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Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

Azul ao Sul

Algarvio e portista E depois? O mar também é azul...

A anormalidade normal

30
Dez15

Comecemos, se calhar, pelo fim: não é normal o FC Porto perder em casa com o Marítimo.

 

Ainda menos normal é chegar a estar a perder em casa com o Marítimo por 0-3, e acabar por mitigar a derrota apenas com um golo, acabando por perder 1-3.

 

O facto de ter sido para a Taça Lucílio Baptista, a menos prioritária de todas as competições serve de atenuante, mass não deixa de não ser normal.

 

Não é normal, na primeira parte, com 0-0 no marcador, em casa, num jogo para a Taça Lucílio Baptista, com um onze repleto de jogadores menos utilizados e até da equipa B, os adeptos da equipa, que por acaso, até vai em primeiro lugar no campeonato, assobiem a sua própria equipa.

 

Não é normal num jogo em casa, em que a equipa ganha por 1-0, e com esse resultado passa para a liderança do campeonato, os adeptos assobiem uma substituição, que não corresponde aos seus anseios.

 

Não é normal que o treinador da Académica admita que a estratégia que montou para jogar no Dragão, passava por colocar os adeptos do FC Porto contra a própria equipa.

 

Não é normal que tenhamos chegado a este estado de coisas.

 

Não é normal que, mesmo os adeptos mais acérrimos defensores do treinador, aqueles cuja confiança inabalável em quem dirige há mais trinta anos os destinos do clube, leva a verem nele o homem certo no lugar certo, apenas por, supostamente ter sido escolhido por quem foi, de certeza que pelo menos por um momento, também eles já franziram o sobrolho perante as escolhas do treinador.

 

É claro, que pelo muito pouco que vou lendo em alguns blogues, ainda há quem o defenda, mas desconfio que é apenas na expectativa do título em Maio. Será talvez a única parte normal.

 

Não é normal o ponto a que chegou a saturação e a indiferença dos adeptos perante a equipa, a ausência de identificação com os jogadores e com o clube que conheceram, e que, quanto a mim, os leva, somado ao que leram acima, a instintivamente a reagir, assobiando a própria equipa.

 

Não é normal que quem dirige os destinos do clube, e o faz há mais de trinta anos, assista, aparentemente, impávido e serenamente, ao descambar das coisas até este estado de divórcio latente.

 

E menos normal ainda é que o faça, tentando manter a aparência de que afinal, tudo é normal.

 

Porquê?

 

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Dedicado a uns tipos com umas camisolas às riscas verticais azuis e brancas

01
Fev14

 

 

Para que não fiquem dúvidas ou mal entendidos, esta dedicatória vai direitinha para os senhores Fernando, Otamendi, Mangala, Jackson Martinez, Defour e Quintero.

 

Lembram-se de dois indivíduos, que vestiram umas camisolas iguais às vossas, mas que lhe sabiam a pouco?

 

Davam pelo nome de Álvaro Pereira, vulgo, Palito, e Fredy Guarín.

 

Pois é, como lhes sabia a pouco, forçaram a saída do clube. E sairam.

 

A fazer fé nas últimas notícias, o primeiro, depois de uma passagem fugaz e sem grande glória por Itália, parece que está no Brasil. Óptimo para ele. Sempre fica mais perto do Mundial.

 

O outro, segundo informação do próprio, consta que terá sido posto à venda, e esqueceram-se de o avisar.

 

Antes deles também os senhores Bruno Alves e Raúl Meireles, Paulo Assunção, Maniche e Costinha, acharam que era tempo de mudar de ares, e fizeram o mesmo.

 

Experimentem espiolhar as suas magníficas carreiras, e tentem descobrir onde é que registaram os seus pontos mais elevados. Desportivamente falando, é claro.

 

Possivelmente, inquirir-me-ão desafiadoramente: "Então, e o Falcao?"

 

Bem, se se acham ao nível do Falcao, então está tudo dito. Meto já a viola no saco, e acabou-se a conversa.

 

No meio disto tudo, o pobre do Paulo Fonseca, ainda é capaz de ser o menos responsável pelo actual estado da nação. Coitado, que culpa tem ele se o seu limiar de competência se situa no terceiro lugar?

 

Para um Paços de Ferreira, é excelente. É um passo em frente. No FC Porto, não. São dois gigantescos passos atrás.

 

E agora, o valente pontapé no traseiro vai para...? 

É fodido, é fodido, mas compreensível

28
Jan14

Quem como eu, tem ou teve miúdos pequenos em casa, compreende perfeitamente a reacção do presidente do Sporting, ao ver-se afastado da Taça Lucílio Baptista.

