Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

O apelo irreprimível da idiotice

10
Mar13

"Na minha óptica, os árbitros não devem apitar jogos com clubes da sua preferência e de que são adeptos, nem devem apitar jogos com clubes que são adversários directos"

 

Esta frase terá sido proferida pelo presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

 

Pergunto:

 

Qual o clube da preferência de grande parte dos árbitros do quadro principal? Pois é, esse mesmo.

 

Assim de repente, vêm-me aleatoriamente à mente os nomes de Olegário Benquerença, Pedro Proença e Duarte Gomes.

 

E estes foram apenas aqueles que já sairam do armário. Outros, e ocorrem-me, por exemplo os nomes do João "pode vir o João" Ferreira ou Bruno Esteves, são como aqueles pederastas que não se assumem como tal, mas cujas posturas e maneirismos os denunciam à légua.

 

Qual é o clube que faz listas a banir árbitros, e vai ao ponto de pedir encarecidamente a árbitros seus apaniguados, para fazerem um favor ao clube do seu coração, e não o apitarem? Exacto, ver acima.

 

Qual é o objectivo do presidente da Liga? Que apenas árbitros de Setúbal dirijam encontros onde particpa o tal clube? (e talvez o Nuno Almeida...)

 

Mário Figueiredo, ou é um visionário, ou terá de passar a ter cuidado com os lugares que frequenta e com as pessoas a quem acompanha, porque há coisas que se apanham, e dá a impressão de que já anda a chocar algo.

 

 

E, no entanto, ela não se move, (es)vai-se

14
Dez12

 

No início do mês passado, Arons de Carvalho, antigo responsável socialista pela televisão pública, escreveu no “Público", num artigo de opinião, que o actual governo, ao retirar da “lista de acontecimentos de interesse generalizado público”, os jogos da Liga de futebol e das competições europeias, oferecera um Euromilhões à Olivedesportos.

 

Se foi efectivamente um Euromilhões, e o objectivo pelo qual o mesmo terá sido oferecido, não faço ideia. O certo é que, ainda recentemente ficámos a saber que a empresa em causa rescindiu o contrato que tinha com a Liga de clubes, para a transmissão dos jogos da Taça da dita cuja.

 

 

De entre os motivos apontados para essa tomada drástica de posição, conta-se o facto de, cabendo à Olivedesportos desencantar um patrocinador para a competição e à Liga, encontrar um canal aberto disposto a transmitir os jogos, esta só o terá conseguido fazer em Novembro, quando se encontrava já em curso a terceira fase da prova, e ainda assim, por um valor bastante abaixo ao praticado no mercado – 50 mil euros /jogo, ao passo que a SIC, na época transacta, pagava à volta de 200 mil.

 

É esta a Liga de clubes cujo presidente quer rescindir contratos com a Olivedesportos? E vai negociá-los com quem? Será que os vai negociar da mesma forma como fez com os jogos da Taça Lucílio Baptista?

 

Sem patrocinador e com os direitos televisivos negociados ao preço da uva mijona, como é que vai sobreviver a Taça que assegurava um título por época a uma certa equipa, e uma receita, que se queria razoável, aos clubes pequenos?

 

E a própria Liga, como é que fica?

 

Com a arbitragem e a disciplina saídas para a Federação, e sem a sua Tacinha, qual o seu destino?

 

Um conhecido benfiquista, uma vez, a propósito não se sabe muito bem de quê, porque o fez num post sriptum a um texto que nada tinha que ver com a matéria, questionava inocentemente: "Porque será que a sede da Liga é no Porto?"

 

Neste caso, dadas as últimas evoluções, parece que não a conseguindo mudar de sítio, a alternativa será esvaziá-la de conteúdo. Será isso?

Quem TViu, e quem TVê

16
Nov12

Em Março, ficámos a saber que a liga de clubes pretendia interpor junto das instâncias comunitárias uma queixa contra a Olivedesportos, por violação das regras da concorrência, no tocante aos direitos de transmissão televisionada de jogos de futebol.

  

Em Maio, soubemos que Joaquim Oliveira era comparsa em jantares tendo como restantes convivas o ministro Miguel Relvas, o nosso presidente e ainda Fernando Seara e a digníssima esposa.

 

A 18 de Outubro soube-se que Joaquim Oliveira havia vendido a Controlinveste a capitais angolanos.

 

 

 

48 horas antes de ser reeleito, o presidente de um clube anunciou que esse mesmo clube não renovaria o contrato que o ligava à Olivedesportos, passando os jogos (em casa) a serem transmitidos pela televisão do próprio clube.

 

Esse presidente foi reeleito em 26 de Outubro.

 

Em 10 de Novembro, deputados do PS questionam o ministro “Miguel Relvas sobre o fim dos jogos da I Liga em canais abertos”.

 

A 13 de Novembro, "Miguel Relvas diz que Portugal não está «em tempo» de suportar transmissão de futebol em canal aberto", e que a TVI, se quiser transmitir esses jogos, pode voltar a fazê-lo, como fez na época passada.

 

 

Será genuína a preocupação dos deputados socialistas?

 

Joaquim Oliveira supostamente, seria amigo do PS. Ou sê-lo-ia apenas de Sócrates e Vara?

 

No entanto, o maior partido da oposição, ou alguns dos seus deputados, “estranha(m)” “uma decisão que parece apenas beneficiar quem tem os direitos de transmissão no cabo”.

 

Porém, uma vez declarado o interesse público das transmissões televisivas de futebol da I Liga, não havendo privados interessados, certamente a RTP (ou seja, todos nós), entraria (entraríamos) com o cantante.

