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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

A lógica da batata

09
Mar12

E pronto.

 

“Cesse tudo o que a musa antiga canta,

Que outro valor mais alto se alevanta”

 

Ultimamente isto por aqui anda um primor de erudição. Ele foi Marinho Neves, ele foi Tolstoi, e agora Luís Vaz de Camões. Querem melhor?

 

Mas que porra de merda é esta? Vamos lá atinar.

 

Bem Zé Luís, jogaste na antecipação, e como é costume estiveste bem. Porém, parece-me que o que está em causa não será a análise da derrota do City, pessoalizando-a, passe a redundância, na pessoa do Vítor Pereira.

 

Então, quando perdemos, os dois jogos da eliminatória, frise-se, não foi contra uma equipa com um orçamento de mundos e fundos, não sei quantas vezes superior ao nosso, com um naipe de jogadores cujos nomes e qualidade, metem medo ao susto, o primeiro classificado da Premier League? É lógico que foi, não foi?.

 

Não eram estas, mais coisa, menos coisa, as atenuantes que por aí se viam para o nosso descalabro?

 

O que é que aconteceu a essa equipa? Desvaneceu-se? Evaporou-se?

 

Não. Perdeu ontem, lá para os lados da Calimeroláxia, com um golo marcado pela sequoia do Xandão, ao melhor estilo do Cristiano Ronaldo ou do Rabah Madjer. Querem algo mais ilógico que isto?

 

Rodaram o plantel, descansaram titulares, estiveram-se a cagar para o adversário, enquanto por nós tiveram um respeitinho do caraças, e como topping, ainda tiveram azar?

 

É futebol, não é? Azar nosso a bela forma que arranjaram para demonstrar o quanto nos respeitaram.

 

Contudo, mais coisa, menos coisa, ou na hipótese ceteris paribus, como dizia um professor meu de economia, o orçamento permanece o mesmo, os nomes e a qualidade dos jogadores, até dos suplentes, que eram (são) tão superiores aos nossos, permanecem, e o primeiro lugar da Premier, idem.

 

Agora, trazem-se à colação os orçamentos de orçamentos de Gis Vicentes, Moreirenses e Vitórias de Setúbal, para la palissaniamente, se concluir, que é lógico que os orçamentos, as camisolas, os nomes, não vencem jogos. Logicamente.

 

Sei que sou idiota, mas não ao ponto de não admitir que todos aqueles factores também têm um peso decisivo no desfecho de uma qualquer partida de futebol, mas quanto a mim, a lógica da questão é outra.

 

Muito pura e simplesmente, fomos burros. Fomos burros quando programámos uma temporada, pensando que íamos jogar na Champions, e a seguir na Liga Europa, com um ponta-de-lança, mais o Walter, e com a alternativa do Hulk ao meio.

 

Fomos burros na abordagem que fizemos às partidas com o Manchester City. Sim, é muito bonito jogarmos de peito aberto, olhos-nos-olhos, taco-a-taco, jogo-pelo. jogo, e essas coisas todas.

 

Mas,…e resultados?

 

Comprovadamente, a lógica do jogar bonito não é condição necessária e suficiente para garantir vitórias. Pode ajudar, mas há mais vida para além disso.

 

E ainda, fomos burros, ou tivemos azar, na forma como sofremos um golo aos vinte e poucos segundos de jogo, quanto tínhamos um resultado adverso para recuperar.

 

Quanto a mim, este foi, muito logicamente, o cerne da questão.

 

Agora, o que me parece completamente ilógico é que, após uma vitória na Liga, logo surjam jogadores prontos para zarpar para outras paragens.

 

É o Hulk, a dizer-se "preparado para deixar o Dragão", e rumar a Espanha, Inglaterra ou à Alemanha (porquê a Alemanha? O euro está em baixa, e já não há deutsh marks).

 

É o futuro do James, que tal como o do André Villas-Boas, que passa pelo Inter de Milão.

 

Pergunto-me: “qual é a lógica disto?” Acaso ganhámos mais alguma coisa, para lá dos três pontos em disputa naquele jogo?

 

Estas novelas de carretel das saídas não tinham acabado com a saída daquele rapaz do chapéu colombiano? Estão mal por cá?

 

É claro, é lógico que todos querem melhorar de vida, mais a mais com esta crise, que se instalou e parece não querer desamparar a loja, mas é esta a motivação para o que falta jogar de temporada?

 

Bardamerda! Se é assim, parece-me que, muito logicamente, a probabilidade de as coisas correrem mal é elevada.

 

E fico mais piurço ainda quando vejo o Marco Ferreira a dirigir no Dragão, o nosso jogo contra a Académica de Coimbra.