 

Os pedopsiquiatras explicam que as crianças têm uma fraca tolerância à frustração, e como não sabem como reagir doutra forma, expressam assim o que lhes vai nas suas pequenas alminhas de seres humanos em vias de desenvolvimento.

 

Os psiquiatras também dizem que estas situações são frequentes entre os dois e os quatro anos, e têm tendência para diminuir a partir daí.

 

Como os meus filhos têm cinco anos, apesar de revelarem um ligeiro atraso em relação a este prazo, as perspectivas, ainda assim seriam animadoras. Só que, de cada vez que o Bruno Carvalho abre a boca, percebo que afinal, poderá não ser bem assim, e a coisa pode arrastar-se até bem mais tarde.

 

Para mal dos meus pecados, como eu compreendo que o progenitor dele, com os seus oitenta anos, tenha problemas...

 

Deve ser sem dúvida frustrante perder assim. Deve ser frustrante estar a ganhar por 3-1, e o adversário directo a perder, ter o jogo controlado, praticamente abdicar de atacar, e de procurar o possível golo da tranqulidade, queimar tempo com uma derradeira substituição, e o adversário, esse cabrão de merda, virar o jogo, quando o nosso já acabou, e não há nada a fazer.

 

Deve ser frustrante procurar justificar uma eliminação por um desfasamento entre o apito inicial de duas partidas, que nunca terminariam em simultâneo.

 

Pois se o próprio cabrão do adversário do adversário, a partir do momento em que se apanhou à frente no marcador, se dedicou a queimar tempo, e ainda por cima, nem se apercebe que o atraso dos outros foi propositado...

 

É que nem o tempo de compensação, dado a menos pelo árbitro, serviu para alguma coisa. Excepto casualizarem-lhe mais um talho, claro está. Frustrante.

 

 

 

Quase tão frustrante como a tentativa de fazer um brilharete com o "intensómetro", sem sequer perceber que, naquele caso, melhor seria utilizar o argumento da famosa "falta-que-começa-fora-da-área-mas-a-queda-dá-se-lá-dentro", e guardar o "intensómetro" para explicar o penálti que ficou por marcar a favor do adversário, esse sim, por um empurrão descarado. Ou nas grandes-penalidades não assinaladas contra a sua equipa na jornada anterior.

 

Então, e que dizer da frustração do golo que fez a diferença no apuramento, ter sido marcado em fora-de-jogo? Depois de começar a Liga a ganhar com golos obtidos em situações irregulares em jogos consecutivos, macacos me mordam que essa merda, logo agora se haveria de virar contra nós!

 

Bem, pior do que tudo isso, só mesmo ter uma entrada em cena de leão, numa autêntica postura de desafio ao establishment, seja lá isso o que for, arranjar carradas de motivos para protestar, acumular um capital de queixar, maior que o IRS que as finanças nos roubam, acusar tudo e todos, ou melhor, preferencialmente um, e sempre o mesmo, ter ideias, apresentar propostas, e acabar a época...sem ganhar porra nenhuma.

 

Eh pá, isso que é mesmo frustrante. Fodido mesmo, diria eu.

 

É certo que, pela parte que me toca em matéria de frustração,  também é frustrante ver uma defesa levar dois golos, e de uma equipa que jogou sem os seus melhores marcadores.

 

No entanto, não partilho a frustração geral de nos termos visto em palpos de aranha para derrotar a equipa B dos guardanapos. Quando um treinador já utilizou, no que vai de temporada, qualquer coisa como 28 jogadores, num exercício de rotatividade que mete a um canto o "body count" dos "Ases pelos Ares", tenho alguma dificuldade em situar se se trata da equipa B, da C, ou da D. O que é óptimo. Sempre é menos uma frustração.

Últimos dias

27
Abr12
 

Este título a fazer lembrar épocas de saldos, soa a chunga, mas é assim mesmo. Cada vez mais começam a escassear dias, semanas, jornadas, para os nossos rivais nos apearem do primeiro lugar.

 

A partida deste fim de semana, na ilha dos buracos, que cada vez mais se aprofundam – agora, ao que parece, são mais dois mil milhões – contra o Marítimo, deve estar a ser encarada por alguns, assim a modos que, como uma última oportunidade.

 

Não quero dizer com isto que este jogo seja mais complicado que qualquer um dos outros dois, contra o Sporting e o Rio Ave. Contudo, esta será a última oportunidade para termos um árbitro susceptível de influenciar o desfecho final desta Liga, se não o fez já, e sem grandes preocupações no tocante ao factor casa, no Dragão, e proximidade, em Vila do Conde.

