar descobrir algumas diferenças entre nós e o Bayern, para além das mais óbvias. Com um bocado de sorte…

 

 

Reality sucks (ou "Do mito ao logos, e mais além")

29
Nov15

Se há algo que atravessou a evolução da espécie humana, do mito ao logos, e permanece nos dias de hoje, foi a necessidade de, quando as coisas correm mal, virar as preces para os deuses, mais que muitos, na esperança, tantas vezes vã de salvação divina.

 

Os adeptos do FC Porto não são diferentes. Quando as coisas correm manifestamente mal, voltam-se para os seus sacrossantos  deuses: o Presidente e a administração da SAD.

 

Uns, na esperança de mudanças. Outros, apenas procuram conforto. Confiam no Presidente, e enquanto este mantiver a sua confiança no treinador, sentem-se seguros. Ainda que à sua volta o Mundo como o conhecem, esteja a desabar, e eles próprios desconfiem disso.

 

Um pouco como a orquestra do Titanic.

 

Meus Caros,

 

Não vale a pena acalentarem tal esperança, e acreditarem na intervenção divina e salvadora do Presidente e da administração da SAD.

 

A partir do momento em que a dependência do clube dos negócios com Jorge Mendes e com os fundos, os compeliram a ter de aceitar servir de barriga de aluguer para a gestação do Julen Lopetegui-treinador, ao serviço dos interesses de Jorge Mendes, as coisas fugiram do controlo do Presidente e da SAD. Ao menos neste capítulo.

 

A única esperança seria Jorge Mendes conseguir colocar Lopetegui noutro lado qualquer. Mas está a tornar-se difícil. As cada vez mais abundantes provas de falta de capacidade de Lopetegui, tornam-o pouco apetecível para clubes de alguma dimensão. Quer ele acredite, quer não, o mercado encolhe a cada exibição de merda.

 

A Lopetegui talvez isso não o preocupe, mas a Jorge Mendes, que não é parvo de todo, ainda que consiga enganar alguém, não lhe interessa nada vender gato por lebre. Não seria nada abonatório para a sua reputação.

 

Assim sendo, não vale a pena dirigirem as Vossas últimas preces para o Presidente ou para a administração da SAD. É escusado.

 

Antes, rezem mas é para que apareça alguém ainda mais dependente do Jorge Mendes ou dos fundos do que nós, e que não tenha outro remédio senão ficar com ele.

 

Olhem, por exemplo, com sorte, se as coisas se tornarem insustentáveis para o Nuno Espírito Santo em Valência, talvez se possa fazer uma troca...

Três médios, três casos

27
Nov15

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Herrera. O jogador mais utilizado por Lopetegui na temporada passada, e que faz nos dias que correm, uma penosa travessia do deserto.

 

Dele disse o treinador à EFE, durante a pausa para os jogos de selecções:

 

"O ano passado jogou praticamente sempre, mas está há dois anos sem férias. Em 2014 jogou o Mundial e em 2015 a Gold Cup. E isso tem muita influência."

 

Herrera fez 180 minutos nos dois jogos da selecção mexicana, e foi convocado e foi suplente utilizado nos Açores, contra o Angrense. André André, Danilo Pereira e Rúben Neves não foram convocados.

 

Conclusão: neste momento, o problema de Herrera, entre outros, que não são agora para aqui chamados, não é o cansaço. O seu maior problema é que, para Lopetegui, passou de indiscutível a descartável.

 

Tanto num caso, como noutro, vá-se lá saber porquê. É carne para canhão. Quando não joga, é porque está cansado, quando é necessário dar descanso às escolhas que o antecedem na rotação engendrada pelo treinador, não há cansaço que lhe pegue.

 

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André André. Na concepção lopeteguiana do que é o futebol, André André não é médio, é extremo, ou se quiserem, interior, como se dizia à moda antiga.

 

No futebol de Lopetegui, o médio centro não é um médio,construtor de jogo, porque o jogo se constrói apenas pelas alas, mas sim um segundo avançado.

 

Assim, tanto pode ser o Herrera, como o Imbula, como o Evandro, como o Bueno, o tal avançado disfarçado de médio.

 

Com excepções, duas, que me lembre. Quando o Brahimi começou um jogo ao meio, a 10: deu um golo, e acabou-se. E contra o Vitória de Setúbal, em que num meio-campo Danilo-André André, este lá jogo naquela que parece ser a sua posição mais natural.