 

Uma receita mais que certa para o Joaquim. Quem é amigo, quem é?

 

Aqui, as opiniões dos deputados do PS, pelo menos na aparência, do presidente da Liga, e do presidente eleito do tal clube, parecem convergir na censura ao monopólio.

 

O ministro Relvas, colega de repastos, pelo contrário, não parece para aí virado. Mantendo-se o actual status quo, como aparenta ser a sua ambição, quem se lixa é o amigo Joaquim.

 

E, não obstante, assim, mantém-se o monopólio. Mas qual monopólio? A partir de 2013 há, pelo menos um clube que fura o monopólio.

 

Porque é que o ministro Relvas havia de declarar o interesse público das transmissões quando os famosos seis milhões de público interessado deixariam de o estar, e, ao lado, o canal do clube também estaria a transmitir futebol?

 

O interesse público restringir-se-ia aos jogos fora de casa, ou, para contrabalançar as coisas, o interesse público seria declarado para os jogos a transmitir por ambos, a empresa detentora dos direitos e o clube em auto-transmissão?

 

Se não estamos “«em tempo» de suportar a transmissão de futebol em canal aberto” para um, estaríamos para garantir uma renda fixa a dois?     

 

Poderia o interesse público entrar em concorrência directa com a televisão particular do clube? Dá-me a ideia que, aí sim, haveria algumas regras da concorrência que seriam violadas.

 

A posição daquele clube, de certo modo, força a de Relvas, e parece colocar em maus lençóis o amigo Joaquim.

 

Será assim?

 

Quem vende parte do seu império ao dinheiro angolano, estará verdadeiramente necessitado de liquidez?

 

A quebra das negociações entre o clube e a empresa foi apenas uma manobra populista em véspera de eleições, ou o reconhecimento de que não estando a outra parte em estado de necessidade, dificilmente cederia na negociação em curso?

 

No meio disto tudo, fica ainda o reparo do José Lima, no "Mística Azul e Branca", Não se vislumbra quem possa ser o herói que pague pelo menos o dobro daquilo que a SportTv oferece, como pretende o clube da treta, e a LIGA promete”.

 

Para que é mesmo que a Liga quer centralizar em si a gestão dos direitos de transmissão televisiva? 

De emprestado a emprestadado e fiado

03
Jul12
 

Comecemos pelo fim. Ou pelo princípio. Como as coisas estão, nem sei bem.

 

«Fiquei muito surpreendido e a medida coloca-me grandes reservas, até pela rapidez com que foi aprovada [durante uma assembleia geral extraordinária, de quinta-feira passada]. Acho que fazia mais sentido limitar o número de empréstimos. Passámos do oito para o 80», afirmou este sábado em entrevista ao jornal «Público», Mário Figueiredo, o presidente, aparentemente em funções, da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
 
 
 

Antero Henrique, diretor-geral da SAD dos campeões nacionais, deixou críticas à decisão, por entender que a medida representa um "retrocesso" para o jogador português.

 

"É um atentado ao jogador português. É um grande retrocesso no que diz respeito à necessidade de desenvolver o jogador português que assim vê o seu espaço diminuído. As equipas B são uma excelente medida, mas é preciso um nível intermédio", afirmou o dirigente em entrevista ao jornal 'O Jogo'.

 

Antero Henrique deu vários exemplos de atletas nacionais, que foram recentemente emprestados a clubes da primeira divisão e estiveram em bom plano: Adrien, Atsu, Cédric, Kelvin ou Pizzi.

 

"Isto caminha num sentido muito escuro, porque o que se defende é a solidariedade no futebol português, sobretudo num contexto de dificuldades financeiras", explicou.

 

O diretor do FC Porto acrescentou que não acredita em "sucesso sem planeamento", defendendo que esta decisão deveria ter sido "discutida com tempo, porque há vários modelos para a questão e basta ver o que aconteceu na liga mais comercial do mundo, a inglesa, onde as regras foram amplamente debatidas".

 

Antero Henrique criticou também os clubes que eram muito beneficiados com os empréstimos e votaram a favor da proposta do Nacional: "Muitos clubes andam hipnotizados, não sabemos muito bem com o quê. No fim deste hipnotismo vamos perceber como é que isto está...".

 

Entretanto, consta que, tanto FC Porto, como o segundo classificado da época passada, terão votado contra, assim como outros sete clubes, contra 19 que votaram a favor da medida proposta pelo Nacional da Madeira, e contando-se ainda uma abstenção.
 

 

O presidente do Sindicato de Jogadores é a favor: «"há algum tempo o Sindicato de Jogadores já tinha sugerido uma redução dos empréstimos, de modo a assegurar uma competição mais leal".

 

Sem jogadores cedidos, frisa, "todos os clubes ficam em pé de igualdade", dando um exemplo: "um clube que tem 27 jogadores que lhe pertencem, tem um orçamento mais elevado do que outro que recorre a empréstimos".

 

Ainda assim, o dirigente sindical entende que "deveria haver um período de transição, com limitação do número de empréstimos e não proibição imediata". E revela que "alguns clubes que votaram esta decisão porventura nem saberiam o que estava a ser discutido"».

 

 

Na óptica de Luis Duque, administrador da SAD do Sporting, que apoiou a medida, esta «"Vai, sobretudo, dar mais transparência ao futebol português", disse o dirigente, recordando que a proibição de empréstimo de jogadores a clubes da mesma divisão "é um facto em campeonatos como o inglês".

 

Para Luís Duque, "o princípio está aprovado”, mas caso apareça “quem saiba contornar a regra, isso fica para o julgamento de quem segue o futebol".