 

 

Não é nada de pessoal, e até é já a terceira vez que o recebemos. Contra o Vitória de Setúbal e contra o Rio Ave, compreendi a nomeação: eram duas equipas que equipavam de riscas verticais verdes e brancas, portanto, fazia sentido que fosse o mesmo árbitro.

 

Mas, o que é que querem, por muito ilógico que pareça, a partir do momento em que foi eleito um presidente da Liga, com ligações àquele clube da ilha dos buracos, chateia-me ver este indivíduo nos nossos jogos. Chamem-lhe “superstição”, ou o que quiserem.

 

Pior ainda, quando o Bruno Esteves é nomeado para Paços de Ferreira. Há um fétiche qualquer de alguém por este árbitro e jogos entre papoilas saltitantes e castores.

 

Na primeira volta, no Estádio da Lucy, quem é que lá esteve? Ele. Na época passada, quando se estreou nestas andanças, quem é que lá esteve? O próprio.

 

E que bem que correu esse jogo, recordam-se? Ele há lógicas que me transcendem. Ou não, o que às vezes ainda é pior.

 

Por tudo isto, muitos parabéns ao Sporting, pela vitória, e por demonstrar que, por muito lógico que pareça, nem sempre o destino da batata, quando a colhem, é a fritadeira.

Game over. Resume game?

23
Fev12
 

Não vi o jogo. O carro tem o rádio avariado, por isso também não ouvi grande parte do relato.

 

Fui acompanhando, como pude, as incidências da partida através do telemóvel, e ainda consegui apanhar o relato, quando cheguei a casa, por volta dos setenta e poucos minutos. Mais ou menos por volta da altura do descalabro, o que é sempre estimulante.

 

No lado positivo, ontem deve ter havido um pico de produtividade no País. De certeza que benfiquistas e sportinguistas trabalharam até mais tarde. Ou não, bem vistas as coisas.

 

Como não vi, não vou tecer grandes comentários. Constou-me que mostrámos muita qualidade, que fomos a única equipa que jogou para vencer o encontro e acabámos por levar quatro, o tal resultado mentiroso, que o André Villas Boas, por acaso ontem presente, também apanhou com a Académica no Estádio da Lucy, mas que segundo ele, não, “não é uma goleada”.
 

 

Para além disso, levámos uns quantos amarelo que nos tolheram o jogo de pressão alta e de transições agressivas.

 

Que eles têm um orçamento de milhões, que têm jogadores de elevado quilate técnico e que têm muito mais soluções no banco (desportivo e não só!), que nós, é indiscutível. Nem vale a pena ir por aí.

 

Agora se isso serve para aliviar a nossa dor, então melhor seria nem ter jogado a eliminatória. Para os que ainda se lembram, por acaso em 87 contra o Bayern, em 2004 com o outro Manchester, ou em 84, contra a Juventus, tínhamos mais milhões, jogadores com maior qualidade ou mais soluções no banco?

 

Nesses jogos demos réplica, não demos? Até ganhámos ao Bayern e eliminámos o United. Contra a Juve, ouve outros factores, que o monsieur Platini se esqueceu quando nos chamou batoteiros.

 

Soam-me um bocado incongruentes aquelas justificações, e todo aquele enaltecimento do City, que, diga-se, não é uma equipa qualquer, e depois ver a nossa equipa entrar a jogar aberto, de peito feito para o adversário.

 

Se eles eram assim tão bons, tão, tão superiores, não seria mais avisado avançar à cautela, apostar na manha, na matreirice, e de preferência, com alguma concentraçãozinha à mistura? O Vítor Pereira tem idade suficiente para ter visto actuar equipas treinadas pelo José Maria Pedroto ou pelo Artur Jorge, ou não viu?

 

E ainda levam para lá o miúdo, o Podstawski para ver. Com certeza foi para aprender o que não fazer em situações daquelas.

 

Ainda há a questão da sorte. Para alguns a sua ausência, em contraponto com a que teve o Villas Boas, também influi no actual estado de coisas. Bom, se o Villas Boas teve sorte, e deu para ganhar a Liga Europa, de que nos despedimos ontem, a Zon Sagres, a Taça de Portugal, que também não revalidaremos, e a Supertaça, contra o mais grande do Mundo dos arredores de Carnide, então receio bem que o nosso stock se tenha esgotado para os próximos tempos.

 

 

Os objectivos para esta temporada vão caindo uns atrás dos outros, como peças de dominó. Dos seis títulos, que para nós, adeptos que ainda acreditamos no Pai Natal, no coelhinho da Páscoa, e que o FC Porto entra em todas as competições para ganhar, salvou-se a Supertaça.

 

Restam a Liga Zon Sagres e a Taça dos outros, que, curiosamente, vão ser decididas contra a mesma equipa, e no Estádio da Lucy.

 

O ”Sou Portista com muito orgulho” publicou um calendário do que falta de temporada para os quatro grandes, mais grandes, e assim-assim.