 

Dentro desta lógica, André André entra naturalmente, para as contas de Lopetegui, na rotação dos extremos/interiores. Com Brahimi e Tello operacionais, e com o subterfúgio do cansaço provocado pelos compromissos da selecção, está fora das opções.

 

A não ser que o desespero dite o contrário, como se viu.

 

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Imbula. Ignoremos por um momento o quanto custou.

 

Contra o Maccabi, jogou naquela posição de médio-centro, que é suposto funcionar como segundo avançado. Contra o Angrense, foi trinco, ou duplo-pivot, juntamente com o Sérgio Oliveira. Agora, contra o Dínamo de Kiev, voltou a ser médio-centro.

 

Quando olho para ele em campo, parece andar perdido. Já mostrou que tem técnica, e é perfeitamente natural que um jogador recém chegado revele dificuldades de adaptação. Mas, se ainda por cima, a cada jogo lhe pedem para fazer algo de diferente, será que isso ajuda?

 

Na época passada, quando as posições no centro do terreno ficaram, tanto quanto Lopetegui e as lesões deixaram, definidas, a coisa, mais ou menos carburou. Era Casemiro, Herrera e Óliver, e pronto.

 

Esta temporada, acabou. Os médios são os do duplo-pivot, e o resto é conversa. O médio-centro é mais um avançado, e o meio-campo, um deserto de ideias.

 

Alguém, certamente bem mais inteligente do que eu, disse um dia que "os ataques ganham jogos, mas as defesas ganham campeonatos". Eu acrescento: no meio-campo joga-se futebol.

Às portas do nirvana

28
Set15

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Como dizia aquela música brasileira, "tudo está no seu lugar".

 

À histeria do André André seguiu-se a do resultado de Moreira de Cónegos, e foi ver juras de amor eterno a serem quebradas, votos de confiança tão irrevogáveis como a demissão do Paulo Portas, e apoios incondicionais com mais cláusulas que contratos de seguros.

 

Adivinhava-se o fim do estado de graça mais duradouro alguma vez visto.

 

Porém, precipitaram-se claramente aqueles que viram nesta a ocasião propicia para lançar críticas. Se estiveram calados até agora, mais valia terem continuado.

 

"Tudo está no seu lugar", não graças a Deus, como na canção, mas obviamente por conta da omnisciência e da omnipotência de quem superiormente dirige os destinos do nosso clube, que tudo tem previsto e acautelado. Estou a ser irónico, caso não tenham percebido.

 

Pois bem, passado o chorilho de críticas, Marte voltou a estar alinhado com Saturno, como diz o dito popular "a sorte protege os audazes", e às vezes também os outros, "ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo", e eis-nos no topo da tabela.

 

Venham de lá mais apoios incondicionais, autos de fé e juras de amor eterno. Ou pelo menos, até à próxima vez que a gracinha se repita. Nada de novo, portanto.

 

Como nada de novo teve também o que se passou contra o Moreirense. Ou teve?

 

Tirando a entrada do Herrera, que torna mais difícil perceber se estamos a jogar com um duplo pivot, ou em 4x3x3, e as substituições feitas para ganhar o jogo, que segundo o próprio treinador, desequilibraram a equipa, no resto, as asneiras do Lopetegui, essencialmente, vão sendo uma repetição daquilo que já fez antes.

 

E, muito provavelmente irá tornar a fazer. Afinal, é para isso que lhe pagam. Ah, não?! Não é? Pois não. Melhor assim, ao menos saem de borla.

 

A realidade é que estamos prestes a entrar num período de prolongamento do estado de graça, diria que de pré-nirvana.

 

Não sei se já deram uma vista de olhos ao nosso calendário para os próximos tempos. Vamos ter quatro jogos consecutivos no Dragão: na próxima terça-feira, contra o Chelsea, no dia 4 de Outubro, dia de eleições, com o Belenenses, segue-se uma pausa para o Cristiano Ronaldo, a 20, recebemos o Maccabi, e a 25, o SC Braga, do Paulo Fonseca.

 

Destes quatro adversários, o Chelsea é sem dúvida o mais complicado, ainda que, mesmo em caso de derrota, não se adivinhe uma grande catástrofe. O Mourinho não joga para esmagar o adversário, por isso, mesmo perdendo, o resultado deverá ficar dentro de padrões aceitáveis.

 

Quanto aos outros, bem, os outros que me desculpem, mas ainda por cima em casa, só por manifesta incompetência da nossa parte é que deixaremos de ganhar.