O dirigente sportinguista argumentou com as equipas B para justificar o fim desses empréstimos: "Os jogadores que precisarem de evoluir podem fazê-lo ‘em casa', isto é, nos clubes que os contratam e em provas profissionais"».

 

Ou seja, em poucas palavras, a balbúrdia do costume, e a sensação de que a Liga de clubes, neste momento não tem rei, nem roque. É a ditadura do proletariado, na sua expressão clubística. Com um clube de viscondes de permeio, é certo, mas cada vez mais lumpen.

 

No meio disto tudo, quem sai a ganhar com tal medida?

 

Os clubes que emprestam jogadores? Basta ver a posição assumida pelo administrador da nossa SAD, para perceber que dificilmente assim será. Quanto aos outros que votaram contra, estas coisas para eles são poliédricas. Têm lados em barda, e eles utilizam-nos a todos.

 

Lucram alguma coisa os clubes que recebiam hospitaleiramente os jogadores emprestados? Se tivermos em conta o que diz o presidente do Sindicato dos Jogadores, também não. Aliás, a fiarmo-nos nas suas palavras, esses clubes têm é vivido até aqui num regime de favorecimento encapotado, face aos que não contam nas suas fileiras com jogadores emprestados.

 

É interessante esta preocupação do homem sindicalista, que nada tem a ver com os jogadores, que supostamente representa, propriamente ditos, mas com a igualização dos pés dos clubes.

 

Então se um clube com a corda na garganta, como quase todos eles vivem permanentemente, tiver jogadores emprestados, com os quais não suporta encargos, a sua capacidade de solver os compromissos com os demais aumenta ou diminui, senhor sindicalista?

 

E os emprestados, preferirão estar encostados ou jogar pelas equipas B, ou rodar numa outra equipa qualquer do escalão principal? O sindicalista representa os seus sindicalizados ou falou a título meramente pessoal?

 

Mais transparência e verdade no futebol português? Reforço das equipas B?

 

Quando quem fala em transparência – Luis Duque, é simultaneamente o primeiro a dar-lhe a machadada: "o princípio está aprovado”, mas caso apareça “quem saiba contornar a regra, isso fica para o julgamento de quem segue o futebol".

 

O Mística Azul e Branca, sem grandes mistérios, também rapidamente aventou uma forma expedita de contornar a situação:

 

 “(…) está mesmo a ver-se o que vão fazer os clubes que queiram continuar a emprestar os seus excedentários: contratos de venda fictícios com uma cláusula de opção de recompra pelo mesmo preço, ou outra artimanha parecida! Se o jogador lhes interessar, vão lá buscá-lo. Isto a menos, claro, que o senhor Figueiredo também queira alterar as leis do Código Comercial e que só seja possível efectuar negócios, debaixo da sua tutela”.

 

É verdade que a medida, à primeira vista, parece entroncar na criação das equipas B. Até nem seria de todo desprovida de sentido.

 

Havendo a possibilidade de emprestar jogadores a clubes da mesma liga, com o fito de, para além da componente desportiva, de per si, gerar uma esfera de influência, porque iriam os clubes colocar os jogadores nas equipas B?

 

E os jogadores? Penso fundamentalmente naqueles com algum estatuto, real ou imaginário. Podendo jogar na liga principal, porque diabos iriam dar um passo atrás nas carreiras, e alinhar pela B, numa divisão secundária?

 

Esta proibição pode funcionar como um argumento para o clube, tipo “meu amigo, tem três hipóteses: é a B, ou zarpa para a estranja, ou fica a coçar os ditos cujos no banco”.

 

Sem dúvida que, para quem patrocinou a reactivação das equipas B, esta medida parece essencial, no sentido da sua afirmação e do reforço da competitividade artificial do futebol português.

 

Todos sabemos que, independentemente da simpatia que os portugueses nutrem pelo clube da terrinha, quando esta não coincide com o local de origem de algum dos três grandes, serão poucos aqueles que não têm preferência por um destes últimos.  

 

São estes clubes que levam público aos estádios, sendo que um deles, de tal maneira se ufana disso mesmo, que até houve por bem incitar os seus adeptos a não acompanharem a equipa do seu coração fora de portas.

 

Assim sendo, havendo a possibilidade de ver o clube da terra a defrontar, e eventualmente, até bater-se de igual para igual, com um dos grandes, será essa hipótese desprezível? É a equipa B dos outros? Que seja, o que é que isso interessa? Será sempre o FC Porto, ou o outro ou aqueloutro.

 

O ideal mesmo era que, para além de equipas B, criassem equipas C, D, E, F, e as espalhassem por todas as divisões. Aí sim, é que o nosso futebol, num ápice, se iria tornar um primor de competitividade e até a capacidade dos estádios teria de ser revista, para albergar tamanhas multidões de adeptos.

 

Se querem saber a minha opinião, o último chefe que tive, com quem realmente aprendi alguma coisa de jeito, dizia que “as leis são feitas para ajudar os amigos, lixar os inimigos e aplicar aos indiferentes”.

 

Vamos aguardar, como disse o Luis Duque, para ver quem vai ser o primeiro a mijar fora do penico, e a “contornar a regra”. Aí ficaremos a saber quem são os “amigos” e os “inimigos”, e consequentemente, o verdadeiro porquê desta proibição.

O ovo e a galinha, o estrutural e o estruturante

19
Abr12

 

A propósito do texto que escrevi, "Direitos às avessas", houve um comentário da autoria de Pedro Pereira, que despertou a minha atenção.