 

A medida do Conselho de Arbitragem, de não divulgar as nomeações dos árbitros, é outro ponto a favor desta possibilidade. Vítor Pereira (o dos árbitros, não o nosso treinador), que aqui há duas épocas atrás, se vangloriava de ter instituído um sistema de avaliação dos árbitros, do mais transparente à face da Terra, agora, no que diz respeito à nomeação dos ditos, opta, continuo a dizer, por uma não-medida, de total opacidade.

 

E afinal de contas, o que é que têm de especial no nosso futebol, as nomeações dos juízes dos encontros? Deveriam ser encaradas como algo perfeitamente natural, parte do jogo, como os demais elementos.

 

Esta não-medida, apenas tomada para serenar ânimos e evitar medidas, eventualmente mais agrestes em relação a alguns intervenientes (o castigo ao tal senhor da cabeleira desgrenhada, é para quando? Quando, matematicamente for irreversível a derrota?), é a admissão tácita, mas muito expressa, de que há, de facto, algo de estranho, a envolver as nomeações.

 

Assim sendo, quem será que vai dirigir a nossa partida no caldeirão dos Barreiros?

 

Uma vez que o Duarte Gomes esteve recentemente na derrota caseira dos maritimistas contra os conterrâneos do Nacional, aposto, de caras, no João “pode vir o João” Ferreira.
 
 

 

Para além do Duarte Gomes, se os critérios de nomeação forem mantidos como até aqui, também estarão inibidos o Bruno Paixão, que esteve no Estádio da Lucy, no último encontro dos insulares, bem como o Bruno Esteves e o Olegário, que estiveram nos nossos dois últimos jogos.

 

Quase de certeza, seguindo a lógica dos últimos três confrontos do Marítimo, curiosamente, desde a 25.º jornada, em que foram ultrapassados pelo Sporting, e dos nossos quatro últimos jogos fora de portas, o árbitro será um internacional.

 

O Marítimo teve já 18 árbitros nos seus jogos, dos quais, nove bisaram as suas presenças: Duarte Gomes, Bruno Paixão, João Capela, Jorge Sousa e Artur Soares Dias, todos internacionais, e ainda Rui Silva, Manuel Mota, Bruno Esteves e Hugo Miguel, que não são internacionais.

 

Porém, o trio Benquerença, o João “pode vir o João” Ferreira e Pedro Proença, só interveio em partidas com o Marítimo na qualidade de visitante, respectivamente em Coimbra, em Guimarães e na Calimeroláxia (V, D, V).

 

Posto isto, pode parecer estranha a aposta, pois a única vez que o João “pode vir o João” Ferreira arbitrou os madeirenses, saldou-se por uma derrota. E talvez ainda se recordem, há duas épocas, da expulsão, certamente inovadora no Mundo do desporto, do Olberdam, por palavras dirigidas a um colega de equipa.

 

Estes dados, tendo em conta aquele é o procedimento usual de Vítor Pereira, muito pouco de acordo com aquilo que seria o consensual, e em prol da defesa dos árbitros, em vez disso, a enviá-los alegremente para os cornos do touro, ainda mais reforçam a minha convicção.

 

Ainda por cima, o mote para o ambiente que vai envolver o jogo, está dado pelo presidente dos insulares, ao relebrar o mais que morto e encerrado caso Kléber, ele próprio - o Kléber - bastante elucidativo do estado daquele processo. A propósito de quê?

 

Quanto ao resto, é a máxima força do nosso lado, enquanto do lado deles, como antecipei, com muita sorte à mistura, pois o jogo anterior do nosso adversário, até foi dirigido pelo Bruno Paixão, vai estar ausente por acumulação de amarelos, o homem dos pontapés de fora da área, o Roberto Sousa.

 

Que venha o Marítimo, que a poncha não afecte os nossos rapazes, que levem guardanapos suficientes para o Carlos Pereira limpar as lágrimas, e que no final, fique a faltar apenas uma vitória ou dois empates.

 

O que falta do que está para vir

17
Abr12

Com regularidade, a trancas e barrancas, temos o título de campeão nacional a quatro jornadas de distância e interpõem-se entre nós e esse objectivo quatro equipas: o Beira-Mar, em casa; o Marítimo, nos Barreiros; o Sporting, novamente em casa; e o Rio Ave, em Vila do Conde.

 

Dada a almofada pontual de quatro pontos que temos em relação ao segundo classificado, bastam-nos três vitórias ou duas vitórias e dois empates, ou menos que isso, dependendo dos resultados dos nossos rivais.

