Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Soube-me a pouco

A falta de capacidade de resposta dá nisto. Atrasei-me, e de ontem para hoje, foram já tantas, tão minuciosas e de elevadíssima qualidade as apreciações que li, sobre a exibição do FC Porto ante o Málaga, que nem vale a pena ir por aí.

 

Seria chover no molhado. Vou tentar algo diferente: ver o Málaga.

 

Para aí vinte minutos antes do início da partida, quando soube qual iria ser o onze inicial dos malaguenhos, confesso que fiquei surpreendido.

 

Tomando como parâmetro de comparação a equipa que vi jogar, e ganhar, ao Real Madrid, o único jogo do nosso oponente, que presenciei integralmente, esperava ver de início o Jesus Gamez, e não me passava pela cabeça ver o Roque Santa Cruz e o Júlio Baptista, juntos lá à frente. E ainda o Joaquin.

 

É bem certo que neste Málaga é difícil de estabelecer uma equipa-tipo, tal é a rotatividade que o Manuel Pellegrini introduz, e os diferentes esquemas tácticos que emprega.

 

Porém, a minha primeira reacção foi pensar que nos tinha perdido por completo o respeitinho. Quatro avançados contra nós? Bolas, não é para todos…

 

Começado o jogo, à medida que as coisas foram estabilizando, percebi a intenção: defender, e o mais à frente possível, nem que para isso, a equipa se partisse em dois blocos.

 

Os quatro defesas mais o duplo pivot do meio-campo a defenderem, e os outros quatro para diante, com a missão primordial de dificultar as nossas saídas para o ataque e, caso se desse a oportunidade, marcar.

 

De jogadores como os três acima mencionados, mais o Isco, é o que se espera a qualquer momento.

 

Sei agora que, afinal, o Jesus Gamez estava lesionado. Logo, a opção pelo mais defensivo Sérgio Sanchez não foi táctica, retirando da partida o lateral mais ofensivo, mas ditada por imperativos de ordem física.

 

O meio-campo em duplo pivot não foi novidade. É uma opção normal quando o Toulalan marca presença em campo, e menos frequente quando é o Ignácio Camacho a fazê-lo.

 

No tal jogo contra os madridistas, o francês encontrava-se lesionado e então alinharam o Ignácio Camacho, um seis mais posicional, ao jeito do Javi Garcia, mas menos intragável, o Portillo (Francisco) e o Eliseu.

 

Agora, com o regresso do Toulalan e o Eliseu lesionado, entrou o Iturra, também utilizado com bastante frequência.

 

Ou seja, um centro do terreno totalmente diferente, o que diz bem da quantidade e qualidade das opções ao dispor deste clube.

 

Na dianteira, o panzer Júlio Baptista também esteve algum tempo parado por lesão, e na altura não alinhou frente ao Real. Pelo que percebi, tirando as partidas para a Taça do Rei, o Roque Santa Cruz não costumava ser titular.

 

Mais facilmente via o Saviola, a acompanhar qualquer um dos dois, do que ambos em simultâneo.

 

Resultado? Bem, o resultado foi o que se viu o Málaga, pouco ou nada construiu em termos de jogo ofensivo. O Isco, de quem ouço maravilhas, e dizerem que é o futuro Iniesta, mas que, certamente por azar, ainda não tive, nem quero ter, pelo menos no próximo jogo, o prazer de ver qualquer coisa de jeito, esteve muito certinho na marcação ao Danilo. Raramente abandonou a linha.

 

O Joaquin, que naquele seu jeito atabalhoado de levar a bola, para depois, a qualquer momento sacar um coelho da cartola, ainda era o avançado mais mexido, em comparação com os inoperantes Santa Cruz e Baptista, foi o primeiro a ser substituído.

 

Para quem começou em 4x2x4, acabaram o desafio em 4x2x3x1, com o Toulalan e o Ignácio Camacho; o Portillo, o Piazón e o Isco; e o Roque Santa Cruz, que durou a muito custo o jogo todo.

 

 

Do nosso lado, marcado o golo, foi como se de um jogo cá no burgo se tratasse, com a ligeira, ligeiríssima diferença, que os boquerones - que já marchavam! - não são propriamente o Vitória de Setúbal ou o Moreirense, e por isso não passámos de um golo.

 

Até as queixas sobre a legalidade da posição do João Moutinho no lance do golo, são parecidas…

 

Sempre ouvi dizer que neste tipo de competições, o 1-0 é o resultado mais ingrato para quem o sofre. Os nossos adversários, em casa terão que ser mais ambiciosos, sendo certo que um golo nosso, os obrigará a marcar três.

 

Se, pela nossa parte, isso me parece bastante plausível, depois de observar a postura do Málaga no Dragão, estou curioso para ver como vai ser no La Rosaleda.

 

Não resisto a falar sobre nós. Excelentes partidas dos dois homens do golo, João Moutinho e Alex Sandro, um eixo defensivo inultrapassável, um Fernando, gigante na pressão e recuperação de bolas, e um Jackson Martinez, a quem só faltaram mais golos.

 

O Izmaylov arrancou bem, mas desta vez durou menos do que esperava. Lá está, não estávamos perante um qualquer “ense” lusitano.

 

Já agora, o árbitro, o Mr. Clattenburg. Outra esperança de quem ainda não vi nada de jeito. Dizem que é eletricista e o sucessor do Howard Webb, como se isso lhe desse brilho ou fosse uma grande coisa.

 

Assinalou falta em quase tudo o que foram lances aéreos com contacto, e deixou passar uma série de faltas junto ao chão. Curiosamente, se não todas, quase todas a nosso desfavor.

 

O cartão ao Iturra pecou por tardio, e o destinado ao Sérgio Sanchez ficou no bolso.

 

Ou seja, resumindo e embaralhando, soube-me a pouco.

música: Com um brilhozinho nos olhos - Sérgio Godinho
sinto-me:
publicado por Alex F às 13:23
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