 

Sendo o assunto de que se falava a questão dos direitos televisivos, dizia então aquele comentador que sim, que concordava que os clubes mais pequenos deveriam ter direito a mais verbas, mas que “para isso teria de haver uma reestruturação dos moldes competitivos das 1ª e 2ª Ligas”.

 

Para tanto, preconizava entre outras medidas, que “Menos equipas, melhoraria a qualidade do produto, logo existiria uma maior capacidade de gerar mais valias, ou seja, mais receita”.

 

Começando por notar que se trata, claramente, uma opinião contra a actual corrente na Liga de clubes, mas que partilho, fiquei a pensar na questão da “reestruturação dos moldes competitivos das 1ª e 2ª Ligas”.

 

 

Muito francamente, parece-me que que estamos perante uma situação como a história do ovo e da galinha. Ficar à espera de uma hipotética reestruturação dos moldes competitivos das ligas profissionais, será meio caminho andado para que tudo permaneça na mesma.

 

A questão dos moldes competitivos, assim como a da invasão de jogadores estrangeiros, até nos escalões de formação, é estrutural do nosso futebol.

 

Sem dúvida que a sua reformulação terá forçosamente de passar, como diz no comentário, por “exigências apertadas de ordem financeira para que as equipas tenham de fato, capacidade para cumprir os compromissos assumidos com os seus atletas e demais funcionários, fornecedores e com o Estado”.

 

Ora, o que ainda esta semana se viu foi que em Guimarães, não houve dinheiro, não houve treino, e em Leiria houve mais uma baixa no plantel. Ou seja, até os clubes que neste momento disputam a Liga principal, não se revelam capazes de cumprir critérios mínimos de rigor financeiro.

 

Neste contexto, uma redução e um apertar das exigências a este nível parece razoável. Porém, não nos podemos esquecer de um pequeno pormenor.

 

Vivemos num País onde um dos principais clubes, está onde está e como está, porque beneficiou de algo que mais nenhum outro teve ao seu alcance. E não estou a falar de benesses autárquicas ou de financiamentos encapotados via empresas municipais, que esses, de uma forma ou outra, terão sido mais ou menos generalizados.

 

Falo de algo que, por exemplo, o clube da minha terra, coitado, não teve oportunidade de usufruir, e quase que desapareceu da face da Terra: um flagrantíssimo perdão fiscal, e a aceitação como garantia de acções, cujo valor ascendia a pouco mais de zero.

 

Vamos criar critérios rigorosos de solvabilidade financeira que fomentem uma sã concorrência entre todos os clubes? E não correremos, digo eu, o risco de deixar ir o bebé com a água do banho?

 

Este tipo de regras enquadra-se naquele conjunto em que só pensamos, quando vem alguém de fora forçar.

 

O monsieur Platini fala em impor regras impopulares de fairplay financeiro. Pode ser que sim. O problema é que o senhor Platini é eleito, logo fará aquilo que quem vota em si mandar.

 

Agora se os nossos amigos germânicos, que já andam picados com o Real Madrid, calham a dedicar uma especial atenção a este assunto, a coisa pode começar a piar mais fino. Aí sim, ainda haverá esperança a esse nível.

 

Quanto à questão dos jovens nacionais e estrangeiros, é sem dúvida inadmissível aquilo que se vai vendo nos dias que correm. Contudo, aqui a questão ainda me parece mais estrutural, indo para além da mera componente desportiva e entroncando até na sociológica.

 

Para lá das questões inerentes aos negócios e às comissões dos empresários, há a questão demográfica. Se se fecham escolas, porque cada vez há menos miúdos, é perfeitamente natural que, cada vez menos joguem futebol, ou que o façam de forma espontânea.

 

Apesar de começarem a frequentar em tenra idade as escolas de futebol dos famosos ou dos clubes, a concorrência com outros tipos de actividades é enorme. E o futebol, antes um veículo até de ascensão social, deixou de o ser.

 

Desde sempre que grandes futebolistas nasceram em bolsas de desfavorecimento social. E é isso que, a evolução da nossa própria sociedade, foi pondo em causa, ao passo que para os jovens oriundos de África ou da América do Sul, ainda se poderá prefigurar um Eldorado.

 

Nesse aspecto, a austeridade e a troika, ainda são capazes de prestar um serviço considerável ao futebol nacional. Quando não houver dinheiro para escolas de futebol, pranchas disto e daquilo, playstations, wiis, restam as bolas.

 

Tudo isto, que é de La Palisse, para exemplificar que a questão da reestruturação dos moldes competitivos, nas suas várias vertentes, tem um cariz estrutural.

 

A questão dos direitos televisivos, poderá eventualmente ser estruturante, para atingir este desiderato. O dinheiro a entrar nos clubes mais pequenos, por via dos direitos televisivos, poderá dar um contributo na observância dos requisitos financeiros que venham a ser estabelecidos.

 

Agora, quanto a mim, ainda que as duas coisas possam relacionar-se, a (re)negociação dos direitos televisivos não tem necessariamente de estar, nem deverá estar dependente, de uma mudança estrutural, sob pena de cairmos no costumeiro imobilismo.

 

O deixar tudo na mesma, enquanto não se mexe, não me parece razoável, e, lá está, vai claramente beneficiar uns, em desfavor de outros.

 

Uma coisa é, ao contrário do que parece pretender a Liga de clubes, vá-se lá saber porquê, rasgar os contratos existentes, à la Vale e Azevedo. Outra bem diferente, é cumprir o que está assinado ou reformulá-lo a contento de todas as partes, e então sim, reestruturar o que houver a reestruturar.