 

Depois temos União da Madeira e Maccabi fora, a 31 de Outubro e 4 de Novembro. Não estará na ideia de ninguém estender a maldição da ilha ao recém promovido União, e quanto ao Maccabi, com Brahimi ou sem Brahimi, é para ganhar.

 

Voltamos ao Dragão para receber o Vitória de Setúbal, a 8 de Novembro. Nova interrupção, e a 24 temos cá o Dínamo de Kiev.

 

Vamos a Tondela, a 29, e recebemos o Paços de Ferreira no Dragão, em Dezembro, a 5.

 

A 9 jogamos em Stamford Bridge, e 13 voltamos pela última vez à Madeira, para defrontar o Nacional.

 

Ou seja, de terça-feira que vem até 9 de Dezembro, temos oito jogos para ganhar, e para recuperar e manter o estado de graça, sem grandes chatices.

 

Mesmo os resultados das partidas com o Chelsea, sendo contra quem são, ainda que negativos, não hão-de causar grande mossa.

 

É claro, tudo isto no papel, e conforme disse, salvo manifesta incompetência da nossa parte.

 

Sem me dar ao trabalho de olhar para o calendário dos nossos mais directos adversários neste mesmo período, sou capaz de apostar que não poderão dizer o mesmo.

 

Para além disso, o discurso e a postura honesta e vertical de Rui Vitória, é algo a que os adeptos benfiquistas não estão propriamente acostumados, nem valorizam grandemente, o que dificulta a criação de empatia entre treinador e massa associativa.

 

Enquanto for vencendo, tudo bem, mas dois contratempos consecutivos, e desmorona-se, qual castelo de cartas colado com cuspo.

 

No outro lado da circular, o Sporting não tem pedalada para o Jorge Jesus.

 

Portanto, ou muito me engano, ou o essencial da Liga NOS 2015-2016 vai ser disputado até Dezembro. Lopetegui tem todas as condições para resolver a questão neste lapso de tempo, e deixar o título encaminhado, senão conquistado.

 

São mais de dois meses de estado de graça garantido até ao nirvana, é só não o desperdiçar.

Concatena, filho, concatena

23
Set15

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O Layún deu o mote, quando disse que "os clássicos não se jogam, ganham-se".

 

Valha a verdade que este clássico foi muito mal jogadinho, graças a Deus. Ou neste caso, graças aos tipos que por aquele relvado andaram, correram, espernearam e provocaram, que resolveram fazer a fineza de dar-lhe razão, e substituir a inteligência e o bom futebol, por nervo e vontade.

 

Uma primeira parte desgraçada do nosso lado, aliás, perfeitamente em linha com o que acontecera em Kiev, a meio da semana.

 

Na Ucrânia, o André André começou à esquerda, com o Herrera ao meio e o Brahimi à esquerda. No caos que foi aquele meio-campo, passou para o meio, e as coisas melhoraram.

 

Depois foi acabar na direita, naquilo que agora à posteriori, parece ter sido um ensaio prematuro para o clássico, uma vez que, como se viu, o resultado estava longe de estar garantido, e um milhão de euros que voou pela janela. 

 

No Dragão, o André André começou como havia acabado o jogo anterior, à direita.

 

Jorge Jesus, quando Lopetegui o confrontou na temporada passada, disse queque, enquanto homem, o rival era corajoso por tê-lo feito, mas como treinador...

 

André André à direita foi um sinal de receio de Gaitán? Em boa verdade sempre seria o homem mais perigoso do adversário.

 

O certo é que, uma vez mais, as coisas começaram a recompor-se quando André André passou para o meio.

 

Em ambos os jogos Lopetegui apostou no duplo pivot a meio-campo. Danilo Pereira e Rúben Neves, na Champions, e Rúben Neves e Imbula, para a Liga doméstica.

 

Nas duas partidas o duplo pivot andou aos papéis. Completamente perdidos no primeiro jogo, e em ambos, médios defensivos e linha defensiva excessivamente recuados em relação aos demais médios e avançados.

 

Resultado, um enorme buraco no centro do terreno, que André André logrou, de certa maneira, preencher quando passou para o meio.

 

O exagero foi tal que no Clássico, a dada altura, quando o adversário atacava, e fazia-o fundamentalmente por Gaitán e com os recuos de Jonas, para vir buscar jogo, Rúben Neves e Imbula baixavam de tal maneira, que quase se integravam na linha defensiva.

 

Ou seja, estamos perante equívocos tácticos, exponenciados por uma considerável dose de casmurrice, ou ainda falta trabalho táctico para limar as arestas do sistema, e demonstrar as suas virtudes?