 

Assim sendo, dediquei-me a dar uma vista de olhos ao nosso histórico de confrontos com estes adversários, mais concretamente, aos nossos dez últimos embates com aquelas equipas, cuja análise passo de seguida a fazer.

 

 

Com os aveirenses, nas últimas dez vezes em que nos encontrámos a jogar em casa, temos sete vitórias, um único empate, na primeira época do rol – 1993/1994, e duas derrotas: em 2004/2005 e 2001/2002.

 

Em 2001/2002 acabaria por sagrar-se campeão nacional o Sporting, do Boloni, com o Jardel como melhor marcador da prova, enquanto do nosso lado o treinador era já o José Mourinho, então ainda a congeminar o sucesso das épocas que se seguiram.

 

Neste jogo ficou para a posteridade uma magnífica exibição do Carlos Xistra, que marcou "A origem do xistrema".

 

Em 2004/2005, as faixas de campeão ficaram no Estádio da Lucy, com uma passagem pelo Algarve. O jogo foi à 13.ª jornada e o nosso treinador era o Victor Fernandez, que pouco tempo depois haveria de ser campeão do Mundo em Tóquio, e a seguir, despedido.

 

O golo do Beira-Mar foi obra do Beto, que na época seguinte se mudou para o clube campeão nessa temporada, onde permaneceu duas épocas, com Koeman e Fernando Santos. Prémio ou wishfull thinking?

 

 

Com o Marítimo em terreno forasteiro, temos cinco vitórias, três empates e duas derrotas: em 2009/2010 e 2002/2003.

 

O campeão de há duas épocas foi o mesmo de 2004/2005, e fomos derrotados por um golo na própria baliza do Rolando. A ter em consideração…

 

Em 2002/2003 fomos campeões, o primeiro título do José Mourinho. Não me lembro das incidências da partida, mas o Deco e o Pepe, na altura ainda nos madeirenses, acabaram expulsos.

 

 

Seis vitórias, três empates e uma derrota, é o nosso saldo entre muros contra o Sporting. A única derrota ocorreu em 2006/2007, sob a batuta do Jesualdo Ferreira, na sua época de estreia entre nós. Ainda assim fomos campeões.

 

 

No Estádio dos Arcos, o score é mais tremido. São quatro vitórias, cinco empates e também, apenas uma derrota. Esta aconteceu com o Mourinho, em 2003/2004, à 33.ª e penúltima jornada, quando éramos já campeões e o pensamento estava em Gelsenkirchen.

 

Tudo somado, são 22 vitórias, 12 empates e seis derrotas, em quarenta jogos. Apenas nas duas épocas em que perdemos com o Beira-Mar (2001/2002 e 2004/2005) e numa daquelas em que fomos derrotados pelo Marítimo (2009/2010), não nos sagrámos campeões.

 

Bem, se, para além de entediados, ficaram animados com o que leram até aqui, esqueçam.

 

Não interessa para nada. O que lá vai, lá vai, e o que interessa é o que aí vem.

 

E o que aí vem são quatro jogos que são para ganhar, e mais nada. Até porque, uma vez ultrapassado na próxima jornada o Marítimo, desconfio que o nosso principal rival muito dificilmente perderá pontos nos três últimos desafios.

 

A nosso favor temos:

 

a)    Quatro pontos de vantagem, que na prática são cinco;

 

b)    O Danilo, que ao que consta, parece estar recuperado, e que, juntamente com o Alex Sandro, tem quatro jogos para confirmar a presença nos Jogos Olímpicos de Londres;

 

c)    Literalmente, menos gordura no plantel, com o encosto definitivo do Cebola;

 

d)    O facto de ao clube mais difícil que vamos enfrentar fora de portas – o Marítimo, lhe tocar na jornada que imediatamente antecede esse jogo, o segundo classificado, com todas as consequências que daí poderão advir;

 

e)    O jogarmos em casa com o Sporting, podendo fazer a festa do título nesse jogo, que sendo contra um grande ou coisa que o valha, deve ter uma envolvente motivacional assegurada.

 

Faltam quatro jogos (ou menos) para o septuagésimo primeiro título. Uma bela forma de festejar trinta anos de presidência.

 

 

Cardinal, asterisco, e muitas reticências

11
Abr12

 

Ora, quando ainda se sentem, e por quanto mais tempo irão sentir-se, os efeitos da arbitragem do dérbi de segunda-feira, uma notícia como a da suspeita de corrupção do árbitro auxiliar José Cardinal, cai que nem sopa no mel para desviar as atenções.