 

Vamos ter seis saídas: ao Estádio da Lucy, à terra dos buracos, em duplicado (Nacional e Marítimo), a Braga, Paços de Ferreira e Vila do Conde, onde espero que o Atsu não se constipe.

 

O primeiro classificado, vai ter tal como nós, seis saídas: a Coimbra, Olhão, Calimeroláxia, Setúbal, e também a Vila do Conde e Paços de Ferreira.

Como nos recebem em casa, e ainda vão a Setúbal, dá-me ideia que estão em vantagem, mas lá está, dependemos apenas de nós.

 

O pior é que está época começa a parecer-me um daqueles jogos de computador, em que vamos progredindo nível após nível, até chegar a um ponto em que os níveis se tornam inultrapassáveis, por mais que se porfie.

 

Podemos sempre voltar a jogar, mas não saímos do mesmo sítio…

Quero corações de Dragão a saltar debaixo dessas camisolas

22
Fev12
 
 

Ontem à noite, por curiosidade fui dar uma espreitadela a alguns sites de apostas, só para tentar perceber quais são as expectativas para o nosso jogo de hoje.

 

Ora, então temos as seguintes perspectivas:

 

Bet365 - 1,61 D - 3,75 E - 5,5 V

Betclic - 1,6 D - 3,7 E - 5,5 V

Dhoze - 1,56 D - 3,8 E - 5,95 V

Bwin -  1,6 D – 3,8 E – 5,5 V

 

Ou seja, bem vistas as coisas, está um belo dia para apostar na vitória do FC Porto.

 

É claro que o histórico dos confrontos com equipas inglesas não nos favorece. Assim de memória, nos últimos tempos tirando aquele empate com o Man. United, com o tal golo do Costinha, que até hoje ainda está atravessado no gorgomil de alguns adeptos de um certo clube, que por sinal, só atingiu uma final com um golo marcado à mão por um tal de Vata, quando conquistámos a Champions, o remanescente era perfeitamente dispensável.

 

O último resultado em terras de Sua Majestade foi mesmo aquela tareia de 0-5, contra o Arsenal do “monsieur” Wenger.

 

Bem, mas o Manchester City não é o Arsenal. O Wenger apesar da sua arrogância e prosápia tipicamente francesas, e da sua pronúncia de "Alô, alô", a fazer “biquinho” com os lábios, não descaracterizou o futebol dos Gunners.

 

Antes, não terá descaracterizado totalmente, pois com os jogadores continentais que introduziu da equipa, é claro que o modelo de jogo há muito deixou de ser o tipicamente britânico “kick and rush” (ainda existirá, sem ser nas divisões inferiores?), mas manteve a aposta num jogo aberto, sem excessivos rigores defensivos. A aposta não lhe tem rendido mundo e fundos, mas ele mantém-na.

 

O Manchester City do Mancini, que não consigo reconhecer enquanto treinador, como o ponta-de-lança que acompanhava o Vialli na Sampdoria e na selecção italiana, é uma equipa italiana a jogar na Premier League. Oportunista, cínica, e retranqueira, mesmo com os milhões todos que o Sheik lá investiu

 

Por isso, para hoje não espero grandes alterações em relação ao jogo da primeira mão. Acredito que, mesmo jogando em casa, o Mancini não se vai atirar à maluca para a frente.

 

Não me parece que vá por dois defesas-laterais de cada lado, como acabou a partida no Dragão, mas palpita-me que irá recuar linhas e apostar no contra-ataque, perdão, nas transições rápidas.

 

Aliás, tenho cá para mim que, da equipa que cá alinhou de início, vão sair apenas o Balotelli e o Nasri, e entrar o Aguero, e um qualquer outro jogador mais defensivo para o centro do terreno.

 

O Aguero é bem mais letal que o Balotelli. Com o Yaya Touré por detrás e o FC Porto balanceado para o ataque, podem com facilidade fazer estragos. E depois, o David Silva com liberdade para calcorrear todo o terreno do meio-campo para a frente. O resto da maralha, é para aguentar o embate.

 

Do nosso lado, eu que nem sou particularmente fã do Maicon a lateral, para este jogo apostava nele. Ainda que menos ofensivo, e poder acabar por não ter a quem marcar directamente, está mais rodado que o Sapunaru.

 

Para mais, jogando o Aguero ao centro, a velocidade do Otamendi pode dar jeito ao centro, caso ele a decida utilizar.

 

No meio-campo e ataque, tendo em conta a forma como prevejo que o City se irá estruturar, conviria não ficarmos em inferioridade numérica. Defensivamente, o João Moutinho parece-me o mais talhado para “pegar” no David Silva.