 

Pelo que percebi, em particular no jogo contra o Stoke City, o ensaio do duplo pivot começou na pré época. A colocação de Herrera ao meio, num papel de praticamente segundo avançado, já vem da época passada.

 

Como é que se conjuga isto com rasgados elogios ao treinador?

 

"Concatena, filho, concatena"! - dizem agora os ex-"Gato Fedorento".

 

Não consigo.

Lopeteguicamente correcto

31
Ago15

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Julen Lopetegui resolveu dar uma abébia aos seus inúmeros ilustres "colegas" de bancada e de sofá, e não só retirou Herrera do onze inicial, como ainda lançou Brahimi a 10.

 

Tenho cá para mim que ele, ou alguém do staff, devem ser leitores assíduos de alguns sítios da bluegosfera...

 

Para minha satisfação pessoal, Martins Indi apareceu a lateral-esquerdo, compondo assim, a defesa de quatro "Ms" que, desde Julho, previa vir a ser uma hipótese.

 

Politicamente correcta, ou Lopeteguicamente correcta, como se lê no titulo, a coisa não correu mal. De início. Brahimi, não sendo propriamente um organizador de jogo, mostro-se activo e voluntarioso, q.b., na procura da bola, ainda que depois, com ela nos pés, nem sempre se decidisse pela melhor solução.

 

A opção rendeu um golo madrugador, mas à medida que o tempo foi avançando, tornava-se evidente que haviam ali unidades em claro sub-rendimento: Varela, Tello e Imbula.

 

Qualquer um destes três poderia ser candidato a uma saída precoce. No entanto, certamente para grande alegria de Miguel Sousa Tavares, Lopetegui optou por Varela.

 

Ora, se um cretino será sempre um cretino, um casmurro, será sempre um casmurro.

 

Ausentes quaisquer um dos dois extremos, que na altura lhe restavam no plantel, Hernâni e Ricardo Pereira, a troca directa estava fora de questão.

 

Sai Varela, entra André André, e acabou-se Brahimi a 10. Tello muda para o flanco direito e o argelino vai para a esquerda.

 

E a equipa continuou em queda até ao intervalo, e depois dele. Pior que isso, como Tello para além de pouco mais ter feito que Varela, também não defendia, e Indi pouco avançava, abria-se nas suas costas espaço, por onde o Estoril aproveitava para se esgueirar (coincidência, ou talvez não, quando Tello mudou para a direita, o Estoril começou a mostrar-se mais atrevido por esse lado).

 

Eis senão quando, Lopetegui regressa a si próprio e lança Herrera na partida, por troca com Imbula. Sem que aquele tivesse feito algo de muito relevante, o FC Porto marca o segundo golo, no livre do Maicon.

 

A entrada de Herrera mexeu com o Feng-Shui da equipa. Removido o escolho que obstaculizava o fluxo do ki, o yang e o yin entraram em harmonia.

 

Ou por outras palavras, com Martins Indi, que tem uma menor projecção ofensiva que o seu antecessor, e que o colega do outro lado, no onze inicial, Lopetegui contaria com o dinamismo de Imbula e Danilo, para carrearem o jogo para diante.

 

Como isso não aconteceu, e equipa partiu-se. Herrera acabou por funcionar como o elo de ligação que André André, sozinho não conseguira ser.

 

O segundo golo deitou por terra o atrevimento estorilista, e ainda houve tempo para espetar mais um prego no caixão, onde irá jazer não tarda muito, o que resta da confiança de Aboubakar.

 

Lopetegui começou o jogo satisfazendo os anseios dos adeptos, lopeteguicamente correcto. Porém, à medida que o tempo foi passando, como quem não quer a coisa, foi voltando a si próprio, para acabar no esquema que lhe é habitual.

 

No processo, terá acabado por queimar uma substituição. Será que das três unidades em sub-rendimento, não foi capaz de identificar aquela que mais impacto tinha no (mau) funcionamento da equipa?

 

Ou será que fazer avançar logo ali o Herrera, dava muito nas vistas?

 

O que me parece é que este sistema com o Brahimi a 10, tem potencial, e merece uma segunda tentativa. Mas, se assim fôr, que seja uma experimentação séria e sem pressas de voltar ao que era dantes.

Mudança ou desnorte?

28
Ago15

A primeira equipa do FC Porto de que me lembro, é a da caderneta do "Planeta da Bola", que já não tenho completa porque entretanto, se descolou um cromo do Beira-Mar, e perdi-o.