 

Não sei se será a oportunidade da sua “divulgação”, terá sido ditada por esse objectivo, mas quanto a mim, parece-me um perfeito fait divers, digno de uma silly season fora de tempo. Ainda que rodeado de muitas coincidências. Demasiadas, talvez.

 

Primeiro. Se há coisa que o “Apito Final” ensinou, a quem quis ou conseguiu aprender, foi que não há corrupção sem que se produza o efeito procurado pelo corruptor. Por isso, dado que o árbitro assistente em questão nem sequer interveio no jogo, será um exagero falar em corrupção. Quanto muito na sua tentativa.

 

A não ser que, com base nesta, estejam a ser investigadas outras hipotéticas situações.

 

Segundo. O facto de ter sido depositado dinheiro na conta, não implica necessariamente que o seu titular tenha alguma coisa que ver com isso. Infelizmente comigo nunca aconteceu. Mas pode acontecer, e ninguém está livre disso.

 

Espero que a “investigação” consiga averiguar se o dinheiro ficou na conta, ou se o José Cardinal, recebendo-o, ainda que distraidamente, fez uso dele. Como podiam, e deveriam ter feito em relação ao hipotético envelope, hipoteticamente entregue por Pinto da Costa ao Azevedo Duarte, no tal “Apito”.

 

Depois, vêm as coincidências. A notícia é divulgada após a vitória do Sporting no clássico, e precisamente na semana em que este clube ultrapassou o Marítimo na classificação da Liga Zon Sagres.

 

O José Cardinal é o árbitro assistente de que o Sporting se tem vindo insistentemente a queixar desde a recepção ao Olhanense, na primeira jornada.

 

Há ainda sportinguistas que tentam associá-lo ao penálti fantasma que deu a Taça Lucílio ao mais grande do Mundo dos arredores de Carnide. Porém, nesse caso, exageram.

 

Conforme o próprio Lucílio Baptista assumiu na altura, não terá sido induzido em erro pelo Cardinal, mas sim, pelo Pais António - o famoso Ferrari de Setúbal.

 

Para além do Olegário Benquerença, também o José Cardinal foi homenageado pela AF do Porto, na temporada passada, nas vésperas do cataclismo de Guimarães à quarta jornada, que ditou a então reacção holocáustica do clube derrotado.

 

O Marítimo, sobre quem recaem as suspeitas de ter pago os dois mil euros, vai defrontar brevemente o segundo e o primeiro classificados da Liga, por esta ordem respectivamente.

 

Apesar do bom relacionamento que o homem do guardanapo tem com o seu homologo de orelhas grandes, tal não impediu que houvesse mosquitos por cordas no final da partida disputada no Estádio da Lucy, na época finda.

 

No fundo, nada disto é muito relevante, e não passam como disse de factos isolados, que, conjugadamente se tornam numa série de coincidências, com potencial para dar azo a umas belas teorias da conspiração.

 

Contudo, à frente do nome do José Cardinal, o asterisco, que já não era pequeno, começa a tornar-se gigantesco.

 

Agora, relevantes, relevantes, quanto mim, são pormenores como o facto de, sem querer beliscar minimamente o bom trabalho do Pedro Martins, os madeirenses estarem a fazer a sua melhor época desde há anos a esta parte.

 

De a carreira do árbitro madeirense Marco Ferreira se vir a projectar numa rota ascendente nas últimas duas temporadas, sem que a qualidade das arbitragens produzidas tenha evoluído correspondentemente.

 

Ou de o actual presidente da Liga de clubes, indicado precisamente pelo Marítimo, revelar ser uma sorte ter um dos contendores na final da Taça da Liga, criada teoricamente, para dar oportunidades aos ditos clubes pequenos, que até terão contribuído grandemente para a sua própria eleição.

 

Ou ainda que, este mesmo presidente, a propósito da questão da negociação dos direitos de transmissão televisiva, tenha trazido à colação o exemplo do FC Porto, como sendo o clube onde o detentor daqueles direitos [a Olivedesportos], seria simultaneamente proprietário de percentagens da SAD e do clube:

 

"Devia ser proibido que o detentor dos direitos televisivos tenha percentagens em clubes de futebol, como acontece com o FC Porto e com a SAD, e depois nomeie membros para o Conselho de Administração. Pode haver a ideia, que eu penso na realidade que pode estar a acontecer, desses clubes serem beneficiados quando se trata da divisão desse bolo".