 

Para a frente, desculpem-me lá, mas se não for mesmo uma necessidade imperiosa jogarmos em 4x3x3, seria engraçado ver o James um bocadinho só mais metido para o centro do terreno, do que aconteceu no jogo da primeira mão, a aproveitar o eventual recuo do Manchester. Lá mais para diante o Hulk e outro qualquer, a escolher de entre o Varela ou o Djalma.

 

Revelando-se inultrapassável a obrigatoriedade de alinharmos naquele modelo de jogo, então, por favor, pelo menos que se desencalhe o Hulk de entre o orc e o klingon da defesa do Manchester.

 

Meta-se lá no meio o Kléber à cabeçada com eles para os manter entretidos, e o Hulk, mal por mal, à direita, como de costume, mas sem os agora costumeiros toques de calcanhar.

 

Bem, no fundo, o que quero mesmo, independentemente de quem entre em campo, da posição em que jogue e do resultado do jogo, é ver corações de Dragão a saltar debaixo daquelas camisolas.

 

 

 

 


Nota: Bem Jorge, desta vez não é hindsight. Vamos lá ver como é que me safo. Se desse aí uns 10/20, já não era mau…

Última hora - Discriminação posicional no FC Porto x Man. City

18
Fev12

Em memória da Cesária Évora e da Whitney Houston, espero que não se ofendam,

 

 

Numa conferência de imprensa, convocada expressamente para esse efeito, os jogadores do Manchester City, Micah Richards, Kompany, Lescott, Clichy e De Jong, anunciaram que, depois de finalmente conseguirem deslindar os relatos e notícias publicadas na imprensa desportiva portuguesa e naquela coisa chamada "Sapo Desporto", interpuseram junto da UEFA, uma segunda queixa a sobre o comportamento dos adeptos portistas no jogo que opôs as duas equipas no Dragão, na última quinta-feira à noite.

 

Reclamam aqueles jogadores de que, ao contrário do que terá acontecido com os seus colegas de equipa Yaya Touré e Balotelli, não foram, em momento algum no decurso da dita partida, invectivados com insultos racistas por parte das claques da casa, apesar de tal como os anteriores, também serem claramente pretos.

 

"Não compreendemos. Somos quase tão pretos quanto eles. Vejam o Micah. Para qualquer daltónico, passava sem espiga por um dos outros dois".

 

"Será por jogarmos em posições defensivas, e eles andarem lá pela frente a pastar?" - questionam emocionados, "Sentimo-nos humilhados e lesados na nossa dignidade racial".

 

Acrescentaram que, para preparar a defesa da sua tese, asseguraram já a contratação dos serviços de consultoria em "pretologia" do Alain e do Eusébio, confidenciando ainda que, ponderaram a hipótese de recorrer também aos préstimos do Javi Garcia, mas tiveram "receio que dissesse alguma coisa que os ofendesse", e ainda por cima, quase de certeza em portunhol arrevezado.

 

Segundo conseguimos apurar junto de fontes não oficiais, na realidade através de um português de bigode farfalhudo e farta pelagem peitoral negra, a fazer sobressair da camisa entreaberta, com três botões desabotoados, um crucifixo gigantesco em ouro maciço, ou coisa que o valha, que se encontrava no bar a tentar endrominar uma loiraça suiça boazona, na altura do coffee break, o Conselho de Disciplina, ou lá o que é da UEFA, ainda não teria chegado a uma posição inequívoca sobre o assunto.

 

Os conselheiros, depois de esgotarem o saldo dos telemóveis, que os plafonds dos cartões pré-pagos de serviço são muito curtinhos lá para aquelas bandas - não, não é por causa da troika. Os suiços é que são forretas até mais não! - e de terem interrompido uma reunião por vídeo conferência durante a tarde de hoje, para ir à matiné dos Marretas, resolveram adiar uma decisão final para a próxima semana.

 

Alegam que para decidir sobre este caso, e sobre a questão prévia que o mesmo suscita, que é a de saber se a queixa interposta é meramente pieguinhas ou absurdamente idiota, teriam de estar sob o efeito daqueles cogumelos mágicos que fazem rir. Ora, como isso lhes poderia trazer dissabores vários perante a lei, que os suiços são uns queixinhas, resta-lhes fazê-lo sob a inspiração de uma valente carraspana.

 

Assim sendo, agendaram convenientemente a derradeira e decisiva reunião para uma jantarada, estupidamente bem regada por tintol do Dão, e não por aquela zurrapa que se bebe lá pela Helvécia, para a próxima sexta-feira à noite.

 

O FC Porto aguarda assim pela decisão final, para preparar a resposta adequada ao castigo que lhe for imposto, por qualquer uma das queixas apresentadas, senão das duas.