 

Dito isto, continuo a achar que os direitos televisivos, na ausência de mais do que um concorrente interessado na sua aquisição, deveriam ser sujeitos a uma negociação colectiva, sendo os clubes representados pela entidade que os superintende – a Liga de clubes.

 

Por outro lado, preocupa-me que a Liga de clubes “pareça” interessada em prosseguir este caminho, apenas como parte integrante de uma estratégia negocial particular de alguns, a quem, no fundo, o que interessa fundamentalmente, é a manutenção do status quo.

Direitos às avessas

12
Abr12

Retomando parcialmente o assunto do texto anterior, foi ontem tornado público que FC Porto, Sporting e Nacional da Madeira, conforme previamente haviam anunciado, requereram a nulidade da Assembleia Geral da Liga de clubes, que aprovou o alargamento dos campeonatos profissionais.

 

Sabendo-se que o actual elenco da direcção da dita Liga não teve o apoio declarado de nenhum dos três grandes, ou coisa que o valha, e ainda que estejam na moda as troikas, estranha-se a não ver aqui um quarteto, em vez daquela tríade.

 

Aliás, é estranho o silêncio quase total a que se vem remetendo, ao que parece, voluntariamente, um certo e determinado clube, no tocante a matérias atinentes à Liga de clubes, quando noutras, se desboca com o maior dos à vontades.

 

Talvez, como eu, lhes pareça que esta questão, mais tarde ou mais cedo, e independentemente de se concordar ou não com o aumento do número de participantes nas ligas profissionais, tenderá a solucionar-se por si própria, quando passarmos do tão portuguesinho “onde comem dezasseis, comem dezoito”, para o também tradicional “em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.

 

Mais interessante parece-me sem dúvida, a questão dos direitos televisivos. Até porque se dá a coincidência de, Nacional da Madeira à parte, me parecer, conforme anteriormente escrevi, que dificilmente tanto FC Porto, como Sporting, retirarão algumas vantagens em prosseguir uma estratégia tão declaradamente valedeazevediana, de afrontamento à Olivedesportos.

 

 (imagem tirada daqui)

 

Por outro lado, para além dos pequenos clubes, cuja defesa constituirá o leit motiv de uma hipotética queixa a interpor junto das instâncias comunitárias da concorrência, o único clube que eventualmente daí poderá retirar alguns proventos, é precisamente o que não faz parte daquela troika.

 

De facto, a ser verdade o que se diz, os ganhos de FC Porto e Sporting, serão sempre marginais, e resultarão da revisão dos valores que terão sido acordados até 2018, em função da sua indexação ao que vier a ser negociado com o mais grande do Mundo dos arredores de Carnide. Para este último, o processo negocial, por assim dizer, encontra-se num impasse, com a recusa do valor avançado pela Olivedesportos.

 

Contudo, para o esclarecidíssimo Rui Santos, apesar dos 111 milhões oferecidos serem “aparentemente um bom valor, (…) estrategicamente (…) o clube fez muito bem em ter recusado".

 

Refere ainda que, segundo a criatura supostamente agredida aqui há tempos no Porto, “a recusa não se deveu apenas a razões financeiras (…) [o] que está em causa é o poder da Olivedesportos e poucos duvidam da força desse poder, desse monopólio”.

 

Concluindo que "neste sistema, o (…)ica não pode consolidar uma situação de hegemonia e por isso a via da rutura é a única que o (…)ica tem, deve romper este sistema para que algum dia possa obter o domínio do futebol em Portugal, pois se este sistema continuar, não tem hipótese nenhuma".

 

Para os ditos, clubes pequenos, a questão será outra. A negociação em bloco e a partilha dos dinheiros resultantes das transmissões televisivas faz todo o sentido.

 

Porque carga d’água é que os clubes, ou alguns deles, negoceiam directamente os direitos televisivos dos seus jogos?

 

Tanto quanto se sabe, quer nas ligas americanas, em que o senhor presidente se inspira, como nas provas da UEFA e da FIFA, são as entidades que organizam os torneios, que transacionam e fazem a gestão de tais direitos.

 

Parece evidente que sem Ligas, sem UEFA ou FIFA, não há competição. Não havendo competição não haverão jogos, e sem estes, não há lugar a direitos sobre transmissões televisivas.

 

Da mesma maneira, nenhuma equipa joga sozinha. Portanto, a postura de certos clubes, que se põem em bicos de pés, e se limitam a olhar para o seu umbigo, entrando em processos negociais numa postura de “isto é tudo nosso”, intriga-me.

 

Sem pequenos, não haverá grandes. Ou alguém estará interessado em assistir a jogos das equipas principais do seu clube contra a equipa B ou os juniores?

 

Não é exactamente esta a visão de todos os clubes envolvidos na matéria. Por exemplo, a daquele que se vem falando ficou muito clara, quando na mó de cima, em finais de 2009, o seu director de Marketing afirmou, fazendo ciência para boicotes futuros, o seguinte:

 

“Quando o (…)ica começa a ganhar, os clubes pequenos com os quais joga realizam cinquenta por cento das sua receitas de bilheteira do ano todo nos jogos com o (…)ica. (…) é o (…)ica que está sempre em primeiro lugar quando toca a levar pessoas aos estádios, próprios ou alheios”

 

(extracto de uma entrevista de Miguel Bento, director de Marketing do (…)ica, a uma revista do Diário de Notícias, algures em finais de 2009, cujo link não consegui encontrar, e a revista, ainda menos)

 

Como é fácil de constatar, estamos claramente perante objectivos distintos, a serem prosseguidos com recurso à mesma estratégia.