 

Isto quando a empresa em causa é detentora de partes do capital social, não só do FC Porto, mas também do Sporting (pág. 121), 5,474 % dos direitos de voto através da Sportinveste, dominada pela Olivedesportos, de Joaquim Francisco Alves de Ferreira de Oliveira, e do tal clube da sorte grande (pág. 19), 2,66% daqueles direitos, detidos pela mesma empresa, como consta nos respectivos relatórios de contas.

 

Assim sendo, porquê a fixação do Sr. Presidente da Liga com o FC Porto?

 

Ainda que a SAD tenha na altura, rebatido em comunicado a afirmação produzida pelo presidente da Liga, fê-lo, a meu ver, de forma insuficiente, pois esqueceu-se daqueles dois exemplos de idêntico pecado.
 
Este tipo de postura, que não esconde minimamente ao que vem, oriundo de alguém indicado, supostamente, pelo Marítimo, preocupa-me bem mais do que os dois mil euros que o Cardinal possa ou não ter empochado.

É da “poncha”

23
Fev11

Então não é que, apesar do protocolo, direito de preferência, ou lá o que lhe quiserem chamar, que aparentemente deve incluir no seu clausulado a leitura pública de comunicados, o actualmente jovem e promissor jogador do Varzim SC, de nome de guerra Neto, a crer no que se lê, está de malas aviadas para a Madeira, para representar o Nacional daquela ilha?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É que nem sequer segue para o Maritmo, vai mas é precisamente para o rival.

 

Segundo reza a notícia, parece que o facto de que, pese embora esteja em fim de contrato, e por isso, o seu clube de origem ter direito, pela lei de compensação de clubes, a ser indemnizado, terá afastado a concorrência.

 

O Nacional, pelos vistos, terá encontrado forma de contornar o problema.

 

Irá pagar em "poncha"?

 

 

 

Um que se deve meter na “poncha” é este…

 

 

A SAD do FC Porto resolveu interpor uma acção judicial contra o tipo, pelas alarvidades que proferiu numa entrevista.

 

Queixa-se o fulano que se prontificou para colaborar com o Ministério Público (alô, Dr.ª Morgado!), com o propósito de esclarecer algumas situações, e que foi tudo arquivado, o que não me surpreende.

 

Desconheço qual a validade do “hear say” (ouvi dizer) no ordenamento jurídico português, mas se for como no anglo-saxónico, é claro que teria de ser tudo arquivado.

 

Este indivíduo, quando diz que o FC Porto trata as pessoas como guardanapos, de certeza absoluta que só pode estar a referir-se a algo passado com outra pessoa, porque no caso dele, quanto muito, só serviria como papel higiénico, e ainda assim, vai lá, vai.

 

 

Por sua vez, o treinador da equipa que vamos defrontar na 25.ª jornada, devia estar sob o efeito de outro tipo de “poncha”, quando falou à Renascença (e lá estou eu a falar de coisas de que não devo…). Por via das dúvidas, o teste do balão talvez não fosse demais. Ou um teste de matemática, mas das Novas Oportunidades, só para dar mais hipóteses…

 

Espero que o anterior, seguindo o raciocínio do “saco azul” do FC Porto, no caso do Kléber, se prontifique a ir queixar-se ao Ministério Público, para ver esclarecido o misterioso desaparecimento de três pontos nas contas da Liga ZON Sagres.

 

E quanto ao outro, o que será que ele sabe, que nós não sabemos? Estamos a cinco jornadas de ir à Cesta do Pão, e o resultado já se sabe? Baixou Zandinga nele? Vão fazer “buuuu!” quando lá chegarmos, e pensam que damos a volta à caminéte? Ou o sonho da vida dele era apresentar o “Vamos jogar no Totobola”?

 

Contar com o ovo no cú da galinha, é natural, só que às vezes, também vem caca.

Um outro FC Porto x Marítimo

12
Jan11

Muito se disse já sobre o FC Porto x Marítimo. Sobre o golaço do Guarín, sobre os festejos de Jorge Nuno Pinto da Costa e de André Villas-Boas, aquando do golo do puto James, sobre a importância desta vitória para afastar a insustentável pressão das papoilas, enfim, de tudo um pouco.

 

Admito que também eu, depois da derrota no jogo da Bwin Cup, estava (e estou) cheio de medo, e por isso, também vibrei com a bomba do Guarín e com os demais golos portistas, o do James incluído.

 

Mas, mais do que esses aspectos, já sobejamente vistos e revistos, houve naquele jogo alguns pormenores, que ainda não vi suficientemente destacados, e que me tranquilizam quanto ao futuro.