 

Contudo, fonte oficial dos portistas afiançou que, caso o clube seja castigado pela infracção agora denunciada, não se espera que a pena a aplicar seja excessivamente severa, "até porque" - referiu a fonte, "poderemos sempre resolver o assunto na segunda mão em Manchester".

 

Enquanto se aguardam futuros desenvolvimentos, recomendamos a todos quantos se encontrem lá pelas Suiças, que, na sexta-feira à noite, evitem circular a pé nas zonas circundantes ao quartel-general da UEFA.


Nota: Todas as personagens e situações mencionadas neste texto, explicita ou implicitamente, são ficcionadas, com excepção, claro está, dos jogadores e do português do bar, inspirado nesse símbolo inimitável do garanhão lusitano, o Trê Bêços.     

Este futebol não é para velhos

17
Fev12

 

Muito interessante aquela equipa do Olhanense, que jogou ontem no Dragão.

 

Ah! Desculpem lá. Afinal não vinham de Olhão, parece que eram uns fulanos de Manchester.

 

Quando dou de caras com aquele autocarro estacionado em frente à baliza do nosso adversário, e só o Balotelli sozinho lá na frente, apenas com o Yaya Touré a apoiá-lo por detrás, confesso que fiquei surpreendido.

 

Aquele era quase o “meu” onze do City, com umas pequenas nuances, a saber: na direita, era difícil adivinhar porque passam por lá vários fulanos, mas do meio-campo para a frente, seria só pôr o Touré no lugar do De Jong, e o Aguero no do Touré. De resto, era isto que estava à espera, embora tivesse algumas dúvidas quanto à utilização ou não do Nasri.

 

Os citizens tiveram muito respeitinho pelo FC Porto, e não entraram em loucuras. Para grande desgosto de quem esperava que estivessem focalizados na sua Premier, foi mais do género “vamos lá com calma, e na segunda mão tratamos disto!”.

 

Tenho de dar o braço a torcer, razão tinha o Villas Boas quando dizia que os homens estavam "confortáveis num 4x2x3x1 muito dinâmico", eu é que nunca, até à data, tinha assistido a tal.

 

Do nosso lado, para mim a surpresa maior foi o Varela à direita, para mais que a sua prestação no último jogo caseiro, não foi por aí além, e o Djalma, antes da CAN, até vinha rendendo naquela posição. Para além de não termos que resolver o problema que o Aguero a jogar ao lado do Balotelli poderia colocar.

 

Bem, as coisas até correram medianamente bem até ao intervalo, e fomos para o descanso na frente do marcador.

 

No reatamento, porém, inopinadamente algo aconteceu. Uma coisa inédita, e como tal, inconcebível, e não sei mesmo se ao arrepio das regras do jogo, quiçá das da decência e dos bons costumes.

 

O Mancini introduziu uma alteração táctica na sua equipa!

 

O Touré, que até aí andara “tem-te não caías”, lá pela frente, recuou para o meio do terreno, com o intuito de pegar um bocadinho no jogo, e os, até aí, dois médios das alas, o David Silva e o Nasri, adiantaram-se no terreno.

 

 

 

E pronto, foi isto. E foi o cabo dos trabalhos. Note-se que eu estou para aqui com esta explicação, talvez demasiado elaborada, só para não ter de acreditar que houve outro motivo para que o FC Porto acabasse ao intervalo.

 

O que é que fez o nosso treinador? Nada. E nessa altura, nem era preciso. O encaixe entre as duas equipas parecia perfeito. A questão é que a partir daí o City começou a jogar e a trocar a bola, e do nosso lado, sem o Danilo para dar profundidade ao flanco direito, ninguém ousava pegar no jogo.

 

E então o que é o Vítor Pereira fez? Nada. E deveria ter feito?

 

Retive a frase dele após o jogo: "A partir do 1-1, a equipa do Manchester City baixou as linhas e ficamos à mercê deles porque eles são muito fortes nas transições rápidas".

 

Se com o resultado em 1-1 baixaram linhas e ficámos à mercê deles, porque é que isso aconteceu? Como é que empatados ficámos à mercê deles? E sem reacção que se visse, ainda por cima. Seria o segundo golo uma inevitabilidade do destino? Estava “escrito nas estrelas”?

 

São muito fortes? São muito bons? Valem muitos milhões? Então mais valia não jogar sequer, pois desde o sorteio que estávamos à sua mercê.

 

Desculpem-me lá o desabafo, mas eu ainda sou do tempo, como diz o outro, de treinadores como Pedroto, Manuel Oliveira, Meirim, António Medeiros, esses sim, verdadeiros catedráticos da táctica, que trocavam jogadores de posição e inventavam adaptações mirabolantes ao pequeno-almoço, e viravam desafios de cabo-a-rabo com uma substituição. Às vezes saia mal? É verdade.

 

Mas pelo menos transformavam os jogos quase em partidas de xadrez, em vez de fazerem delas meros encontros de matrecos.