 

Porém, estes objectivos são conflituantes entre si. Para os clubes pequenos, obter o seu quinhão, forçando a Olivedesportos, ou qualquer outro operador que se queira candidatar à posse dos direitos de transmissão televisiva.

Para o outro clube, o objectivo primordial, se não são só as razões financeiras que estão subjacentes à recusa, será fundamentalmente, quebrar a espinha à Olivedesportos e libertar-se do seu monopólio.

 

Mas, paremos um pouco e ponderemos quais as alternativas viáveis a este estado de coisas?

 

Para os clubes pequenos, para já, nenhumas. Para o outro, foram já aventadas várias.

 

O putativo canal televisivo a criar pelo Dragão de Ouro Rui Pedro Soares e Emídio Rangel, que nunca passou disso mesmo. As negociações com Pais do Amaral, que também não tiveram qualquer sequência, e mais recentemente até a Al-Jazeera veio à baila.

 

Todas estas hipóteses parecem tão credíveis como a OPA dos chineses. A solução mais à mão de semear será sempre, a caseira (…)icaTV. Contudo, será esta credível como querem fazer parecer?

 

 

 

 

A transição das transmissões televisivas em estilo radiofónico, para transmissões à séria, com alguma viabilidade económica teria sempre de ser suportada num canal codificado.

 

Ora, a (…)icaTV é, neste momento, de acesso livre através do MEO. O MEO faz parte do universo PT, do qual, curiosamente, tal como das SAD do FC Porto, Sporting, e dos outros, também é acionista a Controlinveste de Joaquim Oliveira (2,28%). Vai na volta, para além da hospedagem garantida, ainda recebem alguma mesada à conta disso.

 

Esta opção colocaria necessariamente a (…)icaTv em concorrência directa com a SportTv. Em que é que esta situação prejudicaria os pequenos clubes? E o FC Porto? Ou o Sporting?

 

Rigorosamente em nada. Pelo contrário, até os beneficiaria. Se do bolo a repartir por todos, 111 milhões que eram para atribuir a quem levava a maior fatia, não são gastos, mais sobraria para os restantes que ficam.

 

Além disso, mais horários ficariam disponíveis para as transmissões, que inclusivamente, se em concorrência, poderiam ser simultâneas, dos jogos do mais grande do Mundo dos arredores de Carnide e de outros clubes, possibilitando assim, ficar com uma ideia mais exacta do share efectivamente detido por cada um. Desde que a medição não ficasse a cargo da famosa GfK…

 

Será que estão dispostos, e têm condições para alinhar em algo assim? A (…)icaTv sobreviveria com a retransmissão de quinze ou dezassete jogos por época? Os campeonatos grego ou dos States, serão suficientemente cativantes?

 

Sinceramente, não sei. Tudo bem espremido, parece uma alternativa tão válida como as demais, logo, até ver, tanto o tal clube mais grande, como os pequenos, como todos os restantes, estão no mesmo barco.

 

Se é assim, estará aquele clube verdadeiramente interessado em dividir o bolo? Se não está, porque é que não se manifesta?

 

Se como vimos os objectivos das várias partes são distintos e a estratégia é a mesma, a favor de qual delas é esta prosseguida?

 

É aqui que começa a cheirar fortemente a instrumentalização da Liga de clubes. Se não a favor de alguém, pelo menos, aparentemente em nosso desfavor, tendo em conta a postura do presidente da Liga relativamente ao FC Porto, a que aludi no último texto.

 

A não perder as cenas dos próximos capítulos…

Cardinal, asterisco, e muitas reticências

11
Abr12

 

Ora, quando ainda se sentem, e por quanto mais tempo irão sentir-se, os efeitos da arbitragem do dérbi de segunda-feira, uma notícia como a da suspeita de corrupção do árbitro auxiliar José Cardinal, cai que nem sopa no mel para desviar as atenções.

 

Não sei se será a oportunidade da sua “divulgação”, terá sido ditada por esse objectivo, mas quanto a mim, parece-me um perfeito fait divers, digno de uma silly season fora de tempo. Ainda que rodeado de muitas coincidências. Demasiadas, talvez.

 

Primeiro. Se há coisa que o “Apito Final” ensinou, a quem quis ou conseguiu aprender, foi que não há corrupção sem que se produza o efeito procurado pelo corruptor. Por isso, dado que o árbitro assistente em questão nem sequer interveio no jogo, será um exagero falar em corrupção. Quanto muito na sua tentativa.

 

A não ser que, com base nesta, estejam a ser investigadas outras hipotéticas situações.

 

Segundo. O facto de ter sido depositado dinheiro na conta, não implica necessariamente que o seu titular tenha alguma coisa que ver com isso. Infelizmente comigo nunca aconteceu. Mas pode acontecer, e ninguém está livre disso.

 

Espero que a “investigação” consiga averiguar se o dinheiro ficou na conta, ou se o José Cardinal, recebendo-o, ainda que distraidamente, fez uso dele. Como podiam, e deveriam ter feito em relação ao hipotético envelope, hipoteticamente entregue por Pinto da Costa ao Azevedo Duarte, no tal “Apito”.

 

Depois, vêm as coincidências. A notícia é divulgada após a vitória do Sporting no clássico, e precisamente na semana em que este clube ultrapassou o Marítimo na classificação da Liga Zon Sagres.

 

O José Cardinal é o árbitro assistente de que o Sporting se tem vindo insistentemente a queixar desde a recepção ao Olhanense, na primeira jornada.

 

Há ainda sportinguistas que tentam associá-lo ao penálti fantasma que deu a Taça Lucílio ao mais grande do Mundo dos arredores de Carnide. Porém, nesse caso, exageram.