 

Acaso repararam bem na equipa que entrou em campo?

  

  

 

Comparem-na com as expectativas prévias ao início da época e com aquele que vem sendo o onze-tipo de Villas-Boas.

 

O FC Porto entrou com Sapunaru, que na pré-época poucos ou nenhuns alvitravam como titular, no lugar, que supostamente, seria cativo do Fucile.

 

Não me atrevo a dizer, com Otamendi no lugar do Maicon, porque este é um dos lugares cujo titular só agora parece começar a ficar definido. Adiante, e para concluir a defesa, o Emídio Rafael no lugar do Álvaro Pereira.

 

No meio-campo, o Guarín em vez do Fernando, se bem que aqui começo a ter dúvidas de quem é que será na realidade o lugar.

 

Na frente, o James no lugar do Hulk, e o Hulk no do Falcao.

 

No decorrer do jogo, aos 66 minutos, com o resultado em 2-1, entra o Fernando para o lugar do Varela, e altera-se ligeiramente o esquema táctico, passando a um meio-campo com quatro jogadores.

 

Mais liberdade para o Guarín, e golo aos 73 minutos. Aos 74, sai o Sapunaru lesionado e entra o Maicon. Oito minutos depois, o regressado Mariano Gonzalez ocupa a posição do Belluschi.

  

  

 

O FC Porto acaba o jogo com o Otamendi no lugar do Sapunaru, o Maicon no lugar do Otamendi, o Fernando no do Guarín, este no do Belluschi, e o Mariano, no do Varela.

 

Ou seja, trocas de posição e alterações tácticas, q.b., sempre sem comprometer o resultado final da partida.

 

Mais, com o Fernando, Varela e Mariano, todos eles a regressarem após lesões, a deste último, prolongada.

 

Pressão? Medo? Esta equipa mostrou acima de tudo, que tem soluções. Há polivalência e há jogadores que permitem encontrar diferentes alternativas para os entraves que forem surgindo, e de certeza que vão ser muitos.

 

Que me perdoe o Jorge, do Porta 19, mas quanto a mim, e com o devido respeito, este jogo mostrou que o nosso ensemble, neste momento não está muito talhado à maneira das grandes orquestras com tubas e violinos. É bem mais jazz, com uma boa dose de capacidade de improvisação colectiva e swing individual à mistura.

 

Assim se mantenha o soul, ou por outras palavras, a vontade de vencer e o querer.

 

No entanto, como não poderia deixar de ser, há sempre um “no entanto” ou um “mas”, que vem avacalhar a harmonia. Neste caso, são algumas notas dissonantes dadas por jogadores como o Rúben Micael, Walter, Souza, Sereno, Cristián Rodriguez e o Emídio Rafael, que por diferentes motivos, continuam a não tocar pela mesma partitura.

 

 

 

É pena, e oxalá entrem rapidamente em sintonia (os que tiverem unhas para isso…), porque, nas palavras do Carlos Tê e na voz do Rui Veloso, “não se ama alguém que não ouve a mesma canção” (“Anel de Rubi”).

Nukumata*

26
Jan10

O "Diário de Notícias"fez eco na sua edição de 19 de Janeiro, do desconsolo de Olberdam, em relação à sua expulsão no jogo do Marítimo contra o Benfica.

 

Diz o jogador maritimista que os insultos que lhe valeram aquela expulsão, não eram dirigidos ao árbitro João "pode vir o" Ferreira, mas sim ao seu colega de equipa, Paulo Jorge, por cometer (mais) uma falta sobre o extremo benfiquista, Di Maria.

 

Curiosamente, ou não, o mesmíssimo jornal, na sua edição de 23 de Janeiro, tendo tido acesso, sabe-se lá por que via, o relatório do árbitro, assegura que o jogador do Marítimo viu o cartão vermelho por ofender o juiz da partida.

 

As versões da estória são convenientemente discrepantes. O que é certo é que o jogador foi expulso, e o seu clube ficou reduzido a dez elementos aos vinte e poucos minutos, logo após o golo inicial dos benfiquistas, marcando inequivocamente tudo o que a partir daí aconteceu no encontro.

 

Se repararem nas imagens dos resumos deste jogo, e se quiserem ver com objectividade (benfiquistas, abstenham-se!), observarão claramente que o João "pode vir o" Ferreira, passa em corrida pelo Olberdam e pelo Saviola, entretanto, deduz-se que o homem do Marítimo terá dito qualquer coisa, porque o Saviola abre os braços, e à distância a que o adversário se encontrava, desta vez (e só desta!), não me parece que estivesse a pedir uma falta!