 

Já sei, já sei, “há as rotinas de jogo, a criação de automatismos, as compensações, etc.”, e todas essas coisas modernas. Tretas.

 

Será que os jogadores não serão dotados de agilidade mental que lhes permita executar durante uma partida mais do que um esquema táctico? Os gajos da NFL, que são uns mastodontes, uma boa parte deles injectados de hormonas decoram manuais de jogadas. Estes rapazes não são capazes de jogar doutra maneira? Ou serão os treinadores, que não têm capacidade para mais.

 

Desde os tempos do Jesualdo Ferreira que o padrão de jogo é o mesmo, estafado e malfadado 4x3x3, de que começo a ficar farto, e dê lá por onde der, como diz fundamentalisticamente o nosso Primeiro-Ministro, mesmo quando não há matéria (leia-se: “jogadores”) para isso.

 

Se um treinador vem com o discurso do “Ah, e tal, trabalhámos bem durante a semana”, e o nosso fá-lo amiúde, isso é, quanto a mim, mau sinal, pois parece que labuta durante a semana, e depois, encolhe os ombros e entrega os seus destinos nas mãos do acaso.

 

Trabalhar durante a semana e rezar no fim-de-semana, isso fazia eu quando jogava no Totobola.

 

Macacos me mordam se o treinador não é pago, entre outras coisas banais, como motivar, gerir, orientar um grupo, para tomar decisões e actuar no decurso das partidas.

 

Se o adversário apresenta mais flexibilidade táctica, e não se lhe responde da mesma moeda, então, parece-me a mim, que a única forma de o vencer terá que ser pela superior valia técnica dos seus jogadores. Ontem, como se viu, isso não aconteceu, e o rigor táctico vai-se transformando, mais rapidamente que o desejável, em rigor mortis.

 

Para grande azar ainda perdemos o Danilo, que estava a ser um dos melhores, e o Mangala. O James, que parecia o Maradona, de tão agarrado à linha que esteve, quando, neste jogo em particular, talvez fosse mais avisado procurar terrenos mais interiores (só o fez, muito esporadicamente na primeira parte. Mas, lá está, na segunda não houve FC Porto).

 

De positivo, apenas a exibição do Belluschi. O quê? O Belluschi não jogou? Épá, lá estou eu outra vez. Desculpem lá, que apesar das diferenças fisionómicas parece-me que o confundi com o Lucho Gonzalez!  

 

Agora vêm dizer que "O resultado é injusto", e que "Ainda não acabou". Pois sim. O certo é que lá nos vamos arrastando penosamente para diante, a ver os objectivos derrocarem um atrás do outro.

 

Internamente segue-se o Vitória de Setúbal, que já não é a equipa que defrontámos na estreia dos nossos reforços de inverno, e cuja defesa, disseram alguns, “marcava com os olhos”.

 

Agora quem lá está é o José Mota, e não vamos ter nem o Danilo, nem o Álvaro Pereira. Em compensação, vai lá estar o Paulo Baptista.

 

Vá lá rapazes, toca a recuperar!

 


Nota (actualizado às 22.00): De entre os espectadores que estiveram no Dragão, a assistir ao jogo, a SIC fez questão de, casualmente, focar a presença de Bruno Alves, esclarecendo assim as dúvidas existenciais, que pudessem subsistir em algumas mentes menos avisadas, quanto às preferências clubísticas do dito Bruno Alves e à intecionalidade com que terá atingido o benfiquista Rodrigo.

 

Por mais este excelente serviço prestado pela SIC à causa, seja ela qual for, um grade xi coração da minha parte.

 

 

Citizen é nome de relógio

15
Fev12

Aproxima-se a passos largos, que não de coelho, o nosso embate com o primeiro classificado da Premier League.

 

Ontem, o SC Braga alombou com dois do clube mais português em prova, depois de uma expulsão, daquelas que, enfim…

 

Hoje, é um jogo mesmo à medida do mais grande do Mundo dos arredores de Carnide. Se com temperaturas normais, para nós, nesta altura do ano, os homens correm o que correm, com não sei quantos graus negativos, então é que vai ser correr a bom correr. Até dispensavam o avião para o regresso.

 

Ainda não me consegui decidir se vou torcer por eles ou não. Dentro daquela lógica de que, marcando presença em mais uma prova, mais dispersariam as atenções, e isso poderia contribuir para potenciar as nossas parcas probabilidades de renovar o título, faria sentido apoiá-los.

 

Por outro lado, lá em casa todas as torneiras são Zenite. Desconfio que estes anos todos de partilha do mesmo tecto vão ditar a sua lei.

 

Bem, vamos lá ao Manchester City, o tal dos “citizens”. 