 

Conforme o próprio Lucílio Baptista assumiu na altura, não terá sido induzido em erro pelo Cardinal, mas sim, pelo Pais António - o famoso Ferrari de Setúbal.

 

Para além do Olegário Benquerença, também o José Cardinal foi homenageado pela AF do Porto, na temporada passada, nas vésperas do cataclismo de Guimarães à quarta jornada, que ditou a então reacção holocáustica do clube derrotado.

 

O Marítimo, sobre quem recaem as suspeitas de ter pago os dois mil euros, vai defrontar brevemente o segundo e o primeiro classificados da Liga, por esta ordem respectivamente.

 

Apesar do bom relacionamento que o homem do guardanapo tem com o seu homologo de orelhas grandes, tal não impediu que houvesse mosquitos por cordas no final da partida disputada no Estádio da Lucy, na época finda.

 

No fundo, nada disto é muito relevante, e não passam como disse de factos isolados, que, conjugadamente se tornam numa série de coincidências, com potencial para dar azo a umas belas teorias da conspiração.

 

Contudo, à frente do nome do José Cardinal, o asterisco, que já não era pequeno, começa a tornar-se gigantesco.

 

Agora, relevantes, relevantes, quanto mim, são pormenores como o facto de, sem querer beliscar minimamente o bom trabalho do Pedro Martins, os madeirenses estarem a fazer a sua melhor época desde há anos a esta parte.

 

De a carreira do árbitro madeirense Marco Ferreira se vir a projectar numa rota ascendente nas últimas duas temporadas, sem que a qualidade das arbitragens produzidas tenha evoluído correspondentemente.

 

Ou de o actual presidente da Liga de clubes, indicado precisamente pelo Marítimo, revelar ser uma sorte ter um dos contendores na final da Taça da Liga, criada teoricamente, para dar oportunidades aos ditos clubes pequenos, que até terão contribuído grandemente para a sua própria eleição.

 

Ou ainda que, este mesmo presidente, a propósito da questão da negociação dos direitos de transmissão televisiva, tenha trazido à colação o exemplo do FC Porto, como sendo o clube onde o detentor daqueles direitos [a Olivedesportos], seria simultaneamente proprietário de percentagens da SAD e do clube:

 

"Devia ser proibido que o detentor dos direitos televisivos tenha percentagens em clubes de futebol, como acontece com o FC Porto e com a SAD, e depois nomeie membros para o Conselho de Administração. Pode haver a ideia, que eu penso na realidade que pode estar a acontecer, desses clubes serem beneficiados quando se trata da divisão desse bolo".

 

Isto quando a empresa em causa é detentora de partes do capital social, não só do FC Porto, mas também do Sporting (pág. 121), 5,474 % dos direitos de voto através da Sportinveste, dominada pela Olivedesportos, de Joaquim Francisco Alves de Ferreira de Oliveira, e do tal clube da sorte grande (pág. 19), 2,66% daqueles direitos, detidos pela mesma empresa, como consta nos respectivos relatórios de contas.

 

Assim sendo, porquê a fixação do Sr. Presidente da Liga com o FC Porto?

 

Ainda que a SAD tenha na altura, rebatido em comunicado a afirmação produzida pelo presidente da Liga, fê-lo, a meu ver, de forma insuficiente, pois esqueceu-se daqueles dois exemplos de idêntico pecado.
 
Este tipo de postura, que não esconde minimamente ao que vem, oriundo de alguém indicado, supostamente, pelo Marítimo, preocupa-me bem mais do que os dois mil euros que o Cardinal possa ou não ter empochado.

Idle hands are the devil’s tools

14
Mar12

 

Começam a escassear adjetivos para qualificar o alargamento da Liga Zon Sagres a 18 clubes, aprovado na reunião do Conselho de Presidentes da Liga Portuguesa de Clubes Profissionais, realizada no Porto, no pretérito dia 12.

 

"Ilegal, irracional e oportunista", criticou o ex-Secretário de Estado do Desporto, pessoa que, em termos de legalidade e racionalidade, temos o caso Carlos Queiróz(s), que fala por si. Sobre oportunismo não me pronuncio.

 

Para o FC Porto, é "cereja no topo de um bolo de imbecilidade". Imaginativo, sem dúvida.

 

O presidente do Nacional da Madeira, e ex-candidato desistente à presidência da Liga, diz que foi "uma grande caldeirada", montada por alguns clubes.

 

Do lado sportinguista, Luís Duque acrescenta que "o campeonato deixa de ter credibilidade e é uma machadada no futebol português".

Por sua vez, para o presidente da Liga, "a repescagem não fere a verdade desportiva", apontando como exemplo, as ligas americanas, "quase todas fechadas", ou seja, sem subidas e descidas de divisão.

 

Pois é. Não sei se será tanto assim, pois nas ligas americanas, como por exemplo, a NBA, até pode ser vantajoso ser último classificado. O último garante a primeira posição no “draft” da época seguinte, e as posições nas várias rondas do “draft” são tão transacionáveis como jogadores, treinadores e afins.

 

Além disso, nas ligas americanas existem umas coisas chamadas "salary caps", que limitam a massa salarial a despender pelos clubes em ordenados, e ainda mais engraçado, os clubes até são forçados a cumprir regras mais ou menos estritas de sanidade financeira para se manterem em prova.

 

Por cá, são os jogadores do Vitória de Guimarães, que ameaçam fazer greve. Os da União de Leiria, aparentemente, terão mesmo chegado a vias de facto, e fizeram greve, e de acordo com o evangelical presidente do Sindicato dos Jogadores, mais de 80% dos clubes têm dívidas aos seus profissionais.