 

O que quer que tenha sido dito, terá também sido escutado pelo árbitro, que vaí daí, expulsa o "madeirense".

 

Diz o DN, que o bom do João foi "taxativo: o brasileiro foi expulso porque mandou o árbitro "tomar no c..."".

 

E acrescenta ainda, como motivo da expulsão, "Usar linguagem injuriosa e grosseira, dizendo-me vai tomar no c...".

 

Perante esta pérola, acho que se torna irrelevante saber quem fala verdade ou mentira. E até dou de barato o facto de este mesmo árbitro ser o autor do relatório que mantém suspensos dois jogadores do FC Porto, e o cutelo sobre a cabeça de mais três. Ou as razões pelas quais o Presidente da república, perdão, do Benfica, terá um dia dito, que "podia vir o Ferreira".

 

Então o jogador do Marítimo, por hipótese, dirigindo-se ao senhor, manda-o "tomar no c...", e é expulso por "Usar linguagem injuriosa e grosseira"?

 

Mas onde é que tem andado o Sr. João Ferreira? Será que no Paraíso vermelho onde habita, ainda não ouviu falar do casamento entre pessoas do mesmo sexo?

 

É que, por aqui, entre nós, pobres mortais, na semana que antecedeu o jogo, não se ouviu falar de outra coisa!

 

Agora fala-se do pesadelo do Haiti, mas de certeza que lá voltaremos brevemente, que não é assunto para esquecer. Quem o disse foi o Primeiro-Ministro, logo, deve ser verdade!

 

O Conselho de Ministros até já aprovou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e a Procuradoria-Geral da República até já se debruçou sobre a questão da adopção por pessoas do mesmo sexo.

 

Vem de lá o João "pode vir o" Ferreira, ofender-se, qual virgenzinha púdica, por o mandarem tomar no c...!

 

Ambiguidades quanto à sua orientação sexual, amigo? Na actual conjuntura, aquele tipo de frase, não pode passar de uma sugestão, um convite à experimentação de novas sensações, uma proposta de inovação, como a maionese de gambas, mas sem o óleo "Fula".

 

O Olberdam não pretendeu ofender ninguém. Já o João "pode vir o" Ferreira, está a ofender não sei quantos movimentos de de gays, lésbicas e afins. Será que o Miguel Vale de Almeida já ouviu falar deste caso?

  

Está a por em causa, ao que consta, aquelas que serão as práticas sexuais de não sei quantos casais, que não tarda nada estão aí a casar de véu e grinalda, e fato de três peças e plastron, e vai na volta, a seguir a isso estão a adoptar criancinhas.

 

Será que é o João "pode vir o" Ferreira que vai explicar a essas criancinhas que aquilo que os papás fazem no remanso do seu quarto escuro (ou não!), é injurioso e grosseiro.

 

E a Comissão Disciplinar da Liga, caso castigue o Olberdam, está a assumir uma posição do mais homofóbico que existe.

 

Aliás, em boa verdade, se o motivo da expulsão do jogador do Marítimo é, efectivamente este, então estamos perante um gravíssimo erro disciplinar do árbitro, que não tenho a certeza, mas bem esmiuçadas as coisas, na volta até dava para se requerer a repetição do jogo.

 

Esta situação é bem reveladora do estado de espírito com o que o João "pode vir o" Ferreira se apresentou para arbitrar este jogo. Nervos à flor da pele, falta de estoicismo de espírito e pronto a explodir, convenientemente, claro está, à primeira provocação

 

Aconselho-o vivamente a rever a fleuma com que o José Peseiro aguentou firme e hirto, quando o Rochembach, aqui há tempos, o mandou tomar do mesmo remédio, ao sair de campo numa substituição. Nem deu por ela, disse ele então.

 


* Este título tem por inspiração uma anedota, que era corriqueira nos meus tempos de escola secundária, e que era, mais ou menos assim: "Como é que se diz SIDA, em japonês? Nukumata!"

 

Nota: Disse lá em cima, que até dava de barato o facto de o João "pode vir o" Ferreira, ser na qualidade de quarto árbitro do jogo Benfica x FC Porto, o autor do relatório que mantém suspensos o Hulk e o Sapunaru.

 

Depois de ler n'"A Bola", que também existem discrepâncias entre o relatório deste senhor e o do Director de operações da Liga, no que toca às provocações dos "stewards" aos jogadores portistas, que este último assinalou, mas que o senhor João, não mencionou, retiro o que disse.

 

A este senhor, não dou nada de barato! Ele que vá tomar no c...!