 

 

 

(Chelsea - Arsenal - West Ham) 

 

Como disse há tempos, vi bocados dos jogos do nosso adversário contra o Chelsea (a primeira derrota na Premier) e contra o Arsenal, e agora, mais um resumo alargado do desafio do fim-de-semana passado, contra o West Ham.

 

Fica-me a ideia de que este embate conosco se poderá traduzir em termos tácticos, num desencaixe perfeito entre as duas formações.

 

Passo a explicar. O lado mais forte do City, do ponto de vista defensivo, é o direito. Normalmente, o homem que por lá anda, pouco ou nada (como se isso fosse possível numa equipa inglesa. Mas é!) se adianta no terreno. Assim ao jeito do Maicon.

 

O nosso lado mais forte no ataque é o direito. Isto, se por lá andar o Hulk. Como o mais provável é que ele jogue ao meio, que o Djalma lhe faça as vezes. É o que espero.

 

Na esquerda, quando joga o Clichy, é uma espécie de Álvaro Pereira. Mas animem-se, que é pior que o nosso. O problema é que nos três jogos, o Clichy só jogou num, e foi para a rua.

 

O defesa-esquerdo beneficia ainda do facto de o trinco, usualmente o Gareth Barry cair para esse lado, e ainda de que o médio que por aí aparece - o Milner, se o Silva flectir para a direita - se revelar menos ofensivo que o colega do outro lado.

 

Contudo, contra o West Ham, aquilo que vi, foi que a defesa pouco ou nada subiu. Aliás, o que se viu foi o City marcar um golo, e fechar-se na retranca, à boa maneira italiana.

 

A meio-campo têm uma maior tendência para pender para a direita, até porque é desse lado que surge, em movimentações mais verticais o Yaya Touré, que entretanto já regressou como finalista derrotado da CAN. Resta saber se jogará.

 

Para ajudar, ainda para lá descai de quando em vez o David Silva, que troca de flanco e deambula por todo o lado, ainda que partindo preferencialmente da esquerda.

 

Este poderá vir a ser um dos motivos pelos quais poderemos necessitar de algum ácido acetilsalicílico. Outro, será a mobilidade do Kun Aguero e do Mário Balotelli, também se jogar.

 

Estes tipos têm a mania de jogar com dois avançados, o que me parece que poderá causar alguns dissabores. O mais adiantado, fica para um dos centrais. E o outro? Para o lateral direito ou para o trinco?

 

Quando vi o Maicon a defesa-direito, pensei que essa questão estaria resolvida. Agora já não tenho a certeza.

 

O David Silva é outro caso. Normalmente, joga à esquerda, onde, do nosso lado, desconfio que aparecerá o Lucho, cuja apetência defensiva poderá ficar aquém do desejável. Mas raramente se fixa nessa posição, o que poderá neste caso ser uma vantagem, mas dificulta a marcação.

 

Para não passar apenas por “problemólogo”, e dando-me a ares de “solucionólogo”, sugiro para este jogo o James.

 

E não, não me estou a juntar ao coro daqueles que querem o puto em campo à força toda. É uma questão estratégica. Se, como disse antes, o lado direito da defesa deles é o mais forte defensivamente, e o médio desse lado, o mais ofensivo, espetamos-lhe com o James, que foge para dentro e assim poderá escapar à marcação do lateral, deixando caminho para o Álvaro Pereira, com o João Moutinho a dar uma ajudinha defensivamente.

 

É um bocado básico, não é? Pois é. Estou sem imaginação. Assim à primeira vista são as situações de desencaixe mais evidentes.

 

Admito que, apesar de tudo, estou confiante. O Manchester City que vi no fim-de-semana, é mais defensivo que o que vi em Dezembro, e jogando fora de casa, poderá não causar excessivos problemas. São os genes italianos do Mancini.

 

E historicamente, demo-nos bem com outra equipa azul-cueca treinada por ele treinada, a Lazio.

 

Vamos lá repetir a dose, cientes de que, do outro lado, como contava um velho professor meu de Biologia, que um aluno lhe respondera, quando questionado sobre os tipos de aves existentes, vamos ter pássaros, passarinhos, passarões, aves de gaiola e cucos.

 

Estes começaram a armar-se em cucos, vamos ver se lhes acertamos as horas.
 
 
 

Nota: Fiquem descansados que ainda não estou totalmente desfasado da realidade, nem num fuso horário diferente- Comecei a escrever este texto à hora de almoço, e só o terminei mais tarde. Entretanto, o jogo do Zenit já começara originando a incongruência entre a hora de início do dito jogo e a decisão sobre quem torcer. Uma coisa vos garanto: as torneiras cá de casa vibraram com o resultado. E eu também não fiquei muito triste!

Manchester City em 4x2x3x1?