 

Não sei porquê, mas parece-me que talvez não seja assim tão boa ideia ir a correr copiar as excentricidades dos nossos amigos cábóis.

 

Abstraindo destes factos e pseudo-factos, apenas um lamiré sobre dois pontos saídos da tal reunião, que atrairam a minha atenção.

 

Um tem a ver com o que vim a escrever. É engraçado que, assumindo que não haverão(iam) descidas de divisão, há um clube, dos três que lutam pelo título, que vai defrontar no que resta de Liga, três das equipas posicionadas nas quatro últimas posições na tabela classificativa, dois deles nas duas últimas jornadas da prova. É claro, que isto não passa de uma mera coincidência, mas lá que cheira a verdade desportiva feita pelo outro lado, cheira.

 

Especialmente se tivermos em conta que esse clube é recorrente na resolução de situações como a de Leiria, como outrora solucionou a do Vitória de Setúbal ou a do Estrela da Amadora, através de “valores adiantados (…) no âmbito dos contratos celebrados que dão (…) um direito de preferência numa futura aquisição de direitos económicos e/ou desportivos de activos intangíveis”, vulgo, “passes de jogadores”, que inclusivamente consagra nos seus relatórios de contas.

 

O outro ponto, menos realçado, é o dos direitos televisivos. Os clubes ponderam apresentar uma queixa na Comissão Europeia contra a Olivedesportos, detentora do monopólio dos direitos das transmissões desportivas, em violação daquelas que são as regras europeias da concorrência.

 

É interessante que, sem se saber qual o provimento que poderá ser dado a uma eventual queixa deste cariz, se avance com a indicação da época de 2013/2014, como aquela que marcará o términus do monopólio da Olivedesportos.

 

Mais curioso se torna ainda quando se nota que, tanto o FC Porto como o Sporting, são detentores de contratos válidos com aquela empresa, até 2018. Sendo deferida aquela queixa, consequentemente seguir-se-á nova negociação, de que estes clubes poderão sair beneficiados ou prejudicados. Por outras palavras, será trocar o certo, pelo incerto.

 

Porém, como todos estamos sabedores, há um clube cujo contrato de direitos de sobre as transmissões televisivas expira no corrente ano.

Clube esse que anda envolvido em negociações, se por essa designação entendermos uma sucessão de bluffs e ultimatos, com a Olivedesportos.

 

Uma queixa desta natureza, encaixa-se muito oportunamente numas negociações que se arrastam quase desde 2008, que, salvo erro, marca o advento da ...ica Tv.

 

Instrumentalização da Liga de clubes? Nunca na vida.

 

Só porque o actual presidente da Liga até é genro do tal fulano que não quer ser guardanapo do FC Porto, mas que não se importa de servir de papel higiénico noutros sítios? Nem tal se me passa pela cabeça.

 

É tudo em prol dos interesses dos pequenos mais grandes clubes do Mundo, que por aí pululam.

 

Entrelinhados

24
Jan12

Aqui há dias houve quem tivesse ficado surpreendido pela eleição de Mário Figueiredo para a presidência da Liga de clubes, ao arrepio daqueles que seriam os anseios mais ardentes dos clubes ditos grandes e mais que grandes cá do burgo.

 

 

 

Teve que ser o presidente do Gil Vicente, António Fiúza, a vir elucidar o pagode sobre o motivo pelo qual os clubes, ou pelo menos alguns, votaram no candidato eleito:

 

"Mário Figueiredo prometeu que nenhum clube iria descer".

 

 

Em face de tããããão surpreendente revelação, lá teve que sair das suas tamanquinhas insulares o novel presidente, e esclarecer que não era bem assim. O que prometeu foi que iria aumentar o número de clubes na Liga.

 

A parte de não haver descidas de divisão foi uma deficiente interpretação da parte dos clubes, que para seu grande azar, até votaram nele.

 

Agora é tarde, está votado, está votado. Quem tresleu nas entrelinhas, não tivesse treslido…

 

Outro caso de tresleitura generalizada, é a transferência do nosso Fucile. Mas esse ainda ninguém o esclareceu.

 

 

Que o Fucile foi em prestado ao Santos, não resta margem para dúvidas. E ao que parece, o Santos não terá tido qualquer encargo com o empréstimo, que terá ficado por conta do desbloqueamento da situação do Danilo.

 

Entretanto, segundo as imprensas brasileira e italiana, o Ganso será apenas a ponte que levará Fucile para Itália. Ao que parece o Milan estará disposto a pagar a cláusula de rescisão de 20 milhões que o liga ao FC Porto, com quem tem contrato até 2014.

 

Ou seja, o FC Porto tem um jogador encostado, que nesse estado, vale zero. Cede-o de borla ao Santos, e com essa cedência desbloqueia um investimento de 13 milhões, mais portes de envio.

 

Portanto, pelo menos 13 milhões o Fucile já vale. E apesar de fora dos planos do nosso treinador, o Milan está disposto a pagar, sem regatear, a cláusula de rescisão, acima desse valor.

 

Faz-me confusão que um jogador deste quilate, e com tamanha aceitação no mercado, não tenha lugar na nossa equipa, e tal só acontecerá certamente por mau feitio do treinador.

 

E ainda mais confusão me faz que, antes do desfecho a contento de todas as partes envolvidas neste sonho de fadas, e eventualmente de algumas ainda por envolver, o empresário do jogador tenha afirmado que, "pelo menos por um ano ele tem que sair, pois não tem lugar no time".

 

Porquê a referência então a “um ano”? Prazo de validade do Vítor Pereira no FC Porto?