 

Fonseca; Gabriel, Simões, Freitas e Murça; Rodolfo, Frasco e Romeu; Duda, Gomes e Costa.

 

Foi a equipa, treinada por Pedroto, que falhou o tri em 79/80. Jogava em 4x3x3.

 

Nos anos imediatamente a seguir, muito sinceramente, não me recordo. Mas, desde o regresso de José Maria Pedroto, e no advento do FC Porto europeu, o 4x4x2 era o sistema de eleição.

 

Que me lembre, o 4x3x3 voltaria com o António Oliveira. Se olharmos para os extremos de que então dispunhamos, Capucho e Drulovic, por exemplo, e para o ponta-de-lança, que materializava as oportunidades criadas por aqueles, Mário Jardel, a opção é fácil de entender.

 

Mourinho, grosso modo, adoptou o mesmo sistema, mas introduziu-lhe nuances, em particular nas partidas internacionais, que o faziam pender para o o4x4x2 ou para o 4x3x1x2.

 

Com Adriaanse, bem, com Adriaanse, as coisas só se equilibraram, e deram resultado a partir do momento em que começou a trabalhar no modelo que conhecia, um 3x3x4 suicida, de pôr os nervos em franja ao adepto mais fleumático.

 

O conceito, inovador entre nós, causava dificuldades aos adversários, que se viam sufocados perante a avalanche de futebol ofensivo. Salvo erro, o Ronald Koeman, certamente conhecedor dos bugs do sistema, foi o único que conseguiu dar-lhe a volta, e fomos campeões sem derrotá-lo uma única vez.

 

A partir de Jesualdo Ferreira o 4x3x3 foi decretado a imagem de marca da equipa e, ainda que com eventuais variações, tem vindo a ser empregue pelos treinadores que se lhe seguiram.

 

Foi isso que aconteceu também com Lopetegui na temporada passada. No entanto, fazia parte do plantel do FC Porto, um jogador como Quintero, um caracteristico número 10, e foi ainda contratado Adrián López, um segundo avançado.

 

Pese embora as tentativas levadas a cabo pelo treinador, nem um, nem outro, conseguiram encontrar os seus lugares na equipa. O 4x3x3 não comporta as posições em que ambos melhor rendem, e nenhum dos dois foi capaz de mostrar serviço noutra(s) posição (ões).

 

A primeira contratação, conhecida, para a época que agora decorre, foi a de Alberto Bueno. Mais um homem para jogar por detrás do ponta-de-lança, um segundo avançado. A tal posição que, teoricamente, não existe no 4x3x3.

 

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Há dois dias atrás surgiu associado ao FC Porto, nome de Jesús Corona, do Twente. Não sei se é a sério, e se a sua putativa contratação terá por trás algum fundo. O que sei é que, segundo consta, o PSV Eindhoven terá estado na corrida para contratá-lo, e desistiu, por o considerar caro em demasia.

 

Não está em causa a qualidade do jogador, neste ou nos outros nomes que apontei. Os bons jogadores serão sempre bem vindos,  e aqui, bem como, de resto, no caso do Bueno,  não os conheço o suficiente para ter uma opinião definitiva formada.

 

Porém, do pouco que vi, não vi um extremo, como foi anunciado. Raramente o vi junto à linha. Vi-o sim, a jogar por detrás do ponta-de-lança e como segundo avançado, numa posição muito parecida com aquela que será a do Bueno.

 

Tudo bem, os jogadores adaptam-se. O James quando veio para cá, não era extremo. Ainda que num estilo diferente do típico 10 sul-americano, era essa a sua posição. E veio jogar para extremo, e está onde está.

 

Já o Quintero, mais próximo estilisticamente, por exemplo, de um Carlos Valderrama, parece geneticamente incapaz de fazer o mesmo.

 

Agora, a ser verdade, contratar Corona quando se tem no plantel Bueno, ou para colocá-lo a jogar na linha, e desviar Brahimi para dentro, como também já li, fará sentido?

 

O Brahimi é um organizador de jogo, ou um rompedor? Então, e não está de volta o Quintero, que faz essa mesma posição?

 

Ou melhor ainda, o modelo de jogo contempla essa posição? Ou a de segundo avançado, para a qual tivemos o Adrián, temos o Bueno, e poderemos vir a ter o Jesús Corona?

 

Estará por aí na calha uma mudança do paradigma táctico, ou será simplesmente um momento de desnorte?