27
Dez11

 

 

Antevendo o próximo embate entre o FC Porto e o Manchester City, “O Jogo”, terá aproveitado uma conferência de imprensa para trocar impressões com André Villas Boas (AVB) sobre os citizens.

 

Habituei-me a ter Villas Boas na conta de um fulano metódico e minucioso nas abordagens que faz aos adversários. Ainda tenho presente na memória um relatório que por aí correu há tempos, em que, enquanto adjunto de Mourinho, analisava, salvo erro, o Newcastle Utd.

 

Achei por isso estranha a análise que fez do City, ao jeito de uma conversa entre dois amigos a caminho do WC de um qualquer pub londrino, em peregrinação para mudar a água às azeitonas.

 

Por outro lado, para o nível de profundidade de análise a que estamos habituados a ver na nossa imprensa desportiva, compreendo que uma análise técnico-táctica mais aprofundada, entrando pormenorizadamente em minudências como modelos de jogo e nas movimentações dos jogadores, acabaria por redundar num sonolento bocejo da parte dos leitores.

 

Não é isso que está em causa. Dando, por isso, de barato, os lugares comuns, achei estranho o comentário de "que o City se sente confortável num 4x2x3x1 muito dinâmico".

 

É que, por acaso, tive a oportunidade de ver a primeira parte do jogo dos nossos adversários contra o Chelsea, e quase todo o jogo contra o Arsenal, e, macacos me mordam, tirando a parte do dinamismo, não foi isso que vi.

 

Tudo bem que percebo tanto disto como de um lagar de azeite, mas a mim, pareceu-me que a equipa do Mancini se apresentou em ambas as partidas num 4x4x2, dinâmico, é certo, mas mais que evidente.

 

Nem o Yaya Touré faz de trinco, para se juntar ao Gareth Barry no meio terreno, nem o Agüero faz de médio, ou extremo, ou coisa que o valha.

 

Aliás, dei por mim a pensar precisamente, que dada a distribuição das peças no terreno e o dinamismo com que, por exemplo, no jogo contra o Chelsea, o David Silva, saindo da direita, andou por quase todo o campo, ou o Balotelli, partia de ponta de lança, para vir atrás e à esquerda do ataque, iria ser difícil encaixar o nosso 4x3x3 naquela estrutura.

 

Houve pormenores comuns a ambos os jogos, para além do guarda-redes Joe Hart, fundamentalmente na defesa, que até acabou por ser o sector entre os dois jogos, com mais alterações.

 

O lateral direito, seja ele Micah Richards ou Lescott (ou o suplente Savic), é o que se adianta menos no flanco, deixando esse papel para o colega da esquerda, principalmente se este for o Clichy.

 

Esta maior propensão ofensiva terá ainda a ver com o facto de o “trinco”, Gareth Barry, descair predominantemente para a esquerda, oferecendo a necessária cobertura às subidas do defensor.

 

Escrevo trinco entre aspas porque, na realidade, por diversas vezes se viu o meio-campo do City, com Nasri ou com o Milner, a sair para pressão praticamente em quatro-em-linha. Também por isso, custa-me a entender aquele 4x2x3x1.  

 

O Yaya Touré será, quanto muito, um falso trinco, que sobe no terreno em pezinhos de lã, e quando se dá por ele, oops, está na área, numa movimentação vertical, com poucas variações.

 

O David Silva e o Nasri, muito mais do que o Milner, esses sim, trocam de posição abundantemente ao longo do jogo, caindo o espanhol mais para a esquerda e o francês para a direita. O Silva então, não pára um segundo.

 

O Akun Agüero joga bastante mais fixo que o Balotelli, saindo quase sempre do flanco esquerdo. Sem dúvida mais adiantado que o companheiro do outro lado, e por isso também me custa a engolir o 4x2x3x1.

 

O italiano, o enfant terrible da companhia, é mais mexido, e um perigo, principalmente quando lançado na diagonal pelo David Silva, o que foi mais visível contra o Arsenal, do que com o Chelsea, que apesar de jogar parte da partida contra dez adversário, manteve o seu bloco defensivo mais recuado.

 

Depois, há o pormenorzinho enfatizado pelo AVB, mais na frente do que na retaguarda, do talento individual de cada um daqueles fulanos.

 

Faltou saber em que consiste a tal excessiva exposição do Manchester City que o nosso ex-treinador menciona, para além daquelas balelas sobre o ambiente no Dragão e em Manchester, e a nossa experiência em resolver eliminatórias na qualidade de visitante. Isso é que dava de certeza um jeitaço ao Vítor Pereira.

 

Confesso que essa parte também me escapou. O que é que querem? É como diz a Mafalda, problemógos há muitos, solucionólogos é que fazem falta. Por isso é que os que há por aí, ganham mais do que eu, que me limito a ver jogos no conforto do sofá…